Testemunho da Alumna Margarida Gaião

Olá a todos! O meu nome é Margarida Gaião, tenho 23 anos e estou neste momento a concluir o curso do MICF. Venho contar-te uma das minhas grandes viagens do meu percurso académico: a minha querida LisbonPH.

Senta-te que a viagem vai ser atribulada!

Tudo começa no segundo ano. À procura de desenvolver as minhas características pessoais e de fazer crescer um projeto, nasce o interesse por me envolver na pouco conhecida (na altura) Júnior Empresa da Faculdade de Farmácia da Universidade de Lisboa. Candidatei-me ao Departamento Científico e entrei no barco.

Descrever o que a LisbonPH me deu na altura é indescritível, mas posso tentar. Oportunidade de executar tarefas com resultados visíveis, trabalhar diariamente com uma equipa com objetivos concretos, ambiciosos, mas bem delineados e contactar com Profissionais de saúde já colocados no mercado e ricos em sabedoria. No entanto, nada é comparável ao crescimento pessoal que se conquista. É sem dúvida uma oportunidade para te conheceres melhor, para descobrires as tuas verdadeiras forças, mas também os teus limites e as tuas falhas, ou melhor, pontos a melhorar. Porque com esta valiosa perceção, consegues alcançar tudo o que desejas.

Continuando a minha viagem, após seis meses, fui convidada a desempenhar o cargo de Vice-Presidente da JADE Portugal, Federação das Júnior Empresas de Portugal. Nesta experiência desenvolvi enormemente as minhas skills pessoais, competências de liderança e ganhei também uma perceção sobre o Movimento Júnior Português. Percebi que não estamos sozinhos e que se queremos ser os melhores temos de viver num descontentamento sucessivo e numa procura de melhoria contínua. Foi sem dúvida um marco importante do meu percurso e mostra também que estar na LisbonPH não significa estares estático no mesmo cargo. Significa também progressão, reavaliação pessoal e ambição de querer integrar outros postos, encarando outras perspetivas.

Quase a chegar ao porto surge a oportunidade mais desafiante de todas: ser Secretário-Geral da LisbonPH. Coordenar diariamente uma equipa de quarenta e poucas pessoas, participar no pensamento estratégico e na tomada de decisão de todas as ações desempenhadas por uma Júnior Empresa, assumindo a responsabilidade pelo presente e futuro da mesma é no mínimo, intimidante. Mas com uma equipa a remar para o mesmo lado, tudo se consegue. E esta é a mensagem subliminar que te quero passar. Não tenhas medo de te candidatar, de ter receio de demonstrar aquilo que és e o que ambicionas. Com uma equipa como a da LisbonPH o impossível torna-se possível, o imprevisto torna-se uma oportunidade de mostrar mais e melhor e o problema torna-se rapidamente uma solução.

Foi sem dúvida uma viagem e tanto.

E eu não a trocava nem por nada.

Candidata-te!

– Margarida Gaião

Investigação na área Farmacêutica Oportunidades e Desafios

Para iniciar, o que significa “Investigação Farmacêutica”? O que a distingue da “investigação” por si só? Como já seria de esperar, este termo não existe no dicionário da língua portuguesa. No entanto, individualmente, os termos por si só significam:
“Investigação: Indagação ou pesquisa que se faz buscando, examinando e interrogando; Inquirição de testemunhas.
Farmacêutico: Relativo a farmácia; Pessoa que exerce farmácia; Pessoa que é responsável por uma farmácia.”
Conjugando ambas as definições, verifica-se que o conceito fica limitado à tradicional definição de “farmacêutico” constante no dicionário. No entanto, devido ao conhecimento que o farmacêutico tem acerca do medicamento e a crescente vontade de colocar o paciente como foco principal no sistema de saúde, o farmacêutico é um dos elemento-chave nas equipas multidisciplinares de investigação em saúde e está mais que capacitado para se envolver na área da investigação. Atualmente existe uma crescente tendência de procura de “prática baseada na evidência” e de envolver o paciente na sua saúde, o que abre a porta à investigação clínica, onde o farmacêutico tem um papel fulcral para melhorar o cuidado do paciente e uma melhor gestão dos sistemas de saúde, devido à grande proximidade do farmacêutico e do paciente. Além disso, a correta gestão do medicamento gera consideráveis poupanças ao erário público, o que reforça a pertinência do farmacêutico nos grupos de decisão em saúde.
Por outro lado, devido à crescente tendência e pertinência de colaboração de diferentes equipas de investigação, verifica-se que a investigação realizada pelo farmacêutico é muito mais vasta do que a prática farmacêutica. Ou seja, a sua investigação não está limitada ao cuidado do doente nem à prática do serviço farmacêutico, que inclui a correta gestão do medicamento, mas contribui para o desenvolvimento científico em geral. O Farmacêutico é capaz de participar numa enorme variedade de equipas de investigação. Desde as relacionadas com a descoberta, design, desenvolvimento e utilização de um fármaco, até às que trabalham na área da química e biologia ambiental, entre outros, devido à sua vasta formação de base.
Em suma, um farmacêutico que queira exercer a sua função na área de investigação tem nas suas mãos a possibilidade de se encaixar num vasto leque de grupos de investigação, desde os menos explorados e em maior desenvolvimento como a correta gestão do medicamento, aos que se focam nas áreas principalmente relacionadas com a descoberta de novos fármacos, fisiopatologia da doença e ainda, de se focar em áreas de investigação mais fundamental e até ambiental. O Mestrado Integrado em Ciências Farmacêuticas abre portas ao exercício de investigação em imensas áreas.

Tiago Caetano

“Live Your Mark”

Luana Serranho, uma jovem de 18 anos, residente em Lisboa, deu-nos a conhecer um pouco da vida de quem tem Vitiligo. A jovem, praticante de basquetebol desde os 10 anos e, atualmente, a estagiar na Seleção Nacional, conta, nesta entrevista que concedeu à LisbonPH, como aceitou a doença, superou o receio da discriminação e encarou a vida com uma atitude positiva, deixando alguns conselhos a quem, como ela, também vive com Vitiligo.

1. Quando foi a primeira vez que te apercebeste que tinhas Vitiligo? Esta doença sempre foi visível desde a nascença?

“O Vitiligo apareceu-me, pela primeira vez, por volta dos 12/13 anos.”

2. De que forma evoluíram as tuas manchas? Tiveram uma evolução marcada, houve algum período de estagnação ou estão semelhantes desde que apareceram?

“As manchas começaram por aparecer nos cotovelos, uma no joelho e depois nas mãos. Por exemplo, se caísse e esfolasse alguma parte do corpo, por mais que desinfetasse a ferida, esta acabava sempre por se tornar numa mancha branca. Mais tarde, começaram a aparecer na região perto dos olhos. Apercebi-me de que, nas épocas de mais calor (na primavera e, especialmente, no verão), as manchas que já tinha começavam a alastrar e apareciam novas noutros sítios. Por outro lado, nas épocas de menor calor,  começavam a diminuir de tamanho. Neste momento tenho 18 anos, muitas das manchas já reduziram de tamanho e até agora não tenho novas a surgirem. Agora que já as aceitei, acho que é uma imagem de marca e já me sinto bem com elas!”

3. Sentes que as manchas afetaram negativamente a forma como te vês? Alguma vez sofreste algum tipo de discriminação por causa do Vitiligo?

“Inicialmente, custou-me um pouco a aceitar porque tinha medo que as pessoas as vissem e que me discriminassem. Apesar de nunca o terem feito, não as conseguia aceitar muito bem. As pessoas simplesmente perguntavam o que era ou até mesmo comentavam e, para mim, na altura, era um pouco difícil falar sobre a doença e explicar o que era.”

4. Necessitas de algum acompanhamento médico especializado? Se sim, existe alguma frequência adequada?

“Quando as manchas começaram a aparecer, os meus pais decidiram levar-me a uma dermatologista que me receitou uma pomada para aplicar nas manchas. À medida que o tempo foi passando, e não houve desaparecimento das mesmas, decidi ir a um médico espanhol que me receitou medicação e outro creme. Relativamente à medicação, deixei de a tomar porque me provocava efeitos secundários. Quanto ao creme, ao longo do tempo também deixei de o aplicar porque não notava nenhuma melhoria na pigmentação das manchas.”

5. Tens algum tipo de cuidado específico com a pele? Particularmente, aquando da exposição solar, que tipo de proteção adotas?

“Como já referi, em épocas de calor extremo tenho de utilizar um protetor solar 50+ específico para peles sensíveis. No entanto, mesmo que aplique o protetor em todo o corpo, inclusive nas manchas, tenho tendência para apanhar escaldões nas zonas despigmentadas, pelo que não devo estar muitas horas ao sol. Tento sempre ter um cuidado especial com a zona junto aos olhos.”

6. Tens algum conselho que queiras dar acerca do Vitiligo, tanto às pessoas afetadas como às não afetadas?

“Às pessoas que têm Vitiligo, quero dizer-lhes que não se devem sentir diferentes dos outros só porque têm manchas. Sei que, inicialmente, até pode custar um pouco, o que é normal, existe um período de adaptação. No entanto, com o tempo, habituam-se e já não se sentem mal consigo mesmas. Mesmo que as pessoas apontem, discriminem ou comentem, só têm de ignorar porque não é o Vitiligo que nos vai fazer deixar de ser “pessoas”, apenas nos dá características diferentes. Quero também alertar para a proteção da pele contra o sol, para que esta doença não se torne prejudicial para a saúde.”

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