Seis aprendizagens da minha jornada empreendedora | De Portugal para o Mundo

A minha jornada de fazedor já começou há alguns anos, mas acabou por se materializar de forma mais séria com o nascimento da Forall Phones. O que é a Forall Phones? A Forall Phones é uma startup portuguesa que nasceu no seio universitário com a missão de tornar a tecnologia topo de gama acessível, enquanto temos impacto ambiental positivo na sociedade. Como é que fazemos isso? Através da venda de smartphones topo de gama recondicionados, que em média, são 40% mais baratos que os novos. Damos uma nova vida a equipamentos e permitimos a poupança de dinheiro aos nossos clientes. Em pouco mais de 1 ano conseguimos passar de 4 colaboradores full-time para 50, gerar vendas para 14 países, abrir uma rede de lojas e atingir um crescimento superior a 700% ao ano.

Ao longo desta viagem retirei algumas aprendizagens que acho essencial para teres sucesso enquanto empreendedor:

  • Se queres ter um negócio de sucesso é essencial focares-te. Parece óbvio, mas hoje em dia, e graças à enorme competição que existe, é 100% certo que se não estiveres focado e 200% entregue ao teu projeto, não vais conseguir assegurar um crescimento escalável e duradouro;
  • Pensa bem no “porquê” de estares a começar algo. Podes fazer um exercício muito simples de perguntar 5 vezes “porque razão estou a começar isto?”. Este racional vai testar a força da tua ideia e, dar a garantia que estás muito claro relativamente ao propósito que será abraçado por dezenas e, quem sabe, milhares de pessoas no futuro;
  • Foca-te naquilo que és bom e que te torna diferente/único no mercado. Depois, explora essa diferenciação através de uma narrativa. Isso vai ressoar na tua audiência, na tua equipa, nos teus stakeholders e vai permitir que se revejam e percebam porque razão devem confiar em ti. Tal como Scott Belsky defende, criar uma narrativa deve ser uma das primeiras prioridades de um empreendedor. Esse exercício vai-te ajudar a perceber qual será o teu market fit;
  • A cultura e as pessoas são chave! Desde muito cedo a cultura foi muito importante para a Forall Phones. Acreditamos que o capital humano é o principal ativo das empresas do século XXI! Nesse sentido, investimos muito tempo a trabalhar a nossa cultura, valores e a forma como garantimos que toda a nossa equipa está motivada e alinhada por um propósito comum. A nossa cultura de confiança, liberdade e responsabilidade tem-se revelado um sucesso a nível de performance, atração e retenção de talento;
  • Simplifica! Pensa simples e evita criar complexidade. A rapidez na execução, flexibilidade e adaptação são essenciais numa fase de lançamento de negócio. Nesse sentido, existe uma imensidão de ferramentas disponíveis, como plataformas de e-commerce Shopify ou Woocommerce, que te permitem lançar um negócio do dia para a noite sem precisares de investir dezenas de milhares de euros ou recrutares uma dezena de developers;
  • Se não és apaixonado pelo que fazes não vai dar certo! A viagem de um empreendedor é muito desafiante. As adversidades surgem a todos os minutos e só vais conseguir chegar ao teu objetivo se tiveres a resiliência e persistência para lidares com elas. Nós acreditamos que isso só é possível quando estás a fazer algo que vês como uma missão e não como um simples trabalho – nós chamamos-lhe paixão!

Por fim, COMEÇA, FAZ! A verdade é que no início nós não éramos 100% experts em negócios da economia circular, lançámo-nos nesta jornada de mente aberta e dispostos aprender e ser melhores a cada dia que passa.

João Ribeiro
CMO & Co-owner Forall Phones

Importância e Justificação da Geriatria

Há mais de um século que Médicos e organizações científicas chamam a atenção para os doentes idosos, considerando-os um grupo particular dentro da população dos doentes que procuram assistência médica.

Considerações semelhantes fizeram emergir na Europa, no século XVIII, a assistência especializada às crianças, e o primeiro hospital de pediatria nasceu na Grã-Bretanha, em Londres em 1745, o London Foundling Hospital. Este hospital como outros da mesma especialidade tornaram-se os principais centros de treino de pediatria que passou a ser ensinada nas Escolas Médicas, como disciplina autónoma, em meados do século XIX.

Quando doentes, a criança e o idoso são semelhantes nas suas particularidades, que os distinguem do doente adulto.

Ambos têm doenças próprias ou mais prevalentes, ambos têm manifestações especiais das suas doenças, ambos têm opções terapêuticas condicionadas pelas alterações da farmacocinética e da farmacodinamia, ambos exigem aconselhamento na prevenção das doenças e no desenvolvimento harmonioso e saudável, a criança, no envelhecimento ativo e saudável, o idoso. Ambos exigem atenções no internamento, minimizando o sofrimento da criança na separação da família, evitando o delirium e a perda de autonomia motora no idoso. No caso do idoso acresce a simultaneidade de patologias e a frequente e nem sempre evitável polimedicação.

A Pediatria foi entendida como um aliado da Medicina Interna, um contributo importante para otimizar a assistência à criança.

A medicina dos Idosos, a Geriatria, é também assim entendida em todos os países civilizados do Mundo. Aliada da Medicina Interna, enriquece-a e complementa-a. Nos países onde se desenvolveu a Geriatria, desde meados do século passado, não retirou importância à grande disciplina, base de todas as especialidades que é a Medicina Interna, e como todas as outras especialidades que emergiram da Medicina Interna a sua existência tem a mesma justificação:

melhorar a qualidade e a eficácia da assistência no exercício da medicina.

Nos nossos dias a eficácia da medicina exige cada vez mais a assistência por uma equipa multidisciplinar.

A Geriatria é uma das disciplinas que, como todas as outras, é imprescindível nessa equipa.

É urgente que à semelhança do que aconteceu no Mundo (p. ex: há mais de três dezenas de anos em Espanha e nos E.U.A.) que os grandes hospitais de Portugal criem Unidades de Internamento de Geriatria não só para otimização dos cuidados aos idosos do tipo III (1), mas também para a formação dos Internistas e dos médicos que pretendam obter a Competência em Geriatria.

Não será só de mais Geriatras que precisamos, mas também de médicos cada vez melhor preparados para otimizar a assistência aos doentes idosos.

Assim seremos iguais aos outros países, daremos seguimento às diretrizes da Organização Mundial de Saúde e para mais, como escreveu em 1991, o Prof. Daniel Serrão: “é um imperativo moral e ético criar as condições científicas e técnicas que permitam formar médicos aptos a dar cumprimentos aos princípios das Nações Unidas em favor das pessoas idosas”.

  • Gorjão Clara J. The older patient; the need for geriatric units. (Editorial).

European Geriatric Medicine, 2015;6(4):295-296

Ninguém Tem Limites

Sou o Nuno Major, tenho 21 anos e sou estudante do 4º ano da FFUL.

Tudo começou quando eu nasci… Um bebé aparentemente normal, mas havia algo de errado, não tinha força para chorar. Para duas pessoas que acabam de ser pais pela primeira vez, depararem-se com um bebé diferente é como um murro no estômago. Fizeram-se exames e mais exames, testes, viagens, biópsias, pediram-se segundas, terceiras, quartas opiniões e nada! Não havia diagnóstico… e para ser sincero, ainda não há hoje em dia.

O que se sabe é que tenho uma neuropatia axonal periférica. Trocando isto por palavras mais simples – neuropatia, porque é do foro neurológico; axonal, porque basicamente os nervos não transmitem a mensagem completa aos músculos, logo eles não se contraem na sua totalidade; periférica, pois afeta mais a periferia – do joelho para baixo e do cotovelo para baixo.

Não foi uma infância fácil, há que admitir, não só para mim, mas principalmente para quem esteve comigo desde o dia 1. Não deve ser fácil ouvir que “a esperança média de vida do seu filho são meses/anos”… Ou que “o seu filho na adolescência vai parar definitivamente a uma cadeira de rodas”… Ou ainda, “tem de o ajudar para ele não se magoar porque ele não consegue fazer isso”… Tantos blá blá blá, mas tal nunca aconteceu, nunca baixámos os braços! Sempre se ultrapassaram barreiras, alcançaram novos objetivos, conquistaram novas vitórias e tudo isto não era possível sem a melhor pessoa que eu conheço neste mundo – a minha mãe! Sem ela, sem a força dela, a sua resiliência e mau feitio (claro!), não era esta pessoa que sou hoje, a levar uma vida completamente autónoma… Um obrigado é pouco!

Não posso dizer que a minha deficiência me define, mas ajudou a tornar-me na pessoa que sou hoje! Houve muita coisa menos positiva? Sim, claro. Mas aprendi se calhar a relativizar um pouco as várias coisas que nos acontecem no dia a dia, aprendi a viver cada momento, cada vitória e, acima de tudo, a ser mais positivo para com a vida e com os outros!

Felizmente nunca me faltou nada, sempre estive rodeado das melhores pessoas que conheço, dos melhores amigos, dos melhores familiares, dos melhores colegas… Foram estas pessoas que quando houve momentos menos bons me puxaram para cima e fizeram de tudo para que não me sentisse diferente!

Se é impossível passar um dia sem pensar na minha doença, sem pensar no que os outros pensam quando me veem, sem haver barreiras? É. Mas é tão gratificante quando surgem convites destes para dar o meu testemunho e sentir que posso ter algum impacto na vida das pessoas!

Eu não sou mais nem menos que ninguém, todos temos as nossas experiências de vida, e eu hei-de continuar cá a levar a vida com boa disposição, na esperança que um dia haja um diagnóstico. Tu, que estás aí a ler isto, se te pus a sorrir ou te inspirei, já fizeste com que o meu dia valesse a pena!

Um obrigado enorme a todos os que de alguma forma fazem parte da minha vida e lembrem-se: as incapacidades de cada um estão na nossa própria cabeça e na forma como pensamos!

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