Tuberculose: necessidades, desafios, promessas e perspectivas.

Todos os anos, no dia 24 de março, o Dia Mundial da Tuberculose (TB) visa aumentar a consciencialização sobre a doença. A TB tem infetado seres humanos desde há muitos séculos e embora nunca tenha sido completamente erradicada, houve, no entanto, uma queda significativa nos casos e taxas de mortalidade, graças ao desenvolvimento da vacina BCG (1921) e aos “novos” antibióticos (nos anos 50 do século passado).  Mas a doença ressurgiu. A prevalência aumentou para um nível tão preocupante que a OMS declarou uma emergência de saúde global em 1993 e, subsequentemente, desenvolveu a estratégia do “STOP TB”, com o objetivo de acabar com a epidemia global de TB até 2035.  Embora se tenham registado progressos na redução da mortalidade, a TB classifica-se como uma das doenças infeciosas mais letais, particularmente, em doentes infetados com o vírus da imunodeficiência humana (HIV).

O controlo está repleto de problemas em torno da transmissão, especialmente em tempos de aumento de viagens globais e superlotação em algumas áreas urbanas, aumento da resistência a antibióticos, ferramentas de diagnóstico limitadas e falta de vacinas eficazes. O problema tem-se complicado pelo surgimento da resistência contra os antibióticos mais eficazes especialmente isoniazida e rifampicina. Estirpes de bacilos resistentes a múltiplos medicamentos (MDR-TB e XDR-TB) foram responsáveis ​​por 0,49 milhão de casos de TB, principalmente na Índia, na China e na Federação Russa.

Um obstáculo significativo no tratamento da TB é a alta prevalência de coinfeção com HIV. Os dois patogenos exacerbam-se mutuamente aumentando a morbilidade e mortalidade. Além disso existem interações medicamentosas que tornam problemático o co-tratamento com antibióticos de primeira linha contra a tuberculose e a terapia anti-retroviral (ART).

A longa duração e natureza complexa da terapia da TB atual e o consequente surgimento de MDR-TB e XDR-TB, e a incompatibilidade dos antibacilares com a ART, todos suportam a necessidade de desenvolver novos medicamentos e melhores regimes de tratamento. Melhorar o tratamento da TB implica alcançar vários objetivos: – encurtar a duração do tratamento para a doença ativa a fim de melhorar a adesão; – desenvolver medicamentos seguros e toleráveis ​​com novos mecanismos de ação que sejam eficazes contra estirpes resistentes (MDR-TB e XDR-TB); – desenvolvimento de medicamentos que evitem interações medicamentosas, especialmente com a ART e facilitar o tratamento de pacientes co-infetados com HIV. Contudo, apenas recentemente e, depois de quase meio século desde a aprovação da última medicação antituberculosa, duas novas moléculas, a delamanida e a bedaquilina, foram incluídas em esquemas terapêuticos e somente para tratar pacientes com MDR ou XDR-TB.

O objetivo do tratamento da TB tem sido o de matar as micobactérias causadoras com agentes antimicobacterianos. Devido à longa duração do tratamento, as possibilidades de toxicidade do fármaco e o aumento da resistência ao fármaco, as terapias dirigidas pelo hospedeiro (HDT), ganharam atenção recentemente. Os HDTs são agentes que podem aumentar os mecanismos de defesa do hospedeiro, modular a inflamação excessiva ou ambos, manipulando a resposta do hospedeiro a um patogeno e interferindo nos mecanismos do hospedeiro explorados pelo patogeno para persistir ou replicar nos tecidos do hospedeiro. Isso pode levar a melhores resultados no tratamento clínico, como redução da morbilidade, mortalidade e danos aos órgãos-alvo e recuperação funcional a longo prazo.

A busca por uma melhor terapia contra a tuberculose tem assim sido impulsionada por duas atividades interligadas: a busca de novos fármacos e o desenvolvimento de esquemas de combinação eficazes e pela primeira vez em 40 anos, um portfólio de novos compostos promissores para o tratamento da tuberculose está no horizonte.

Elsa Anes

Testemunho Ana Frazão

Olá! O meu nome é Ana Frazão, tenho 24 anos, terminei o Mestrado Integrado em Ciências Farmacêuticas em 2018 e encontro-me neste momento enquanto Marketing Trainee na GSK. Ao longo dos meus 5 anos de faculdade, a maior parte deles foram partilhados com a LisbonPH e gostava de vos contar um bocadinho dessa (tão querida para mim) história.

Esta foi para mim uma viagem atribulada (num muito bom sentido). Assisti ao primeiro evento da LisbonPH para a comunidade estudantil e todo o envolvimento do evento despertou a minha curiosidade. No início do meu 2º ano arrisquei, candidatei-me e ingressei no já extinto Departamento Comercial e Logística. Confesso que não é fácil descrever todas as oportunidades que me deram e nas quais eu embarquei. Entre trabalhar com várias equipas (fosse dentro do departamento, para um projeto…), contactar com profissionais de saúde ou de outras áreas, gerir objetivos e atingir resultados, o crescimento foi exponencial. E tal só aconteceu porque na LisbonPH há uma oportunidade de te desafiares a ti mesmo, às tuas capacidades e, sobretudo, uma oportunidade de aprendizagem. Esta viagem não terminou por aqui, passado um ano decidi candidatar-me a Diretora do meu departamento. Ambicioso? Sim, bastante, considerando que estava no 3º ano, mas essa foi mais uma das valências que ganhei. Trabalhar com uma ambição, a ambição de poder levar a LisbonPH muito mais longe.

Parar por aqui? Nem pensar! Passado um ano enquanto Diretora de departamento tive a oportunidade de fazer parte da JADE Portugal – Federação de Júnior Empresas de Portugal, enquanto International Manager. Mesmo assim, senti que não era capaz de deixar a minha LisbonPH e ajudei enquanto Presidente do Conselho Fiscal. Qual foi o meu maior desafio? Honestamente, considerei-o um desafio mas hoje vejo-o como uma das maiores oportunidades que esta Júnior Empresa me deu: poder apresentar a candidatura a um prémio a nível europeu, em Bruxelas, em frente a 300 Júnior Empresários e cerca de 30 representantes de empresas e entidades europeias foi um passo que eu jamais pensei ser capaz de dar. Mas fui, porque a LisbonPH mo permitiu e me deu as competências para que tal fosse possível.

Achas que és capaz? Eu acho que sim! Não deixes ficar a candidatura no computador!

Ana Frazão

Qual o contributo do cargo de Diretora do Departamento Comercial e Logística na LisbonPH para o atual cargo na ANF na área de logística e vendas de produtos?

Ser Alumni da LisbonPH é uma responsabilidade, mas sobretudo uma oportunidade de continuar ligada ao desenvolvimento do profissional do futuro empreendedor, criativo e multidisciplinar.

O futuro e a inovação são a grande ponte de ligação entre a LisbonPH e as Farmácias Portuguesas, onde atualmente integro uma equipa multidisciplinar, para lá das ciências da Saúde, cujo foco é a operacionalização da Gestão de Categorias no contexto Farmácia. Se este conceito de loja está bem implementado noutras realidades comerciais, na Farmácia, enquanto loja, a conciliação dos racionais de consumo com as necessidades de Saúde é uma nova realidade.

A que necessidades responde a Farmácia? Que necessidades o shopper quer satisfazer? Quem é o shopper da Farmácia? Romper o racional da doença e compreender que quem entra na Farmácia – o shopper – pode ser impactado por ferramentas de marketing que o levam a satisfazer necessidades de Saúde, que nem ele sabe ter, é valorizar a experiência de compra e rentabilizar o processo de venda. Como? Otimizando o fluxo de circulação em loja, garantindo uma experiência imergente e completa; comunicar no ponto de venda numa linguagem simples e visual de forma a facilitar a identificação das respostas de Saúde possíveis de encontrar na Farmácia; rentabilizar a exposição de produtos associando necessidades primárias a secundárias de forma a aumentar e melhorar a resposta enquanto se aumenta o valor do cesto. A experiência Farmácia é assim renovada e adaptada a uma sociedade que procura respostas simples, rápidas e completas às suas necessidades.

Esta abordagem é singular e personalizada à realidade de cada Farmácia, permitindo a cada uma desenvolver-se no sentido de otimizar a resposta dada às necessidades do seu shopper.

Assim, depois da experiência associativa que me propôs desenvolver o Farmacêutico do futuro, empreendedor, criativo e multidisciplinar, hoje, a proposta é fazer da Farmácia o seu habitat natural.

Cátia Henriques

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