A Importância da Saúde Oral na Saúde Geral

A saúde oral tem muita influência na saúde geral. A boca é um indicador sensível de saúde geral podendo, nalguns casos, ser o 1º local de manifestação de uma doença do foro geral. Para além disso ter problemas orais é uma fonte de dor, infeção e diminuição da qualidade de vida e bem-estar. A presença de doenças orais, nomeadamente, as cáries dentárias e os problemas gengivais, vão permitir a entrada de microorganismos para a corrente sanguínea e causar doenças em outros órgãos. São exemplos destas situações problemas cardiovasculares, cerebrovasculares, doenças respiratórias, diabetes, entre outros.

O 1º passo para termos uma boa saúde oral é escovar os dentes 2 ou mais vezes ao dia com uma pasta com flúor, sendo a escovagem antes de dormir aquela que é mais importante. Mas a escova não é capaz de chegar aos espaços entre os dentes e por isso deve ser utilizado uma vez por dia o fio/fita dentário ou um escovilhão, para uma limpeza destes espaços interdentários. Outro passo é restringir o consumo de açúcares principalmente entre as refeições, pois é nestas alturas que o açúcar é mais lesivo para os dentes. Uma alimentação equilibrada, com todos os nutrientes essenciais, é um dos factores mais importantes para a saúde oral e geral. O 4º passo é fazer uma vigilância periódica com um profissional de saúde oral. As visitas regulares a estes profissionais permitem um diagnóstico precoce.

Sandra Graça

Testemunho APPSHO

A Associação Portuguesa Promotora de Saúde e Higiene Oral, desde a sua criação, tem vindo a implementar vários projetos de intervenção comunitária junto das pessoa com maior vulnerabilidade social e económica, residentes na região de Lisboa e Vale do Tejo nas áreas da saúde oral e nutrição. As desigualdades no acesso a saúde oral ainda são muito grande e as pessoas carenciadas são aquelas que apresentam maior dificuldades no acesso à saúde oral, apresentam uma elevada prevalência das doenças orais e uma baixa literacia em saúde. Com o apoio da DGS, permitiu-nos desenvolver o projeto “Crescer com Saúde” e criar um “Centro Comunitário de Saúde Oral”, que veio trazer maior equidade no acesso à saúde oral junto das pessoas que apresentam maior vulnerabilidade social, baixando a prevalência da cárie dentária e aumentando a literacia em saúde . As doenças orais devem ser encaradas como um grave  problema de saúde pública que deve ser controlada, porque interfere diretamente com o conforto do indivíduo, saúde geral, saúde mental, inclusão social.

 

O nosso lema é pensar globalmente e agir localmente e para que a saúde oral chega a mais pessoas desenvolvemos o projeto “Bairro sem Cárie”, que é um projeto de proximidade junto dos bairros sociais do Concelho do Seixal, onde se promoveu a importância da saúde oral, o ensino de técnicas corretas de higiene oral e alimentação saudável. Este projeto teve um grande impacto nos bairros sociais, permitiu criar maior acesso à saúde oral, a mais de 900 crianças e jovens que foram tratados e muitos dos jovens que não conseguiam ter acesso ao emprego pela sua condição de saúde oral, conseguiram arranjar emprego.

 

 

 

Cumprimentos,
Octávio Rodrigues

Tuberculose: necessidades, desafios, promessas e perspectivas.

Todos os anos, no dia 24 de março, o Dia Mundial da Tuberculose (TB) visa aumentar a consciencialização sobre a doença. A TB tem infetado seres humanos desde há muitos séculos e embora nunca tenha sido completamente erradicada, houve, no entanto, uma queda significativa nos casos e taxas de mortalidade, graças ao desenvolvimento da vacina BCG (1921) e aos “novos” antibióticos (nos anos 50 do século passado).  Mas a doença ressurgiu. A prevalência aumentou para um nível tão preocupante que a OMS declarou uma emergência de saúde global em 1993 e, subsequentemente, desenvolveu a estratégia do “STOP TB”, com o objetivo de acabar com a epidemia global de TB até 2035.  Embora se tenham registado progressos na redução da mortalidade, a TB classifica-se como uma das doenças infeciosas mais letais, particularmente, em doentes infetados com o vírus da imunodeficiência humana (HIV).

O controlo está repleto de problemas em torno da transmissão, especialmente em tempos de aumento de viagens globais e superlotação em algumas áreas urbanas, aumento da resistência a antibióticos, ferramentas de diagnóstico limitadas e falta de vacinas eficazes. O problema tem-se complicado pelo surgimento da resistência contra os antibióticos mais eficazes especialmente isoniazida e rifampicina. Estirpes de bacilos resistentes a múltiplos medicamentos (MDR-TB e XDR-TB) foram responsáveis ​​por 0,49 milhão de casos de TB, principalmente na Índia, na China e na Federação Russa.

Um obstáculo significativo no tratamento da TB é a alta prevalência de coinfeção com HIV. Os dois patogenos exacerbam-se mutuamente aumentando a morbilidade e mortalidade. Além disso existem interações medicamentosas que tornam problemático o co-tratamento com antibióticos de primeira linha contra a tuberculose e a terapia anti-retroviral (ART).

A longa duração e natureza complexa da terapia da TB atual e o consequente surgimento de MDR-TB e XDR-TB, e a incompatibilidade dos antibacilares com a ART, todos suportam a necessidade de desenvolver novos medicamentos e melhores regimes de tratamento. Melhorar o tratamento da TB implica alcançar vários objetivos: – encurtar a duração do tratamento para a doença ativa a fim de melhorar a adesão; – desenvolver medicamentos seguros e toleráveis ​​com novos mecanismos de ação que sejam eficazes contra estirpes resistentes (MDR-TB e XDR-TB); – desenvolvimento de medicamentos que evitem interações medicamentosas, especialmente com a ART e facilitar o tratamento de pacientes co-infetados com HIV. Contudo, apenas recentemente e, depois de quase meio século desde a aprovação da última medicação antituberculosa, duas novas moléculas, a delamanida e a bedaquilina, foram incluídas em esquemas terapêuticos e somente para tratar pacientes com MDR ou XDR-TB.

O objetivo do tratamento da TB tem sido o de matar as micobactérias causadoras com agentes antimicobacterianos. Devido à longa duração do tratamento, as possibilidades de toxicidade do fármaco e o aumento da resistência ao fármaco, as terapias dirigidas pelo hospedeiro (HDT), ganharam atenção recentemente. Os HDTs são agentes que podem aumentar os mecanismos de defesa do hospedeiro, modular a inflamação excessiva ou ambos, manipulando a resposta do hospedeiro a um patogeno e interferindo nos mecanismos do hospedeiro explorados pelo patogeno para persistir ou replicar nos tecidos do hospedeiro. Isso pode levar a melhores resultados no tratamento clínico, como redução da morbilidade, mortalidade e danos aos órgãos-alvo e recuperação funcional a longo prazo.

A busca por uma melhor terapia contra a tuberculose tem assim sido impulsionada por duas atividades interligadas: a busca de novos fármacos e o desenvolvimento de esquemas de combinação eficazes e pela primeira vez em 40 anos, um portfólio de novos compostos promissores para o tratamento da tuberculose está no horizonte.

Elsa Anes

Testemunho Ana Frazão

Olá! O meu nome é Ana Frazão, tenho 24 anos, terminei o Mestrado Integrado em Ciências Farmacêuticas em 2018 e encontro-me neste momento enquanto Marketing Trainee na GSK. Ao longo dos meus 5 anos de faculdade, a maior parte deles foram partilhados com a LisbonPH e gostava de vos contar um bocadinho dessa (tão querida para mim) história.

Esta foi para mim uma viagem atribulada (num muito bom sentido). Assisti ao primeiro evento da LisbonPH para a comunidade estudantil e todo o envolvimento do evento despertou a minha curiosidade. No início do meu 2º ano arrisquei, candidatei-me e ingressei no já extinto Departamento Comercial e Logística. Confesso que não é fácil descrever todas as oportunidades que me deram e nas quais eu embarquei. Entre trabalhar com várias equipas (fosse dentro do departamento, para um projeto…), contactar com profissionais de saúde ou de outras áreas, gerir objetivos e atingir resultados, o crescimento foi exponencial. E tal só aconteceu porque na LisbonPH há uma oportunidade de te desafiares a ti mesmo, às tuas capacidades e, sobretudo, uma oportunidade de aprendizagem. Esta viagem não terminou por aqui, passado um ano decidi candidatar-me a Diretora do meu departamento. Ambicioso? Sim, bastante, considerando que estava no 3º ano, mas essa foi mais uma das valências que ganhei. Trabalhar com uma ambição, a ambição de poder levar a LisbonPH muito mais longe.

Parar por aqui? Nem pensar! Passado um ano enquanto Diretora de departamento tive a oportunidade de fazer parte da JADE Portugal – Federação de Júnior Empresas de Portugal, enquanto International Manager. Mesmo assim, senti que não era capaz de deixar a minha LisbonPH e ajudei enquanto Presidente do Conselho Fiscal. Qual foi o meu maior desafio? Honestamente, considerei-o um desafio mas hoje vejo-o como uma das maiores oportunidades que esta Júnior Empresa me deu: poder apresentar a candidatura a um prémio a nível europeu, em Bruxelas, em frente a 300 Júnior Empresários e cerca de 30 representantes de empresas e entidades europeias foi um passo que eu jamais pensei ser capaz de dar. Mas fui, porque a LisbonPH mo permitiu e me deu as competências para que tal fosse possível.

Achas que és capaz? Eu acho que sim! Não deixes ficar a candidatura no computador!

Ana Frazão

 

 

Qual o contributo do cargo de Diretora do Departamento Comercial e Logística na LisbonPH para o atual cargo na ANF na área de logística e vendas de produtos?

Ser Alumni da LisbonPH é uma responsabilidade, mas sobretudo uma oportunidade de continuar ligada ao desenvolvimento do profissional do futuro empreendedor, criativo e multidisciplinar.

O futuro e a inovação são a grande ponte de ligação entre a LisbonPH e as Farmácias Portuguesas, onde atualmente integro uma equipa multidisciplinar, para lá das ciências da Saúde, cujo foco é a operacionalização da Gestão de Categorias no contexto Farmácia. Se este conceito de loja está bem implementado noutras realidades comerciais, na Farmácia, enquanto loja, a conciliação dos racionais de consumo com as necessidades de Saúde é uma nova realidade.

A que necessidades responde a Farmácia? Que necessidades o shopper quer satisfazer? Quem é o shopper da Farmácia? Romper o racional da doença e compreender que quem entra na Farmácia – o shopper – pode ser impactado por ferramentas de marketing que o levam a satisfazer necessidades de Saúde, que nem ele sabe ter, é valorizar a experiência de compra e rentabilizar o processo de venda. Como? Otimizando o fluxo de circulação em loja, garantindo uma experiência imergente e completa; comunicar no ponto de venda numa linguagem simples e visual de forma a facilitar a identificação das respostas de Saúde possíveis de encontrar na Farmácia; rentabilizar a exposição de produtos associando necessidades primárias a secundárias de forma a aumentar e melhorar a resposta enquanto se aumenta o valor do cesto. A experiência Farmácia é assim renovada e adaptada a uma sociedade que procura respostas simples, rápidas e completas às suas necessidades.

Esta abordagem é singular e personalizada à realidade de cada Farmácia, permitindo a cada uma desenvolver-se no sentido de otimizar a resposta dada às necessidades do seu shopper.

Assim, depois da experiência associativa que me propôs desenvolver o Farmacêutico do futuro, empreendedor, criativo e multidisciplinar, hoje, a proposta é fazer da Farmácia o seu habitat natural.

Cátia Henriques

O Subdiagnóstico de Doenças Infeciosas, Farmácias e Saúde Pública

Num dia normal, as farmácias atendem 250 mil pessoas. Nenhuma outra rede contacta, todos os dias, com tanta gente de todas as idades e condições de saúde: doentes, cuidadores, pessoas saudáveis. Isto representa uma grande oportunidade para a Saúde Pública.

Com mais de três farmacêuticos por farmácia, a rede de farmácias é uma das cinco mais qualificadas do mundo. E é também a mais bem distribuída pelo território. Continua a haver farmácias onde já fechou tudo, da extensão do centro de saúde à linha de caminho-de-ferro. Em muitas terras onde já não chegam outros profissionais de saúde ainda existe uma farmácia de portas abertas. Isto torna a rede de farmácias indispensável à Saúde Pública.

No caso do VIH-SIDA, isso ficou evidente nos anos 90. O Programa Troca de Seringas (PTS) evitou 7.283 infeções por cada 10.000 utilizadores de drogas injetáveis nos primeiros dez anos em que funcionou na rede de farmácias, quando a doença era motivo de pânico generalizado. O PTS salvou milhares de vidas e ajudou muitos jovens a superar a toxicodependência. Por outro lado, poupou ao Estado entre 400 milhões e 2.000 milhões de euros em tratamentos evitáveis, de acordo com uma auditoria realizada pela consultora Exigo para a Comissão Nacional de Luta Contra a Sida.

Graças à investigação científica, na qual também trabalham muitos farmacêuticos portugueses, a SIDA já não é uma doença mortal. A morbilidade e a mortalidade dos portadores de VIH aproximam-se, cada vez mais, das registadas na população em geral. No entanto, persiste um problema sério de subdiagnóstico da doença. A Direção-Geral da Saúde estima que cerca de 10 por cento das pessoas seropositivas desconheçam a sua condição, de acordo com o relatório de 2018 do Programa Nacional para a Infeção VIH-SIDA. «Continuamos, hoje, a diagnosticar pessoas cujos resultados das análises indicam que podem ter sido infetadas há dez anos», alertou o infeciologista Kamal Mansinho na Revista Farmácia Portuguesa.

Tudo indica que o subdiagnóstico seja um problema ainda maior no caso das hepatites. O estudo “O Impacto da Hepatite C em Portugal”, publicado em 2014 no “Jornal Português de Gastrenterologia”, refere que apenas 30% dos doentes se encontram atualmente diagnosticados. A Universidade Católica estima que existam 89.200 portugueses infetados.

As hepatites, se não forem diagnosticadas atempadamente, podem obrigar ao transplante do fígado e até causar a morte. O custo da última geração de medicamentos é tão elevado que implicou uma negociação dura e um acordo de confidencialidade quanto ao preço entre o Estado e o laboratório produtor. A maior ironia é que, detetada a tempo, a infeção é relativamente simples de curar, a custos controlados.

Portugal subscreveu o objetivo da ONUSIDA de quebrar o ciclo de transmissões e erradicar as epidemias de VIH/SIDA e de hepatites virais até 2030. Isso não será possível se não resolvermos o colossal problema do subdiagnóstico destas doenças. Basta pensarmos em quantas pessoas podem ser involuntariamente infetadas por um único portador da doença que desconheça esse facto.

A implementação nas farmácias de testes rápidos de rastreio ao VIH, VHB e VHC é indispensável ao cumprimento do objetivo assumido pelo Estado português de erradicar estas doenças. Para desenvolver políticas de Saúde Pública, prevenção da doença e promoção de estilos de vida saudáveis, Portugal precisa de uma maior integração das farmácias com o Serviço Nacional de Saúde.

Dr. Paulo Duarte, Presidente da Direção da Associação Nacional das Farmácias (ANF)

Será o Empreendedorismo a Chave do Futuro?

A LisbonPH foi fundada por um grupo de estudantes em 2013, ano em que o setor farmacêutico vivia diversas  dificuldades devido a múltiplos fatores socioeconómicos. Neste preciso ano, o ingresso no mercado de trabalho por parte dos alunos finalistas do Mestrado Integrado em Ciências Farmacêuticas estava cada vez mais dificultado e as condições de trabalho não eram as idealizadas. Com o mercado de trabalho praticamente saturado, todos procuravam a chave para o sucesso. Foi então, que um grupo de estudantes da Faculdade de Farmácia da Universidade de Lisboa decidiu acrescentar valor à sua formação iniciando uma Júnior Empresa cujo o principal mote é o “Desenvolvimento do Profissional de Saúde do futuro, empreendedor, criativo e multidisplinar”, a LisbonPH. Este foi o fator diferenciador que cada um daqueles jovens fundadores teve no seu percurso académico e que se continuou a perpetuar durante os últimos cinco anos a todos os estudantes que passam por esta Júnior Empresa. Pois bem, se empreendedorismo significa empreender, resolver um problema ou situação complicada, nada poderá ter sido mais empreendedor que a criação da LisbonPH como resposta às adversidades. E se, empreendedorismo foi a palavra de ordem para o “nascimento” da LisbonPH depressa se tornou num valor pelo qual nos pautamos. É através do  empreendedorismo que procuramos a constante inovação, que nos preocupamos em desenvolver novos serviços e que nos permite evoluir e atingir novos patamares . A evolução contínua foi e sempre será um dos principais objetivos da LisbonPH. Para além disso, o que faz da LisbonPH verdadeiramente empreendedora é o conjunto de empreendedores pelos quais somos constituídos com as capacidades certas para ter sucesso: flexibilidade, dinamismo, criatividade, garra, energia, espírito de iniciativa e sacrifício. E assim, chegamos ao cerne da questão: “ SERÁ O EMPREENDEDORISMO A CHAVE DO FUTURO? Estou certa que sim. Em 2019, a LisbonPH continuará a ultrapassar todas as adversidades com as quais for deparada, a elevar os seus padrões de inovação, a ambicionar sempre mais e, mais importante que tudo,  nunca estagnar para que nos mantenhamos fiéis ao propósito pelo qual fomos criados: “Pelo desenvolvimento do Profissional de Saúde do futuro, empreendedor, criativo e multidisplinar”.

– Mariana Chaves, Presidente Executivo da LisbonPH

Orçamento de Estado – Custos de Saúde

O Orçamento do Estado de 2019 apresenta, no que diz respeito ao setor da saúde, duas partes distintas.

A primeira dessas partes é preparada pelo Ministério da Saúde, pois está na secção dedicada à saúde (e o formato e texto seguem o padrão de anos anteriores). A segunda parte é uma secção dedicada ao Serviço Nacional de Saúde, claramente escrita com outro estilo, e dando uma perspetiva adicional sobre os desafios do Governo nesta área. Aparentemente terá sido escrita por alguém mais próximo do Ministério das Finanças.

Na secção dedicada explicitamente à saúde e ao Ministério da Saúde, grande parte do texto apresentado é em grande medida igual ao do ano anterior, que por sua vez já tinha grandes semelhanças com o do ano anterior a esse. As prioridades têm ligeiras alterações, normalmente decorrentes de novas ideias ou de conclusão de medidas antigas. Podemos destacar as preocupações com o acesso a cuidados de saúde (saúde oral, telessaúde, atribuição de médico de família a aproximar os 96%).

Já na secção dedicada ao Serviço Nacional de Saúde, surge com destaque a Estrutura de Missão para a Sustentabilidade do Programa Operacional da Saúde, que tem como missão central ajudar a uma maior racionalidade e eficiência na despesa pública em saúde, e em particular dos Hospitais EPE. A breve referência a esta Estrutura de Missão, feita na secção do Ministério da Saúde, contrasta com a descrição alargada feita nesta outra secção. O papel desta Estrutura de Missão é importante em dois planos: primeiro, pelas recomendações que realiza, no sentido de procurar resolver o problema das dívidas dos Hospitais EPE; segundo, pelo sinal político que transmite, que se espera que seja de colaboração entre o Ministério da Saúde e o Ministério das Finanças, sendo importante que ambos sintam o compromisso de fazer com que esta Estrutura de Missão tenha condições adequadas para desenvolver o seu trabalho.

Em termos de contas, a despesa prevista para o SNS em 2019 é de 10,223 mil milhões de euros, embora a transferência do Orçamento do Estado para o Serviço Nacional de Saúde seja “apenas” de 8,812 mil milhões de euros. A diferença entre a despesa do SNS e a transferência vinda do Orçamento do Estado terá que ser colmatada com receitas de taxas moderadoras, com pagamentos realizados por outras entidades contra serviços prestados pelo Serviço Nacional de Saúde, e por défice (que terá de ser pago no futuro, de qualquer modo). Os hospitais públicos têm uma despesa prevista no Orçamento do Estado de 5,077 mil milhões de euros, e as Administrações Regionais de Saúde cerca de 3,688 mil milhões de euros (e inclui a despesa com as unidades de cuidados de saúde primários e em intervenções de saúde pública). São a parte mais substancial da despesa pública em saúde. O papel dos hospitais na despesa faz com que os problemas gerados pelo acumular das suas dívidas (e pagamentos em atraso) a fornecedores sejam também problemas para o Orçamento do Estado. E daqui decorre a importância da Estrutura de Missão para resolver esta questão dos pagamentos em atraso. E será este o principal desafio do Orçamento do Estado para 2019, que se torna mais forte devido à pressão para mais contratações de recursos humanos, e logo, mais despesa. Essa necessidade de reforço de profissionais de saúde surge em larga medida da alteração dos horários de trabalho, com a passagem das 40h para as 35h semanais, e que também tem estado na origem da conflitualidade laboral no SNS.

– Prof. Doutor Pedro Pita Barros, Nova School of Business and Economics

Seis aprendizagens da minha jornada empreendedora | De Portugal para o Mundo

A minha jornada de fazedor já começou há alguns anos, mas acabou por se materializar de forma mais séria com o nascimento da Forall Phones. O que é a Forall Phones? A Forall Phones é uma startup portuguesa que nasceu no seio universitário com a missão de tornar a tecnologia topo de gama acessível, enquanto temos impacto ambiental positivo na sociedade. Como é que fazemos isso? Através da venda de smartphones topo de gama recondicionados, que em média, são 40% mais baratos que os novos. Damos uma nova vida a equipamentos e permitimos a poupança de dinheiro aos nossos clientes. Em pouco mais de 1 ano conseguimos passar de 4 colaboradores full-time para 50, gerar vendas para 14 países, abrir uma rede de lojas e atingir um crescimento superior a 700% ao ano.

Ao longo desta viagem retirei algumas aprendizagens que acho essencial para teres sucesso enquanto empreendedor:

  • Se queres ter um negócio de sucesso é essencial focares-te. Parece óbvio, mas hoje em dia, e graças à enorme competição que existe, é 100% certo que se não estiveres focado e 200% entregue ao teu projeto, não vais conseguir assegurar um crescimento escalável e duradouro;
  • Pensa bem no “porquê” de estares a começar algo. Podes fazer um exercício muito simples de perguntar 5 vezes “porque razão estou a começar isto?”. Este racional vai testar a força da tua ideia e, dar a garantia que estás muito claro relativamente ao propósito que será abraçado por dezenas e, quem sabe, milhares de pessoas no futuro;
  • Foca-te naquilo que és bom e que te torna diferente/único no mercado. Depois, explora essa diferenciação através de uma narrativa. Isso vai ressoar na tua audiência, na tua equipa, nos teus stakeholders e vai permitir que se revejam e percebam porque razão devem confiar em ti. Tal como Scott Belsky defende, criar uma narrativa deve ser uma das primeiras prioridades de um empreendedor. Esse exercício vai-te ajudar a perceber qual será o teu market fit;
  • A cultura e as pessoas são chave! Desde muito cedo a cultura foi muito importante para a Forall Phones. Acreditamos que o capital humano é o principal ativo das empresas do século XXI! Nesse sentido, investimos muito tempo a trabalhar a nossa cultura, valores e a forma como garantimos que toda a nossa equipa está motivada e alinhada por um propósito comum. A nossa cultura de confiança, liberdade e responsabilidade tem-se revelado um sucesso a nível de performance, atração e retenção de talento;
  • Simplifica! Pensa simples e evita criar complexidade. A rapidez na execução, flexibilidade e adaptação são essenciais numa fase de lançamento de negócio. Nesse sentido, existe uma imensidão de ferramentas disponíveis, como plataformas de e-commerce Shopify ou Woocommerce, que te permitem lançar um negócio do dia para a noite sem precisares de investir dezenas de milhares de euros ou recrutares uma dezena de developers;
  • Se não és apaixonado pelo que fazes não vai dar certo! A viagem de um empreendedor é muito desafiante. As adversidades surgem a todos os minutos e só vais conseguir chegar ao teu objetivo se tiveres a resiliência e persistência para lidares com elas. Nós acreditamos que isso só é possível quando estás a fazer algo que vês como uma missão e não como um simples trabalho – nós chamamos-lhe paixão!

Por fim, COMEÇA, FAZ! A verdade é que no início nós não éramos 100% experts em negócios da economia circular, lançámo-nos nesta jornada de mente aberta e dispostos aprender e ser melhores a cada dia que passa.

João Ribeiro
CMO & Co-owner Forall Phones

Importância e Justificação da Geriatria

Há mais de um século que Médicos e organizações científicas chamam a atenção para os doentes idosos, considerando-os um grupo particular dentro da população dos doentes que procuram assistência médica.

Considerações semelhantes fizeram emergir na Europa, no século XVIII, a assistência especializada às crianças, e o primeiro hospital de pediatria nasceu na Grã-Bretanha, em Londres em 1745, o London Foundling Hospital. Este hospital como outros da mesma especialidade tornaram-se os principais centros de treino de pediatria que passou a ser ensinada nas Escolas Médicas, como disciplina autónoma, em meados do século XIX.

Quando doentes, a criança e o idoso são semelhantes nas suas particularidades, que os distinguem do doente adulto.

Ambos têm doenças próprias ou mais prevalentes, ambos têm manifestações especiais das suas doenças, ambos têm opções terapêuticas condicionadas pelas alterações da farmacocinética e da farmacodinamia, ambos exigem aconselhamento na prevenção das doenças e no desenvolvimento harmonioso e saudável, a criança, no envelhecimento ativo e saudável, o idoso. Ambos exigem atenções no internamento, minimizando o sofrimento da criança na separação da família, evitando o delirium e a perda de autonomia motora no idoso. No caso do idoso acresce a simultaneidade de patologias e a frequente e nem sempre evitável polimedicação.

A Pediatria foi entendida como um aliado da Medicina Interna, um contributo importante para otimizar a assistência à criança.

A medicina dos Idosos, a Geriatria, é também assim entendida em todos os países civilizados do Mundo. Aliada da Medicina Interna, enriquece-a e complementa-a. Nos países onde se desenvolveu a Geriatria, desde meados do século passado, não retirou importância à grande disciplina, base de todas as especialidades que é a Medicina Interna, e como todas as outras especialidades que emergiram da Medicina Interna a sua existência tem a mesma justificação:

melhorar a qualidade e a eficácia da assistência no exercício da medicina.

Nos nossos dias a eficácia da medicina exige cada vez mais a assistência por uma equipa multidisciplinar.

A Geriatria é uma das disciplinas que, como todas as outras, é imprescindível nessa equipa.

É urgente que à semelhança do que aconteceu no Mundo (p. ex: há mais de três dezenas de anos em Espanha e nos E.U.A.) que os grandes hospitais de Portugal criem Unidades de Internamento de Geriatria não só para otimização dos cuidados aos idosos do tipo III (1), mas também para a formação dos Internistas e dos médicos que pretendam obter a Competência em Geriatria.

Não será só de mais Geriatras que precisamos, mas também de médicos cada vez melhor preparados para otimizar a assistência aos doentes idosos.

Assim seremos iguais aos outros países, daremos seguimento às diretrizes da Organização Mundial de Saúde e para mais, como escreveu em 1991, o Prof. Daniel Serrão: “é um imperativo moral e ético criar as condições científicas e técnicas que permitam formar médicos aptos a dar cumprimentos aos princípios das Nações Unidas em favor das pessoas idosas”.

  • Gorjão Clara J. The older patient; the need for geriatric units. (Editorial).

European Geriatric Medicine, 2015;6(4):295-296