O dia 15 de setembro é a data assinalada com o Dia Mundial do Linfoma. A LisbonPH procura ao longo deste mês, sensibilizar e informar acerca desta doença que pode surgir em qualquer indivíduo, desde crianças e jovens até idosos, sendo mais comum nas pessoas mais velhas. A consciencialização é assim, uma forma de estarmos mais atentos a esta doença e envolvidos na luta de quem sofre dela.

Este é o 9º tipo de cancro mais comum em Portugal registando-se cerca de 1500 a 2000 casos por ano desta doença.

  • O que é?

    O Linfoma é uma doença maligna do sangue em que os linfócitos e as células dos gânglios linfáticos proliferam descontroladamente, conduzindo ao aparecimento de células malignas capazes de invadir e danificar os tecidos do organismo. Existem duas variações deste tipo de cancro: linfoma de Hodgkin ou linfoma não Hodgkin, sendo o último o mais comum.

  • Fatores de Risco

    • Ser adulto jovem ou ser idoso – Há dois picos de incidência desta doença em adultos jovens e depois em idosos – entre os 15 e os 34 anos e depois a partir dos 55 anos;
    • Ser do sexo masculino;
    • Infeção pelo vírus de Epstein-Barr (EBV);
    • Infeção pelo vírus de Imunodeficiência humana (HIV);
    • Antecedentes familiares – Ter um parente de primeiro grau com esta doença.

Prevenir e Sensibilizar

Sabias que?

Fica atento às novidades e passa pelo nosso stand no dia 20 para conheceres mais sobre esta doença, para te prevenires e consciencializares!

Testemunhos

E aqui estou eu, Bárbara, a partilhar um dos capítulos do meu livro da vida contigo. E aqui estás tu, com um livro na mão, a ler o meu testemunho.
Os livros trazem até nós conhecimento, sabedoria, partilha, dão asas à nossa imaginação, despertam curiosidades e expectativas a cada virar da folha. O facto de outros doentes partilharem a sua experiência comigo ajudou-me imenso. Não quero esquecer nem rasgar estas páginas do meu livro da vida. Com estas vivências sofri, mas também continuei a ser feliz.
Em Outubro de 2009 começa o meu capítulo da doença: Linfoma. Na altura jogava futsal e sentia um cansaço tremendo o qual não valorizei pois tinha feito a pré-época
e esta exige um esforço físico maior. Logo pensei que fosse disso. A este cansaço que se manteve associaram se os suores nocturnos, os gânglios aumentados (principalmente no pescoço) e as dores de ouvidos. Estas últimas eram terríveis. Ações como comer, beber e rir eram penosas pois provocavam-me dor nos ouvidos.
Após algumas andanças em médicos cheguei ao hospital em Dezembro e, em Fevereiro, saiu o veredito final: Linfoma Não-Hodgkin. Sentir, eu sentia-me mal, mas não tão mal para ser um linfoma.
“Bárbara, tens um cancro no sangue, vai-te cair o cabelo e o hospital paga-te uma peruca. Isto é para curar.” Parece cruel, mas foi a melhor maneira de receber a notícia. Ora bem, a primeira coisa que perguntei foi se podia jogar à bola. E a resposta foi: Não. Perguntei, ainda, se podia continuar a fazer pré-hospitalar pois sou voluntária na Cruz Vermelha Portuguesa. Resposta: Não! Ou seja, tive que readaptar todo o meu estilo de vida. Não criei uma vida paralela, mas vivi de outra forma. Não jogava, mas ia ver os jogos e apoiava a equipa. Não fazia pré-hospitalar, mas voluntariei-me para a parte de trabalhar com jovens.
Iniciei os tratamentos de quimioterapia no dia 15 de Fevereiro de 2010. Sim, caiu-me o cabelo, mas foi um momento até divertido e gostei do que vi. Deixei, quem o quis fazer, rapar um bocadinho. Todos queriam dar beijinhos na careca perfeitinha que eu tinha. Dores no corpo, aftas, sensibilidade nos dentes e nas unhas, enjoos e vómitos foram também outras coisas que senti.
Tive ainda um percalço durante o tratamento: uma peritonite. Fui operada de urgência e tive que suspender os tratamentos durante umas semanas. O meu medo aos cuidados hospitalares era tanto que ganhei a alcunha de “Miss Cagarolas”. Pelo nome já podem imaginar! Confesso que foi a pior fase de todas. As dores acentuaram-se e o desânimo veio à tona. A família de sangue e a hospitalar e os amigos ajudaram-me imenso! Nesta fase emagreci bastante e foi talvez isto que me custou mais. Fui ainda confundida com um rapaz duas vezes. Uma delas com o Diogo. Confesso que ainda hoje não conheço a minha sósia!
Após esta paragem, creio que 1 mês, voltei aos tratamentos. De 3 em 3 semanas lá ia eu ao hospital de dia ter com a minha querida família hospitalar e passava lá o dia a fazer o tratamento e depois vinha embora. Durante os outros dias ocupava o meu tempo com coisas que gostava de fazer. Ainda não trabalhava mas mesmo assim mantinha uma rotina e vestia-me todos os dias para ir dar uma voltinha com a minha mãe, a minha fiel companheira.
Resumindo, creio que após os químicos começarem a correr nas veias as nossas forças “descem” para o nível da doença. A partir daí é uma luta constante, um braço de ferro em que tem os que usar o espirito de contradição para vencer: não tenho apetite, mas tenho que comer senão fico pior; Não consigo comer tudo, como mais vezes… a miúde; estou com dores…fico hoje a descansar; vomitei a refeição… daqui a pouco preparo outra coisa; nada me serve…compro uma peça nova ou ajusto outra. Entendi na própria pele a frase que tantas vezes ouvimos nestas situações destas doenças: “tens que ter muita força”. Pois temos….forças para contrariar.
E, em véspera de S. João, em 2010, lá fui eu ao hospital limpar o cateter. A doutora viu-me e disse-me que tínhamos que falar: “Bárbara, tivemos uma reunião  de grupo e todos estamos de acordo que já não tens que fazer mais quimioterapia. Está tudo ok, vais tirar o cateter!” Bem…nem sei explicar por palavras o que senti. Naquele dia, a vir embora, desci os Clérigos sem pôr os pés no chão. Ganhei asas nos pés de tanta felicidade. Valeu a pena o meu esforço que juntamente com o apoio familiar, dos amigos, do namorado e da equipa médica, tornou o que parecia difícil e impossível em fácil e possível.
Terminei este capítulo da minha vida procurando associações onde me pudesse juntar a pessoas com o mesmo problema que eu e encontrei a ADL. Fico grata por existirem e trabalharem em prol de nós doentes e dos nossos familiares.
Bárbara Machado

O meu nome é Nuno Silva, sou estudante e tenho 21 anos.

Quando tinha 19 anos, em Dezembro de 2016, fui diagnosticado com um linfoma cutâneo não-Hodgkin.

O processo de diganóstico foi muito difícil e demorado, sem que se conseguisse identificar o problema. Várias teorias e tentativas de terapêuticas foram feitas, mas até saírem os resultados das duas biopsias cutâneas que realizei nunca se percebeu o que era.

Tudo começou em Agosto de 2016, quando me surgiu inchaço estranho na zona superior do olho que foi gradualmente aumentando. Em setembro, fui pelas primeiras vezes ao médico; inicialmente pensou-se que se tratava de uma doença ocular e iniciou-se a terapêutica para essa patologia, mas sem efeito. Sempre me senti bem fisicamente e continuei o meu quotidiano com normalidade, até que cheguei ao extremo em que o inchaço era tão grande na zona do olho esquerdo que deixei de ver. Nesta altura, o inchaço prolongava-se desde a zona superior do olho até ao maxilar. Aí sim comecei a ficar mais desesperado, preocupado e psicologicamente mais esgotado por me ver ao espelho e não me reconhecer ou por reparar que todas as pessoas me olhavam. Percebia no olhar delas que eu não estava bem.

De seguida, em Outubro, fui internado no Hospital, onde fiz uma terapêutica com vários antibióticos, pois pensava-se que se tratava de uma infecção bacteriana. Por fim, em Novembro, fizeram-me uma biópsia cutânea na zona da bochecha.

Foi então que finalmente fiquei a saber que se tratava de um linfoma cutâneo não-Hodgkin e que iria ter de fazer quimioterapia para me curar. Iniciei a quimioterapia CHOP em Dezembro e terminei em Abril de 2017. As melhorias foram rápidas e ao fim de 4 sessões estava curado. A quimioterapia foi um processo difícil, durante o qual passei por maus momentos. Não é fácil lidar com as permanentes dores de estômago que se seguem aos dias de tratamento, nem com a dificuldade em dormir. Foi também complicado lidar com as alterações corporais ligadas ao tratamento como a perda de cabelo, a perda de peso, sendo que perdi 8Kg durante os 4 meses e meio de terapêutica, e ainda a fraqueza geral. Foi difícil saber que já não conseguia ser mais eu durante esse período.

Foi sempre muito bom sentir o apoio dos meus amigos e da minha família para lidar com esta situação e aprendi que o tratamento deste tipo de doenças não é nada fácil e traz um grande transtorno, pelo que é essencial sorrir e sentirmo-nos o melhor possível para ultrapassar esta fase. Fiquei com maior respeito e sensibilidade com todas as pessoas que passam por este tipo de situações. O diagnóstico, como foi no meu caso, é muito complicado e os sintomas nem sempre são os mesmos pelo que é de extrema importância a realização de análises clínicas, biópsias e outros métodos de diagnóstico para eliminar a doença o mais rapidamente possível.

Nuno Silva
À palavra “cancro”, todo o meu mundo desabou. Podia lá ser…eu…um cancro…era demasiado mau para ser verdade. Afinal, desde a minha adolescência, sempre dedicara uma particular atenção à saúde e (como agora se diz) à qualidade de vida. Nunca fumei, nunca consumi drogas, nunca bebi álcool, fazia exercício físico (intenso) diariamente, tive uma vida sem stress, uma alimentação saudável…enfim, reunia todas as condições conhecidas pela medicina e pelo bom senso para uma vida (quase) eterna. E, contudo, aos 51 anos, no auge da minha condição física e profissional, foi-me diagnosticada a doença de todas a mais temível – um cancro.
Na verdade, ninguém está nunca preparado para ouvir dizer que tem um cancro. A palavra é tão assustadora que os próprios profissionais de saúde se abstêm de a pronunciar face a os doentes. Eufemisticamente, usam o termo “a doença” – termo mais neutro e anódino, que sempre dá um ar de alguma inocência ao monstro.
Na verdade, o cancro obriga-nos pela primeira vez, a confrontar a “nossa” morte e não a morte dos outros ou a morte em abstracto. Pela primeira vez, vemos a “recta final” bem à nossa frente e sabemos que o caminho não admite recuos. Poucas experiências da vida deverão ser tão avassaladoras como a consciência REAL da nossa mortalidade. Mesmo aqueles que professam uma qualquer filosofia ou religião, quando confrontados com o desafio final, soçobram inexoravelmente na angústia e no desespero.
A pergunta inevitável – “porquê a mim?” – a flora incessantemente à nossa mente…e não encontramos qualquer resposta racional. Raramente nos apercebemos que estamos a fazer a pergunta errada e a aprofundar o sentimento de tragédia em que estamos mergulhados. A pergunta que realmente deveríamos colocar é exactamente a inversa – “por que não a mim?”. Na verdade, quem sou eu de tão especial, de tão único que deveria estar ao abrigo do destino final de todos os seres vivos?
E, ao colocarmos a pergunta nestes termos, a resposta torna-se evidente – na verdade, simplesmente poderá ter chegado a minha vez, aquela que eu pensei que apenas se destinava aos outros. Contudo, “evidente” não significa menos doloroso ou pungente. Significa apenas que encontrei uma resposta que faz sentido – afinal, sou mortal- e estou a ser, pela primeira vez, confrontado (brutalmente) com o facto. Pode ser que a medicina e a tecnologia médica consigam prolongar por muitos anos a vida do doente (e assim é, cada vez mais- no meu caso, cerca de 12 anos) – mas, para ele, a vida jamais será a mesma. Desceu aos infernos e sobreviveu… mas, pelo menos, sabe que o inferno existe…nesta vida.
E terá também aprendido que tentar amenizar o “inferno” dos outros será porventura a tarefa mais meritória do que sobra da sua actual existência.
Sr. Caldas