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Como viajar com mais saúde?

Viajar pode ser uma das mais fantásticas experiências que temos ao nosso dispor. Não é por acaso que o termo “wanderlust”, que significa desejo de viajar, está tão na moda hoje em dia. Desde antigas cidades incas às modernas cidades japonesas, aos safaris pelo Quénia, passando pelas ilhas paradisíacas da Indonésia, existe um mundo à nossa espera. Mas cada um destes destinos tem os seus riscos para os viajantes e é neste contexto que surge a Medicina do Viajante. Ninguém quer ver a sua viagem arruinada por um problema de saúde.

A Medicina do Viajante é uma área médica que promove a prevenção e tratamento de doenças associadas a viagens, procurando proteger a saúde dos viajantes. Desde o ébola, ao sarampo, passando pelo vírus Zika, muitas são as doenças que colocam em risco os viajantes, não esquecendo as mais comuns “diarreias do viajante” e picadas de insetos. É, por isso, uma área da Medicina em atualização diária. Veja-se os surtos que repetidamente vemos nas notícias.

Para melhor proteger a saúde dos viajantes, existe uma consulta específica – a Consulta do Viajante – útil antes de viajar e após regressar do seu destino. Durante uma consulta são discutidos vários temas como os cuidados a ter para evitar picadas de insetos, cuidados com alimentação e bebidas, os sintomas das doenças mais comuns e como se proteger delas, entre outros assuntos. É também uma oportunidade para rever os problemas de saúde do viajante e o seu impacto na deslocação e atualizar as suas vacinas.

Por estes motivos, é uma consulta personalizada, que leva em consideração o perfil do viajante (mais aventureiro? mais precavido?), a sua experiência prévia (é a primeira vez que vai para o sudeste asiático ou é um conhecedor da região?), os seus planos (vai fazer desportos radicais ou prefere descansar à beira-mar?), entre outras questões mais relacionadas com a saúde individual (doenças crónicas, alergias, limitações funcionais) e questões pessoais.

É difícil dizer quais são os destinos que justificam uma consulta do viajante. Existem destinos geralmente considerados mais seguros do ponto de vista de saúde (EUA, Canadá, Europa Ocidental, Austrália, Japão, Nova Zelândia) e outros mais arriscados. Mas qualquer destino, nas circunstâncias certas, pode justificar uma consulta do viajante. Por isso, fale com um especialista em Medicina do Viajante ou tire as suas dúvidas em drtravel.pt.

Boa viagem!

Luís Guedes

Médico com pós-graduação em Medicina do Viajante e Fundador da Plataforma Online Dr. Travel

Serviço de Aconselhamento ao Viajante Holon: as doenças também viajam!

Há cada vez mais pessoas a viajar e com maior frequência. Quer seja à procura de lazer, de aventura, de novas experiências, quer ainda por motivos profissionais ou em missões de voluntariado, hoje em dia viajamos para os mais diversos locais do planeta!

Em viagem, contactamos com novos ambientes e ficamos expostos a novos agentes transmissores de doenças. Estes riscos podem ser minimizados se agirmos de forma preventiva, estando informados sobre as precauções a ter antes, durante e mesmo após a viagem.

Dados internacionais sugerem que muitos viajantes não procuram aconselhamento médico antes de viajar. Os farmacêuticos estão idealmente posicionados para serem prestadores de serviços de saúde de apoio à viagem, devido à acessibilidade e disponibilidade, reconhecidas e características da nossa rede de farmácias comunitárias.

Proporcionar um Serviço de Aconselhamento ao Viajante oferece múltiplos benefícios. Possibilita a expansão do relacionamento com os cidadãos, além de um acesso mais facilitado a um serviço importante. Por outro lado, este serviço ajuda a reforçar a imagem do farmacêutico como profissional de saúde.

O Serviço de Aconselhamento ao Viajante disponível nas Farmácias Holon destina-se a todas as pessoas que viajam para destinos nacionais e internacionais.

O aconselhamento antes da viagem destina-se a preparar o viajante para os potenciais problemas de saúde que poderão surgir, como prevenir e o que fazer no caso de surgirem. A função do profissional de saúde passa por avaliar e comunicar os riscos, envolvendo e discutindo as estratégias para os minimizar. Neste serviço, é também avaliada a necessidade de efetuar determinadas vacinas, tendo em consideração o país de destino, a duração da estadia, os hábitos e o estilo de vida.

Apesar da medicina das viagens ter como principal foco o período pré-viagem, é muito importante sensibilizarmos para a importância da avaliação do estado de saúde após o regresso. A maioria dos problemas que surgem aquando da viagem não apresenta gravidade e são autolimitados (geralmente distúrbios respiratórios ou gastrointestinais, como por exemplo, a diarreia do viajante).

No entanto, em cerca de 1 a 5% dos casos os viajantes desenvolvem problemas mais graves, que necessitam de avaliação médica. A sintomatologia pode surgir durante a viagem ou semanas, meses ou anos após o regresso!

Os utentes são também alertados para a importância de procurar a ajuda de um profissional de saúde (médico e/ou farmacêutico) quando regressam da sua viagem.

Se viajar, aconselhe-se com o Farmacêutico Holon!

Get To Know The Alumni – Guilherme Lopes

De acordo com o relatório “Future of Jobs” do World Economic Forum, a capacidade de resolver problemas complexos, o pensamento crítico e a criatividade representam as 3 características que serão mais procuradas pelos futuros empregadores a partir da próxima década. No entanto, para os jovens que durante anos se preparam para abordar o mercado de trabalho, nem sempre é fácil desenvolver estas competências durante o seu percurso académico. Foi algo com o qual também me deparei enquanto estudante do Mestrado Integrado em Ciências Farmacêuticas.

Claro que, verdade seja dita, por vezes até os problemas complexos das químicas farmacêuticas me obrigavam a utilizar a criatividade como último recurso, naquelesinstantes finais de um exame em que a 3,4-dihidroxi-feniletanamina está “aos saltos” e o pensamento é tudo menos crítico. Mas faltava aqui uma experiência mais enriquecedora e diferenciadora!

Nesse âmbito, felizmente tive a oportunidade única de complementar estas lacunas ao fazer parte universo do empreendedorismo juvenil quando ingressei na júnior empresa da FFULisboa – a LisbonPH.  Aqui, durante três anos, pude acompanhar as dificuldades diárias da gestão de uma empresa em crescimento exponencial e contribuir para impactar positivamente o desenvolvimento da mesma, enquanto aprendi a trabalhar em equipas e colaborar com mentalidades e personalidades diferentes da minha o que considero cada vez mais valioso.

Tendo um enorme interesse pela gestão e marketing em saúde, ter feito parte do departamento de marketing da LisbonPH foi sem dúvida uma grande mais-valia enquanto estudante. Possibilitou-me adquirir não só inúmeros conhecimentos estratégicos, como desenvolver vertentes comunicacionais ao mesmo tempo que enriquecia a minha perspetiva sobre o sector da saúde, onde pretendia iniciar a minha carreira.

Foi na LisbonH que, sob o mote do “learning by doing”, pude arregaçar as mangas e, com a equipa, criar campanhas de marketing para promover os cursos e eventos da LisbonPH junto de profissionais de saúde, com recurso a marketing digital.  Ainda que completamente fora do nosso background, orgulho-me de termos implementado de raiz na LisbonPH ferramentas de email marketing e da nossa interação diária com milhares de profissionais de saúde através dos nossos canais de social media que foram crescendo exponencialmente. Neste período, desenvolvemos mais de 60 projectos, tendo oferecido formações e-learning e eventos presenciais a mais de 2000 participantes que viam nos nossos programas uma forma flexível e acessível de se manterem atualizados, com fim a prestarem um serviço de excelência às populações.

Creio ter sido o desenvolvimento de algumas destas competências chave que me possibilitou ingressar na indústria farmacêutica. Iniciei o meu percurso profissional através de um estágio no departamento de marketing da Novartis na área da oftalmologia, onde, após um ano, passei a desempenhar funções como Gestor de Projectos júnior na mesma unidade, colaborando no lançamento de um novo produto para o mercado hospitalar.

Afinal de contas, sempre houve uma razão para o mote da LisbonPH “pelo desenvolvimento profissional de saúde do futuro, empreendedor, criativo e multidisciplinar”.

A Mundipharma foi reconhecida pela sua cultura de trabalho de excelência e confiança

Na Mundipharma, a prioridade são os nossos colaboradores, por isso continuar a ser um dos melhores lugares para trabalhar é sem dúvida um objetivo. Em 2017, no nosso segundo ano em Portugal, conseguimos o primeiro Prémio Social de Igualdade de Género e, no ano passado, com menos de três anos no mercado português, conseguimos não só ser a melhor empresa para trabalhar na nossa categoria, como ganhámos o prémio de Melhor Lugar para Trabalhar de todos os rankings. Este ano, com o foco em manter a fasquia elevada, conseguimos alcançar, pelo terceiro ano consecutivo, o prémio Great Place to Work.

Que práticas desenvolvem em prol dos cerca de 30 colaboradores que integram a Mundipharma?

As pessoas são o maior valor na Mundipharma. São elas que mantêm a cultura viva e que nos conduzem aos resultados e à concretização dos objetivos. 

Os colaboradores de famílias monoparentais beneficiam da flexibilidade de horário que, inevitavelmente, precisam para gerir a família. O pacote de benefícios que oferecemos é suficientemente amplo para favorecer os trabalhadores que têm filhos – que podem escolher ter apoio na educação escolar – e os que não têm – que podem optar por receber apoio para o seu próprio desenvolvimento pessoal. Financiamos a prática de atividade física para estimular estilos de vida saudáveis e temos sempre disponíveis no escritório frutas e bebidas à descrição. 

Sendo as pessoas o principal património da Mundipharma, os nossos colaboradores têm forçosamente características especiais. Apostamos na criação de uma equipa de profissionais qualificados, honestos e motivados, num ambiente de total confiança e transparência. 

“Ousar” está na cultura organizacional da Mundipharma

A Mundipharma nasceu do mote “ousar” e diferenciar. Quisemos ser diferentes não só no nosso modelo de negócio, mas também na forma como queríamos criar o nosso espírito de equipa. Desde o início, que todos os membros têm um papel ativo na definição estratégica.

Criámos uma equipa muito experiente, apostando na gestão autónoma. Adotámos o termo “Diretor Geral” do seu território ou da sua função, onde cada um é responsável por tomar as decisões na sua área de competência, não havendo qualquer imposição por parte das suas chefias. Confiamos totalmente em modelos de microgestão. Cada departamento ou função tem o seu próprio P&L, que permite avaliar sempre, no negócio, o impacto das tomadas de decisão. Esta gestão flexível e adaptada é o que pensamos que marca a diferença no mundo empresarial.

Em 2018, criámos outro programa, que consideramos ousado, baseado num modelo holacrático, onde os colaboradores são convidados, em equipa, a desenvolver projetos que contribuem para a estratégia global da companhia e que depois são apresentados em reuniões de direção.

 

Sofia Ferreira, Country Manager na empresa Mundipharma

A integração dos suplementos alimentares nas terapêuticas convencionais; perspetivas futuras para os suplementos alimentares, impacto na saúde dos portugueses.

Os suplementos alimentares (SA) são uma constante intemporal nas opções de utilização dos portugueses, enquanto cuidado básico de saúde. Quer pelos médicos, quer pelos utilizadores a título individual que, por iniciativa própria, optam por seguir a recomendação de tomar vitaminas, minerais, fórmulas à base de plantas, probióticos, ácidos gordos essenciais, etc.  

Atualmente, vários compostos de ingredientes utilizados em SA são finalmente conhecidos a fundo pela ciência e esta divulgação propicia uma maior abertura para a sua utilização, junto dos profissionais de saúde e da comunidade geral. A definição legal de suplemento alimentar lembra-nos que visam, antes de mais, complementar e ou suplementar um regime alimentar normal. Contudo, o modo de vida moderno tende a originar alterações e carências ao bom funcionamento do organismo, por ser acelerado e cheio de excessos e desequilíbrios alimentares, stresse, tabagismo, poluição e perturbações dos ciclos naturais de atividade e de repouso.

A prova evidente para o sucesso da utilização de SA é a satisfação das pessoas que os utilizam e a percentagem das pessoas que a eles recorrem. Em 2006, o ISEG (Instituto Superior de Economia e Gestão da Universidade de Lisboa) realizou um estudo a nível nacional com uma amostra de 1200 indivíduos no sentido de estudar o mercado dos SA. Com este estudo concluiu-se que 81% dos indivíduos utilizam ou já utilizaram SA. Quando questionados sobre a possibilidade de voltar a comprar e utilizar SA, os inquiridos demonstram, em esmagadora maioria, a intenção de voltar a fazê-lo, o que é indiciador da satisfação e reconhecimento do benefício decorrente do consumo de SA.

Os SA podem ser vantajosos na prevenção, ou normalização, de determinados estados, contribuindo para a melhoria de certas condições de saúde das pessoas, em comparação com a ingestão de medicamentos com muitos efeitos secundários associados.

Esta utilização de SA, bem informada e direcionada, pode ser lucrativa para o estado, no sentido da poupança que potencialmente gera, no SNS, porque a utilização de SA tende a refletir-se como benéfica, traduzida em pessoas com mais vitalidade.

https://www.repository.utl.pt/handle/10400.5/15915

 

A Controvérsia a Suplementos Alimentares

Nos últimos anos as pessoas procuram um estilo de vida mais saudável e são induzidas a pensar que encontram nos suplementos a “chave” para aumentar o seu bem-estar e manutenção da saúde. 

A questão é que não foi sempre assim. Em 1990, Orrin Hatch e Tom Harkin conseguiram mudar a legislação dos “suplementos dietéticos” no Senado Americano, incluindo no texto da legislação “ervas e produtos nutricionais similares” (“herbs and similar nutritional products”). Deste modo, deixaram de ser constituídos apenas por proteínas, vitaminas e sais minerais e passaram a poder, de uma forma generalista, incluir quase tudo.

Isto levou a que várias situações de risco pudessem vir a ocorrer associadas a estes produtos. Às vezes incluem plantas a que não foi feito controlo de qualidade e contêm metais pesados, outros contêm plantas que não estão bem identificadas e algumas até trazem associados fungos que produzem toxinas, como as aflatoxinas. 

Com toda a publicidade associada aos “Produtos Naturais”, também as Plantas Medicinais passaram a ser vendidas à luz desta legislação, passando por vezes à margem das regras dos Medicamentos à Base Plantas. Aparecem incluídas em diversas formas farmacêuticas como cápsulas ou comprimidos, como folhas em pó ou secas para “chás”, ou em soluções já preparadas e fáceis de transportar e beber o dia todo. Criou-se assim um mercado que não respeita as bioactividades das Plantas Medicinais, misturando várias ao longo do dia com potencial variado no organismo ao que ainda se associa, muitas vezes, um plano de polimedicação.

A legislação considera os suplementos alimentares géneros alimentícios que se destinam a complementar os planos alimentares, e que não deverão ser utilizados como substitutos de algum nutriente proveniente dos mesmos. Estes produtos são regulados pela DGAV, sendo que para a sua aprovação, não é necessário entregar ensaios de segurança. Destinam-se apenas a manter a homeostasia dentro de níveis normais e devem ser evitados “Produtos de Fronteira”, que tendem a usar substâncias “Borderline” que deveriam apenas existir em medicamentos controlados e com ensaios de eficácia e segurança. 

Assim, o consumidor deveria estar alerta para a composição e para o facto de que por vezes, em casos reportados, esta não confere com os ingredientes que estão citados. Acresce a isto, situações em que alguns produtos poderão ainda conter adulterantes/contaminantes.

Pelo que acabamos de referir, é fácil perceber que doentes de risco, que são mais vulneráveis, como por exemplo os casos de oncologia, devem prestar maior atenção ao que consomem e não “embarcar” na magia dos outcomes que os poderão iludir. O tratamento oncológico é um processo muito moroso, acompanhado muitas vezes por um processo depressivo. Muitos doentes começam a suplementação convencidos que é uma “via rápida” para a cura, pelas suas alegações e promessas, numa esperança de ficarem melhor rapidamente, e isso pode trazer graves problemas de interações.

Outro exemplo, pode ser dado relativo ao uso de suplementos em doses superiores ao recomendado como, por exemplo, indivíduos que através da suplementação façam uma ingestão de cálcio superior à recomendada (1000 mg/dia), têm um risco aumentado de morte. A atitude mais sensata é só usar suplementos se o plano alimentar da pessoa for deficitário em algum nutriente que vá causar carência e subsequente doença. Nesses casos, a suplementação deve ser recomendada, mas nas doses específicas para aquela situação. Deste modo, é possível trazer os valores de autorregulação da homeostasia para a normalidade (saúde). Em caso de doença são precisos medicamentos (substâncias activas com actividade terapêutica) para repor os valores normais da homeostasia e isso não deve ser feito com suplementos, mesmo que estes reclamem essa bioactividade. Também o uso concomitante pode ser de risco, pelo que é fulcral comunicar ao médico ou farmacêutico sobre o consumo destes produtos, bem como da terapêutica que tome, uma vez que pode interferir com a eficácia dos tratamentos. 

A suplementação é um assunto sério e deve estar associada à eficácia, segurança e qualidade, pelo que a sua recomendação e venda deveria ser objectivamente avaliada de forma responsável e consciente. Os farmacêuticos podem ser responsáveis pela mudança de perspectiva sobre esta temática enquanto agentes de saúde pública. Compete-nos fazer um bom aconselhamento ao doente através da revisão da terapêutica e avaliação de interacções, também com os suplementos se forem necessários.

Todos os tratamentos devem ser realizados de forma racional e segura para o doente e para o bem-estar de todos.

Cátia Couto e Maria da Graça Campos 

Observatório de Interações Planta-Medicamento (OIPM), Universidade de Coimbra

Get To Know LisbonPH – Sílvia Miguel

Sou a Sílvia Miguel, tenho 25 anos, e tive o enorme privilégio de fazer parte da LisbonPH, esta única e revolucionária júnior empresa da área da Saúde.

Durante o meu percurso na LisbonPH tive a oportunidade de fazer parte da Mesa da Assembleia Geral, do Departamento de Projetos e terminei o meu percurso como Presidente Executivao.

Acima de tudo, este projeto foi um dos momentos mais marcantes do meu percurso académico e foi uma segunda casa e uma segunda família durante muito tempo. Na minha opinião, há muitos projetos que se pode participar durante a faculdade, mas a parte humana é tão ou mais importante que a profissional e há poucos projetos que dêem tanto, tão bom e em tão pouco tempo como a LisbonPH o faz.

Relativamente ao meu percurso profissional, quando terminei a faculdade, ingressei num estágio no Departamento de Vendas na GSK Consumer HealthCare e, desde setembro do ano passado, sou Marketing & Medical Affairs Trainee na Janssen.

Lupus Eritematoso Sistémico

O que é o Lúpus eritematoso sistémico (LES)?

O LES é uma doença reumática sistémica. Historicamente, o nome ‘lúpus eritematoso’ surgiu por causa da sua manifestação mais visível (embora muitas vezes ausente), uma erupção cutânea na face, avermelhada e persistente, que de alguma forma fez lembrar a face do lobo (comparação que parece estranha, hoje em dia). Denomina-se ‘sistémico’ porque pode afetar vários órgãos e não só as articulações. Em todos os casos é uma doença reumática, mesmo que não existam sintomas das articulações. É uma doença crónica que vai existir ao longo de toda a vida.

O LES é a mais frequente das doenças reumáticas sistémicas e pode afetar essencialmente qualquer órgão, com uma enorme diversidade de manifestações diferentes. Em doentes diferentes e em cada doente individual, podem surgir manifestações muito variadas ao longo dos anos. Por isso já foi apelidada como a “doença das mil faces” e é considerada uma das doenças humanas mais complexas.

As causas do LES são multifatoriais, mas essencialmente é uma doença autoimune, ou seja, o sistema imunitário passa a ‘atacar’ partes do próprio corpo. Isto ocorre em pessoas com predisposição genética que permite o aparecimento de autoimunidade, desencadeada por certos fatores ambientais.  

Qual é o impacto do LES na sociedade?

Em Portugal, através do EpiReuma, um estudo de base populacional de grandes dimensões que estimou a prevalência de doenças reumáticas na população adulta, concluiu-se que existem cerca de 100 casos de LES/ 100.000 habitantes. Estes resultados são similares aos de estudos recentes no Reino Unido (97/100.000) e na Grécia (123/100.000). O LES é relativamente pouco frequente, mas não raro.

O LES surge mais frequentemente em mulheres jovens em idade fértil: 87% dos doentes são mulheres e a idade média de início é aos 32 anos. Também pode surgir antes dos 16 anos, em 20% dos casos e após os 50 anos, em 15%. O facto de o LES surgir, de forma imprevisível, em mulheres jovens causa um grande impacto na prossecução dos seus planos de vida, quer profissionais, quer familiares. É fundamental que as doentes tenham o LES controlado de forma estável para que possam planear gravidez. Para tal, é fundamental uma vigilância médica especializada regular e medicação crónica. O LES causa um impacto importante na qualidade e esperança de vida.

Quais são os desafios atuais da terapêutica do LES?

A melhoria das estratégias de tratamento permitiu aumentar a sobrevida dos doentes com LES, aos 10 anos após o diagnóstico, de 63,5% (em 1950) para mais de 90%.

A hidroxicloroquina é um fármaco essencial: todos os doentes com LES devem tomá-lo continuamente desde o diagnóstico e a longo prazo. Para controlar as agudizações da doença, os corticosteróides são muito úteis, mas deve evitar-se usá-los durante muito tempo, porque senão os efeitos secundários excedem o benefício. Em cerca de 1/3 dos doentes, é necessário tratar com imunossupressores, para controlar agudizações e manter depois o LES controlado a longo prazo.

São necessários novos fármacos, mais eficazes e seguros, para controlar as agudizações mais severas e refratárias aos tratamentos convencionais, bem como para manter a doença controlada a longo prazo e minimizar o risco de novas agudizações. O belimumab é o único novo fármaco aprovado para o tratamento do LES, desde há mais de 30 anos. Muitos outros fármacos foram testados em ensaios clínicos nos últimos anos, ainda sem sucesso.

O LES é uma doença reumática e os Reumatologistas são os especialistas treinados no diagnóstico, monitorização e tratamento do LES.

Os doentes com LES devem ser referenciados e seguidos em Centros de Reumatologia especialmente diferenciados e com grande experiência, de forma a otimizar o seu prognóstico. Estes centros proporcionam cuidados multidisciplinares, com colaboração de outras especialidades médicas, muito importantes de acordo com os órgãos afetados em cada caso.

No Centro de Lúpus no Serviço de Reumatologia do Centro Hospitalar Universitário de Coimbra, seguimos mais de 400 doentes com LES.  Os nossos resultados, publicados na literatura científica, mostram que conseguimos níveis de controlo da doença e otimização da esperança de vida entre os melhores da Europa.

Luís Sousa Inês, MD, PhD
Professor Auxiliar de Reumatologia

General Secretary, European Lupus Society www.sleuro.org 
Head, CHUC Lupus Clinic
Rheumatology Department, Centro Hospitalar Universitário de Coimbra. Coimbra, Portugal
Faculty of Health Sciences, Universidade da Beira Interior, Covilhã, Portugal

Lixo Zero Portugal

Zero Waste Living é um novo estilo de vida sustentável, cujo objetivo passa por realizar as tarefas normais do dia a dia sem produzir lixo e evitando o desperdício. Foi com base nesta ideia que, há três anos, uma cidadã inspirada adotou um novo modo de vida e criou o movimento Zero Waste Portugal.

        Este projeto surge como um desafio aos portugueses para adotarem aquela que é a tendência atual e o modo de vida que poderá impulsionar o futuro do planeta.

        O alcance desta ação é notável, chegando a um grande número de pessoas, com as inúmeras palestras e eventos que se têm vindo a realizar, e tendo até chegado à Televisão Nacional e aos grandes jornais. Recentemente marcou presença na National Geographic Summit 2019 com uma palestra para escolas.

        A  cidadã que fundou o grupo Lixo Zero Portugal, e embaixadora deste movimento, Ana Milhazes, aceitou partilhar connosco o seu lema e algumas dicas úteis que segue diariamente.

        “O movimento Lixo Zero Portugal partilha dicas sustentáveis, organiza eventos, participa em limpezas de praias e promove palestras e workshops.

        Foi inspirado em Bea Johnson (Zero Waste Home), tendo como base um conjunto de práticas (5 Rs) destinadas a evitar o desperdício o máximo possível:

  • Recusar aquilo que não necessitamos (Refuse);
  • Reduzir o que necessitamos (Reduce);
  • Reutilizar aquilo que consumimos (Reuse);
  • Reciclar aquilo que não conseguimos recusar, reduzir ou reutilizar (Recycle);
  • Fazer compostagem (Rot).

        Como podemos começar?

  • Analisar o nosso saco do lixo e perceber o que existe em maior quantidade;
  • Optar por alternativas mais sustentáveis: substituindo tudo o que é descartável (copos, pratos, talheres, sacos de plástico) por opções reutilizáveis, preferindo materiais como metal/inox/vidro em detrimento do plástico;
  • Evitar o uso de palhinhas (não são recicláveis);
  • Preferir produtos biológicos e locais;
  • Comprar em 2ª mão;
  • Ter uma alimentação vegetariana;
  • Comprar a granel usando os nossos sacos e frascos;
  • Optar por produtos de higiene sólidos (champô, sabonete, pasta de dentes).

        Acredito que a grande mudança está nos pequenos passos de cada um. Vamos começar já hoje?

Ana Milhazes

A importância das farmácias comunitárias para a população

O relatório da OCDE, intitulado “Risks That Matter”, divulgado em março deste ano, dava conta de que 63% dos portugueses inquiridos neste estudo tinham como principal preocupação ficarem doentes ou com uma deficiência. Os números comprovam aquilo que muitos de nós sabemos empiricamente: a saúde é um dos bens mais valorizados pelos cidadãos.  

Nós, na Associação de Farmácias de Portugal (AFP), temos a consciência da importância que as questões relacionadas com a saúde têm para os portugueses. Recorde-se que as farmácias comunitárias estão presentes por todo o país, chegando às zonas mais rurais e desertificadas de Portugal. Esta vasta cobertura territorial faz com que as farmácias sejam entidades prestadoras de cuidados de saúde com uma grande proximidade das populações, sendo muitas vezes o primeiro e último contacto dos cidadãos com o sistema de saúde.  

Devido à grande proximidade junto dos utentes e à crescente procura de cuidados de saúde, o próprio papel das farmácias comunitárias tem vindo a evoluir. Hoje, a função das farmácias vai muito além da simples dispensa de medicamentos aos utentes. Cada vez mais, as farmácias disponibilizam à sociedade civil um conjunto alargado e vital de serviços entre os quais se destacam o aconselhamento prestado aos utentes, a preparação individualizada de medicamentos, a administração de vacinas, as consultas de acompanhamento de doenças crónicas (ex: Diabetes), a disponibilização de rastreios e de testes bioquímicos, entre outros.

Desta forma, e pelos serviços que prestam, as farmácias permitem gerar todos os anos poupanças significativas ao Serviço Nacional de Saúde, evitando muitas deslocações desnecessárias aos hospitais e prevenindo o aparecimento ou o desenvolvimento de patologias dos utentes que comportariam custos elevados para o Estado.

Estes factos atestam o papel crucial que as farmácias desempenham na promoção da saúde e na prevenção da doença dos portugueses.  Por essa razão, a Associação de Farmácias de Portugal (AFP) considera que este papel deve ser devidamente reconhecido pelo Estado. Ao mesmo tempo, defendemos uma maior interligação entre os diversos players do setor da saúde.

Tudo para assegurar as necessidades e o bem-estar dos cidadãos.

Dra. Manuela Pacheco, Presidente da Associação de Farmácias de Portugal (AFP)