Lixo Zero Portugal

Zero Waste Living é um novo estilo de vida sustentável, cujo objetivo passa por realizar as tarefas normais do dia a dia sem produzir lixo e evitando o desperdício. Foi com base nesta ideia que, há três anos, uma cidadã inspirada adotou um novo modo de vida e criou o movimento Zero Waste Portugal.

        Este projeto surge como um desafio aos portugueses para adotarem aquela que é a tendência atual e o modo de vida que poderá impulsionar o futuro do planeta.

        O alcance desta ação é notável, chegando a um grande número de pessoas, com as inúmeras palestras e eventos que se têm vindo a realizar, e tendo até chegado à Televisão Nacional e aos grandes jornais. Recentemente marcou presença na National Geographic Summit 2019 com uma palestra para escolas.

        A  cidadã que fundou o grupo Lixo Zero Portugal, e embaixadora deste movimento, Ana Milhazes, aceitou partilhar connosco o seu lema e algumas dicas úteis que segue diariamente.

        “O movimento Lixo Zero Portugal partilha dicas sustentáveis, organiza eventos, participa em limpezas de praias e promove palestras e workshops.

        Foi inspirado em Bea Johnson (Zero Waste Home), tendo como base um conjunto de práticas (5 Rs) destinadas a evitar o desperdício o máximo possível:

  • Recusar aquilo que não necessitamos (Refuse);
  • Reduzir o que necessitamos (Reduce);
  • Reutilizar aquilo que consumimos (Reuse);
  • Reciclar aquilo que não conseguimos recusar, reduzir ou reutilizar (Recycle);
  • Fazer compostagem (Rot).

        Como podemos começar?

  • Analisar o nosso saco do lixo e perceber o que existe em maior quantidade;
  • Optar por alternativas mais sustentáveis: substituindo tudo o que é descartável (copos, pratos, talheres, sacos de plástico) por opções reutilizáveis, preferindo materiais como metal/inox/vidro em detrimento do plástico;
  • Evitar o uso de palhinhas (não são recicláveis);
  • Preferir produtos biológicos e locais;
  • Comprar em 2ª mão;
  • Ter uma alimentação vegetariana;
  • Comprar a granel usando os nossos sacos e frascos;
  • Optar por produtos de higiene sólidos (champô, sabonete, pasta de dentes).

        Acredito que a grande mudança está nos pequenos passos de cada um. Vamos começar já hoje?

Ana Milhazes

A importância das farmácias comunitárias para a população

O relatório da OCDE, intitulado “Risks That Matter”, divulgado em março deste ano, dava conta de que 63% dos portugueses inquiridos neste estudo tinham como principal preocupação ficarem doentes ou com uma deficiência. Os números comprovam aquilo que muitos de nós sabemos empiricamente: a saúde é um dos bens mais valorizados pelos cidadãos.  

Nós, na Associação de Farmácias de Portugal (AFP), temos a consciência da importância que as questões relacionadas com a saúde têm para os portugueses. Recorde-se que as farmácias comunitárias estão presentes por todo o país, chegando às zonas mais rurais e desertificadas de Portugal. Esta vasta cobertura territorial faz com que as farmácias sejam entidades prestadoras de cuidados de saúde com uma grande proximidade das populações, sendo muitas vezes o primeiro e último contacto dos cidadãos com o sistema de saúde.  

Devido à grande proximidade junto dos utentes e à crescente procura de cuidados de saúde, o próprio papel das farmácias comunitárias tem vindo a evoluir. Hoje, a função das farmácias vai muito além da simples dispensa de medicamentos aos utentes. Cada vez mais, as farmácias disponibilizam à sociedade civil um conjunto alargado e vital de serviços entre os quais se destacam o aconselhamento prestado aos utentes, a preparação individualizada de medicamentos, a administração de vacinas, as consultas de acompanhamento de doenças crónicas (ex: Diabetes), a disponibilização de rastreios e de testes bioquímicos, entre outros.

Desta forma, e pelos serviços que prestam, as farmácias permitem gerar todos os anos poupanças significativas ao Serviço Nacional de Saúde, evitando muitas deslocações desnecessárias aos hospitais e prevenindo o aparecimento ou o desenvolvimento de patologias dos utentes que comportariam custos elevados para o Estado.

Estes factos atestam o papel crucial que as farmácias desempenham na promoção da saúde e na prevenção da doença dos portugueses.  Por essa razão, a Associação de Farmácias de Portugal (AFP) considera que este papel deve ser devidamente reconhecido pelo Estado. Ao mesmo tempo, defendemos uma maior interligação entre os diversos players do setor da saúde.

Tudo para assegurar as necessidades e o bem-estar dos cidadãos.

Dra. Manuela Pacheco, Presidente da Associação de Farmácias de Portugal (AFP)

A Importância dos Cuidados com a Terapêutica Medicamentosa no Idoso

O idoso apresenta características específicas que o torna mais suscetível aos medicamentos, tendo em consideração que a sua composição corporal apresenta algumas diferenças em relação ao adulto, apresentando maior conteúdo gordo e menor conteúdo aquoso, o que altera a distribuição corporal dos diferentes tipos de medicamentos, conforme a solubilidade e, com ela, a concentração sérica do medicamento, podendo aumentá-la ou reduzi-la e, com isso, a efetividade ou toxicidade medicamentosa. Outra alteração que surge no idoso, e que pode ter consequências importantes para a terapêutica, consiste na alteração de processos de eliminação, particularmente renal, que está diminuída, podendo conduzir à acumulação e aumento da toxicidade do fármaco. Juntamente com estas alterações que ocorrem no idoso, há ainda a considerar a maior suscetibilidade a fármacos que atuam a nível do sistema nervoso central e anticolinérgicos, por exemplo.

bidesde que existam alternativas mais seguras neste grupo etário. Estes medicamentos foram designados como Medicamentos Potencialmente Inapropriados (MPI) e deve ser evitada a sua administração a estes doentes, desde que haja alternativas ou, sendo indispensável a terapêutica, a mesma deve ser efetuada com precaução e vigilância do doente.

Existem critérios implícitos que obrigam ao consumo de mais tempo para análise de cada medicamento baseando-se no perfil do doente. Os critérios designados como explícitos, são constituídos por tabelas de medicamentos que devem ser evitados no idoso por serem considerados MPI. Os primeiros e mais divulgados e utilizados são os Critérios de Beers (EUA), cuja última edição é de 2015. Para aplicação mais fácil na Europa, foram publicados os Critérios de STOPP/START, que apresentam a particularidade de abranger medicamentos europeus e, para além da tabela de MPI (STOPP) incluem uma tabela de medicamentos que o doente deveria estar a tomar, mas que não foram prescritos (START). Apresentam também tabelas de medicamentos que aumentam o risco de quedas e alertam para a duplicação da terapêutica.

Do exposto, considera-se extremamente importante que todo o profissional de saúde conheça a problemática da terapêutica medicamentosa no idoso para prevenir a ocorrência de problemas relacionados com os medicamentos.

Maria Augusta Soares

A Importância da Saúde Oral na Saúde Geral

A saúde oral tem muita influência na saúde geral. A boca é um indicador sensível de saúde geral podendo, nalguns casos, ser o 1º local de manifestação de uma doença do foro geral. Para além disso ter problemas orais é uma fonte de dor, infeção e diminuição da qualidade de vida e bem-estar. A presença de doenças orais, nomeadamente, as cáries dentárias e os problemas gengivais, vão permitir a entrada de microorganismos para a corrente sanguínea e causar doenças em outros órgãos. São exemplos destas situações problemas cardiovasculares, cerebrovasculares, doenças respiratórias, diabetes, entre outros.

O 1º passo para termos uma boa saúde oral é escovar os dentes 2 ou mais vezes ao dia com uma pasta com flúor, sendo a escovagem antes de dormir aquela que é mais importante. Mas a escova não é capaz de chegar aos espaços entre os dentes e por isso deve ser utilizado uma vez por dia o fio/fita dentário ou um escovilhão, para uma limpeza destes espaços interdentários. Outro passo é restringir o consumo de açúcares principalmente entre as refeições, pois é nestas alturas que o açúcar é mais lesivo para os dentes. Uma alimentação equilibrada, com todos os nutrientes essenciais, é um dos factores mais importantes para a saúde oral e geral. O 4º passo é fazer uma vigilância periódica com um profissional de saúde oral. As visitas regulares a estes profissionais permitem um diagnóstico precoce.

Sandra Graça

Testemunho APPSHO

A Associação Portuguesa Promotora de Saúde e Higiene Oral, desde a sua criação, tem vindo a implementar vários projetos de intervenção comunitária junto das pessoa com maior vulnerabilidade social e económica, residentes na região de Lisboa e Vale do Tejo nas áreas da saúde oral e nutrição. As desigualdades no acesso a saúde oral ainda são muito grande e as pessoas carenciadas são aquelas que apresentam maior dificuldades no acesso à saúde oral, apresentam uma elevada prevalência das doenças orais e uma baixa literacia em saúde. Com o apoio da DGS, permitiu-nos desenvolver o projeto “Crescer com Saúde” e criar um “Centro Comunitário de Saúde Oral”, que veio trazer maior equidade no acesso à saúde oral junto das pessoas que apresentam maior vulnerabilidade social, baixando a prevalência da cárie dentária e aumentando a literacia em saúde . As doenças orais devem ser encaradas como um grave  problema de saúde pública que deve ser controlada, porque interfere diretamente com o conforto do indivíduo, saúde geral, saúde mental, inclusão social.

 

O nosso lema é pensar globalmente e agir localmente e para que a saúde oral chega a mais pessoas desenvolvemos o projeto “Bairro sem Cárie”, que é um projeto de proximidade junto dos bairros sociais do Concelho do Seixal, onde se promoveu a importância da saúde oral, o ensino de técnicas corretas de higiene oral e alimentação saudável. Este projeto teve um grande impacto nos bairros sociais, permitiu criar maior acesso à saúde oral, a mais de 900 crianças e jovens que foram tratados e muitos dos jovens que não conseguiam ter acesso ao emprego pela sua condição de saúde oral, conseguiram arranjar emprego.

 

 

 

Cumprimentos,
Octávio Rodrigues

Tuberculose: necessidades, desafios, promessas e perspectivas.

Todos os anos, no dia 24 de março, o Dia Mundial da Tuberculose (TB) visa aumentar a consciencialização sobre a doença. A TB tem infetado seres humanos desde há muitos séculos e embora nunca tenha sido completamente erradicada, houve, no entanto, uma queda significativa nos casos e taxas de mortalidade, graças ao desenvolvimento da vacina BCG (1921) e aos “novos” antibióticos (nos anos 50 do século passado).  Mas a doença ressurgiu. A prevalência aumentou para um nível tão preocupante que a OMS declarou uma emergência de saúde global em 1993 e, subsequentemente, desenvolveu a estratégia do “STOP TB”, com o objetivo de acabar com a epidemia global de TB até 2035.  Embora se tenham registado progressos na redução da mortalidade, a TB classifica-se como uma das doenças infeciosas mais letais, particularmente, em doentes infetados com o vírus da imunodeficiência humana (HIV).

O controlo está repleto de problemas em torno da transmissão, especialmente em tempos de aumento de viagens globais e superlotação em algumas áreas urbanas, aumento da resistência a antibióticos, ferramentas de diagnóstico limitadas e falta de vacinas eficazes. O problema tem-se complicado pelo surgimento da resistência contra os antibióticos mais eficazes especialmente isoniazida e rifampicina. Estirpes de bacilos resistentes a múltiplos medicamentos (MDR-TB e XDR-TB) foram responsáveis ​​por 0,49 milhão de casos de TB, principalmente na Índia, na China e na Federação Russa.

Um obstáculo significativo no tratamento da TB é a alta prevalência de coinfeção com HIV. Os dois patogenos exacerbam-se mutuamente aumentando a morbilidade e mortalidade. Além disso existem interações medicamentosas que tornam problemático o co-tratamento com antibióticos de primeira linha contra a tuberculose e a terapia anti-retroviral (ART).

A longa duração e natureza complexa da terapia da TB atual e o consequente surgimento de MDR-TB e XDR-TB, e a incompatibilidade dos antibacilares com a ART, todos suportam a necessidade de desenvolver novos medicamentos e melhores regimes de tratamento. Melhorar o tratamento da TB implica alcançar vários objetivos: – encurtar a duração do tratamento para a doença ativa a fim de melhorar a adesão; – desenvolver medicamentos seguros e toleráveis ​​com novos mecanismos de ação que sejam eficazes contra estirpes resistentes (MDR-TB e XDR-TB); – desenvolvimento de medicamentos que evitem interações medicamentosas, especialmente com a ART e facilitar o tratamento de pacientes co-infetados com HIV. Contudo, apenas recentemente e, depois de quase meio século desde a aprovação da última medicação antituberculosa, duas novas moléculas, a delamanida e a bedaquilina, foram incluídas em esquemas terapêuticos e somente para tratar pacientes com MDR ou XDR-TB.

O objetivo do tratamento da TB tem sido o de matar as micobactérias causadoras com agentes antimicobacterianos. Devido à longa duração do tratamento, as possibilidades de toxicidade do fármaco e o aumento da resistência ao fármaco, as terapias dirigidas pelo hospedeiro (HDT), ganharam atenção recentemente. Os HDTs são agentes que podem aumentar os mecanismos de defesa do hospedeiro, modular a inflamação excessiva ou ambos, manipulando a resposta do hospedeiro a um patogeno e interferindo nos mecanismos do hospedeiro explorados pelo patogeno para persistir ou replicar nos tecidos do hospedeiro. Isso pode levar a melhores resultados no tratamento clínico, como redução da morbilidade, mortalidade e danos aos órgãos-alvo e recuperação funcional a longo prazo.

A busca por uma melhor terapia contra a tuberculose tem assim sido impulsionada por duas atividades interligadas: a busca de novos fármacos e o desenvolvimento de esquemas de combinação eficazes e pela primeira vez em 40 anos, um portfólio de novos compostos promissores para o tratamento da tuberculose está no horizonte.

Elsa Anes

Testemunho Ana Frazão

Olá! O meu nome é Ana Frazão, tenho 24 anos, terminei o Mestrado Integrado em Ciências Farmacêuticas em 2018 e encontro-me neste momento enquanto Marketing Trainee na GSK. Ao longo dos meus 5 anos de faculdade, a maior parte deles foram partilhados com a LisbonPH e gostava de vos contar um bocadinho dessa (tão querida para mim) história.

Esta foi para mim uma viagem atribulada (num muito bom sentido). Assisti ao primeiro evento da LisbonPH para a comunidade estudantil e todo o envolvimento do evento despertou a minha curiosidade. No início do meu 2º ano arrisquei, candidatei-me e ingressei no já extinto Departamento Comercial e Logística. Confesso que não é fácil descrever todas as oportunidades que me deram e nas quais eu embarquei. Entre trabalhar com várias equipas (fosse dentro do departamento, para um projeto…), contactar com profissionais de saúde ou de outras áreas, gerir objetivos e atingir resultados, o crescimento foi exponencial. E tal só aconteceu porque na LisbonPH há uma oportunidade de te desafiares a ti mesmo, às tuas capacidades e, sobretudo, uma oportunidade de aprendizagem. Esta viagem não terminou por aqui, passado um ano decidi candidatar-me a Diretora do meu departamento. Ambicioso? Sim, bastante, considerando que estava no 3º ano, mas essa foi mais uma das valências que ganhei. Trabalhar com uma ambição, a ambição de poder levar a LisbonPH muito mais longe.

Parar por aqui? Nem pensar! Passado um ano enquanto Diretora de departamento tive a oportunidade de fazer parte da JADE Portugal – Federação de Júnior Empresas de Portugal, enquanto International Manager. Mesmo assim, senti que não era capaz de deixar a minha LisbonPH e ajudei enquanto Presidente do Conselho Fiscal. Qual foi o meu maior desafio? Honestamente, considerei-o um desafio mas hoje vejo-o como uma das maiores oportunidades que esta Júnior Empresa me deu: poder apresentar a candidatura a um prémio a nível europeu, em Bruxelas, em frente a 300 Júnior Empresários e cerca de 30 representantes de empresas e entidades europeias foi um passo que eu jamais pensei ser capaz de dar. Mas fui, porque a LisbonPH mo permitiu e me deu as competências para que tal fosse possível.

Achas que és capaz? Eu acho que sim! Não deixes ficar a candidatura no computador!

Ana Frazão

 

 

Qual o contributo do cargo de Diretora do Departamento Comercial e Logística na LisbonPH para o atual cargo na ANF na área de logística e vendas de produtos?

Ser Alumni da LisbonPH é uma responsabilidade, mas sobretudo uma oportunidade de continuar ligada ao desenvolvimento do profissional do futuro empreendedor, criativo e multidisciplinar.

O futuro e a inovação são a grande ponte de ligação entre a LisbonPH e as Farmácias Portuguesas, onde atualmente integro uma equipa multidisciplinar, para lá das ciências da Saúde, cujo foco é a operacionalização da Gestão de Categorias no contexto Farmácia. Se este conceito de loja está bem implementado noutras realidades comerciais, na Farmácia, enquanto loja, a conciliação dos racionais de consumo com as necessidades de Saúde é uma nova realidade.

A que necessidades responde a Farmácia? Que necessidades o shopper quer satisfazer? Quem é o shopper da Farmácia? Romper o racional da doença e compreender que quem entra na Farmácia – o shopper – pode ser impactado por ferramentas de marketing que o levam a satisfazer necessidades de Saúde, que nem ele sabe ter, é valorizar a experiência de compra e rentabilizar o processo de venda. Como? Otimizando o fluxo de circulação em loja, garantindo uma experiência imergente e completa; comunicar no ponto de venda numa linguagem simples e visual de forma a facilitar a identificação das respostas de Saúde possíveis de encontrar na Farmácia; rentabilizar a exposição de produtos associando necessidades primárias a secundárias de forma a aumentar e melhorar a resposta enquanto se aumenta o valor do cesto. A experiência Farmácia é assim renovada e adaptada a uma sociedade que procura respostas simples, rápidas e completas às suas necessidades.

Esta abordagem é singular e personalizada à realidade de cada Farmácia, permitindo a cada uma desenvolver-se no sentido de otimizar a resposta dada às necessidades do seu shopper.

Assim, depois da experiência associativa que me propôs desenvolver o Farmacêutico do futuro, empreendedor, criativo e multidisciplinar, hoje, a proposta é fazer da Farmácia o seu habitat natural.

Cátia Henriques

O Subdiagnóstico de Doenças Infeciosas, Farmácias e Saúde Pública

Num dia normal, as farmácias atendem 250 mil pessoas. Nenhuma outra rede contacta, todos os dias, com tanta gente de todas as idades e condições de saúde: doentes, cuidadores, pessoas saudáveis. Isto representa uma grande oportunidade para a Saúde Pública.

Com mais de três farmacêuticos por farmácia, a rede de farmácias é uma das cinco mais qualificadas do mundo. E é também a mais bem distribuída pelo território. Continua a haver farmácias onde já fechou tudo, da extensão do centro de saúde à linha de caminho-de-ferro. Em muitas terras onde já não chegam outros profissionais de saúde ainda existe uma farmácia de portas abertas. Isto torna a rede de farmácias indispensável à Saúde Pública.

No caso do VIH-SIDA, isso ficou evidente nos anos 90. O Programa Troca de Seringas (PTS) evitou 7.283 infeções por cada 10.000 utilizadores de drogas injetáveis nos primeiros dez anos em que funcionou na rede de farmácias, quando a doença era motivo de pânico generalizado. O PTS salvou milhares de vidas e ajudou muitos jovens a superar a toxicodependência. Por outro lado, poupou ao Estado entre 400 milhões e 2.000 milhões de euros em tratamentos evitáveis, de acordo com uma auditoria realizada pela consultora Exigo para a Comissão Nacional de Luta Contra a Sida.

Graças à investigação científica, na qual também trabalham muitos farmacêuticos portugueses, a SIDA já não é uma doença mortal. A morbilidade e a mortalidade dos portadores de VIH aproximam-se, cada vez mais, das registadas na população em geral. No entanto, persiste um problema sério de subdiagnóstico da doença. A Direção-Geral da Saúde estima que cerca de 10 por cento das pessoas seropositivas desconheçam a sua condição, de acordo com o relatório de 2018 do Programa Nacional para a Infeção VIH-SIDA. «Continuamos, hoje, a diagnosticar pessoas cujos resultados das análises indicam que podem ter sido infetadas há dez anos», alertou o infeciologista Kamal Mansinho na Revista Farmácia Portuguesa.

Tudo indica que o subdiagnóstico seja um problema ainda maior no caso das hepatites. O estudo “O Impacto da Hepatite C em Portugal”, publicado em 2014 no “Jornal Português de Gastrenterologia”, refere que apenas 30% dos doentes se encontram atualmente diagnosticados. A Universidade Católica estima que existam 89.200 portugueses infetados.

As hepatites, se não forem diagnosticadas atempadamente, podem obrigar ao transplante do fígado e até causar a morte. O custo da última geração de medicamentos é tão elevado que implicou uma negociação dura e um acordo de confidencialidade quanto ao preço entre o Estado e o laboratório produtor. A maior ironia é que, detetada a tempo, a infeção é relativamente simples de curar, a custos controlados.

Portugal subscreveu o objetivo da ONUSIDA de quebrar o ciclo de transmissões e erradicar as epidemias de VIH/SIDA e de hepatites virais até 2030. Isso não será possível se não resolvermos o colossal problema do subdiagnóstico destas doenças. Basta pensarmos em quantas pessoas podem ser involuntariamente infetadas por um único portador da doença que desconheça esse facto.

A implementação nas farmácias de testes rápidos de rastreio ao VIH, VHB e VHC é indispensável ao cumprimento do objetivo assumido pelo Estado português de erradicar estas doenças. Para desenvolver políticas de Saúde Pública, prevenção da doença e promoção de estilos de vida saudáveis, Portugal precisa de uma maior integração das farmácias com o Serviço Nacional de Saúde.

Dr. Paulo Duarte, Presidente da Direção da Associação Nacional das Farmácias (ANF)

Será o Empreendedorismo a Chave do Futuro?

A LisbonPH foi fundada por um grupo de estudantes em 2013, ano em que o setor farmacêutico vivia diversas  dificuldades devido a múltiplos fatores socioeconómicos. Neste preciso ano, o ingresso no mercado de trabalho por parte dos alunos finalistas do Mestrado Integrado em Ciências Farmacêuticas estava cada vez mais dificultado e as condições de trabalho não eram as idealizadas. Com o mercado de trabalho praticamente saturado, todos procuravam a chave para o sucesso. Foi então, que um grupo de estudantes da Faculdade de Farmácia da Universidade de Lisboa decidiu acrescentar valor à sua formação iniciando uma Júnior Empresa cujo o principal mote é o “Desenvolvimento do Profissional de Saúde do futuro, empreendedor, criativo e multidisplinar”, a LisbonPH. Este foi o fator diferenciador que cada um daqueles jovens fundadores teve no seu percurso académico e que se continuou a perpetuar durante os últimos cinco anos a todos os estudantes que passam por esta Júnior Empresa. Pois bem, se empreendedorismo significa empreender, resolver um problema ou situação complicada, nada poderá ter sido mais empreendedor que a criação da LisbonPH como resposta às adversidades. E se, empreendedorismo foi a palavra de ordem para o “nascimento” da LisbonPH depressa se tornou num valor pelo qual nos pautamos. É através do  empreendedorismo que procuramos a constante inovação, que nos preocupamos em desenvolver novos serviços e que nos permite evoluir e atingir novos patamares . A evolução contínua foi e sempre será um dos principais objetivos da LisbonPH. Para além disso, o que faz da LisbonPH verdadeiramente empreendedora é o conjunto de empreendedores pelos quais somos constituídos com as capacidades certas para ter sucesso: flexibilidade, dinamismo, criatividade, garra, energia, espírito de iniciativa e sacrifício. E assim, chegamos ao cerne da questão: “ SERÁ O EMPREENDEDORISMO A CHAVE DO FUTURO? Estou certa que sim. Em 2019, a LisbonPH continuará a ultrapassar todas as adversidades com as quais for deparada, a elevar os seus padrões de inovação, a ambicionar sempre mais e, mais importante que tudo,  nunca estagnar para que nos mantenhamos fiéis ao propósito pelo qual fomos criados: “Pelo desenvolvimento do Profissional de Saúde do futuro, empreendedor, criativo e multidisplinar”.

– Mariana Chaves, Presidente Executivo da LisbonPH