Investigação e Desenvolvimento de Fármacos

Como farmacêutico e aluno de doutoramento na FFULisboa, penso que o problema do decréscimo no número de novos medicamentos verdadeiramente inovadores é um flagelo preocupante, em particular pelo impacto na Saúde Pública e no acesso do doente ao medicamento, sendo que as poucas novas terapias cada vez mais avançadas acarretam também um largo encargo económico associado. A questão do porquê deste decréscimo de produtividade da Research & Development (R&D) farmacêutica é complexa e multidisciplinar, sendo um dos principais problemas o facto de estarmos numa situação onde são necessários tratamentos cada vez mais intrincados para patologias cada vez mais complexas e difíceis de tratar.

No entanto, mesmo com o acesso a novas tecnologias combinatórias e que permitem o high-throughput screening de vários candidatos com atividade, o número real de potenciais moléculas ativas a entrar em ensaios clínicos não sofreu um aumento substancialmente relevante, assim como o número de moléculas a chegar à clínica. Uma das justificações será a translação científica de um objetivo mais exigente, que é o de minuciosamente compreender a fisiopatologia e desenhar novas oportunidades terapêuticas, para um cumprimento de objetivos baseados em volume, dando origem a um nível sem precedentes de fármacos “me too”.

A questão de como pode, num mercado saturados de “me too’s”, o R&D adaptar-se de forma a responder com sucesso a realidades cada vez mais problemáticas da Saúde Pública e que amplamente afetam de forma negativa a esperança média de vida e a qualidade de vida de doentes e dos seus familiares, é igualmente complexa e deve ser discutida.

Como tal, neste projeto tentamos juntar profissionais da área clínica e académica, assim como especialistas da Indústria Farmacêutica, de forma a abordar o estado da arte do desenvolvimento de novos fármacos em três áreas terapêuticas altamente impactantes na sociedade, com vista a avaliar os problemas, as soluções atuais e as necessidades da área clínica.

 

Caso seja da sua área de interesse, poderá aceder diretamente às inscrições em http://bit.ly/DrugDiscoveryandDevelopmentInscriçãoo

A Importância da Compliance no Setor da Saúde

Vivemos numa época onde se está a tornar crucial a necessidade de criar e cumprir, rigorosamente, regras de compliance saudáveis e oportunas. Esta necessidade verifica-se igualmente nos setores já regulados, os quais, após algum debate, reconhecem e aplaudem iniciativas que promovam a clarificação do estado da arte em matéria regulatória e de compliance.

Dentro do setor regulado, o Setor da Saúde e Farmacêutico tem assumido uma posição de algum pioneirismo quando se refere a temas de compliance e regulamentares. Existem mais de 500 empresas produtoras e/ou comercializadoras de Produtos de Saúde e Farmacêuticos devidamente registadas no INFARMED, todas elas com níveis diferentes de recursos nos seus departamentos de regulatório e compliance, muitas delas com departamentos internos formados, mas outras que recorrem a consultorias e empresas externas especializadas nestas funções. Independentemente da forma como operam, gerem e executam as suas funções e obrigações de compliance e regulatório, não são raros os casos onde se verificam diferentes interpretações e distintas condutas adotadas por empresas semelhantes que operam no mercado da Saúde e Farmacêutico.

É então de realçar a extrema importância da consensualização e posterior padronização das melhores práticas a adotar para as empresas do setor.

Prof. Doutor Diogo Sousa-Martins, Presidente da Comissão de Compliance e Regulatório Exclusiva para o Setor da Saúde e Farmacêutico do Observatório Português de Compliance e Regulatório.

A LisbonPH e o OPCR estão a organizar uma Conferência que debaterá esta temática aplicada a todas as esferas do Setor da Saúde. Quer saber mais informações? Aceda a http://bit.ly/ProgramaComplianceEmSaude

Testemunho da Alumna Margarida Gaião

Olá a todos! O meu nome é Margarida Gaião, tenho 23 anos e estou neste momento a concluir o curso do MICF. Venho contar-te uma das minhas grandes viagens do meu percurso académico: a minha querida LisbonPH.

Senta-te que a viagem vai ser atribulada!

Tudo começa no segundo ano. À procura de desenvolver as minhas características pessoais e de fazer crescer um projeto, nasce o interesse por me envolver na pouco conhecida (na altura) Júnior Empresa da Faculdade de Farmácia da Universidade de Lisboa. Candidatei-me ao Departamento Científico e entrei no barco.

Descrever o que a LisbonPH me deu na altura é indescritível, mas posso tentar. Oportunidade de executar tarefas com resultados visíveis, trabalhar diariamente com uma equipa com objetivos concretos, ambiciosos, mas bem delineados e contactar com Profissionais de saúde já colocados no mercado e ricos em sabedoria. No entanto, nada é comparável ao crescimento pessoal que se conquista. É sem dúvida uma oportunidade para te conheceres melhor, para descobrires as tuas verdadeiras forças, mas também os teus limites e as tuas falhas, ou melhor, pontos a melhorar. Porque com esta valiosa perceção, consegues alcançar tudo o que desejas.

Continuando a minha viagem, após seis meses, fui convidada a desempenhar o cargo de Vice-Presidente da JADE Portugal, Federação das Júnior Empresas de Portugal. Nesta experiência desenvolvi enormemente as minhas skills pessoais, competências de liderança e ganhei também uma perceção sobre o Movimento Júnior Português. Percebi que não estamos sozinhos e que se queremos ser os melhores temos de viver num descontentamento sucessivo e numa procura de melhoria contínua. Foi sem dúvida um marco importante do meu percurso e mostra também que estar na LisbonPH não significa estares estático no mesmo cargo. Significa também progressão, reavaliação pessoal e ambição de querer integrar outros postos, encarando outras perspetivas.

Quase a chegar ao porto surge a oportunidade mais desafiante de todas: ser Secretário-Geral da LisbonPH. Coordenar diariamente uma equipa de quarenta e poucas pessoas, participar no pensamento estratégico e na tomada de decisão de todas as ações desempenhadas por uma Júnior Empresa, assumindo a responsabilidade pelo presente e futuro da mesma é no mínimo, intimidante. Mas com uma equipa a remar para o mesmo lado, tudo se consegue. E esta é a mensagem subliminar que te quero passar. Não tenhas medo de te candidatar, de ter receio de demonstrar aquilo que és e o que ambicionas. Com uma equipa como a da LisbonPH o impossível torna-se possível, o imprevisto torna-se uma oportunidade de mostrar mais e melhor e o problema torna-se rapidamente uma solução.

Foi sem dúvida uma viagem e tanto.

E eu não a trocava nem por nada.

Candidata-te!

– Margarida Gaião

Investigação na área Farmacêutica Oportunidades e Desafios

Para iniciar, o que significa “Investigação Farmacêutica”? O que a distingue da “investigação” por si só? Como já seria de esperar, este termo não existe no dicionário da língua portuguesa. No entanto, individualmente, os termos por si só significam:
“Investigação: Indagação ou pesquisa que se faz buscando, examinando e interrogando; Inquirição de testemunhas.
Farmacêutico: Relativo a farmácia; Pessoa que exerce farmácia; Pessoa que é responsável por uma farmácia.”
Conjugando ambas as definições, verifica-se que o conceito fica limitado à tradicional definição de “farmacêutico” constante no dicionário. No entanto, devido ao conhecimento que o farmacêutico tem acerca do medicamento e a crescente vontade de colocar o paciente como foco principal no sistema de saúde, o farmacêutico é um dos elemento-chave nas equipas multidisciplinares de investigação em saúde e está mais que capacitado para se envolver na área da investigação. Atualmente existe uma crescente tendência de procura de “prática baseada na evidência” e de envolver o paciente na sua saúde, o que abre a porta à investigação clínica, onde o farmacêutico tem um papel fulcral para melhorar o cuidado do paciente e uma melhor gestão dos sistemas de saúde, devido à grande proximidade do farmacêutico e do paciente. Além disso, a correta gestão do medicamento gera consideráveis poupanças ao erário público, o que reforça a pertinência do farmacêutico nos grupos de decisão em saúde.
Por outro lado, devido à crescente tendência e pertinência de colaboração de diferentes equipas de investigação, verifica-se que a investigação realizada pelo farmacêutico é muito mais vasta do que a prática farmacêutica. Ou seja, a sua investigação não está limitada ao cuidado do doente nem à prática do serviço farmacêutico, que inclui a correta gestão do medicamento, mas contribui para o desenvolvimento científico em geral. O Farmacêutico é capaz de participar numa enorme variedade de equipas de investigação. Desde as relacionadas com a descoberta, design, desenvolvimento e utilização de um fármaco, até às que trabalham na área da química e biologia ambiental, entre outros, devido à sua vasta formação de base.
Em suma, um farmacêutico que queira exercer a sua função na área de investigação tem nas suas mãos a possibilidade de se encaixar num vasto leque de grupos de investigação, desde os menos explorados e em maior desenvolvimento como a correta gestão do medicamento, aos que se focam nas áreas principalmente relacionadas com a descoberta de novos fármacos, fisiopatologia da doença e ainda, de se focar em áreas de investigação mais fundamental e até ambiental. O Mestrado Integrado em Ciências Farmacêuticas abre portas ao exercício de investigação em imensas áreas.

Tiago Caetano

“Live Your Mark”

Luana Serranho, uma jovem de 18 anos, residente em Lisboa, deu-nos a conhecer um pouco da vida de quem tem Vitiligo. A jovem, praticante de basquetebol desde os 10 anos e, atualmente, a estagiar na Seleção Nacional, conta, nesta entrevista que concedeu à LisbonPH, como aceitou a doença, superou o receio da discriminação e encarou a vida com uma atitude positiva, deixando alguns conselhos a quem, como ela, também vive com Vitiligo.

 

1. Quando foi a primeira vez que te apercebeste que tinhas Vitiligo? Esta doença sempre foi visível desde a nascença?

“O Vitiligo apareceu-me, pela primeira vez, por volta dos 12/13 anos.”

 

2. De que forma evoluíram as tuas manchas? Tiveram uma evolução marcada, houve algum período de estagnação ou estão semelhantes desde que apareceram?

“As manchas começaram por aparecer nos cotovelos, uma no joelho e depois nas mãos. Por exemplo, se caísse e esfolasse alguma parte do corpo, por mais que desinfetasse a ferida, esta acabava sempre por se tornar numa mancha branca. Mais tarde, começaram a aparecer na região perto dos olhos. Apercebi-me de que, nas épocas de mais calor (na primavera e, especialmente, no verão), as manchas que já tinha começavam a alastrar e apareciam novas noutros sítios. Por outro lado, nas épocas de menor calor,  começavam a diminuir de tamanho. Neste momento tenho 18 anos, muitas das manchas já reduziram de tamanho e até agora não tenho novas a surgirem. Agora que já as aceitei, acho que é uma imagem de marca e já me sinto bem com elas!”

 

3. Sentes que as manchas afetaram negativamente a forma como te vês? Alguma vez sofreste algum tipo de discriminação por causa do Vitiligo?

“Inicialmente, custou-me um pouco a aceitar porque tinha medo que as pessoas as vissem e que me discriminassem. Apesar de nunca o terem feito, não as conseguia aceitar muito bem. As pessoas simplesmente perguntavam o que era ou até mesmo comentavam e, para mim, na altura, era um pouco difícil falar sobre a doença e explicar o que era.”

 

4. Necessitas de algum acompanhamento médico especializado? Se sim, existe alguma frequência adequada?

“Quando as manchas começaram a aparecer, os meus pais decidiram levar-me a uma dermatologista que me receitou uma pomada para aplicar nas manchas. À medida que o tempo foi passando, e não houve desaparecimento das mesmas, decidi ir a um médico espanhol que me receitou medicação e outro creme. Relativamente à medicação, deixei de a tomar porque me provocava efeitos secundários. Quanto ao creme, ao longo do tempo também deixei de o aplicar porque não notava nenhuma melhoria na pigmentação das manchas.”

 

5. Tens algum tipo de cuidado específico com a pele? Particularmente, aquando da exposição solar, que tipo de proteção adotas?

“Como já referi, em épocas de calor extremo tenho de utilizar um protetor solar 50+ específico para peles sensíveis. No entanto, mesmo que aplique o protetor em todo o corpo, inclusive nas manchas, tenho tendência para apanhar escaldões nas zonas despigmentadas, pelo que não devo estar muitas horas ao sol. Tento sempre ter um cuidado especial com a zona junto aos olhos.”

 

6. Tens algum conselho que queiras dar acerca do Vitiligo, tanto às pessoas afetadas como às não afetadas?

“Às pessoas que têm Vitiligo, quero dizer-lhes que não se devem sentir diferentes dos outros só porque têm manchas. Sei que, inicialmente, até pode custar um pouco, o que é normal, existe um período de adaptação. No entanto, com o tempo, habituam-se e já não se sentem mal consigo mesmas. Mesmo que as pessoas apontem, discriminem ou comentem, só têm de ignorar porque não é o Vitiligo que nos vai fazer deixar de ser “pessoas”, apenas nos dá características diferentes. Quero também alertar para a proteção da pele contra o sol, para que esta doença não se torne prejudicial para a saúde.”

QUER GANHAR UMA INSCRIÇÃO GRÁTIS NUM CURSO DA TIMU?

Hoje vimos lançar-vos um desafio: a resolução de um caso prático de aconselhamento.

O objetivo deste exercício é treinar um atendimento de excelência, focado no Cliente, procurando maximizar a sua satisfação com a oferta de uma solução completa e abrangente, capaz de surpreender e “Encantar para Fidelizar”!

O Desafio: Joana, 35 anos, saudável, vai à farmácia pedir um conselho para tratar uma síndrome alérgica sazonal.

As respostas vão ser analisadas pela TIMU e a melhor proposta de aconselhamento será premiada com a oferta da inscrição num curso da TIMU, a utilizar até final de 2018.

A resposta ao desafio deve incluir:

  • Uma proposta de abordagem ao Cliente, com frases exemplificativas;
  • As perguntas a colocar ao Cliente;
  • A solução completa, com os produtos que melhor respondem ao conselho solicitado;
  • Os argumentos mais poderosos a utilizar;
  • As principais recomendações a fazer;
  • As ações e frases de fidelização e despedida.

As respostas devem ser enviadas para: formacao@timu.com.pt / Assunto: desafio “Encantar para Fidelizar 2018”

Ao trabalho! E Boa Sorte! 😉

Reinventar a Farmácia do séc. XXI

Todos reconhecemos os enormes desafios que se colocam atualmente ao setor das farmácias. Reinventar a Farmácia, mantendo a postura de dedicação e serviço à população que historicamente caracteriza o setor, é certamente o caminho que todos os farmacêuticos gostariam de seguir.

A redução dos preços e das margens dos medicamentos, nomeadamente dos medicamentos genéricos, provocou uma queda acentuada na contribuição dos MSRM para o rendimento das farmácias. Isto forçou a procura de uma compensação que, por sua vez, criou oportunidades para o crescimento de categorias mais competitivas, como as dos MNSRM e dos Produtos de Saúde e Bem Estar (PSBE). Estas categorias, proporcionando excelentes oportunidades de crescimento da rentabilidade, sofrem da pressão de outros players do mercado, mais competitivos.

As vantagens competitivas da concorrência decorrem de fatores como a escala, o nível de especialização e a sofisticação das ferramentas associadas ao negócio. Esta sofisticação prende-se com o domínio do uso das tecnologias, o conhecimento do perfil do cliente associado à utilização de técnicas avançadas de CRM, políticas promocionais agressivas, equipas profissionais de gestão a todos os níveis e uma cultura comercial apoiada numa vivência de mercado concorrencial.

Como resposta a estes desafios, é vital para a Farmácia a abertura ao mundo digital, criando experiências de compra “ao balcão” e “à distância” que assegurem desde já as preferências dos consumidores mais jovens. Alargar o posicionamento da farmácia para áreas relacionadas com o bem-estar constitui um evidente potencial de crescimento para o negócio, alinhado com as Megatrends atuais.

No “regresso” à nossa postura histórica, a aposta numa experiência de compra diferenciadora, baseada numa expertise reconhecida e valorizada pelo Cliente, pode contribuir decisivamente para a sua satisfação e colocar a Farmácia no seu Top of Mind, como canal para as decisões de compra relacionadas com saúde, beleza e bem-estar. Assim sendo, oferecer novas soluções de compra aos Clientes, baseadas em facilidade, disponibilidade, comodidade, atendimento personalizado e rapidez tem que fazer parte das opções da Farmácia moderna e sofisticada. Por aí passam as soluções multicanal, com especial atenção ao mobile, omnipresente na vida das pessoas, que permitirão seduzir o Cliente do futuro.

– Dra. Leonor Couras e Eng. Helena Couras

“Oh menina, é um penso macaco, sff…!”

Quem nunca ouviu pedir um “Penso Macaco” ao balcão de uma farmácia, não conhece os desafios incríveis deste mundo louco dos boticários!

A farmácia continua a ser, na aldeia ou na cidade (sim, porque as cidades não são mais do que um conjunto de pequenas aldeias encaixadas na mesma rua), o ponto de encontro de muitas vidas, segredos confessados, desabafos sofridos, alegrias partilhadas.

E por que nos procuram as pessoas? Porque confiam em nós. Porque nos reconhecem como especialistas. Porque sabem que temos sempre uma boa resposta para lhes dar, os conselhos certos e os sorrisos amáveis para oferecer. Porque nós percebemos do ofício e “descobrimos” sempre tudo. Até quais são os comprimidos brancos da caixa amarela para a tensão, que afinal são azuis, vêm numa caixa verde e são para o colesterol!

Podiam resolver sozinhos, ouvir outras opiniões, procurar outros locais. Mas escolhem “a minha farmácia”, como eles próprios dizem.

O que é que esta história tem a ver com a TIMU?

Entregar a tarefa de formação profissional, a valorização do nosso capital humano, a quem sabe o que faz, sabe fazer bem, está atualizado sobre o que se passa no mundo da farmácia, do Coaching, da PNL, e está disponível e preparado para dar as soluções adequadas a cada cliente, garantindo resultados práticos e mensuráveis, é a escolha certa a fazer.

Por que nos fidelizamos a uma farmácia? Muito simples. Porque confiamos. E quando lá entramos sabemos que estamos bem entregues! É também por isso que escolhendo a TIMU sabe que está em boas mãos. É possível entrar numa nova dimensão e a TIMU pode ajudar.

Ah! O “penso macaco”, já descobriu o que é?

– “Oh Sr. Correia, Penso Macaco!?!… … não será um Emplastro Leão? …

– É isso mesmo, Menina! Enganei-me no animal! O que vale é que vocês sabem sempre tudo!”

– Dra. Leonor Couras e Eng. Helena Couras

Evolução da Farmácia Comunitária

As Farmácias portuguesas sempre foram capazes de enfrentar problemas e construir soluções. Uma Farmácia cada vez mais integrada no sistema de saúde é uma Farmácia que melhor defenderá os doentes e a própria rede. A prestação de mais serviços à comunidade, de mais serviços Farmacêuticos e de mais serviços de saúde e bem-estar, bem como de novas áreas de intervenção, novas formas de acesso aos medicamentos e de cooperação interprofissional, são o caminho da sustentabilidade para o futuro. Acredito por isso, numa Farmácia mais diferenciada e mais atractiva para as pessoas, com mais serviços, mais produtos, com uma nova relação de conveniência com os consumidores.

Assistimos a um alargamento dos serviços de saúde prestados pelas Farmácias, numa lógica de integração e complementaridade com outros profissionais de saúde, assente na criação de valor e crescimento sustentável.

Hoje, mais do que nunca, o Farmacêutico tem um leque de oportunidades de desenvolvimento profissional em Farmácia Comunitária. As intervenções e projectos profissionais desenvolvidos têm posicionado a Farmácia como uma unidade de cuidados de saúde com características diferenciadoras. O Novo Modelo de Farmácia Comunitária apresenta vários desafios, que passam por atribuir mais poder ao utente, ter novos serviços e produtos, dispensar produtos hospitalares, dispor de infraestrutura tecnológica de apoio à intervenção profissional e articulação com os outros profissionais de saúde. Reforçar a relação com outras estruturas dos cuidados de saúde primários.

Neste âmbito são várias as intervenções Farmacêuticas que as Farmácias de Oficina têm vindo a desenvolver, algumas em articulação com o Sistema de Saúde, das quais destacamos:

A administração de Vacinas. Iniciou-se há dez anos atrás, e desde então, as Farmácias têm garantido a imunização dos portugueses. As Farmácias foram recentemente reconhecidas internacionalmente, pela FIP, como “Bom Exemplo”, tendo sido distinguidas pela confiança, proximidade, conveniência e rapidez.

O envolvimento das Farmácia no programa de Troca de Seringas, embora conte já mais de 23 anos, permite cada vez mais o alargamento do serviço com melhoria nos padrões de equidade e evita novos casos de infeção por HIV e HCV.
Recentemente iniciou-se um trabalho integrado entre as Farmácias e as Unidades de Saúde Familiar (USF’s), de forma a melhorar a qualidade dos cuidados de saúde oferecidos aos utentes, através da dinamização de modelos colaborativos interprofissionais.

Em Fevereiro de 2017, assinou-se um acordo tripartido, que envolve não só as Farmácias mas também o Ministério da Saúde e das Finanças. Este acordo prevê um novo quadro de referência para a intervenção das Farmácias no âmbito da política de Saúde e do reforço do SNS. Este acordo abre a possibilidade de avaliação da intervenção das Farmácias em áreas como a Diabetes, a Vacinação contra a gripe, ou no reforço da adesão e gestão da terapêutica.

O sector da Saúde em Portugal apresenta vários desafios, as Farmácias enquanto centros de prevenção, detecção precoce, tratamento e inovação, deverão assumir e diferenciar o seu papel no Sistema de Saúde, reforçando a sua ligação com os diferentes intervenientes e agentes do sistema, orientando sempre a sua actividade em prol das necessidades do utente. É assente nestas características que as Farmácias Portuguesas trabalham diariamente, focadas na missão de fazer das Farmácias a rede de cuidados de saúde primários mais valorizada pelos portugueses.

A rede de Farmácias evoluiu muito e dispõe de mais valias únicas para intervir na saúde pela sua qualificação, capilaridade, tecnologia e acessibilidade à população.

Portugal precisará cada vez mais da Farmácia e do Farmacêutico. E nós vamos estar sempre à altura!

– Dr. Duarte Santos

Portugal e o Modelo Europeu de Avaliação de Tecnologias de Saúde

Tecnologias de Saúde: medicamentos, dispositivos médicos ou procedimentos médicos ou cirúrgicos, bem como medidas de prevenção, diagnóstico ou tratamento de doenças utilizadas na prestação de cuidados de saúde. Com um setor da saúde cada vez mais exigente, avaliar estas “Tecnologias de Saúde” torna-se um objetivo progressivamente mais complexo e assente em várias dimensões. Desta forma, a Avaliação de Tecnologias de Saúde (ATS) tem evoluído gradualmente, tornando-se um conceito cada vez mais Europeu.
O processo de ATS é efetuado em Portugal, para os medicamentos, desde 1999, antes da decisão de financiamento e como instrumento de suporte e apoio. No entanto, seria em 2015 que Portugal conheceria uma nova era nesta matéria com a criação do Sistema Nacional de Avaliação de Tecnologias de Saúde (SiNATS). Desta forma, o processo de ATS passou a abranger outras tecnologias para além dos medicamentos, como, por exemplo, os dispositivos médicos. Para além disto, permitiu a introdução de diversas medidas que promovem a transparência, a equidade na utilização e a obtenção de ganhos em saúde. Promoveu ainda a avaliação do valor das tecnologias de saúde ao longo de todo o seu ciclo de vida, bem como um maior envolvimento de Portugal nos esforços europeus para a criação de um sistema integrado e comum aos Estados membros, no que respeita à Avaliação de Tecnologias de Saúde.
Por seu lado, a Europa tem dados passos sólidos na implementação de um modelo europeu de ATS. O projeto EUnetHTA (European Network for Health Technology Assessment) foi desenvolvido de forma a criar uma rede eficaz e sustentável de Avaliação de Tecnologias de Saúde em toda a Europa. Assim, com a missão de apoiar a colaboração entre organizações de ATS europeias, criando valor acrescentado, tanto a nível europeu, como nacional, a rede EUnetHTA é constituída por organizações governamentais e por um grande número de agências e organizações sem fins lucrativos, que produzem ou contribuem para a ATS na Europa. O INFARMED, I.P. corresponde ao representante português neste projeto europeu.
O trabalho desenvolvido pela EUnetHTA permitiu a produção de modelos, metodologias e guidelines relacionadas com a ATS. O HTA Core Model, a metodologia Rapid Relative Efectiveness Assessment e as bases OPO e EVIDENT, são o resultado da colaboração e do trabalho conjunto desenvolvido pela rede europeia de ATS.
O primeiro, diz respeito a um formato estruturado para a produção de ATS, que permite a adaptação ao contexto local de cada país. Desta forma, levanta as principais questões que devem ser respondidas ao longo de um processo de avaliação de tecnologias de saúde; qual a metodologia para responder a estas mesmas questões e ainda, o modo como a informação deve ser organizada. Por sua vez, o modelo Rapid Relative Efectiveness Assessment é uma variante do HTA Core Model, possibilitando a avaliação de um determinado medicamento, comparativamente com a mais relevante ou relevantes alternativas, num prazo limitado de tempo. Finalmente, as bases de dados referidas permitem a partilha de informação entre agências de ATS, no que respeita aos projetos/avaliações planeadas ou em curso.
Assim, o trabalho desenvolvido pela EUnetHTA tem contribuído para a criação e desenvolvimento de um Modelo Europeu de Avaliação de Tecnologias de Saúde. Apesar deste estar ainda muito focado nas intervenções clínicas, o seu desenvolvimento permitirá aproximar os processos de ATS das políticas de saúde que contribuem para a gestão e financiamento dos sistemas de saúde. A presença de Portugal neste projeto é crucial, podendo, num futuro próximo, ser possível a avaliação centralizada de algumas tecnologias de saúde, sobretudo medicamentos.

– João Malhadeiro, membro do Alumni Board da LisbonPH