Dispositivos Médicos e Inovação em Saúde

O que são os Dispositivos Médicos?

Os dispositivos médicos englobam produtos tão distintos como um simples termómetro a outros muito mais complexos como “stents cardíacos”, próteses ortopédicas ou implantes dentários. Atualmente a sua utilização é cada vez mais frequente para efeitos de diagnóstico, tratamento de doenças, compensação de uma lesão ou de uma deficiência e controlo da concepção.

Os dispositivos médicos enquanto produtos de saúde, apesar de apresentarem finalidades médicas sobreponíveis às dos medicamentos distinguem-se destes, uma vez que, por definição, o principal efeito pretendido no corpo humano deverá ser alcançado por meios físicos e/ou mecânicos e não por meios farmacológicos, imunológicos ou metabólicos. Também o sistema regulamentar dos dispositivos médicos é baseado em princípios distintos dos aplicados aos medicamentos, exigindo competências específicas para a sua interpretação e aplicação.

A inovação no setor

A inovação no setor dos dispositivos médicos e tecnologias tem sido extremamente rápida e elevadas expetativas existem em relação ao futuro.

Contrariamente ao que tem acontecido no setor do medicamento, no qual a aprovação de novas moléculas tem diminuído, os dispositivos médicos e tecnologias assumem-se como atores principais da inovação em saúde, com uma importância crescente na prestação de cuidados individualizados de saúde, na melhoria da qualidade de vida dos cidadãos e na promoção de um envelhecimento ativo da população. Software com finalidade médica, testes de seleção de terapêutica (companion diagnostic), dispositivos que utilizam nanotecnologias, impressão 3D de tecidos, instrumentais que suportam cirurgias minimamente invasivas, entre outros, são exemplos de inovação nesta área.

Em paralelo, será necessário refletir sobre alguns dos aspetos menos positivos relacionados com o progresso dos dispositivos médicos nomeadamente, sustentabilidade dos serviços de saúde, cibersegurança e questões éticas e regulamentares complexas.

Apesar de existirem riscos inerentes à inovação haverá certamente cada vez mais melhorias em saúde pela utilização de dispositivos médicos num contexto de uma medicina cada vez mais personalizada em que o objetivo de “morrer jovem o mais velho possível” seja progressivamente mais tangível para uma maioria da população.

Get To Know The Alumni – Tiago Caetano

Calculo que muitos pensem e que o ingresso na LisbonPH pouco acrescente ao Curriculum Vitae de alguém que pretenda seguir a carreira de investigação científica e é com o intuito de desmistificar este pensamento que escrevo o meu testemunho, como alumnus da Júnior Empresa da Faculdade de Farmácia da Universidade de Lisboa.

No panorama atual, o investigador do futuro deverá não só ter aprofundados conhecimentos teóricos, experiência laboratorial, um bom nível de comunicação e redação, principalmente em inglês, mas também ser muito criativo, capaz de estabelecer uma rede de contactos, estar disposto a colocar-se sempre à prova e a enfrentar o mundo. É ainda visto como um plus o facto de dominar as ferramentas informáticas que se encontram em constante evolução e, no caso de algumas áreas científicas em específico, os conhecimentos de programação são uma enorme mais-valia.

Foi com este intuito que em 2014 me candidatei ao Departamento Científico (atualmente, Departamento de Inovação e Científico) da LisbonPH, onde desempenhei as funções de direção durante dois anos. A filosofia de “learning by doing” seguida pela LisbonPH permitiu-me desenvolver bastantes capacidades que não nos são ensinadas na academia e que considero cada vez mais importantes no mercado de trabalho atual. Entre elas, desenvolvi as capacidades de comunicação, de gestão de equipas e de estabelecimento de contactos; as capacidades de escrita e análise de texto, ao produzir e rever todo o conteúdo científico pelos diversos departamentos da Júnior Empresa, foram melhoradas, quer em português quer em inglês; a gestão das plataformas web permitiu-me melhorar a minha componente informática, entre outros.

Desde a conclusão do Mestrado Integrado em Ciências Farmacêuticas que tenho trabalhado na área de investigação científica relacionada com a toxicologia do mercúrio, tendo desempenhado funções em França pelo período de um ano e mais recentemente voltei às origens, à FFULisboa, onde estudo os mecanismos moleculares da toxicologia do mercúrio.

A Psicoterapia no Tratamento da Depressão e da Ansiedade

Se há doenças mal compreendidas, as doenças da mente estão no início desse ranking. Logo para começar, as doenças como a Depressão e a Ansiedade, são doenças psicológicas e não físicas. Se olharmos para estas doenças como doenças neurológicas, não as conseguimos perceber. O cérebro é um órgão ainda muito complexo. Mas se olharmos para estas doenças como estados psicológicos que perturbam as pessoas, temos que saber e perguntar porque é que “está” assim? As respostas são dadas com 3 perguntas:  

O que sente?                                              

Quando iniciou os sintomas?

O que aconteceu nessa altura?

As respostas vão-nos levar às causas da doença. As causas estão nas experiências que perturbaram, que traumatizaram ou que criaram aprendizagens incongruentes. Sempre que fazemos estas 3 perguntas percebemos que as pessoas que estão a sofrer de ansiedade, têm receio de algo que aprenderam a ter medo no passado. As pessoas deprimidas, sentem-se tristes por experiências que, apesar de terem ocorrido no passado, ainda as perturbam.

Pode parecer simples demais, mas é esta simplicidade que os vários modelos teóricos sobre a saúde mental não conseguem ver. Acham que não pode ser só isso, deve haver alguma coisa mais. Dizem que se assim fosse, todos estaríamos em depressão pelas mesmas realidades. Qual é a variável que falta para que se compreenda esta simplicidade? É que a realidade não é o que acontece. Não existe uma realidade para todos, o que existe é a nossa perceção sobre o que aconteceu. E o que é a perceção? É o entendimento que fazemos analisando as nossas crenças e o que observamos, simplificando, a nossa realidade é o que acreditamos que estamos a ver.

Assim, compreendemos que por termos tido aprendizagens diferentes ao longo da vida, criamos realidades distintas uns dos outros. Às vezes percebemos as experiências como muito agressoras ao nosso bem-estar, e criamos medos e angústias, e perduram enquanto perdurar a forma como as percebemos.

Então e a psicoterapia? A psicoterapia é um tratamento onde são aplicadas técnicas psicológicas para mudar o nosso sistema de crenças e o sistema emocional de forma a mudar a perceção sobre as realidades passadas e fazer com que estas não perturbem mais.

Há vários modelos de psicoterapia, cada um com abordagens diferentes ao mesmo problema. Eu trabalho e defendo o modelo psicoterapêutico HBM. Este modelo olha com simplicidade para um problema simples, mas muito frequente e limitador. Na psicoterapia HBM, conversamos com as pessoas, fazemos as 3 perguntas e valorizamos cada palavra e cada emoção. Depois é trabalhar nas representações mentais que perturbam, utilizando várias técnicas psicológicas que ajudam a alterar a perceção.

É possível sair dos estados perturbadores como a Depressão e a Ansiedade? Sim, com eficácia e eficiência, mas dá trabalho e precisa-se de tempo. Um trabalho que as pessoas não estão costumadas a fazer, um tempo que não estão habituadas a investir. Na saúde mental não há curas rápidas, há mudanças profundas.

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