Será o Empreendedorismo a Chave do Futuro?

A LisbonPH foi fundada por um grupo de estudantes em 2013, ano em que o setor farmacêutico vivia diversas  dificuldades devido a múltiplos fatores socioeconómicos. Neste preciso ano, o ingresso no mercado de trabalho por parte dos alunos finalistas do Mestrado Integrado em Ciências Farmacêuticas estava cada vez mais dificultado e as condições de trabalho não eram as idealizadas. Com o mercado de trabalho praticamente saturado, todos procuravam a chave para o sucesso. Foi então, que um grupo de estudantes da Faculdade de Farmácia da Universidade de Lisboa decidiu acrescentar valor à sua formação iniciando uma Júnior Empresa cujo o principal mote é o “Desenvolvimento do Profissional de Saúde do futuro, empreendedor, criativo e multidisplinar”, a LisbonPH. Este foi o fator diferenciador que cada um daqueles jovens fundadores teve no seu percurso académico e que se continuou a perpetuar durante os últimos cinco anos a todos os estudantes que passam por esta Júnior Empresa. Pois bem, se empreendedorismo significa empreender, resolver um problema ou situação complicada, nada poderá ter sido mais empreendedor que a criação da LisbonPH como resposta às adversidades. E se, empreendedorismo foi a palavra de ordem para o “nascimento” da LisbonPH depressa se tornou num valor pelo qual nos pautamos. É através do  empreendedorismo que procuramos a constante inovação, que nos preocupamos em desenvolver novos serviços e que nos permite evoluir e atingir novos patamares . A evolução contínua foi e sempre será um dos principais objetivos da LisbonPH. Para além disso, o que faz da LisbonPH verdadeiramente empreendedora é o conjunto de empreendedores pelos quais somos constituídos com as capacidades certas para ter sucesso: flexibilidade, dinamismo, criatividade, garra, energia, espírito de iniciativa e sacrifício. E assim, chegamos ao cerne da questão: “ SERÁ O EMPREENDEDORISMO A CHAVE DO FUTURO? Estou certa que sim. Em 2019, a LisbonPH continuará a ultrapassar todas as adversidades com as quais for deparada, a elevar os seus padrões de inovação, a ambicionar sempre mais e, mais importante que tudo,  nunca estagnar para que nos mantenhamos fiéis ao propósito pelo qual fomos criados: “Pelo desenvolvimento do Profissional de Saúde do futuro, empreendedor, criativo e multidisplinar”.

– Mariana Chaves, Presidente Executivo da LisbonPH

Orçamento de Estado – Custos de Saúde

O Orçamento do Estado de 2019 apresenta, no que diz respeito ao setor da saúde, duas partes distintas.

A primeira dessas partes é preparada pelo Ministério da Saúde, pois está na secção dedicada à saúde (e o formato e texto seguem o padrão de anos anteriores). A segunda parte é uma secção dedicada ao Serviço Nacional de Saúde, claramente escrita com outro estilo, e dando uma perspetiva adicional sobre os desafios do Governo nesta área. Aparentemente terá sido escrita por alguém mais próximo do Ministério das Finanças.

Na secção dedicada explicitamente à saúde e ao Ministério da Saúde, grande parte do texto apresentado é em grande medida igual ao do ano anterior, que por sua vez já tinha grandes semelhanças com o do ano anterior a esse. As prioridades têm ligeiras alterações, normalmente decorrentes de novas ideias ou de conclusão de medidas antigas. Podemos destacar as preocupações com o acesso a cuidados de saúde (saúde oral, telessaúde, atribuição de médico de família a aproximar os 96%).

Já na secção dedicada ao Serviço Nacional de Saúde, surge com destaque a Estrutura de Missão para a Sustentabilidade do Programa Operacional da Saúde, que tem como missão central ajudar a uma maior racionalidade e eficiência na despesa pública em saúde, e em particular dos Hospitais EPE. A breve referência a esta Estrutura de Missão, feita na secção do Ministério da Saúde, contrasta com a descrição alargada feita nesta outra secção. O papel desta Estrutura de Missão é importante em dois planos: primeiro, pelas recomendações que realiza, no sentido de procurar resolver o problema das dívidas dos Hospitais EPE; segundo, pelo sinal político que transmite, que se espera que seja de colaboração entre o Ministério da Saúde e o Ministério das Finanças, sendo importante que ambos sintam o compromisso de fazer com que esta Estrutura de Missão tenha condições adequadas para desenvolver o seu trabalho.

Em termos de contas, a despesa prevista para o SNS em 2019 é de 10,223 mil milhões de euros, embora a transferência do Orçamento do Estado para o Serviço Nacional de Saúde seja “apenas” de 8,812 mil milhões de euros. A diferença entre a despesa do SNS e a transferência vinda do Orçamento do Estado terá que ser colmatada com receitas de taxas moderadoras, com pagamentos realizados por outras entidades contra serviços prestados pelo Serviço Nacional de Saúde, e por défice (que terá de ser pago no futuro, de qualquer modo). Os hospitais públicos têm uma despesa prevista no Orçamento do Estado de 5,077 mil milhões de euros, e as Administrações Regionais de Saúde cerca de 3,688 mil milhões de euros (e inclui a despesa com as unidades de cuidados de saúde primários e em intervenções de saúde pública). São a parte mais substancial da despesa pública em saúde. O papel dos hospitais na despesa faz com que os problemas gerados pelo acumular das suas dívidas (e pagamentos em atraso) a fornecedores sejam também problemas para o Orçamento do Estado. E daqui decorre a importância da Estrutura de Missão para resolver esta questão dos pagamentos em atraso. E será este o principal desafio do Orçamento do Estado para 2019, que se torna mais forte devido à pressão para mais contratações de recursos humanos, e logo, mais despesa. Essa necessidade de reforço de profissionais de saúde surge em larga medida da alteração dos horários de trabalho, com a passagem das 40h para as 35h semanais, e que também tem estado na origem da conflitualidade laboral no SNS.

– Prof. Doutor Pedro Pita Barros, Nova School of Business and Economics

Seis aprendizagens da minha jornada empreendedora | De Portugal para o Mundo

A minha jornada de fazedor já começou há alguns anos, mas acabou por se materializar de forma mais séria com o nascimento da Forall Phones. O que é a Forall Phones? A Forall Phones é uma startup portuguesa que nasceu no seio universitário com a missão de tornar a tecnologia topo de gama acessível, enquanto temos impacto ambiental positivo na sociedade. Como é que fazemos isso? Através da venda de smartphones topo de gama recondicionados, que em média, são 40% mais baratos que os novos. Damos uma nova vida a equipamentos e permitimos a poupança de dinheiro aos nossos clientes. Em pouco mais de 1 ano conseguimos passar de 4 colaboradores full-time para 50, gerar vendas para 14 países, abrir uma rede de lojas e atingir um crescimento superior a 700% ao ano.

Ao longo desta viagem retirei algumas aprendizagens que acho essencial para teres sucesso enquanto empreendedor:

  • Se queres ter um negócio de sucesso é essencial focares-te. Parece óbvio, mas hoje em dia, e graças à enorme competição que existe, é 100% certo que se não estiveres focado e 200% entregue ao teu projeto, não vais conseguir assegurar um crescimento escalável e duradouro;
  • Pensa bem no “porquê” de estares a começar algo. Podes fazer um exercício muito simples de perguntar 5 vezes “porque razão estou a começar isto?”. Este racional vai testar a força da tua ideia e, dar a garantia que estás muito claro relativamente ao propósito que será abraçado por dezenas e, quem sabe, milhares de pessoas no futuro;
  • Foca-te naquilo que és bom e que te torna diferente/único no mercado. Depois, explora essa diferenciação através de uma narrativa. Isso vai ressoar na tua audiência, na tua equipa, nos teus stakeholders e vai permitir que se revejam e percebam porque razão devem confiar em ti. Tal como Scott Belsky defende, criar uma narrativa deve ser uma das primeiras prioridades de um empreendedor. Esse exercício vai-te ajudar a perceber qual será o teu market fit;
  • A cultura e as pessoas são chave! Desde muito cedo a cultura foi muito importante para a Forall Phones. Acreditamos que o capital humano é o principal ativo das empresas do século XXI! Nesse sentido, investimos muito tempo a trabalhar a nossa cultura, valores e a forma como garantimos que toda a nossa equipa está motivada e alinhada por um propósito comum. A nossa cultura de confiança, liberdade e responsabilidade tem-se revelado um sucesso a nível de performance, atração e retenção de talento;
  • Simplifica! Pensa simples e evita criar complexidade. A rapidez na execução, flexibilidade e adaptação são essenciais numa fase de lançamento de negócio. Nesse sentido, existe uma imensidão de ferramentas disponíveis, como plataformas de e-commerce Shopify ou Woocommerce, que te permitem lançar um negócio do dia para a noite sem precisares de investir dezenas de milhares de euros ou recrutares uma dezena de developers;
  • Se não és apaixonado pelo que fazes não vai dar certo! A viagem de um empreendedor é muito desafiante. As adversidades surgem a todos os minutos e só vais conseguir chegar ao teu objetivo se tiveres a resiliência e persistência para lidares com elas. Nós acreditamos que isso só é possível quando estás a fazer algo que vês como uma missão e não como um simples trabalho – nós chamamos-lhe paixão!

Por fim, COMEÇA, FAZ! A verdade é que no início nós não éramos 100% experts em negócios da economia circular, lançámo-nos nesta jornada de mente aberta e dispostos aprender e ser melhores a cada dia que passa.

João Ribeiro
CMO & Co-owner Forall Phones

Importância e Justificação da Geriatria

Há mais de um século que Médicos e organizações científicas chamam a atenção para os doentes idosos, considerando-os um grupo particular dentro da população dos doentes que procuram assistência médica.

Considerações semelhantes fizeram emergir na Europa, no século XVIII, a assistência especializada às crianças, e o primeiro hospital de pediatria nasceu na Grã-Bretanha, em Londres em 1745, o London Foundling Hospital. Este hospital como outros da mesma especialidade tornaram-se os principais centros de treino de pediatria que passou a ser ensinada nas Escolas Médicas, como disciplina autónoma, em meados do século XIX.

Quando doentes, a criança e o idoso são semelhantes nas suas particularidades, que os distinguem do doente adulto.

Ambos têm doenças próprias ou mais prevalentes, ambos têm manifestações especiais das suas doenças, ambos têm opções terapêuticas condicionadas pelas alterações da farmacocinética e da farmacodinamia, ambos exigem aconselhamento na prevenção das doenças e no desenvolvimento harmonioso e saudável, a criança, no envelhecimento ativo e saudável, o idoso. Ambos exigem atenções no internamento, minimizando o sofrimento da criança na separação da família, evitando o delirium e a perda de autonomia motora no idoso. No caso do idoso acresce a simultaneidade de patologias e a frequente e nem sempre evitável polimedicação.

A Pediatria foi entendida como um aliado da Medicina Interna, um contributo importante para otimizar a assistência à criança.

A medicina dos Idosos, a Geriatria, é também assim entendida em todos os países civilizados do Mundo. Aliada da Medicina Interna, enriquece-a e complementa-a. Nos países onde se desenvolveu a Geriatria, desde meados do século passado, não retirou importância à grande disciplina, base de todas as especialidades que é a Medicina Interna, e como todas as outras especialidades que emergiram da Medicina Interna a sua existência tem a mesma justificação:

melhorar a qualidade e a eficácia da assistência no exercício da medicina.

Nos nossos dias a eficácia da medicina exige cada vez mais a assistência por uma equipa multidisciplinar.

A Geriatria é uma das disciplinas que, como todas as outras, é imprescindível nessa equipa.

É urgente que à semelhança do que aconteceu no Mundo (p. ex: há mais de três dezenas de anos em Espanha e nos E.U.A.) que os grandes hospitais de Portugal criem Unidades de Internamento de Geriatria não só para otimização dos cuidados aos idosos do tipo III (1), mas também para a formação dos Internistas e dos médicos que pretendam obter a Competência em Geriatria.

Não será só de mais Geriatras que precisamos, mas também de médicos cada vez melhor preparados para otimizar a assistência aos doentes idosos.

Assim seremos iguais aos outros países, daremos seguimento às diretrizes da Organização Mundial de Saúde e para mais, como escreveu em 1991, o Prof. Daniel Serrão: “é um imperativo moral e ético criar as condições científicas e técnicas que permitam formar médicos aptos a dar cumprimentos aos princípios das Nações Unidas em favor das pessoas idosas”.

  • Gorjão Clara J. The older patient; the need for geriatric units. (Editorial).

European Geriatric Medicine, 2015;6(4):295-296

Ninguém Tem Limites

Sou o Nuno Major, tenho 21 anos e sou estudante do 4º ano da FFUL.

Tudo começou quando eu nasci… Um bebé aparentemente normal, mas havia algo de errado, não tinha força para chorar. Para duas pessoas que acabam de ser pais pela primeira vez, depararem-se com um bebé diferente é como um murro no estômago. Fizeram-se exames e mais exames, testes, viagens, biópsias, pediram-se segundas, terceiras, quartas opiniões e nada! Não havia diagnóstico… e para ser sincero, ainda não há hoje em dia.

O que se sabe é que tenho uma neuropatia axonal periférica. Trocando isto por palavras mais simples – neuropatia, porque é do foro neurológico; axonal, porque basicamente os nervos não transmitem a mensagem completa aos músculos, logo eles não se contraem na sua totalidade; periférica, pois afeta mais a periferia – do joelho para baixo e do cotovelo para baixo.

Não foi uma infância fácil, há que admitir, não só para mim, mas principalmente para quem esteve comigo desde o dia 1. Não deve ser fácil ouvir que “a esperança média de vida do seu filho são meses/anos”… Ou que “o seu filho na adolescência vai parar definitivamente a uma cadeira de rodas”… Ou ainda, “tem de o ajudar para ele não se magoar porque ele não consegue fazer isso”… Tantos blá blá blá, mas tal nunca aconteceu, nunca baixámos os braços! Sempre se ultrapassaram barreiras, alcançaram novos objetivos, conquistaram novas vitórias e tudo isto não era possível sem a melhor pessoa que eu conheço neste mundo – a minha mãe! Sem ela, sem a força dela, a sua resiliência e mau feitio (claro!), não era esta pessoa que sou hoje, a levar uma vida completamente autónoma… Um obrigado é pouco!

Não posso dizer que a minha deficiência me define, mas ajudou a tornar-me na pessoa que sou hoje! Houve muita coisa menos positiva? Sim, claro. Mas aprendi se calhar a relativizar um pouco as várias coisas que nos acontecem no dia a dia, aprendi a viver cada momento, cada vitória e, acima de tudo, a ser mais positivo para com a vida e com os outros!

Felizmente nunca me faltou nada, sempre estive rodeado das melhores pessoas que conheço, dos melhores amigos, dos melhores familiares, dos melhores colegas… Foram estas pessoas que quando houve momentos menos bons me puxaram para cima e fizeram de tudo para que não me sentisse diferente!

Se é impossível passar um dia sem pensar na minha doença, sem pensar no que os outros pensam quando me veem, sem haver barreiras? É. Mas é tão gratificante quando surgem convites destes para dar o meu testemunho e sentir que posso ter algum impacto na vida das pessoas!

Eu não sou mais nem menos que ninguém, todos temos as nossas experiências de vida, e eu hei-de continuar cá a levar a vida com boa disposição, na esperança que um dia haja um diagnóstico. Tu, que estás aí a ler isto, se te pus a sorrir ou te inspirei, já fizeste com que o meu dia valesse a pena!

Um obrigado enorme a todos os que de alguma forma fazem parte da minha vida e lembrem-se: as incapacidades de cada um estão na nossa própria cabeça e na forma como pensamos!

Lei de Bases da Saúde

A atual Lei de Bases da Saúde orientou as escolhas de políticas de saúde por mais de duas décadas, com robustos alicerces de princípios e a necessária flexibilidade para tomar opções. É nesse contexto que importa pensar a sua revisão, numa perspetiva externa ao seu tempo, projetando o futuro e servindo os interesses da sociedade durante largos e bons anos. Não devemos confundir esta necessidade com a sua cristalização no tempo e a instrumentalização para responder à espuma dos dias.

Seremos desafiados a participar na revisão do conceito de sistema de saúde, de articulação eficiente entre os vários setores, com particular destaque para motivações ideológicas que priorizam o modelo de financiamento. Estas sinergias são fundamentais para assegurar a resposta de proximidade e qualidade que os cidadãos legitimamente anseiam e que merecidamente a todos devemos. Não creio que haja condições nem tempo para dogmas e crenças utópicas. O património da rede de farmácias, laboratórios e distribuidores, a capacidade de atrair inovação e a indústria farmacêutica são fundamentais para o aumento da esperança de vida, da qualidade dos anos vividos e do crescimento do país.

Seria bom usar esta oportunidade como um desafio do tempo presente para resposta ao tempo futuro.

– Dr. Bruno Macedo

Investigação e Desenvolvimento de Fármacos

Como farmacêutico e aluno de doutoramento na FFULisboa, penso que o problema do decréscimo no número de novos medicamentos verdadeiramente inovadores é um flagelo preocupante, em particular pelo impacto na Saúde Pública e no acesso do doente ao medicamento, sendo que as poucas novas terapias cada vez mais avançadas acarretam também um largo encargo económico associado. A questão do porquê deste decréscimo de produtividade da Research & Development (R&D) farmacêutica é complexa e multidisciplinar, sendo um dos principais problemas o facto de estarmos numa situação onde são necessários tratamentos cada vez mais intrincados para patologias cada vez mais complexas e difíceis de tratar.

No entanto, mesmo com o acesso a novas tecnologias combinatórias e que permitem o high-throughput screening de vários candidatos com atividade, o número real de potenciais moléculas ativas a entrar em ensaios clínicos não sofreu um aumento substancialmente relevante, assim como o número de moléculas a chegar à clínica. Uma das justificações será a translação científica de um objetivo mais exigente, que é o de minuciosamente compreender a fisiopatologia e desenhar novas oportunidades terapêuticas, para um cumprimento de objetivos baseados em volume, dando origem a um nível sem precedentes de fármacos “me too”.

A questão de como pode, num mercado saturados de “me too’s”, o R&D adaptar-se de forma a responder com sucesso a realidades cada vez mais problemáticas da Saúde Pública e que amplamente afetam de forma negativa a esperança média de vida e a qualidade de vida de doentes e dos seus familiares, é igualmente complexa e deve ser discutida.

Como tal, neste projeto tentamos juntar profissionais da área clínica e académica, assim como especialistas da Indústria Farmacêutica, de forma a abordar o estado da arte do desenvolvimento de novos fármacos em três áreas terapêuticas altamente impactantes na sociedade, com vista a avaliar os problemas, as soluções atuais e as necessidades da área clínica.

 

Caso seja da sua área de interesse, poderá aceder diretamente às inscrições em http://bit.ly/DrugDiscoveryandDevelopmentInscriçãoo

A Importância da Compliance no Setor da Saúde

Vivemos numa época onde se está a tornar crucial a necessidade de criar e cumprir, rigorosamente, regras de compliance saudáveis e oportunas. Esta necessidade verifica-se igualmente nos setores já regulados, os quais, após algum debate, reconhecem e aplaudem iniciativas que promovam a clarificação do estado da arte em matéria regulatória e de compliance.

Dentro do setor regulado, o Setor da Saúde e Farmacêutico tem assumido uma posição de algum pioneirismo quando se refere a temas de compliance e regulamentares. Existem mais de 500 empresas produtoras e/ou comercializadoras de Produtos de Saúde e Farmacêuticos devidamente registadas no INFARMED, todas elas com níveis diferentes de recursos nos seus departamentos de regulatório e compliance, muitas delas com departamentos internos formados, mas outras que recorrem a consultorias e empresas externas especializadas nestas funções. Independentemente da forma como operam, gerem e executam as suas funções e obrigações de compliance e regulatório, não são raros os casos onde se verificam diferentes interpretações e distintas condutas adotadas por empresas semelhantes que operam no mercado da Saúde e Farmacêutico.

É então de realçar a extrema importância da consensualização e posterior padronização das melhores práticas a adotar para as empresas do setor.

Prof. Doutor Diogo Sousa-Martins, Presidente da Comissão de Compliance e Regulatório Exclusiva para o Setor da Saúde e Farmacêutico do Observatório Português de Compliance e Regulatório.

A LisbonPH e o OPCR estão a organizar uma Conferência que debaterá esta temática aplicada a todas as esferas do Setor da Saúde. Quer saber mais informações? Aceda a http://bit.ly/ProgramaComplianceEmSaude

Testemunho da Alumna Margarida Gaião

Olá a todos! O meu nome é Margarida Gaião, tenho 23 anos e estou neste momento a concluir o curso do MICF. Venho contar-te uma das minhas grandes viagens do meu percurso académico: a minha querida LisbonPH.

Senta-te que a viagem vai ser atribulada!

Tudo começa no segundo ano. À procura de desenvolver as minhas características pessoais e de fazer crescer um projeto, nasce o interesse por me envolver na pouco conhecida (na altura) Júnior Empresa da Faculdade de Farmácia da Universidade de Lisboa. Candidatei-me ao Departamento Científico e entrei no barco.

Descrever o que a LisbonPH me deu na altura é indescritível, mas posso tentar. Oportunidade de executar tarefas com resultados visíveis, trabalhar diariamente com uma equipa com objetivos concretos, ambiciosos, mas bem delineados e contactar com Profissionais de saúde já colocados no mercado e ricos em sabedoria. No entanto, nada é comparável ao crescimento pessoal que se conquista. É sem dúvida uma oportunidade para te conheceres melhor, para descobrires as tuas verdadeiras forças, mas também os teus limites e as tuas falhas, ou melhor, pontos a melhorar. Porque com esta valiosa perceção, consegues alcançar tudo o que desejas.

Continuando a minha viagem, após seis meses, fui convidada a desempenhar o cargo de Vice-Presidente da JADE Portugal, Federação das Júnior Empresas de Portugal. Nesta experiência desenvolvi enormemente as minhas skills pessoais, competências de liderança e ganhei também uma perceção sobre o Movimento Júnior Português. Percebi que não estamos sozinhos e que se queremos ser os melhores temos de viver num descontentamento sucessivo e numa procura de melhoria contínua. Foi sem dúvida um marco importante do meu percurso e mostra também que estar na LisbonPH não significa estares estático no mesmo cargo. Significa também progressão, reavaliação pessoal e ambição de querer integrar outros postos, encarando outras perspetivas.

Quase a chegar ao porto surge a oportunidade mais desafiante de todas: ser Secretário-Geral da LisbonPH. Coordenar diariamente uma equipa de quarenta e poucas pessoas, participar no pensamento estratégico e na tomada de decisão de todas as ações desempenhadas por uma Júnior Empresa, assumindo a responsabilidade pelo presente e futuro da mesma é no mínimo, intimidante. Mas com uma equipa a remar para o mesmo lado, tudo se consegue. E esta é a mensagem subliminar que te quero passar. Não tenhas medo de te candidatar, de ter receio de demonstrar aquilo que és e o que ambicionas. Com uma equipa como a da LisbonPH o impossível torna-se possível, o imprevisto torna-se uma oportunidade de mostrar mais e melhor e o problema torna-se rapidamente uma solução.

Foi sem dúvida uma viagem e tanto.

E eu não a trocava nem por nada.

Candidata-te!

– Margarida Gaião

Investigação na área Farmacêutica Oportunidades e Desafios

Para iniciar, o que significa “Investigação Farmacêutica”? O que a distingue da “investigação” por si só? Como já seria de esperar, este termo não existe no dicionário da língua portuguesa. No entanto, individualmente, os termos por si só significam:
“Investigação: Indagação ou pesquisa que se faz buscando, examinando e interrogando; Inquirição de testemunhas.
Farmacêutico: Relativo a farmácia; Pessoa que exerce farmácia; Pessoa que é responsável por uma farmácia.”
Conjugando ambas as definições, verifica-se que o conceito fica limitado à tradicional definição de “farmacêutico” constante no dicionário. No entanto, devido ao conhecimento que o farmacêutico tem acerca do medicamento e a crescente vontade de colocar o paciente como foco principal no sistema de saúde, o farmacêutico é um dos elemento-chave nas equipas multidisciplinares de investigação em saúde e está mais que capacitado para se envolver na área da investigação. Atualmente existe uma crescente tendência de procura de “prática baseada na evidência” e de envolver o paciente na sua saúde, o que abre a porta à investigação clínica, onde o farmacêutico tem um papel fulcral para melhorar o cuidado do paciente e uma melhor gestão dos sistemas de saúde, devido à grande proximidade do farmacêutico e do paciente. Além disso, a correta gestão do medicamento gera consideráveis poupanças ao erário público, o que reforça a pertinência do farmacêutico nos grupos de decisão em saúde.
Por outro lado, devido à crescente tendência e pertinência de colaboração de diferentes equipas de investigação, verifica-se que a investigação realizada pelo farmacêutico é muito mais vasta do que a prática farmacêutica. Ou seja, a sua investigação não está limitada ao cuidado do doente nem à prática do serviço farmacêutico, que inclui a correta gestão do medicamento, mas contribui para o desenvolvimento científico em geral. O Farmacêutico é capaz de participar numa enorme variedade de equipas de investigação. Desde as relacionadas com a descoberta, design, desenvolvimento e utilização de um fármaco, até às que trabalham na área da química e biologia ambiental, entre outros, devido à sua vasta formação de base.
Em suma, um farmacêutico que queira exercer a sua função na área de investigação tem nas suas mãos a possibilidade de se encaixar num vasto leque de grupos de investigação, desde os menos explorados e em maior desenvolvimento como a correta gestão do medicamento, aos que se focam nas áreas principalmente relacionadas com a descoberta de novos fármacos, fisiopatologia da doença e ainda, de se focar em áreas de investigação mais fundamental e até ambiental. O Mestrado Integrado em Ciências Farmacêuticas abre portas ao exercício de investigação em imensas áreas.

Tiago Caetano