Get to Know the Alumni – Catarina Martins

Olá a todos,

Sou a Catarina Martins, tenho 26 anos e venho da bela Ilha da Madeira. 

Ingressei no Mestrado Integrado em Ciências Farmacêuticas (MICF) no ano 2014 e desde logo me interessei pelo projeto da LisbonPH. 

Tive a oportunidade de integrar a LisbonPH em 2016, no Departamento de Inovação e Científico, onde fui muito bem acolhida por todos. A partir daqui o meu percurso encheu-se de oportunidades. Em 2017 decidi participar enquanto voluntária num dos maiores eventos do Movimento Júnior na Europa, a JADE Spring Conference. Esta foi uma das melhores experiências que este movimento me proporcionou e foi onde descobri a imensidão do mesmo e daquilo a que nos propusemos. Todos os momentos foram fulcrais para o meu crescimento pessoal e profissional. Entretanto, ainda em 2017, tornei-me Diretora do Departamento de Inovação e Científico, posição essa que se revelou ser um grande desafio e na qual adquiri inúmeros conhecimentos de gestão de tempo e de pessoas.

E é com este percurso, após terminar o MICF, que entro no mercado de trabalho na área de Assuntos Regulamentares, enquanto estagiária. Atualmente, e desde 2021, encontro-me a desempenhar funções na área regulamentar dos ensaios clínicos.

Concluo, enfatizando que todas as vivências e ferramentas adquiridas na LisbonPH foram uma mais valia para a minha entrada no mercado de trabalho e influenciaram positivamente o meu percurso profissional. 

Performance nas empresas: O que aprendemos com o Desporto

A performance, independentemente do contexto, tem sido sempre vista como uma imposição da própria sociedade. Se o colaborador quer progredir na carreira tem de manifestar uma disponibilidade que é, frequentemente, incompatível com o equilíbrio da vida pessoal e profissional, e até com a saúde, tal é a exigência do mundo corporativo atual. 

Este quadro descrito tem de facto muitas analogias com o mundo do desporto de alto rendimento. De resto, a palavra performance sempre esteve intrinsecamente ligada ao mundo do desporto. Fala-se de alta performance quando nos referimos a atletas que conseguem atingir resultados desportivos de excelência, por um lado, ou quando nos referimos ao seu “estado de treino”. Se as suas capacidades diminuem, dizemos que a performance baixou, se está num “pico” da sua capacidade, dizemos que está com uma alta performance. Isto é válido tanto para atletas considerados individualmente como para equipas. A palavra performance é muitas vezes um sinónimo de “forma”. O atleta está ou não em forma. Está ou não “performante”. 

O que hoje se sabe é que, no desporto ou em qualquer outro contexto, a performance é o resultado de inúmeros fatores que acabam por se manifestar, de forma positiva ou negativa. Por exemplo, quando um atleta acumula treinos e competições, sem um descanso adequado, a performance baixa, a saúde pode ser afetada e sente-se, de uma forma geral, mal. 

Nos atletas, estão descritos dois tipos de estados: overreaching (sem tradução adequada para português) e overtraining (ou sobretreino). O overreaching pode ainda dividir-se entre funcional e não funcional. 

O overreaching não funcional refere-se a um estado de fadiga, isto é, diminuição da capacidade de manter uma determinada intensidade de esforço, e é uma fase decisiva do treino. Um atleta, quando submetido a uma carga externa, diminui as suas capacidades para, mais tarde, aumentar a sua performance. Este estado designa-se como sobrecompensação. O aumento da massa muscular é um bom exemplo disso: treina, agride os músculos, estes passam por uma fase de degradação proteica e até inflamação e, de seguida, iniciam o processo de regeneração/recuperação, que sendo repetido no tempo, vai resultar num aumento do volume muscular. Isto significa que o no pain, no gain (sem dor não há ganho), ainda que com algumas exceções, é uma realidade do dia a dia dos atletas. No entanto, quando as cargas não são corretamente administradas e/ou o descanso não é adequado, o atleta diminui a performance e o seu rendimento desportivo. 

Se o indivíduo insistir no mesmo modelo de treino e/ou descurar a recuperação entra num estado de sobretreino (overtraining), uma síndrome mais severa e com implicações graves e difíceis de resolver. 

Isto significa que as organizações têm de incluir nas suas preocupações a forma como tratam, respeitam e incentivam as pessoas. Mesmo numa perspetiva mais “economicista”, está bem demonstrado que os gastos associados à saúde e bem-estar dos colaboradores são um investimento e não um custo.

Uma avaliação de inúmeros relatórios sobre a saúde mental nas empresas revela que há uma certa unanimidade em considerar que este assunto merece algumas ações necessárias:

1. Tornar a saúde mental um tema presente e sem tabus na organização;

2. Monitorizar o estado de equilíbrio entre a vida pessoal e profissional, seja através de inquéritos ou de entrevistas individuais com pessoas especializadas;

3. Incentivar a gestão dos colaboradores, tendo por base aquelas que são as suas características mais positivas, mas, acima de tudo, aquelas que são as suas debilidades emocionais;

4. Tentar conhecer o ambiente extraprofissional, de forma não intrusiva, mas através de uma abordagem de apoio e complementaridade; 

5. Monitorizar o bem-estar e a saúde dos colaboradores com regularidade;

6. Demonstrar responsabilidade pelas pessoas, pela sua saúde e pelo seu bem-estar.

O que é o ESG?

A Sustentabilidade é muitas vezes associada à componente Ambiental, mas sendo esta importante, existem outros fatores que são igualmente muito relevantes e que podem ser divididos em três grandes áreas: E, S, e G.

O ESG (do inglês: Environmental, Social and Governance) corresponde a fatores de natureza Ambiental, Social e de Gestão das empresas. A título de exemplo, os fatores ambientais incluem preocupações relacionadas com a pegada ambiental de uma empresa. Os fatores sociais englobam educação, acesso à saúde e desenvolvimento físico, entre outros. Já os fatores de gestão das empresas referem-se, por exemplo, ao sistema de políticas e práticas através das quais uma empresa é dirigida e controlada, com vista ao cumprimento de objetivos de longo prazo.

O ESG tem ganhado uma cada vez maior relevância no mundo empresarial e os consumidores, que estão cada vez mais informados, exigem (e penalizam) as organizações que não demonstram preocupações ambientais, mas também sociais e de gestão das empresas. Tal como demonstrado por uma análise efetuada por George Serafeim da universidade de Harvard, a aposta nestas áreas está correlacionada com maiores retornos financeiros

As indústrias devem olhar para cada um dos elementos ESG de formas diferentes, pois o impacto que cada indústria pode ter nas diferentes áreas não é igual. Assim, e a título de exemplo, nas empresas da indústria do petróleo, o fator “E” tem grande relevância (elemento relacionado com o ambiente). 

Na indústria farmacêutica, o “S” (Social) tem um peso muito maior, sobretudo no que toca ao acesso que os doentes têm aos medicamentos. Em 2021, a prestigiada organização Access to Medicines Foundation voltou a publicar um ranking das empresas farmacêuticas que se têm destacado no que toca ao acesso dos seus produtos ao mercado. Neste ranking são contemplados três fatores: gestão do acesso, investigação & desenvolvimento e entrega dos produtos. Tendo em conta estes elementos, as empresas GSK, Novartis e Johnson & Johnson surgem nos três primeiros lugares, respetivamente. 

São vários os exemplos que se podem dar da boa aplicação de ESG, nomeadamente a aposta que algumas destas empresas farmacêuticas fazem em desenvolver medicamentos para doenças que são prevalentes em países em desenvolvimento, tal como são os casos da malária ou da lepra. Outro exemplo está relacionado com as fases iniciais de desenvolvimento dos medicamentos e a forma como as empresas começam a pensar em estratégias que permitam que os seus produtos possam chegar aos países em desenvolvimento. Muitos destes países têm limitações nas suas infraestruturas, sendo que um medicamento que exija uma cadeia de distribuição refrigerada, vai ter mais dificuldades em ser fornecido nesses países. 

Os fatores ESG estão a ganhar um peso enorme no mundo empresarial e é importante que todas as empresas comecem a pensar nestes elementos de forma estratégica e como um investimento que, para além de conferir retornos financeiros, permite posicionar essas empresas de forma mais competitiva, preparando-as para o futuro. 

A aposta estratégica nos fatores ESG permite uma maior sustentabilidade e performance. As empresas portuguesas devem apostar de forma estratégica nos fatores ESG, pois só assim vão conseguir garantir a sustentabilidade das suas organizações.

Daniel Guedelha e André Correia – Fundadores do Podcast CRUZAMENTO 

NOTA: Este documento não pode ser replicado sem a autorização prévia de Daniel Guedelha

Férias de verão para o desenvolvimento cognitivo e emocional

Ao longo destes anos em que me tenho dedicado aos mais jovens, sempre que eles retornavam das férias sentia que tinham crescido imenso. Por isso, decidi debruçar-me sobre o motivo pelo qual isto acontecia.

           Durante o tempo escolar, as crianças e jovens lidam com diferentes emoções e regras, adaptam-se a diferentes perfis e lidam com a pressão das metas. Agregadas a esta experiência, há atividades extracurriculares e ocorrem situações pessoais que também influenciam o equilíbrio emocional e físico necessário para a experiência escolar. Também os cuidadores (por exemplo, os pais) estão menos disponíveis para educar, brincar, relacionar-se e entregar-se de forma plena. E esta forma de estar “incompleta” tem um impacto negativo nos mais novos.

           Na reta final do ano letivo, observa-se exaustão mental, em que a motivação e o empenho decrescem e, por vezes, os resultados escolares. São notórias alterações do humor e comportamentais, estando mais irritados, tristes, desleixados e agressivos, menos assertivos e concentrados, poderão ter mais tendência para se isolarem, para fazerem birras, alterações alimentares, redução da qualidade do sono, problemas digestivos ou alterações no seu autoconceito.

           Chegadas as férias, o verão caracteriza-se pelo fim do stress escolar, pelo acesso a atividades diferentes e mais contacto com o ar livre. É também uma altura em que as rotinas se alteram e as crianças vão sentindo algum alívio na engrenagem montada desde setembro do ano anterior. O barulho de fundo no cérebro desaparece e dá lugar a um novo espaço para restabelecer energia, absorver experiências e, consequentemente, potenciar competências pessoais e sociais.

           O papel dos adultos, durante o tempo letivo e de lazer, é fundamental para que a assimilação das aprendizagens e experiências seja efetivada. O afeto, o respeito, a atenção plena, a forma como ajudam na gestão das emoções, o apoio na procura de estratégias e soluções e a contenção em momentos de crises são o que possibilita um crescimento harmonioso e, naturalmente, o desenvolvimento das competências necessárias para o bem-estar dos jovens. Por isso, é preciso garantir por um lado que os adultos estão atentos aos mais jovens e que eles mesmos estejam bem, estando disponíveis para se relacionarem.

           Este desenvolvimento dá-se, essencialmente, devido às alterações biológicas que ocorrem pela mudança dos estímulos exteriores. Isto é, os fatores de stress desaparecem e fazem descer a produção de cortisol, hormona do stress. Esta hormona, produzida em excesso na intensidade e no tempo, é responsável por causar desequilíbrios no corpo, tais como na produção da somatropina (hormona do crescimento, responsável pela estimulação dos tecidos em todo o corpo) e também na capacidade de produzir conexões neurais que, especialmente nesta fase do desenvolvimento, se encontram bastante ativas. Afeta ainda o sistema imunológico e potencia perturbações do foro mental.

           Segundo Sunderland, em “The Science behind how holidays make your child happier and smarter” (2017) e como resumido por Gomes, em 2018, “Porque é que as crianças crescem tanto nas Férias Grandes”, o cérebro tem benefícios, uma vez que esta época, pela sua qualidade, “ativa neurotransmissores responsáveis pela sensação de bem-estar, incluindo oxitocina e dopamina”. Sunderland menciona que a vinculação é reforçada nesta altura, porque a dedicação parental e familiar transmite uma mensagem de estima para com os filhos.

           As experiências das férias potenciam o desenvolvimento de competências como a exploração, resolução de problemas, planeamento, concentração e a empatia, visto que contemplam interações sociais, físicas e cognitivas. Desta forma, podemos dizer que as férias letivas são uma forma terapêutica não farmacológica de lidar com as necessidades essenciais para haver um novo ano letivo repleto de bem-estar e saúde mental, e concludentemente, mais capacidade para viver a experiência escolar com sucesso.

Get to Know the Alumni – Catarina Martins

Olá a todos!

O meu nome é Catarina Martins, tenho 23 anos e sou natural de Santarém. Desde sempre que tive um gosto especial pela área da saúde. A capacidade de ajudar o próximo com o nosso conhecimento, aliada ao contacto próximo com quem me rodeia, foram, sem dúvida, os combustíveis que alimentaram a minha candidatura ao curso de Ciências Farmacêuticas.

Foram 5 anos marcantes, com muitos desafios pelo meio, mas acima de tudo, muito

preenchidos por diferentes projetos e diferentes pessoas. Em 2018, a meio do meu percurso académico, percebi que o MICF dar-me-ia várias experiências (nomeadamente, as laboratoriais), mas que para integrar o mercado de trabalho, precisaria de algo mais. Algo que me diferenciasse, que me desse as ferramentas de comunicação, de trabalho e postura, exigidas pelo tecido empresarial que, já na altura, era um dos meus grandes objetivos. E foi com esse espírito, que integrei a LisbonPH enquanto membro do Departamento de Recursos Humanos, onde permaneci durante dois anos. Um departamento cujas funções em nada se assemelham ao que nos é ensinado na academia, e que, por isso, em muito me fez crescer. Consigo facilmente destacar o que de melhor este departamento me deu: a capacidade de liderar uma equipa multidisciplinar, de ser imparcial e assertiva, de olhar para o outro e de sentir as suas dores, de dizer as palavras certas no momento certo. Fazer parte deste departamento ajudou-me a sair da zona de conforto e a trabalhar em prol de algo muito maior que eu, todos os dias.

Atualmente, trabalho na Beiersdorf, enquanto Medical Training Intern numa área que por si só é apaixonante – a cosmética. Todos os dias tenho a oportunidade de cruzar o conhecimento científico com a beleza do aconselhamento personalizado a cada utente, cada consumidor, cada cliente. Construo diariamente material científico sobre cada produto cosmético e dou formação aos Profissionais de Saúde. Percorro o processo de lançamento de um novo cosmético, quer seja a nível legal, comercial e de marketing. Tem sido uma experiência extremamente enriquecedora e apaixonante.

Tenho a sorte de dizer que uso diariamente aquilo que tão bem a LisbonPH me ensinou: a resiliência, gestão de tempo e de tarefas, capacidade de lidar com o inesperado e com a derrota, o espírito empreendedor insaciável. Todos os dias erro, aprendo e torno-me numa profissional melhor.

O maior conselho que vos posso dar é que arrisquem, trabalhem muito, acreditem SEMPRE em vocês e nas vossas capacidades. Confiem que o melhor está por vir e ele chegará.

Votos de uma boa época de exames,

Catarina Martins.

Nutrição na Menopausa

Quem nunca ouviu a mãe, tia ou avó a desesperar com os chamados “calores”? Este é um dos sintomas que facilmente associamos a uma fase marcante na vida da mulher: a menopausa.

Segundo a OMS, a menopausa é definida como amenorreia durante doze meses consecutivos, sem qualquer causa psicológica ou patológica evidente. Nesta fase, há a redução dos níveis de estrogénio, que resulta, geralmente, em sintomas vasomotores como ondas de calor e suores noturnos, fadiga, perda de massa óssea e sintomas psicológicos como irritabilidade e dificuldade em dormir. Pode ocorrer também aumento de peso, alterações na distribuição da gordura corporal, redução da tolerância à glicose e alteração do perfil lipídico.

O efeito cumulativo destas alterações explica o aumento do risco de desenvolvimento de doenças cardiovasculares, osteoporose, diabetes e cancro (mama, endométrio, cólon e útero) em mulheres na menopausa. Deste modo, uma alimentação equilibrada e a prática de atividade física são recomendadas para minimizar os efeitos durante este período. Um dos alimentos mais associados ao alívio dos sintomas da menopausa é a soja e os produtos derivados da mesma, devido ao seu conteúdo em isoflavonas que também podem ser obtidas a partir das ervilhas, lentilhas, grão de bico, nozes, sementes de girassol, linhaça e hortícolas.

Devido ao aumento do risco de desenvolvimento de doenças cardiovasculares, a Dieta Mediterrânica poderá ser uma estratégia a adotar devido ao efeito protetor conferido pela riqueza em compostos anti-inflamatórios e antioxidantes. Este padrão alimentar tem como principais características o elevado consumo de fruta e hortícolas, frutos secos e cereais integrais, e o azeite como principal fonte de gordura. Outro fator protetor assenta na ingestão adequada de alimentos fornecedores de ácidos gordos ómega-3, devido ao seu efeito na redução dos níveis séricos de colesterol LDL e aumento do colesterol HDL. Os seus principais fornecedores são a sardinha, salmão, atum, cavala, e ao nível dos alimentos de origem vegetal, as nozes, as sementes de linhaça e chia. Além disso, estão presentes no mercado alimentos já enriquecidos neste nutriente como ovos, leite e bebidas vegetais.

Pela fragilidade óssea associada a esta fase, é essencial garantir um consumo adequado de cálcio e vitamina D. Relativamente ao cálcio, como alimentos fornecedores temos os produtos lácteos, hortícolas de folha verde escura (brócolos, espinafres, couve-portuguesa), leguminosas e produtos à base de soja enriquecidos com cálcio. Por sua vez, a vitamina D está presente nos peixes gordos (salmão, cavala e atum) e nos óleos de peixe, bem como em alimentos fortificados (leite, bebidas e cremes vegetais, cereais de pequeno-almoço e pão). As alterações do padrão de sono não podem ser ignoradas. Além de todas as estratégias nutricionais que, pelo alívio dos sintomas podem melhorar a qualidade do sono, incluir alimentos ricos em triptofano (um precursor da melatonina e serotonina) será certamente uma mais-valia. Este aminoácido está presente no queijo, ovo, amendoim, caju, amêndoa, frango, pescada e ervilha.

Como se pode perceber, os desafios presentes na menopausa vão além dos “simples” calores e noites mal dormidas. É uma fase que merece uma análise atenta sobre o estilo de vida de cada mulher, com estratégias personalizadas para que possam desfrutar do seu dia a dia com qualidade de vida.

Get to Know the Alumni – Margarida Bartilotti

Olá a todos! 

Sou a Margarida Bartilotti, tenho 23 anos e hoje posso dizer com muito orgulho que faço parte do Alumni Board da LisbonPH.

E como todas as histórias têm um início, a minha foi em 2016 quando ingressei no curso de Ciências Farmacêuticas na FFUL, motivada pelo meu interesse crescente na área da saúde e por ser um curso que me dava a oportunidade de continuar a estudar uma das minhas outras grandes paixões: a área da Química.  

No meu terceiro ano de faculdade, comecei a sentir que me faltava algo. Já não me preenchia simplesmente fazer o curso e passar às cadeiras, precisava de algo que me acrescentasse. Foi então que resolvi aventurar-me e fui ao Open Day da tão falada LisbonPH. Saí de lá totalmente desmotivada, toda a gente parecia saber mais do que eu, toda a gente parecia estar melhor preparada do que eu, mas ainda assim resolvi arriscar e enviei o meu currículo. Afinal de contas, o que tinha eu a perder? A resposta chegou-me uns dias depois, quando recebi um telefonema com a feliz notícia de que tinha entrado no meu querido e tão adorado Departamento de Multimédia. 

Se tivesse de resumir numa palavra o meu primeiro ano enquanto membro da LisbonPH, seria, sem dúvida, desafio. Sempre aliada ao mote “learning by doing”, foi um ano marcado pela aprendizagem contínua e pela auto-superação. Um ano depois, achei que estava na altura de me pôr novamente à prova, e candidatei-me a diretora do departamento. Neste novo papel, tive a oportunidade de liderar uma equipa multidisciplinar, aproximar-me do mercado farmacêutico e contribuir nas decisões estratégicas da LisbonPH, enquanto parte integrante do Conselho de Administração. 

Hoje desempenho funções enquanto Marketing Trainee na área de Oncologia da Bayer, no lançamento de um novo medicamento direcionado para o Cancro da Próstata. Todos os dias trabalho, conciliando o meu gosto pelas ciências com o desafio de delinear estratégias de marketing impactantes para o nosso público-alvo, e cada dia é uma nova aprendizagem.  

Para terminar esta história inacabada, não poderia deixar de sublinhar o quanto a LisbonPH marcou o meu percurso. E ainda há uns tempos, durante o processo de recrutamento para o mercado de trabalho, foi-me dito que era visível o carinho que sinto por esta Júnior Empresa, e notório o impacto que ela teve em mim. 

Como última reflexão, não se esqueçam: ainda que por vezes passemos horas a trabalhar e nos questionemos do porquê e se valerá a pena, a resposta está no retorno pessoal que recebemos, mas não reparamos de imediato. Está no conhecimento que ganhamos e não nos apercebemos logo, e está, essencialmente, nas pessoas com quem nos cruzamos nesta jornada. 

Obrigada, 

Margarida Bartilotti

Farmacovigilância

Atualmente, a farmacovigilância constitui uma das áreas mais em voga, no que conta à gestão de risco em saúde e mais especificamente de medicamentos. Pode mesmo dizer-se que existe uma farmacovigilância anterior e outra posterior relativamente à aprovação da primeira vacina anti-COVID-19. Os sistemas nacionais e internacionais têm experienciado uma enorme pressão, derivada, acima de tudo, da hipervigilância de suspeitas de reação adversa às vacinas. No entanto, este facto conduziu a um inevitável processo de melhoria e inovação. Diria mesmo, de reinvenção!

Muito tem sido discutido no que respeita à dimensão do conhecimento em que esta área se insere. Será apenas técnica, ou constitui cada vez mais uma disciplina e motor de produção de conhecimento científico com fortes pilares no mundo real? É, sem dúvida, um dos mais afinados sistemas de informação e de produção de evidência farmacoepidemiológica, não só durante os ensaios clínicos, mas sobretudo a partir do momento em que os medicamentos começam a ser comercializados, gerando continuamente enormes quantidades de dados. Nos centros de investigação dedicados a esta temática, nomeadamente o European Network of Centres for Pharmacoepidemiology and Pharmacovigilance (ENCePP) e o Uppsala Monitoring Centre (UMC), diversos são os projetos de investigação e desenvolvimento em curso.

Através da informação recebida pela farmacovigilância, o processamento, a validação e a imputação de causalidade de cada suspeita de reação adversa permitem abrir as portas à adoção de medidas de minimização de risco que compreendem não só a defesa da saúde individual, mas também, e não poucas vezes, a defesa da saúde coletiva.

A farmacovigilância é, hoje em dia, um instrumento ao dispor de todos os cidadãos, sejam ou não Profissionais de Saúde. Todos, sem exceção, têm não só o direito, mas também o dever de notificar suspeitas de reação adversa a medicamentos a partir dos canais disponíveis, cuja via mais acessível, em Portugal, é o Portal RAM (https://bit.ly/3qOGx7U). Esta plataforma é da responsabilidade do Sistema Nacional de Farmacovigilância (SNF) (INFARMED, I.P.) o qual é constituído pela Direção de Gestão do Risco de Medicamentos (DGRM) e por um conjunto de dez unidades regionais de farmacovigilância com representatividade em todo o território nacional e estreita ligação com os serviços de saúde e academia.

A segurança associada à utilização de medicamentos constitui um tema central e fulcral. Cada vez mais, a farmacovigilância necessitará de se aproximar de novos intervenientes, procurando complementar a rotina já fortemente dinamizada, com a pro-atividade da comunidade e com a formação pré/pós-graduada e contínua dos estudantes e profissionais da área da Saúde. As campanhas de divulgação e sensibilização terão necessariamente que atingir públicos-alvo que possam ser o combustível para uma notificação espontânea mais participada e para um envolvimento integrado dos utentes. Levar o conhecimento e a atividade científica, devidamente traduzidos e transmitidos à comunidade, poderá constituir um caminho de inestimável valor para o processo de transformação, participação e inovação nesta área do conhecimento. Os desafios aos sistemas de farmacovigilância serão cada vez mais exigentes. Adaptação, cooperação e crescimento serão inevitavelmente o caminho. A comunicação, o rigor e a excelência são fundamentais.

Get to Know the Alumni – Margarida Neves

Olá a todos,

Sou a Margarida, alumna da LisbonPH. 

Quando ingressei no curso de Ciências Farmacêuticas em 2016, fascinada pela área da saúde e com o objetivo de dar o meu contributo à mesma, não sonhava com o mundo de oportunidades e desafios que aqueles 5 anos me iriam trazer.

Escolhi a LisbonPH para desenvolver soft-skills, trabalhar em projetos reais, com clientes reais e aproximar-me do mercado de trabalho. Acabou por se traduzir em muito mais. Ao pertencer ao Departamento de Projetos, foram várias as pessoas inspiradoras com as quais pude trabalhar e aprender, e vários os projetos que tive a oportunidade de liderar. 

No Movimento Júnior, aprendemos a passar do ensino teórico à prática. A trabalhar em equipa, em prol de objetivos comuns. Foi neste ecossistema que tive o privilégio de trabalhar com equipas multidisciplinares e multiculturais. Primeiro, como Manager de Logística do evento Junior Enterprises World Conference 2020, onde trabalhei para idealizar e concretizar o evento mundial de empreendedorismo jovem. Depois, na Junior Enterprises Europe como Enlargement Manager, onde tive a minha oportunidade de levar o conceito de júnior empresário a estudantes de vários países.

Tudo isto ensinou-me sobre a força que os jovens podem ter para tornar ideias em realidade e contribuir de diferentes formas para o desenvolvimento dentro da sua área. Ensinou-me, ainda, sobre a forma como a ambição dos estudantes pode levar à dinamização de projetos impactantes nas universidades, no mundo empresarial e na sociedade em geral. 

As oportunidades, desafios e principalmente, os amigos que a LisbonPH e o Movimento Júnior me trouxeram, moldaram a minha experiência na faculdade, as minhas ambições e certamente, o meu futuro profissional. 

Hoje, como Trainee no Departamento Médico da Pfizer, na área de Inflamação e Imunologia, estou a obter experiência profissional numa área que concilia o meu gosto pelo conhecimento científico com os valores de empreendedorismo e dinamismo que tanto me cativaram ao longo deste percurso. Ambiciono continuar a aprender, crescer e por fim, dar o meu contributo ao setor farmacêutico.

Como vencer a ansiedade de falar em público

Era o momento mais esperado do ano, poderíamos dizer da vida. Ana conseguiu ser selecionada para o concorrido programa “Lago dos Tubarões” (Shark Tank Portugal) e vai estar a um passo de obter um grande investimento para a sua startup. Porém, o seu corpo começa a mandar recados como taquicardia, sudorese, a sua pupila está a dilatar, a sua mão está gelada e a sua boca seca. Ana está paralisada e, nesta altura, já não se consegue lembrar do que deveria falar.

Por infelicidade, Ana, a nossa empreendedora fictícia sofre de ansiedade de falar em público, ou glossofobia, que, de acordo com pesquisas do National Social Anxiety Center, instituição norte-americana, 73% da população mundial padece deste transtorno. A ansiedade de falar em público é considerada um transtorno de ansiedade social e o medo subjacente é o congelamento do cérebro na hora da exposição ou a avaliação negativa das pessoas. Desta forma, a ansiedade e medo trabalham de mãos dadas, como forma de retroalimentação. Quando uma pessoa está ansiosa, o medo é o estado psicológico subjacente que alimenta a ansiedade.

Como enfrentar a situação

O nosso cérebro está atento aos perigos que podemos enfrentar, contudo, ele não consegue diferenciar se estamos a nadar com tubarões nas Ilhas Maldivas ou a falar com os investidores-tubarões num pitch para uma apresentação de negócios.

Falar em público não é uma ameaça à vida, e o organismo não precisa de reagir imediatamente para nos proteger. O primeiro passo é conseguir mudar a forma de enfrentar o momento, tornando-o mais positivo. Lembre-se que, se precisar de parar para refletir por alguns instantes, isso não afetará a sua apresentação.

Se estiver com medo, faça o que tiver que fazer, mesmo com medo. Esta frase segue o raciocínio do psicólogo espanhol Guillermo Fouce, que diz: “Se tenho pânico de falar em público e não o faço, isso gera ainda mais ansiedade e tensão, reforçando ainda mais o medo”.

Para uma boa apresentação é preciso organizar as mensagens e treinar. Uma dica importante é: preparar tudo com antecedência e treinar diariamente, no máximo 20 minutos, a entoação, a postura, os gestos. A linguagem corporal muitas vezes diz mais do que muitas palavras.

Respire pausadamente, mas respire! Pode parecer um clichê, mas com ansiedade em elevados níveis, muitas pessoas deixam de respirar e isso aumenta ainda mais o desespero em que se encontram.

Uma forma de vencer a glossofobia é passar por um programa de coaching. Nesse processo, a pessoa receberá apoio e orientações fundamentais para o seu autoconhecimento e desenvolvimento. Com isso, a sua autoestima e confiança serão potencializadas, tornando-a(o) apta(o) a liderar uma equipa, falar em público e também negociar com investidores-tubarões.

Por fim e, por experiência própria, deixo uma dica muito valiosa, que utilizo nas minhas palestras e cursos e que me ajuda imenso a falar em público: foque-se num ponto específico, pode ser no fundo da sala ou numa pessoa conhecida da plateia e canalize a ansiedade e os medos para esse ponto. Aos poucos, perceberá que a descontração chegou e que o público se está a envolver cada vez mais com a sua apresentação.

Dra. Fátima Sendim – CEO de Fátima Sendim Executive Coaching