A LisbonPH como rampa de lançamento dos estudantes no mercado de trabalho

O meu nome é Marta Reis e de momento encontro-me no 4.º ano do Mestrado Integrado em Ciências Farmacêuticas da Faculdade de Farmácia da Universidade de Lisboa.
No meu segundo ano, decidi abraçar a oportunidade de complementar a minha educação com uma vertente mais prática, desafiante e direcionada ao mercado de trabalho. Oportunidade essa que possibilitou muito mais do que esperava, ao candidatar-me à LisbonPH, Júnior Empresa da Faculdade de Farmácia da Universidade de Lisboa, mais concretamente ao Departamento de Projetos que, posteriormente, tive a oportunidade de liderar.
Por pertencer a uma equipa jovem, motivada, empreendedora, com uma sede insaciável, não só pelo seu desenvolvimento enquanto equipa, mas também pelo desenvolvimento da profissão farmacêutica, tive a oportunidade de, durante dois anos e meio, adquirir soft e hard-skills que muito dificilmente desenvolveria fora. Entre as quais, gestão de tempo, liderança, public speaking, gestão de projeto, gestão de conflitos, organização, entre outros.
Em virtude deste processo de aprendizagem e contacto com o mercado de trabalho, tive a oportunidade de inovar, expandir e desafiar os limites do que um estudante se encontra apto a realizar. Hoje, considero-me mais preparada para ingressar no mercado de trabalho não só com um maior nível de know-how, mas também com uma perspetiva mais ampla e clara do mesmo.
A nível pessoal tenho muito a agradecer não só à equipa com que experienciei esta aventura, mas também à própria estrutura da LisbonPH em si.
Tive ainda a oportunidade de me envolver não só em atividades ao nível da área das Ciências Farmacêuticas, mas também, através da minha participação no Movimento Júnior em que a LisbonPH se enquadra. Participei em atividades internacionais e nacionais juntamente com muitos outros jovens que partilham este mesmo desejo de aprender e de desde cedo impactar as esferas de ação onde se inserem.
Para mim, pertencer à LisbonPH foi uma “life-changing experience”. A qual não trocaria por qualquer outro tipo de experiência e que gostaria de poder partilhar, com todos os jovens que consideram que o conhecimento académico é demasiado teórico ou que simplesmente sentem a necessidade, de diariamente, se sentirem desafiados e a evoluir. 

Marta Reis, Alumna da LisbonPH

Cuidados Nutricionais em crianças e adolescentes vegetarianos

A infância e a adolescência são períodos de rápido desenvolvimento físico e cognitivo e, durante os quais é fundamental uma ingestão alimentar apropriada. Como tal, caso a criança ou adolescente realize uma alimentação vegetariana, é importante que tenha o máximo de informação possível, mas também é essencial que os seus familiares/encarregados de educação estejam envolvidos e informados sobre as vantagens e potenciais riscos deste tipo de alimentação.

Antes de mais, é pertinente explicar em que consiste uma dieta vegetariana. Dieta vegetariana é um padrão de consumo alimentar que utiliza predominantemente os produtos de origem vegetal, excluindo sempre a carne e o pescado mas podendo incluir ovos e/ou lacticínios. A alimentação vegetariana pode classificar-se como: ovolactovegetariana (inclui ovos e lacticínios), lactovegetariana (inclui lacticínios), ovovegetariana (inclui ovos) ou vegetariana estrita/vegana (exclui todos os alimentos de origem animal).

De acordo com várias sociedades científicas, as dietas vegetarianas, incluindo as veganas, quando bem planeadas, permitem um crescimento normal de crianças e adolescentes. Em Portugal, existem opções vegetarianas nas escolas, no entanto, é fundamental que o planeamento dessas ementas seja realizado por um nutricionista para evitar défices nutricionais.

Em qualquer plano alimentar, a variedade deve ser a palavra de ordem e a alimentação vegetariana não é exceção. Quanto maior a variedade de alimentos que compõem a dieta, maior a probabilidade de que esta forneça todos os nutrientes necessários.

Ao planear a alimentação de uma criança ou de um adolescente vegetariano, dever-se-á ter particular atenção a alguns nutrientes.

É importante a monitorização da proteína. A informação atual demonstra que as crianças com uma alimentação ovolactovegetariana ou vegana atingem com facilidade as recomendações proteicas. Saliento ainda que, atualmente, é consensual que não é necessária a combinação de fontes complementares de proteína na mesma refeição para assegurar um aporte adequado.

No que diz respeito ao ferro, existem alguns pontos a ter em consideração. Devido à menor biodisponibilidade de ferro na dieta vegetariana, as necessidades de ingestão, estão aumentadas nesta população. Para maximizar a absorção de ferro, podem ser ingeridos alimentos ricos em vitamina C juntamente com alimentos ricos em ferro (ex: hortícolas de cor verde escura). No caso das leguminosas, devem demolhar-se, aumentando a absorção deste mineral.

Relativamente ao cálcio, alguns estudos apontam que a absorção de cálcio de origem vegetal é bastante interessante. Os alimentos fortificados com cálcio também podem ser uma boa opção para aumentar a ingestão do mesmo (ex: bebidas vegetais fortificadas).

Também a vitamina B12 deve ser analisada, pois a sua ingestão no padrão alimentar vegetariano é habitualmente baixa.

Saliento ainda que os ácidos gordos essenciais, o zinco, o iodo e a vitamina D devem ser monitorizados no caso de crianças ou adolescentes vegetarianos.

No caso de seguir um padrão alimentar vegetariano, as fontes alimentares dos nutrientes mencionados deverão ser privilegiadas, sendo que a ingestão de alimentos fortificados e/ou suplementos alimentares poderá ser necessária. Caso se trate de uma criança ou adolescente, é importante ser acompanhado pelo pediatra e pelo nutricionista, de forma a assegurar que não existem défices nutricionais.

Sandra Rosado (CP: 3098N)

6 de Março de 2020

Enfermagem no Estrangeiro

Licenciei-me na Escola Superior de Saúde de Santarém em 2012, após 4 anos de aulas e estágios em diversas localidades nos distritos de Santarém e Lisboa. Nessa altura, a vaga de emigração de enfermeiros como a conhecemos hoje já se tinha iniciado alguns anos antes. A disponibilidade e qualidade de informação inerente a condições de trabalho, empresas de recrutamento, entrevistas, alojamento e muitos outros temas era já de fácil acesso. Estes importantes fatores, combinados com a minha predisposição para a aventura e desejo de viajar, tornaram decisivo o passo seguinte – emigrar para o Reino Unido.

Começaram as entrevistas e preparação de documentos até surgir uma resposta positiva para trabalhar num lar para idosos no sul de Inglaterra, perto de Brighton. Ironicamente, no dia em que soube que tinha tido sucesso em assegurar um emprego em Inglaterra, senti que o mundo tinha caído a meus pés. Por momentos, a coragem desvaneceu-se e senti um vazio no coração por ter de deixar a minha família e os meus amigos para trás.

No entanto, as preparações para a viagem continuaram e, no dia 15 de janeiro de 2013, lá fui eu para Londres. Recebi acomodação por parte da empresa que me recrutou e comecei a trabalhar no tal lar. Foi um contexto de trabalho apropriado para iniciar a carreira num país diferente. O facto de um lar de idosos ter um caráter familiar e não urgente oferece tempo para a adaptação e para a prática.

Após alguns meses, senti que precisava de seguir em frente e praticar enfermagem em contexto hospitalar. Voltei a candidatar-me por via de uma empresa de recrutamento e fui trabalhar para um hospital do NHS em Dartford, na periferia de Londres, onde continuo a trabalhar até hoje.

No que diz respeito às vantagens de trabalhar no NHS, as oportunidades de aprendizagem são vastas, resultando num desenvolvimento pessoal e profissional que julgo não poder ter experienciado num ambiente semelhante em Portugal. O facto de a educação ser paga em horário laboral suscita a motivação de continuar a aprender e crescer. Acrescentado a isso a existência de progressão na carreira com um caráter meritório.  

Iniciei a carreira em contexto hospitalar como enfermeira de cuidados gerais num serviço de trauma e ortopedia, onde me deparei com as diferenças entre a prática de enfermagem num novo país e aquela para a qual tinha sido formada, o que requereu tempo de adaptação. O tempo passou e tive oportunidade de iniciar a especialização em cuidados ao idoso, evoluindo para uma posição de especialista a nível hospitalar.

Alguns anos depois, surgiu a oportunidade de cobertura de licença de maternidade da enfermeira chefe responsável pela divisão de cuidado ao idoso, o que possibilitou a aprendizagem sobre gestão em enfermagem. Após esta experiência, aprofundei um pouco mais esta área ocupando a posição de enfermeira-chefe de um serviço de cuidados ao idoso durante 1 ano até recentemente quando tive oportunidade de ser chefe de departamento de cuidados ao idoso do hospital.

A progressão na carreira não vem isolada da inevitável imersão na cultura da nação. A riqueza multicultural presente no Reino Unido é fascinante, o que tornou a aventura extremamente interessante. Cada dia de trabalho árduo continua a ser uma descoberta cultural. A relativa proximidade entre os dois países facilita a regularidade de visitas a casa para matar saudades da família, amigos e da maravilhosa gastronomia portuguesa que, onde quer que um português esteja, é inultrapassável. 

Instagram

Instagram has returned invalid data.