The multidisciplinarity of the European Junior Movement

  Born 50 years ago in France, the Junior Enterprise concept aimed to bridge the gap between the theoretical knowledge that you acquire during classes and the job market where you need actual skills to succeed. There was and still is a clear gap between universities and companies and a strong lack of practical experience for the young people of Europe, resulting in the current and alarming youth unemployment rate of near 19% in the European Union.

    Indeed, universities teach knowledge to students by lectures and demonstrations, whereas skills and competencies can only and truly be acquired by concrete and practical experience. The best way to learn is by practicing and teaching something, both activities that are embedded in the JE concept. As you enter the JE, you start working on real projects for clients and managing the organization by yourself; and as you hand over to the next team, you teach them what you have learned over the year, thus making sure that you review and understand what you have achieved and learned. Thus, a Junior Entrepreneur learns by doing and maybe even more importantly, learns how to learn.

    In addition to this very important lesson, Junior Entrepreneurs have the unique opportunity to develop a broad set of soft skills throughout the experience, experimenting and learning about leadership, team and project management, teamwork, negotiation and sales, etc. All these skills are crucial, as an entrepreneur or as an employee and the impact of the JE experience has been demonstrated by a research conducted by the European Commission with the support of JADE:  “Effect and Impact of Entrepreneurship Education on Higher Education”. The outcomes of this research strongly support and recognize the efficiency of the JE concept. Junior Entrepreneurs show more developed entrepreneurial skills, as well as more successful companies created.

    Finally, Junior Entrepreneurs develop their hard skills as they realize real projects for real clients. By supporting an entrepreneur with his new website or realizing a market study for a SME or a big company willing to create a new product, you have the opportunity to actually do things instead of only studying them. And this is applicable in different fields as we see that the JE concept, born in a business school, has now spread to engineering, translation, architecture, legal and even arts over Europe and the world.

    It has been 50 years that this incredible concept has impacted society and you have been impacted by it. Now the question is: How are you going to give back to the JE movement and to society?

Written by Yann Camus for JADE May Conference hosted by Lisbon PH

O papel do empreendedorismo social no setor da Saúde

“Anatomia Humana, Biologia Celular, Fisiologia.” A todos os estudantes universitários da área da Saúde lhes é dada a oportunidade de conhecer e estudar estas matérias, aplicando-as na sua vida profissional.

“Uma situação de pobreza extrema aumenta a probabilidade de desenvolver problemas de Saúde a curto e longo prazo.” A todos os estudantes universitários da área da Saúde lhes é dada a oportunidade de conhecer estas realidades e de agir perante as mesmas.

Contudo, se nos é fornecido o conhecimento e a possibilidade de alterar os paradigmas que fundamentam a nossa sociedade atual, porque não é considerado um dever dos profissionais e estudantes de Saúde aliar estas duas componentes, procurando e incentivando a mudança?

Não se trata de um debate filosófico ou de devaneios de jovens imaturos colocar esta questão. As premissas são simples e a solução reside, talvez, na inconformidade de viver num mundo onde o acesso à Saúde é limitado pela condição sócio-económica, onde os cuidados primários e secundários de saúde ainda são, por muitos, considerados um luxo.

Acredito que é desta vontade de procurar agir e alterar a realidade em que vivemos que nasce o empreendedorismo social no sector da Saúde. O mesmo tem crescido cada vez mais ao longo dos últimos anos, principalmente nos bancos dos anfiteatros, no seio do meio académico. Aqueles que serão os profissionais do futuro, apoiados por aqueles que representam as diferentes classes profissionais, pelos seus exemplos e experiências, têm nas suas mãos não só o poder, mas a responsabilidade de desenvolver iniciativas que promovam e facilitem o acesso à Saúde.

O terceiro setor constitui o futuro da nossa sociedade e a consciencialização de que não podemos mais fechar os olhos aos problemas sociais que estão à nossa volta é uma necessidade urgente. O acesso ao medicamento, o acompanhamento terapêutico, a formação em saúde, etc, não são uma garantia de todos os cidadãos. No entanto, com ou sem as batas brancas que orgulhosamente vestimos, é nosso dever lutar por uma comunidade mais saudável, mais informada.

A loucura de querer mudar o mundo reside dentro de cada um de nós. Nós somos responsáveis pela realidade em que vivemos e temos a opção de escolher enfrentá-la e transformá-la. Qual é a tua escolha?

-Teresa Couto, Presidente da Associação Cura+

Porque persiste a tuberculose?

O dia 24 de março marca mais um dia mundial da tuberculose (TB). Nesse dia de 1882, Robert Koch anunciava a sua descoberta do agente causal. Na época a doença matava uma em cada sete pessoas não excluindo classes sociais. A  “praga branca” vitimou famosos como Mozart, Modigliani e por cá, Júlio Dinis, todos os sete irmãos e a mãe. A descoberta do bacilo de Koch, o desenvolvimento da vacina BCG, a melhoria das condições de nutrição e higiene levou a uma diminuição da TB ainda antes da descoberta dos antibióticos nos anos 40.

Desde então praticamente não se desenvolveram novas moléculas. A partir dos anos 80 com o surgir da SIDA assistiu-se a um aumento exponencial da tuberculose e ao aparecimento de casos de multirresistência. Todas as imuno-supressões facilitam a doença, toda a doença tratada com antibióticos leva à seleção de estirpes resistentes.

Surpreende muitas pessoas que a tuberculose continue a ser um dos grandes flagelos da humanidade. Uma em cada três pessoas no mundo está infetada, mas não doente (TB latente) e destes 10% irão manifestar a doença à medida que a idade e outras doenças comprometam os seus sistemas imunológicos. Anualmente mais de dez milhões de novos casos de tuberculose são notificados com cerca de dois milhões de mortes.

Há três razões pelas quais a tuberculose persiste: os líderes políticos não entendem a sociologia por trás disso, os cientistas não têm um paradigma efetivo para atacá-lo e os ricos e famosos não morrem mais de TB.

Seis países – Índia, Indonésia, China, Nigéria, Paquistão e África do Sul – respondem por 60% de todos os casos. A Rússia pode estar subestimando intencionalmente o número de casos e alguns países africanos não sabem quantos dos seus cidadãos estão infetados.

Os líderes políticos não conseguiram compreender os fatores sociológicos por trás da TB. Por exemplo, a prevalência da doença geralmente não aumenta após os desastres naturais, mas ocorreu no Haiti após o terramoto de 2010. Os campos de refugiados estavam lotados, o saneamento era pobre, as crianças estavam cronicamente desnutridas. As prisões e favelas também servem como incubadoras.

A inovação muitas vezes vem da introdução de ferramentas de um domínio diferente: as lesões pulmonares de uma infeção de TB apresentam semelhança marcada com tumores sólidos. O granuloma de TB tem muitas das características patológicas do cancro: hipóxia, núcleo necrótico, colagénio fibroso no rebordo externo, desenvolvimento de uma rede capilar circundante e presença de células fagocíticas. Assim, os cientistas que estão envolvidos na investigação da tuberculose poderiam procurar métodos alternativos para encurtar a duração do tratamento, reduzir a frequência da dose, reduzir os efeitos colaterais. Infelizmente, como não é um problema dos países desenvolvidos e não tem saída economicista, não se investe convenientemente em projetos de investigação na área. Dos três maiores assassinos – HIV, tuberculose e malária – a única doença para a qual temos realmente bons fármacos é para o HIV. A razão é simples: existe um mercado nos Estados Unidos e na Europa.

A terça parte da população infetada poderá começar a veicular estirpes multirresistentes e para as quais já não existe outro tratamento que não a cirurgia do pulmão afetado. Com uma população cada vez a envelhecer mais esta bomba irá explodir-nos nas mãos, mais tarde ou mais cedo, se nada fizermos para procurar e investir em novas alternativas terapêuticas.

-Professora Doutora Elsa Anes

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