Get to Know the Alumni – Ana Frazão

Final do 1º ano de faculdade, ainda reinava a incerteza de onde me tinha vindo meter e de qual seria o meu futuro depois de ter “o canudo”. Sem saber muito bem do que se tratava, inscrevi-me numa conferência sobre Empreendedorismo que terminou justamente com a apresentação da LisbonPH à comunidade estudantil. E o bicho foi “plantado”. O fascínio de algo novo e diferente, do mote “Learning by doing”, de poder apostar não só no meu desenvolvimento como ajudar ao crescimento de um projeto que se tornou tão grande como a LisbonPH.

Comecei então a viagem LisbonPH no início do 2º ano. Arrisquei uma candidatura e entrei no agora extinto Departamento Comercial e Logística onde estive por 2 anos (um deles a liderar o mesmo). Durante todo este tempo nunca pararam de surgir novos desafios e oportunidades nas quais eu embarquei. De entre passar horas num supermercado ou numa sala da faculdade a preparar um evento, das longas e infinitas reuniões, do contacto com profissionais de saúde e outras tantas áreas, gerir objetivos e darmos o melhor de nós em tudo, ensinaram a todos nós que resiliência era e não ia deixar de ser a palavra de ordem.

Algo que a LisbonPH nos permite ganhar é também a ambição. Ambição de poder levar um projeto mais longe. De podermos vestir esta camisola azul, de poder apresentar a candidatura a um prémio a nível europeu, em Bruxelas, em frente a 300 Júnior Empresários e cerca de 30 representantes de empresas e entidades europeias (um dos momentos mais assustadores da minha vida, devo confessar) enquanto 90% da Júnior Empresa assistia, em Portugal, e torcia por este momento. E a verdade é que levámos este projeto mais longe. Júnior Empresa Mais Promissora da Europa foi um peso que todos carregámos, mas que o fizemos com o maior orgulho possível sem nunca questionar o valor que tínhamos.

Agora no mercado de trabalho, sinto-me a utilizar todas as valências que ganhei na LisbonPH. Desde o trabalho em equipa, a gestão de tempo e pessoas, o planeamento estratégico e, claro, a ambição! Trabalho em marketing farmacêutico na Janssen Pharmaceuticals e lembro-me todos os dias que este modo de estar e de trabalhar ficou sempre em mim e se expressa não só a nível profissional, como a nível pessoal.

Ana Frazão

A importância do Movimento Júnior

Em 1967, um conjunto de estudantes em França sentiu a necessidade de complementar o seu processo de educação tradicional. O seu objetivo foi o seguinte: conciliar os estudos académicos com uma experiência que não só contribuísse para o seu desenvolvimento profissional, mas também criasse valor para a sociedade e para o mundo empresarial. Deste desejo resultou a criação da primeira Júnior Empresa, uma iniciativa que hoje é considerada como uma prática de sucesso, pelos milhares de estudantes universitários que carregam o estandarte de Júnior Empresário e pelos milhares de clientes que ano após ano recorrem às Júnior Empresas para obter serviços de qualidade. Em 2020, apesar de ter passado 50 anos após a criação da primeira Júnior Empresa, a missão permanece a mesma: através de organizações direcionadas para a prestação de serviços, desenvolver os estudantes universitários e torná-los líderes do futuro, mais capacitados e contextualizados com a realidade empresarial.

Pela sua vertente empreendedora e inovadora, Portugal encontra-se no rumo desejado para tornar o conceito de Júnior Empresa o complemento ideal do sistema de educação. Aproveitando o talento universitário existente, as Júnior Empresas têm consolidado a sua posição como um dos principais veículos dos estudantes universitários para a criação de impacto na sociedade. Contando neste momento com 17 Júnior Empresas e mais de 700 Júnior Empresários, Portugal ambiciona ter uma Júnior Empresa em cada instituição de ensino universitário, devidamente estruturada e com a garantia que os serviços prestados, apresentam a qualidade indicada. 

O reflexo da qualidade atual do Movimento Júnior português assenta na constante predisposição de cada Júnior Empresa em tornar-se a melhor organização possível para os seus membros e clientes. Seja na construção de um processo de recrutamento adequado às necessidades dos estudantes, seja na criação de uma estratégia comercial que vá de encontro ao mercado, ou seja nos projetos externos criados e ajustados diretamente às necessidades dos clientes, são inúmeras as prioridades de trabalho para estas organizações. Nesse sentido, a forte ligação à sociedade e ao mundo empresarial obriga as Júnior Empresas a terem estruturas adaptadas à mudança e inovação, de forma a responderem no timing exato às movimentações do mercado.

No panorama internacional, Portugal também se assume como um exemplo de boas práticas, pelo papel que tem no fortalecimento deste conceito e pelo impacto que as suas ações têm causado no crescimento desta rede empreendedora. Recentemente, quatro Júnior Empresas portuguesas foram vencedoras dos prémios europeus Júnior Empresa mais promissora, mais sustentável, mais empreendedora e com o projeto mais impactante. Este selo de acreditação comprova a crescente competitividade das Júnior Empresas portuguesas e a diversidade existente nas suas práticas de gestão.

Embora o conceito já apresente mais de 50 anos, continuará a ser uma atividade particularmente jovem, porque vai estar sempre direcionada às gerações de estudantes universitários. Para o Movimento Júnior português, podemos acreditar que o futuro permanecerá risonho. Milhares de estudantes portugueses vão continuar a ter a oportunidade de experienciar esta aventura e potenciar o seu desenvolvimento universitário. 

Alexandre Serra, Presidente da Junior Enterprises Portugal

A EVITA e o seu Papel na Prevenção do Cancro Hereditário

A EVITA é uma associação que apoia famílias afetadas por síndromes de cancro hereditário. A sua história reflete bem a realidade dos portadores de mutação genética e a importância de serem identificados atempadamente.

Em 2007, no hospital onde trabalhava a presidente da EVITA (Tamara Milagre), uma jovem grávida tinha sido submetida de urgência a uma mastectomia radical pois tinha um tumor muito agressivo na mama. Era a Tamara quem tomava conta da operada no recobro. Ao ouvir o batimento cardíaco do feto e olhando para esta jovem doente metastática, Tamara questionou-se, chocada, acerca do que tinha corrido mal, levando a uma demora no diagnóstico fatal. Seguindo as consultas da doente grávida, percebeu que duas das suas tias paternas tinham falecido com o mesmo cancro por volta dos 40 anos, e que a causa podia estar numa mutação genética, herdada do pai, num gene responsável por nos proteger do cancro da mama.

Só então, é que a própria Tamara relacionou os vários casos de cancro da mama e ovário na sua linhagem paterna com uma possível mutação genética na família, o que a levou a realizar um aconselhamento genético. A suspeita teve a sua confirmação: uma mutação no gene BRCA1 que colocou imediatamente uma “espada por cima da sua cabeça”: a qualquer momento podia começar a desenvolver um cancro em idade precoce. E agora?

Dois anos mais tarde, a sua doente, e entretanto amiga, faleceu, deixando as duas filhas menores órfãs e um marido viúvo destroçado. Tamara prometeu que esta situação não voltaria a acontecer, nem às filhas da sua amiga, nem às suas filhas, nem a ninguém. Juntou as suas forças e criou o primeiro “ombro amigo” para os portadores de mutação genética, apostando sempre na prevenção do cancro – a associação EVITA.

As síndromes de cancro hereditário envolvem múltiplos órgãos e estão ligadas aos cancros mais frequentes e mais letais. Geralmente, a doença ocorre em idade precoce, durante o pico de produtividade e na idade reprodutiva e, por vezes, mesmo durante a gravidez. Consequentemente, torna-se o cancro mais caro. Se o portador de mutação não tem conhecimento da sua predisposição genética, os primeiros sintomas podem ser desvalorizados pela própria pessoa ou mesmo pelos Profissionais de Saúde, levando ao diagnóstico tardio com mau prognóstico. A história familiar de cancro e a idade precoce dos diagnosticados são fatores cruciais na identificação de uma síndrome de cancro hereditário. No entanto, com medidas adequadas, é o cancro com maior potencial de prevenção e diagnóstico precoce. Os portadores de mutação identificados podem escolher uma vigilância precoce e frequente, para além da quimioprevenção e de cirurgias profiláticas.

A EVITA identifica as necessidades não correspondidas mais importantes no tratamento e na prevenção de cancro hereditário: a falta de dados, a sub-identificação de portadores de mutação (nem sempre há uma história familiar evidente), os tempos de espera excessivos para testes genéticos e cirurgias preventivas, a necessidade de testes em painel, a falta de informação sobre a oncofertilidade e o diagnóstico genético pré-implantação (DGPI) e a falta de recursos. A associação EVITA trabalha arduamente para melhorar essas lacunas, aumentando o valor da saúde em Portugal e na Europa. Salvamos vidas!

Em breve teremos mais novidades: a Plataforma EVITA, o primeiro “ombro amigo” virtual, multifuncional e, nos tempos que correm, indispensável no apoio permanente aos portadores de mutação. Fiquem atentos!

Instagram

Instagram has returned invalid data.