Artigo de opinião: Dermocosmética

    Como é do conhecimento geral, as alterações económicas e estratégicas que atingiram o setor farmacêutico nos últimos anos alteraram a forma como as farmácias passaram a gerir o seu negócio. Com a quebra na margem dos medicamentos e o aparecimento em massa de genéricos, a farmácia viu descer rápida e repentinamente a sua rentabilidade. Para compensar esta quebra e manter a rentabilidade do seu negócio, muitas farmácias começaram a desenvolver outras áreas de negócio. Surgem novas prestações de serviços aos utentes e a Dermocosmética, pela maior margem de lucro que proporciona vs os medicamentos, passa a ser vista pela farmácia como uma oportunidade. Desde então que o mercado da Dermocosmética tem vindo a aumentar, que outrora valia menos de 20%, e mais marcas têm vindo a ocupar os lineares das nossas farmácias.

   Só em 2016 pudemos encontrar mais de 12.000 diferentes referências de produtos de Personal Care nas farmácias; venderam-se mais de 20 milhões de produtos (em farmácia e parafarmácia) o que representou mais de 300 milhões de euros faturados!*

    Por outro lado, é um facto que a aparência física é muito importante no bem-estar e auto-estima de cada um e no relacionamento com os outros, e que as sociedades modernas impõem-nos determinados padrões de imagem, seja no emprego ou em eventos sociais, que se torna difícil não viver sobre a sua influência. A pele, sendo o órgão que nos separa do mundo exterior, tem um papel fulcral na nossa imagem e na impressão que causamos nos outros. Com as alterações económicas dos últimos anos e uma baixa auto-estima que se fez sentir entre a população causada pela instabilidade e perda de empregos; as pessoas começaram a sentir uma enorme necessidade em investir cada vez mais em si próprias a fim de recuperar a sua auto-confiança.

    Com isto, vivemos actualmente a era do foco no indivíduo; no equilíbrio entre o corpo e a mente e dos slogans “Cuide de si”; “Goste de si”; “Mime-se”… que chegam aos nossos olhos diariamente através dos múltiplos canais por onde circulamos. Novas marcas de Saúde & Beleza são diariamente introduzidas no mercado, não só em farmácia, mas nos mais variados circuitos. Novas marcas de luxo disponíveis em perfumaria; marcas próprias nas grandes superfícies; novas lojas de retalho de make up e cosmética que encontramos nos centros comerciais; spas e clínicas de estética com cosmética própria; cabeleireiros que já fornecem serviços para a pele; venda direta de cosmética porta a porta;…sem falar na gigante venda online!

    Não há dúvidas que a Dermocosmética está a viver hoje os seus dias de glória num mercado que se tornou altamente competitivo.

   Torna-se por isso urgente para a farmácia submergir neste mercado; capitalizar mais do que nunca a imagem credível do farmacêutico enquanto profissional de saúde e transformar o aconselhamento farmacêutico em Dermocosmética também num aconselhamento de excelência!  

    Contamos que este curso e-learning em dermocosmética ajude nesse caminho pois acreditamos que o conhecimento técnico, a especialização e a formação contínua dos nossos profissionais continuam a ser as armas capazes de nos fazer destacar e liderar.

Boa Sorte!

Cristina Abreu

Dia Mundial do Dador de Sangue – 14 de junho de 2017

   Anualmente, a 14 de junho, celebra-se em muitos países o Dia Mundial do Dador de Sangue. Esta data serve para relembrar a necessidade de sangue e componentes seguros, bem como agradecer aos dadores de sangue as suas dádivas que constituem um presente de vida.

  O sangue é um recurso essencial, quer para tratamentos planeados, quer para situações de urgência. Pode ajudar os doentes, em situações de ameaça à sua vida, a viver mais e com melhor qualidade; sendo essencial em algumas cirurgias de grande complexidade. O sangue é ainda vital para o tratamento de feridos em situação de emergência de diversas naturezas (desastres naturais, acidentes, conflitos armados, etc.).

Mensagem da Campanha deste ano definida pela OMS – Organização Mundial de Saúde

   As transfusões sanguíneas são um componente essencial dos cuidados de saúde. As emergências aumentando a sua procura, fazendo do fornecimento destes produtos um desafio permanente e complexo. Uma oferta adequada nestas situações pressupõe um serviço de sangue bem organizado e esta tarefa só pode ser conseguida, envolvendo toda a comunidade e mantendo uma população de dadores voluntários e altruístas que efetuam dádivas de sangue regularmente ao longo do ano.

Slogan: O que pode fazer!? Dê Sangue. Dê Já. Dê Regularmente.

  A campanha deste ano centra-se nas dádivas de sangue em situações de emergência. Numa crise ou situação de emergência, a resposta natural é “O que posso fazer?” “Como posso ajudar?”. Neste sentido, o slogan da campanha deste ano é “O que pode fazer!? Dê Sangue. Dê Já. Dê Regularmente.”

    A campanha sublinha o papel que cada um de nós pode desempenhar na ajuda aos outros dando sangue, pois este presente não tem preço. Destaca ainda a importância de dar sangue regularmente, para que os stocks de componentes sanguíneos estejam em níveis confortáveis antes da situação de necessidade surgir.

Objetivos da campanha deste ano:

  • Encorajar os dadores e potenciais dadores a reforçar a capacidade de resposta dos serviços de saúde, dando sangue;
  • Dotar os serviços nacionais de saúde de programas eficazes de promoção da dádiva de sangue, para que possam responder de forma rápida em caso de emergência;
  • Incluir os serviços nacionais de sangue, nos planos de contingência, em situações de catástrofe;
  • Aumentar a população dadora de sangue, bem como divulgar ativamente a necessidade de distribuir as dádivas ao longo do ano, mantendo assim a estabilidade e autossuficiência dos stocks de componentes sanguíneos;
  • Celebrar e agradecer individualmente aos dadores e encorajar os jovens a tornarem-se também dadores regulares;
  • Promover a colaboração internacional e reforçar globalmente o consenso à volta dos princípios da dádiva não remunerada, garantindo componentes sanguíneos seguros e a sua disponibilidade em quantidade suficiente.

-IPST, adaptado de OMS

Noções sobre o Lúpus Eritematoso Sistémico

      O Lúpus Eritematoso Sistémico [LES] é uma doença autoimune do tecido conectivo que pode afectar múltiplos órgãos ou sistemas, em particular: pele, articulações, superfícies serosas, coração, pulmões, rim e sistema nervoso central.

      A causa do LES é desconhecida. Na realidade, há uma perturbação da autoimunidade com a produção de um grande número de anticorpos. Estes anticorpos reagem com antigénios [nucleares, citoplasmáticos das células, linfócitos e plaquetas] formando imunocomplexos (antigénio + anticorpo) que se depositam na pele, rim, sistema nervoso central, membranas serosas e membranas sinoviais. Os próprios anticorpos podem reagir diretamente com os órgãos ou tecidos descritos anteriormente.

      Existem factores ambientais, endocrinológicos, genéticos e metabólicos que por si só ou em conjunto podem desencadear ou perpetuar a doença. Nos gémeos idênticos, se um tem Lúpus sistémico, o outro terá 70% de probabilidades de vir a ter; por outro lado os parentes de doentes com a doença têm anomalias imunológicas e existem casos familiares.

      Quanto aos fatores hormonais, sabemos que a doença atinge preferencialmente a mulher durante o seu período fértil. A doença melhora durante a gravidez e pode exacerbar-se após o parto. Os fatores ambientais são atestados pelo agravamento que surge muitas vezes com a exposição à luz ultravioleta e sol; a infeção agrava o quadro clínico e sabemos que há fármacos responsabilizados pelo desencadear da doença e outros que geram um quadro semelhante ao Lúpus, embora benigno e que cessa com a interrupção do medicamento. Outros fármacos podem agravar um Lúpus já existente como a penicilina, sulfamidas e contraceptivos orais.

      Os principais sintomas iniciais, acompanhados ou não de sinais gerais, costumam ser lesões da pele e articulares. Posteriormente, podem surgir outros sintomas como pericardite. No decurso da doença surgem outros: Pleurisias, pericardite, convulsões, manifestações psiquiátricas, doença renal, etc. No exame laboratorial pode detetar numerosos anticorpos com especial relevo para os antinucleares e anticorpos anti ADN, assim como alterações no doseamento do complemento.

      Estes doentes devem ser seguidos por um médico que que tenha experiência no diagnóstico e tratamento da doença e tanto pode ser um dermatologista, como um reumatologista ou especialista de medicina interna. O tratamento envolve o suporte emocional, os cuidados contra a exposição solar [roupa protetora do sol: mangas compridas e chapéus de aba larga], protetores solares que bloqueiem os UVA e UVB e o repouso. Para além destas medidas gerais, o tratamento inclui: analgésicos, anti-inflamatórios, corticoesteróides, anti maláricos e imunossupressores.

      O tratamento é determinado, em grande parte, mais pelas manifestações individuais da doença do que pelo diagnóstico primário. A intensidade da terapêutica deve basear-se na gravidade da doença e deve ser administrada por um período de tempo mais curto, com doses mais baixas possíveis, de forma a evitar a toxicidade.

      Estes doentes têm diferentes manifestações clínicas e a gravidade vai desde a doença episódica ligeira à doença rápida e muito grave. As exacerbações manifestam-se por actividade clínica e serológica. Quanto mais precoce for o diagnóstico, maior será o índice de sobrevivência.

-Luís Afonso Dutschmann, Presidente da Associação de Doentes com Lúpus
Maio de 2017

Instagram

Instagram did not return a 200.

Próximos eventos

De momento não existem próximos eventos.