A Gripe

A Gripe

As infeções virais respiratórias são uma situação clínica bastante comum no ambulatório, sobretudo durante o outono e inverno, apresentando uma elevada morbilidade. Durante as epidemias provocadas por Influenza, pode existir mortalidade não desprezável nos doentes considerados de risco.

Epidemiologia:

A gripe é uma infeção viral causada pelos vírus Influenza A e B. O primeiro é o mais frequente, ocorrendo anualmente, causando epidemias a cada 3 – 4 anos e pandemias a cada 10-30 anos. O tipo B ocorre a cada 2 – 4 anos e não causa pandemias.

O vírus da gripe é um vírus RNA, com grande capacidade de variabilidade antigénica, verificando-se a ocorrência de mutações minor (variação a todos os invernos) e/ou aparecimento de verdadeiros subtipos, responsáveis pelo aparecimento de epidemias (tipo A), de que são exemplos a “Pneumónica” ou Gripe espanhola (1918) e, mais recentemente, a gripe asiática (1957) e a gripe de Hong Kong (1968). 

Incidência:

É uma infeção muito frequente, com elevada morbilidade e mortalidade importante. Só nos E.U.A., há, todos os anos, 48 milhões de casos de gripe, com 4 milhões de hospitalizações e 20 mil mortos. A sua incidência é maior em crianças com menos de 6 anos, nos idosos (> 65 anos) e nos doentes considerados de risco.

Transmissão:

A transmissão é feita por pequenas partículas expelidas pela tosse. A capacidade dos aerossóis permanecerem em suspensão por várias horas é a razão do potencial de infeção e dispersão do vírus Influenza.

Manifestações Clínicas:

A clínica é semelhante à de outras infeções virais: sintomatologia respiratória com rinorreia aquosa, tosse seca e ardor retro-esternal e sintomatologia sistémica com febre, cefaleias, mialgias e artralgias. A recuperação e cura clínica são regra, podendo, no entanto, permanecer uma tosse crónica que leva algumas semanas a desaparecer.

Complicações:

Porém, as infeções virais provocadas pelo vírus Influenza podem apresentar várias complicações como traqueobronquite, pneumonia viral primária e pneumonia bacteriana secundária.

A traqueobronquite é caracterizada por sinais clínicos de infeção do trato respiratório inferior, apresentando, geralmente, um bom prognóstico. 

Já a pneumonia viral primária é uma situação mais complicada, podendo apresentar uma alta taxa de mortalidade. O doente apresenta um envolvimento pulmonar geralmente progressivo com dispneia marcada e hipoxémia que justifica ventilação mecânica. 

A pneumonia bacteriana secundária é mais frequente do que a anterior e surge em doentes em aparente recuperação de uma infeção viral típica e que têm uma “recaída” ao 6.º/10.º dia. Há envolvimento bacteriano, estando geralmente envolvidos o Pneumococos, o Haemophilus influenzae ou o Estafilococos aureus. Estas infeções devem-se, frequentemente, a uma diminuição do sistema de defesa do organismo. O tratamento passa por hospitalização do doente, ventilação, quando necessária, e antibioterapia adequada. 

Profilaxia:

Perante este quadro, por vezes tão dramático, deve ser feita a profilaxia da gripe com a chamada “vacina da gripe”. Esta vacina, que é ajustada anualmente, é eficaz, de fácil aplicação, com escassos efeitos secundários e de preço razoável.  

Get To Know The Alumni – Bernardo Crispim

A geração millennial (na qual me incluo por escassos meses para efeitos de contexto) nasceu num mundo incapaz de lhe oferecer aquilo que os seus pais e avós lhes prometeram. As gerações do pós-guerra viveram tempos incríveis de prosperidade social e económica, uma classe política estável que conseguia, melhor ou pior, responder às necessidades crescentes das pessoas. Isto levou à criação de um argumento incompleto que é uma falácia nestes tempos pós-modernos. Lembro-me de os meus pais dizerem: filho, estuda e aplica-te que vais ter um bom emprego e uma boa vida. Claro que aqui podemos entrar em discussão naquilo que cada um considera, individualmente, ser um bom emprego e uma boa vida. Mas factos são factos. O crescimento económico (quase) estagnou o que levou a sucessivas crises financeiras com os efeitos que conhecemos, ainda por sarar. A tecnologia (automação, ferramentas digitais, AI, etc) revolucionou o mercado de trabalho, tornando-o vorazmente competitivo. Os tempos mudaram e as coisas ficaram consideravelmente mais difíceis para um jovem licenciado arranjar o seu “emprego de sonho” (ou emprego só).

Então e aquilo que nos prometeram? Pois bem, a resposta que ouvimos sucessivamente é: “Diferenciação. Diferenciação. Diferenciação. Tu, jovem licenciado, se queres ter sucesso no mercado de trabalho não te podes agarrar apenas a um canudo. Tens de ser empreendedor. Tens de ser multidisciplinar (palavra cara para dizer que não podes saber só aquilo que te ensinaram na aula de Anatomia do 1º ano). Tens de ser criativo!” Ai é empreendedor que querem? Então é empreendedor que vão ter.

No final do ano de 2013 (mesmo nos finalmentes) tive a oportunidade de participar na génese do projecto que iria, mais tarde, revolucionar o perfil do típico estudante de ciências farmacêuticas. Sim, a LisbonPH. A Júnior Empresa da Faculdade de Farmácia da Universidade de Lisboa. Algo um pouco etéreo na altura para um miúdo de 19 anos, mas que viria a fazer uma enorme diferença 5 anos mais tarde quando, este pobre millennial, se lançou na demanda do primeiro emprego. A nossa visão e objetivo era precisamente dar resposta às necessidades que sentíamos, em criar um profissional de saúde do futuro empreendedor, criativo e multidisciplinar.

Pouco ou nada sabia de gestão de projectos, marketing, estratégia de negócio, os skills básicos para trabalhar numa empresa sabem? Mas lá está, o pretendido não era isso. O objetivo era perdermos a vergonha e irmos por nós próprios aprender. Não sei. Aprendes. Como? A fazer idiota. Em equipa começámos a criar pequenos projectos juntamente com professores da faculdade que viam potencial naquilo que estávamos a fazer, geralmente eventos de cariz científico como congressos e simpósios, e assim, esta pequena locomotiva a carvão tornou-se num comboio de carga de alta velocidade (movido a energias renováveis, calma).

Durante 3 gloriosos anos (com muita dor de cabeça e noites mal dormidas à mistura) passei por duas posições distintas na LisbonPH. No início entrei para o Departamento Comercial e Logística (teve vários nomes ao longo do tempo, mas chamemos-lhe assim para facilitar), no qual participei ativamente na concepção da estratégia comercial da LisbonPH e na sua implementação. Além do trabalho institucional, estávamos também fortemente ligados à gestão de projectos, o que nos permitia trabalhar numa estrutura matricial com diferentes departamentos e desenvolver a nossa capacidade de trabalhar em equipa e de fazer várias coisas ao mesmo tempo (lá está, multidisciplinariedade). Depois desta experiência arrebatadora, assumi uma posição de liderança enquanto Secretário Geral, na qual tive o grande desafio do meu percurso. Aqui, numa posição mais estratégica que operacional, para além da representação externa da LisbonPH com os nossos clientes e pares, estava sobre a minha alçada a gestão interna da equipa de um modo crossfunctional com os diversos departamentos. Aqui, aprendi que o meu objetivo enquanto gestor de pessoas não é mandar nem fazer com que as coisas aconteçam, mas sim dar às pessoas aquilo que elas precisam para que consigam ter sucesso e crescer.

Acredito que foi aquilo que aprendi na LisbonPH que me tornou apto e possibilitou ingressar na Indústria Farmacêutica. Depois de uma breve passagem pela Direção de Avaliação de Medicamentos do Infarmed (e umas noites na farmácia do Parque Eduardo VII), iniciei um estágio no Departamento de Acesso ao Mercado da Gilead Sciences. O que seria apenas um estágio para cobrir uma licença de maternidade, rapidamente se transformou numa oportunidade única, visto que, ao final de um ano, passei a desempenhar as funções de Market Access Manager responsável pela área de Doenças do Fígado, Oncologia e Terapia Celular.

Se até ao lavar dos cestos toda a parra é vindima, nestes tempos pós-modernos o importante é o que fazes à uva e acredita, a LisbonPH é cá uma adega.

Dispositivos Médicos e Inovação em Saúde

O que são os Dispositivos Médicos?

Os dispositivos médicos englobam produtos tão distintos como um simples termómetro a outros muito mais complexos como “stents cardíacos”, próteses ortopédicas ou implantes dentários. Atualmente a sua utilização é cada vez mais frequente para efeitos de diagnóstico, tratamento de doenças, compensação de uma lesão ou de uma deficiência e controlo da concepção.

Os dispositivos médicos enquanto produtos de saúde, apesar de apresentarem finalidades médicas sobreponíveis às dos medicamentos distinguem-se destes, uma vez que, por definição, o principal efeito pretendido no corpo humano deverá ser alcançado por meios físicos e/ou mecânicos e não por meios farmacológicos, imunológicos ou metabólicos. Também o sistema regulamentar dos dispositivos médicos é baseado em princípios distintos dos aplicados aos medicamentos, exigindo competências específicas para a sua interpretação e aplicação.

A inovação no setor

A inovação no setor dos dispositivos médicos e tecnologias tem sido extremamente rápida e elevadas expetativas existem em relação ao futuro.

Contrariamente ao que tem acontecido no setor do medicamento, no qual a aprovação de novas moléculas tem diminuído, os dispositivos médicos e tecnologias assumem-se como atores principais da inovação em saúde, com uma importância crescente na prestação de cuidados individualizados de saúde, na melhoria da qualidade de vida dos cidadãos e na promoção de um envelhecimento ativo da população. Software com finalidade médica, testes de seleção de terapêutica (companion diagnostic), dispositivos que utilizam nanotecnologias, impressão 3D de tecidos, instrumentais que suportam cirurgias minimamente invasivas, entre outros, são exemplos de inovação nesta área.

Em paralelo, será necessário refletir sobre alguns dos aspetos menos positivos relacionados com o progresso dos dispositivos médicos nomeadamente, sustentabilidade dos serviços de saúde, cibersegurança e questões éticas e regulamentares complexas.

Apesar de existirem riscos inerentes à inovação haverá certamente cada vez mais melhorias em saúde pela utilização de dispositivos médicos num contexto de uma medicina cada vez mais personalizada em que o objetivo de “morrer jovem o mais velho possível” seja progressivamente mais tangível para uma maioria da população.

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