A integração dos suplementos alimentares nas terapêuticas convencionais; perspetivas futuras para os suplementos alimentares, impacto na saúde dos portugueses.

Os suplementos alimentares (SA) são uma constante intemporal nas opções de utilização dos portugueses, enquanto cuidado básico de saúde. Quer pelos médicos, quer pelos utilizadores a título individual que, por iniciativa própria, optam por seguir a recomendação de tomar vitaminas, minerais, fórmulas à base de plantas, probióticos, ácidos gordos essenciais, etc.  

Atualmente, vários compostos de ingredientes utilizados em SA são finalmente conhecidos a fundo pela ciência e esta divulgação propicia uma maior abertura para a sua utilização, junto dos profissionais de saúde e da comunidade geral. A definição legal de suplemento alimentar lembra-nos que visam, antes de mais, complementar e ou suplementar um regime alimentar normal. Contudo, o modo de vida moderno tende a originar alterações e carências ao bom funcionamento do organismo, por ser acelerado e cheio de excessos e desequilíbrios alimentares, stresse, tabagismo, poluição e perturbações dos ciclos naturais de atividade e de repouso.

A prova evidente para o sucesso da utilização de SA é a satisfação das pessoas que os utilizam e a percentagem das pessoas que a eles recorrem. Em 2006, o ISEG (Instituto Superior de Economia e Gestão da Universidade de Lisboa) realizou um estudo a nível nacional com uma amostra de 1200 indivíduos no sentido de estudar o mercado dos SA. Com este estudo concluiu-se que 81% dos indivíduos utilizam ou já utilizaram SA. Quando questionados sobre a possibilidade de voltar a comprar e utilizar SA, os inquiridos demonstram, em esmagadora maioria, a intenção de voltar a fazê-lo, o que é indiciador da satisfação e reconhecimento do benefício decorrente do consumo de SA.

Os SA podem ser vantajosos na prevenção, ou normalização, de determinados estados, contribuindo para a melhoria de certas condições de saúde das pessoas, em comparação com a ingestão de medicamentos com muitos efeitos secundários associados.

Esta utilização de SA, bem informada e direcionada, pode ser lucrativa para o estado, no sentido da poupança que potencialmente gera, no SNS, porque a utilização de SA tende a refletir-se como benéfica, traduzida em pessoas com mais vitalidade.

https://www.repository.utl.pt/handle/10400.5/15915

 

A Controvérsia a Suplementos Alimentares

Nos últimos anos as pessoas procuram um estilo de vida mais saudável e são induzidas a pensar que encontram nos suplementos a “chave” para aumentar o seu bem-estar e manutenção da saúde. 

A questão é que não foi sempre assim. Em 1990, Orrin Hatch e Tom Harkin conseguiram mudar a legislação dos “suplementos dietéticos” no Senado Americano, incluindo no texto da legislação “ervas e produtos nutricionais similares” (“herbs and similar nutritional products”). Deste modo, deixaram de ser constituídos apenas por proteínas, vitaminas e sais minerais e passaram a poder, de uma forma generalista, incluir quase tudo.

Isto levou a que várias situações de risco pudessem vir a ocorrer associadas a estes produtos. Às vezes incluem plantas a que não foi feito controlo de qualidade e contêm metais pesados, outros contêm plantas que não estão bem identificadas e algumas até trazem associados fungos que produzem toxinas, como as aflatoxinas. 

Com toda a publicidade associada aos “Produtos Naturais”, também as Plantas Medicinais passaram a ser vendidas à luz desta legislação, passando por vezes à margem das regras dos Medicamentos à Base Plantas. Aparecem incluídas em diversas formas farmacêuticas como cápsulas ou comprimidos, como folhas em pó ou secas para “chás”, ou em soluções já preparadas e fáceis de transportar e beber o dia todo. Criou-se assim um mercado que não respeita as bioactividades das Plantas Medicinais, misturando várias ao longo do dia com potencial variado no organismo ao que ainda se associa, muitas vezes, um plano de polimedicação.

A legislação considera os suplementos alimentares géneros alimentícios que se destinam a complementar os planos alimentares, e que não deverão ser utilizados como substitutos de algum nutriente proveniente dos mesmos. Estes produtos são regulados pela DGAV, sendo que para a sua aprovação, não é necessário entregar ensaios de segurança. Destinam-se apenas a manter a homeostasia dentro de níveis normais e devem ser evitados “Produtos de Fronteira”, que tendem a usar substâncias “Borderline” que deveriam apenas existir em medicamentos controlados e com ensaios de eficácia e segurança. 

Assim, o consumidor deveria estar alerta para a composição e para o facto de que por vezes, em casos reportados, esta não confere com os ingredientes que estão citados. Acresce a isto, situações em que alguns produtos poderão ainda conter adulterantes/contaminantes.

Pelo que acabamos de referir, é fácil perceber que doentes de risco, que são mais vulneráveis, como por exemplo os casos de oncologia, devem prestar maior atenção ao que consomem e não “embarcar” na magia dos outcomes que os poderão iludir. O tratamento oncológico é um processo muito moroso, acompanhado muitas vezes por um processo depressivo. Muitos doentes começam a suplementação convencidos que é uma “via rápida” para a cura, pelas suas alegações e promessas, numa esperança de ficarem melhor rapidamente, e isso pode trazer graves problemas de interações.

Outro exemplo, pode ser dado relativo ao uso de suplementos em doses superiores ao recomendado como, por exemplo, indivíduos que através da suplementação façam uma ingestão de cálcio superior à recomendada (1000 mg/dia), têm um risco aumentado de morte. A atitude mais sensata é só usar suplementos se o plano alimentar da pessoa for deficitário em algum nutriente que vá causar carência e subsequente doença. Nesses casos, a suplementação deve ser recomendada, mas nas doses específicas para aquela situação. Deste modo, é possível trazer os valores de autorregulação da homeostasia para a normalidade (saúde). Em caso de doença são precisos medicamentos (substâncias activas com actividade terapêutica) para repor os valores normais da homeostasia e isso não deve ser feito com suplementos, mesmo que estes reclamem essa bioactividade. Também o uso concomitante pode ser de risco, pelo que é fulcral comunicar ao médico ou farmacêutico sobre o consumo destes produtos, bem como da terapêutica que tome, uma vez que pode interferir com a eficácia dos tratamentos. 

A suplementação é um assunto sério e deve estar associada à eficácia, segurança e qualidade, pelo que a sua recomendação e venda deveria ser objectivamente avaliada de forma responsável e consciente. Os farmacêuticos podem ser responsáveis pela mudança de perspectiva sobre esta temática enquanto agentes de saúde pública. Compete-nos fazer um bom aconselhamento ao doente através da revisão da terapêutica e avaliação de interacções, também com os suplementos se forem necessários.

Todos os tratamentos devem ser realizados de forma racional e segura para o doente e para o bem-estar de todos.

Cátia Couto e Maria da Graça Campos 

Observatório de Interações Planta-Medicamento (OIPM), Universidade de Coimbra

Get To Know LisbonPH – Sílvia Miguel

Sou a Sílvia Miguel, tenho 25 anos, e tive o enorme privilégio de fazer parte da LisbonPH, esta única e revolucionária júnior empresa da área da Saúde.

Durante o meu percurso na LisbonPH tive a oportunidade de fazer parte da Mesa da Assembleia Geral, do Departamento de Projetos e terminei o meu percurso como Presidente Executivao.

Acima de tudo, este projeto foi um dos momentos mais marcantes do meu percurso académico e foi uma segunda casa e uma segunda família durante muito tempo. Na minha opinião, há muitos projetos que se pode participar durante a faculdade, mas a parte humana é tão ou mais importante que a profissional e há poucos projetos que dêem tanto, tão bom e em tão pouco tempo como a LisbonPH o faz.

Relativamente ao meu percurso profissional, quando terminei a faculdade, ingressei num estágio no Departamento de Vendas na GSK Consumer HealthCare e, desde setembro do ano passado, sou Marketing & Medical Affairs Trainee na Janssen.

Lupus Eritematoso Sistémico

O que é o Lúpus eritematoso sistémico (LES)?

O LES é uma doença reumática sistémica. Historicamente, o nome ‘lúpus eritematoso’ surgiu por causa da sua manifestação mais visível (embora muitas vezes ausente), uma erupção cutânea na face, avermelhada e persistente, que de alguma forma fez lembrar a face do lobo (comparação que parece estranha, hoje em dia). Denomina-se ‘sistémico’ porque pode afetar vários órgãos e não só as articulações. Em todos os casos é uma doença reumática, mesmo que não existam sintomas das articulações. É uma doença crónica que vai existir ao longo de toda a vida.

O LES é a mais frequente das doenças reumáticas sistémicas e pode afetar essencialmente qualquer órgão, com uma enorme diversidade de manifestações diferentes. Em doentes diferentes e em cada doente individual, podem surgir manifestações muito variadas ao longo dos anos. Por isso já foi apelidada como a “doença das mil faces” e é considerada uma das doenças humanas mais complexas.

As causas do LES são multifatoriais, mas essencialmente é uma doença autoimune, ou seja, o sistema imunitário passa a ‘atacar’ partes do próprio corpo. Isto ocorre em pessoas com predisposição genética que permite o aparecimento de autoimunidade, desencadeada por certos fatores ambientais.  

Qual é o impacto do LES na sociedade?

Em Portugal, através do EpiReuma, um estudo de base populacional de grandes dimensões que estimou a prevalência de doenças reumáticas na população adulta, concluiu-se que existem cerca de 100 casos de LES/ 100.000 habitantes. Estes resultados são similares aos de estudos recentes no Reino Unido (97/100.000) e na Grécia (123/100.000). O LES é relativamente pouco frequente, mas não raro.

O LES surge mais frequentemente em mulheres jovens em idade fértil: 87% dos doentes são mulheres e a idade média de início é aos 32 anos. Também pode surgir antes dos 16 anos, em 20% dos casos e após os 50 anos, em 15%. O facto de o LES surgir, de forma imprevisível, em mulheres jovens causa um grande impacto na prossecução dos seus planos de vida, quer profissionais, quer familiares. É fundamental que as doentes tenham o LES controlado de forma estável para que possam planear gravidez. Para tal, é fundamental uma vigilância médica especializada regular e medicação crónica. O LES causa um impacto importante na qualidade e esperança de vida.

Quais são os desafios atuais da terapêutica do LES?

A melhoria das estratégias de tratamento permitiu aumentar a sobrevida dos doentes com LES, aos 10 anos após o diagnóstico, de 63,5% (em 1950) para mais de 90%.

A hidroxicloroquina é um fármaco essencial: todos os doentes com LES devem tomá-lo continuamente desde o diagnóstico e a longo prazo. Para controlar as agudizações da doença, os corticosteróides são muito úteis, mas deve evitar-se usá-los durante muito tempo, porque senão os efeitos secundários excedem o benefício. Em cerca de 1/3 dos doentes, é necessário tratar com imunossupressores, para controlar agudizações e manter depois o LES controlado a longo prazo.

São necessários novos fármacos, mais eficazes e seguros, para controlar as agudizações mais severas e refratárias aos tratamentos convencionais, bem como para manter a doença controlada a longo prazo e minimizar o risco de novas agudizações. O belimumab é o único novo fármaco aprovado para o tratamento do LES, desde há mais de 30 anos. Muitos outros fármacos foram testados em ensaios clínicos nos últimos anos, ainda sem sucesso.

O LES é uma doença reumática e os Reumatologistas são os especialistas treinados no diagnóstico, monitorização e tratamento do LES.

Os doentes com LES devem ser referenciados e seguidos em Centros de Reumatologia especialmente diferenciados e com grande experiência, de forma a otimizar o seu prognóstico. Estes centros proporcionam cuidados multidisciplinares, com colaboração de outras especialidades médicas, muito importantes de acordo com os órgãos afetados em cada caso.

No Centro de Lúpus no Serviço de Reumatologia do Centro Hospitalar Universitário de Coimbra, seguimos mais de 400 doentes com LES.  Os nossos resultados, publicados na literatura científica, mostram que conseguimos níveis de controlo da doença e otimização da esperança de vida entre os melhores da Europa.

Luís Sousa Inês, MD, PhD
Professor Auxiliar de Reumatologia

General Secretary, European Lupus Society www.sleuro.org 
Head, CHUC Lupus Clinic
Rheumatology Department, Centro Hospitalar Universitário de Coimbra. Coimbra, Portugal
Faculty of Health Sciences, Universidade da Beira Interior, Covilhã, Portugal

Lixo Zero Portugal

Zero Waste Living é um novo estilo de vida sustentável, cujo objetivo passa por realizar as tarefas normais do dia a dia sem produzir lixo e evitando o desperdício. Foi com base nesta ideia que, há três anos, uma cidadã inspirada adotou um novo modo de vida e criou o movimento Zero Waste Portugal.

        Este projeto surge como um desafio aos portugueses para adotarem aquela que é a tendência atual e o modo de vida que poderá impulsionar o futuro do planeta.

        O alcance desta ação é notável, chegando a um grande número de pessoas, com as inúmeras palestras e eventos que se têm vindo a realizar, e tendo até chegado à Televisão Nacional e aos grandes jornais. Recentemente marcou presença na National Geographic Summit 2019 com uma palestra para escolas.

        A  cidadã que fundou o grupo Lixo Zero Portugal, e embaixadora deste movimento, Ana Milhazes, aceitou partilhar connosco o seu lema e algumas dicas úteis que segue diariamente.

        “O movimento Lixo Zero Portugal partilha dicas sustentáveis, organiza eventos, participa em limpezas de praias e promove palestras e workshops.

        Foi inspirado em Bea Johnson (Zero Waste Home), tendo como base um conjunto de práticas (5 Rs) destinadas a evitar o desperdício o máximo possível:

  • Recusar aquilo que não necessitamos (Refuse);
  • Reduzir o que necessitamos (Reduce);
  • Reutilizar aquilo que consumimos (Reuse);
  • Reciclar aquilo que não conseguimos recusar, reduzir ou reutilizar (Recycle);
  • Fazer compostagem (Rot).

        Como podemos começar?

  • Analisar o nosso saco do lixo e perceber o que existe em maior quantidade;
  • Optar por alternativas mais sustentáveis: substituindo tudo o que é descartável (copos, pratos, talheres, sacos de plástico) por opções reutilizáveis, preferindo materiais como metal/inox/vidro em detrimento do plástico;
  • Evitar o uso de palhinhas (não são recicláveis);
  • Preferir produtos biológicos e locais;
  • Comprar em 2ª mão;
  • Ter uma alimentação vegetariana;
  • Comprar a granel usando os nossos sacos e frascos;
  • Optar por produtos de higiene sólidos (champô, sabonete, pasta de dentes).

        Acredito que a grande mudança está nos pequenos passos de cada um. Vamos começar já hoje?

Ana Milhazes

A importância das farmácias comunitárias para a população

O relatório da OCDE, intitulado “Risks That Matter”, divulgado em março deste ano, dava conta de que 63% dos portugueses inquiridos neste estudo tinham como principal preocupação ficarem doentes ou com uma deficiência. Os números comprovam aquilo que muitos de nós sabemos empiricamente: a saúde é um dos bens mais valorizados pelos cidadãos.  

Nós, na Associação de Farmácias de Portugal (AFP), temos a consciência da importância que as questões relacionadas com a saúde têm para os portugueses. Recorde-se que as farmácias comunitárias estão presentes por todo o país, chegando às zonas mais rurais e desertificadas de Portugal. Esta vasta cobertura territorial faz com que as farmácias sejam entidades prestadoras de cuidados de saúde com uma grande proximidade das populações, sendo muitas vezes o primeiro e último contacto dos cidadãos com o sistema de saúde.  

Devido à grande proximidade junto dos utentes e à crescente procura de cuidados de saúde, o próprio papel das farmácias comunitárias tem vindo a evoluir. Hoje, a função das farmácias vai muito além da simples dispensa de medicamentos aos utentes. Cada vez mais, as farmácias disponibilizam à sociedade civil um conjunto alargado e vital de serviços entre os quais se destacam o aconselhamento prestado aos utentes, a preparação individualizada de medicamentos, a administração de vacinas, as consultas de acompanhamento de doenças crónicas (ex: Diabetes), a disponibilização de rastreios e de testes bioquímicos, entre outros.

Desta forma, e pelos serviços que prestam, as farmácias permitem gerar todos os anos poupanças significativas ao Serviço Nacional de Saúde, evitando muitas deslocações desnecessárias aos hospitais e prevenindo o aparecimento ou o desenvolvimento de patologias dos utentes que comportariam custos elevados para o Estado.

Estes factos atestam o papel crucial que as farmácias desempenham na promoção da saúde e na prevenção da doença dos portugueses.  Por essa razão, a Associação de Farmácias de Portugal (AFP) considera que este papel deve ser devidamente reconhecido pelo Estado. Ao mesmo tempo, defendemos uma maior interligação entre os diversos players do setor da saúde.

Tudo para assegurar as necessidades e o bem-estar dos cidadãos.

Dra. Manuela Pacheco, Presidente da Associação de Farmácias de Portugal (AFP)

A Importância dos Cuidados com a Terapêutica Medicamentosa no Idoso

O idoso apresenta características específicas que o torna mais suscetível aos medicamentos, tendo em consideração que a sua composição corporal apresenta algumas diferenças em relação ao adulto, apresentando maior conteúdo gordo e menor conteúdo aquoso, o que altera a distribuição corporal dos diferentes tipos de medicamentos, conforme a solubilidade e, com ela, a concentração sérica do medicamento, podendo aumentá-la ou reduzi-la e, com isso, a efetividade ou toxicidade medicamentosa. Outra alteração que surge no idoso, e que pode ter consequências importantes para a terapêutica, consiste na alteração de processos de eliminação, particularmente renal, que está diminuída, podendo conduzir à acumulação e aumento da toxicidade do fármaco. Juntamente com estas alterações que ocorrem no idoso, há ainda a considerar a maior suscetibilidade a fármacos que atuam a nível do sistema nervoso central e anticolinérgicos, por exemplo.

bidesde que existam alternativas mais seguras neste grupo etário. Estes medicamentos foram designados como Medicamentos Potencialmente Inapropriados (MPI) e deve ser evitada a sua administração a estes doentes, desde que haja alternativas ou, sendo indispensável a terapêutica, a mesma deve ser efetuada com precaução e vigilância do doente.

Existem critérios implícitos que obrigam ao consumo de mais tempo para análise de cada medicamento baseando-se no perfil do doente. Os critérios designados como explícitos, são constituídos por tabelas de medicamentos que devem ser evitados no idoso por serem considerados MPI. Os primeiros e mais divulgados e utilizados são os Critérios de Beers (EUA), cuja última edição é de 2015. Para aplicação mais fácil na Europa, foram publicados os Critérios de STOPP/START, que apresentam a particularidade de abranger medicamentos europeus e, para além da tabela de MPI (STOPP) incluem uma tabela de medicamentos que o doente deveria estar a tomar, mas que não foram prescritos (START). Apresentam também tabelas de medicamentos que aumentam o risco de quedas e alertam para a duplicação da terapêutica.

Do exposto, considera-se extremamente importante que todo o profissional de saúde conheça a problemática da terapêutica medicamentosa no idoso para prevenir a ocorrência de problemas relacionados com os medicamentos.

Maria Augusta Soares

A Importância da Saúde Oral na Saúde Geral

A saúde oral tem muita influência na saúde geral. A boca é um indicador sensível de saúde geral podendo, nalguns casos, ser o 1º local de manifestação de uma doença do foro geral. Para além disso ter problemas orais é uma fonte de dor, infeção e diminuição da qualidade de vida e bem-estar. A presença de doenças orais, nomeadamente, as cáries dentárias e os problemas gengivais, vão permitir a entrada de microorganismos para a corrente sanguínea e causar doenças em outros órgãos. São exemplos destas situações problemas cardiovasculares, cerebrovasculares, doenças respiratórias, diabetes, entre outros.

O 1º passo para termos uma boa saúde oral é escovar os dentes 2 ou mais vezes ao dia com uma pasta com flúor, sendo a escovagem antes de dormir aquela que é mais importante. Mas a escova não é capaz de chegar aos espaços entre os dentes e por isso deve ser utilizado uma vez por dia o fio/fita dentário ou um escovilhão, para uma limpeza destes espaços interdentários. Outro passo é restringir o consumo de açúcares principalmente entre as refeições, pois é nestas alturas que o açúcar é mais lesivo para os dentes. Uma alimentação equilibrada, com todos os nutrientes essenciais, é um dos factores mais importantes para a saúde oral e geral. O 4º passo é fazer uma vigilância periódica com um profissional de saúde oral. As visitas regulares a estes profissionais permitem um diagnóstico precoce.

Sandra Graça

Testemunho APPSHO

A Associação Portuguesa Promotora de Saúde e Higiene Oral, desde a sua criação, tem vindo a implementar vários projetos de intervenção comunitária junto das pessoa com maior vulnerabilidade social e económica, residentes na região de Lisboa e Vale do Tejo nas áreas da saúde oral e nutrição. As desigualdades no acesso a saúde oral ainda são muito grande e as pessoas carenciadas são aquelas que apresentam maior dificuldades no acesso à saúde oral, apresentam uma elevada prevalência das doenças orais e uma baixa literacia em saúde. Com o apoio da DGS, permitiu-nos desenvolver o projeto “Crescer com Saúde” e criar um “Centro Comunitário de Saúde Oral”, que veio trazer maior equidade no acesso à saúde oral junto das pessoas que apresentam maior vulnerabilidade social, baixando a prevalência da cárie dentária e aumentando a literacia em saúde . As doenças orais devem ser encaradas como um grave  problema de saúde pública que deve ser controlada, porque interfere diretamente com o conforto do indivíduo, saúde geral, saúde mental, inclusão social.

 

O nosso lema é pensar globalmente e agir localmente e para que a saúde oral chega a mais pessoas desenvolvemos o projeto “Bairro sem Cárie”, que é um projeto de proximidade junto dos bairros sociais do Concelho do Seixal, onde se promoveu a importância da saúde oral, o ensino de técnicas corretas de higiene oral e alimentação saudável. Este projeto teve um grande impacto nos bairros sociais, permitiu criar maior acesso à saúde oral, a mais de 900 crianças e jovens que foram tratados e muitos dos jovens que não conseguiam ter acesso ao emprego pela sua condição de saúde oral, conseguiram arranjar emprego.

 

 

 

Cumprimentos,
Octávio Rodrigues

Tuberculose: necessidades, desafios, promessas e perspectivas.

Todos os anos, no dia 24 de março, o Dia Mundial da Tuberculose (TB) visa aumentar a consciencialização sobre a doença. A TB tem infetado seres humanos desde há muitos séculos e embora nunca tenha sido completamente erradicada, houve, no entanto, uma queda significativa nos casos e taxas de mortalidade, graças ao desenvolvimento da vacina BCG (1921) e aos “novos” antibióticos (nos anos 50 do século passado).  Mas a doença ressurgiu. A prevalência aumentou para um nível tão preocupante que a OMS declarou uma emergência de saúde global em 1993 e, subsequentemente, desenvolveu a estratégia do “STOP TB”, com o objetivo de acabar com a epidemia global de TB até 2035.  Embora se tenham registado progressos na redução da mortalidade, a TB classifica-se como uma das doenças infeciosas mais letais, particularmente, em doentes infetados com o vírus da imunodeficiência humana (HIV).

O controlo está repleto de problemas em torno da transmissão, especialmente em tempos de aumento de viagens globais e superlotação em algumas áreas urbanas, aumento da resistência a antibióticos, ferramentas de diagnóstico limitadas e falta de vacinas eficazes. O problema tem-se complicado pelo surgimento da resistência contra os antibióticos mais eficazes especialmente isoniazida e rifampicina. Estirpes de bacilos resistentes a múltiplos medicamentos (MDR-TB e XDR-TB) foram responsáveis ​​por 0,49 milhão de casos de TB, principalmente na Índia, na China e na Federação Russa.

Um obstáculo significativo no tratamento da TB é a alta prevalência de coinfeção com HIV. Os dois patogenos exacerbam-se mutuamente aumentando a morbilidade e mortalidade. Além disso existem interações medicamentosas que tornam problemático o co-tratamento com antibióticos de primeira linha contra a tuberculose e a terapia anti-retroviral (ART).

A longa duração e natureza complexa da terapia da TB atual e o consequente surgimento de MDR-TB e XDR-TB, e a incompatibilidade dos antibacilares com a ART, todos suportam a necessidade de desenvolver novos medicamentos e melhores regimes de tratamento. Melhorar o tratamento da TB implica alcançar vários objetivos: – encurtar a duração do tratamento para a doença ativa a fim de melhorar a adesão; – desenvolver medicamentos seguros e toleráveis ​​com novos mecanismos de ação que sejam eficazes contra estirpes resistentes (MDR-TB e XDR-TB); – desenvolvimento de medicamentos que evitem interações medicamentosas, especialmente com a ART e facilitar o tratamento de pacientes co-infetados com HIV. Contudo, apenas recentemente e, depois de quase meio século desde a aprovação da última medicação antituberculosa, duas novas moléculas, a delamanida e a bedaquilina, foram incluídas em esquemas terapêuticos e somente para tratar pacientes com MDR ou XDR-TB.

O objetivo do tratamento da TB tem sido o de matar as micobactérias causadoras com agentes antimicobacterianos. Devido à longa duração do tratamento, as possibilidades de toxicidade do fármaco e o aumento da resistência ao fármaco, as terapias dirigidas pelo hospedeiro (HDT), ganharam atenção recentemente. Os HDTs são agentes que podem aumentar os mecanismos de defesa do hospedeiro, modular a inflamação excessiva ou ambos, manipulando a resposta do hospedeiro a um patogeno e interferindo nos mecanismos do hospedeiro explorados pelo patogeno para persistir ou replicar nos tecidos do hospedeiro. Isso pode levar a melhores resultados no tratamento clínico, como redução da morbilidade, mortalidade e danos aos órgãos-alvo e recuperação funcional a longo prazo.

A busca por uma melhor terapia contra a tuberculose tem assim sido impulsionada por duas atividades interligadas: a busca de novos fármacos e o desenvolvimento de esquemas de combinação eficazes e pela primeira vez em 40 anos, um portfólio de novos compostos promissores para o tratamento da tuberculose está no horizonte.

Elsa Anes