De acordo com o UNAIDS, foram reconhecidos no ano de 2020 aproximadamente 37,6 milhões de pessoas em todo o mundo com HIV. 1,5 milhões de pessoas em todo o mundo adquiriram HIV em 2020, marcando um declínio de 30% nas novas infeções desde 2010. Mais dados poderiam ser explanados para mostrar a importância de trazer aos assuntos do dia tudo aquilo que surge nos subterrâneos sociais e que constroem noções frágeis e falaciosas na estruturação do nosso pensamento de ciência e em relação ao outro. 

Não só nas áreas socioeconómicas, mas também no centro das áreas científicas existe uma grande desinformação. Terapêuticas disponíveis, viver ou sobreviver com o HIV, a instalação da doença e o contacto com o infetado são muitos dos conteúdos que serão abordados por especialistas e que ganharão corpo e forma durante o mês de dezembro.

É com este compromisso que surge a Campanha de Sensibilização para o HIV – “Take the information not the risk”, dinamizada pela Junior Empresa LisbonPH, na qual agimos segundo a motivação pela literacia na saúde e desmistificação dos não conceitos enraizados ao longo dos anos. Para além disso, esta campanha contempla um sistema de doações insurgindo a vertente de responsabilidade social tão marcada na LisbonPH. Neste sentido, apelamos à transparência e cooperação de todos na recolha de fundos de apoio a instituições que partilham da nossa mensagem: Normalizar a realidade do outro.

A razão pela qual é tão difícil curar a infeção causada pelo HIV é que, uma vez que o vírus infeta o organismo de uma pessoa, ele integra-se no genoma hospedeiro de vários tipos de células. Essas células escondem-se em qualquer tecido linfóide, como os gânglios linfáticos, o fígado e o baço, ficando “latentes” ou “ocultos”, desde que a pessoa esteja em terapia anti-HIV.

Em fevereiro de 2021 a IAVI e a Scripps Research anunciaram o desenvolvimento de um ensaio clínico de fase 1 com resultados promissores, testando uma nova abordagem de vacina para prevenir o HIV, tendo produzido resultados promissores. A vacina teve sucesso na estimulação da produção de células imunes raras, necessárias para iniciar o processo de geração de anticorpos contra o vírus de mutação rápida. A resposta direcionada foi detetada em 97% dos participantes que receberam a vacina.

A quantidade de HIV no sangue (especificamente o número de cópias de RNA do vírus) chama-se carga viral. A carga viral representa a rapidez com que o HIV se reproduz. Quando as pessoas são infetadas, a carga viral aumenta rapidamente. Em seguida, cerca de três a seis meses depois, mesmo sem tratamento, a carga viral cai para um nível mais baixo, permanecendo constante. Durante um tratamento bem sucedido, a carga viral diminui muito, tornando-se quase indetetável. Porém, o HIV inativo (latente) ainda está presente nas células e, se o tratamento for interrompido, o HIV começa-se a replicar e a carga viral aumenta.

O tratamento para a infeção pelo HIV é denominado terapia antirretroviral (TARV). O TARV envolve tomar uma combinação de medicamentos para o HIV (chamados de regime de tratamento para o HIV) todos os dias. A Terapêutica Antirretroviral (ART) é recomendada para todos os que possuem a infeção. Pessoas infetadas com HIV devem começar terapia medicamentosa o mais rápido possível. A ART não pode curar, mas os medicamentos ajudam as pessoas a viver mais e com mais saúde. A TARV também reduz o risco de transmissão do HIV. O principal objetivo do tratamento do HIV é reduzir a carga viral de uma pessoa a um nível indetetável, o que significa que o nível de HIV no sangue é muito baixo para ser detetado por um teste de carga viral. Pessoas com HIV que mantêm uma carga viral indetetável efetivamente não têm risco de transmitir HIV a parceiros seronegativos.

 

No início da infeção, muitas pessoas não têm sintomas observáveis, mas dentro de uma a quatro semanas podem surgir febre, erupções cutâneas, dores de garganta, inchaço nos  gânglios, cansaço e uma série de sintomas menos comuns em algumas pessoas. Os sintomas de infeção inicial (primária) por HIV duram geralmente três a catorze dias. Depois dos primeiros sintomas desaparecerem, a maioria das pessoas, mesmo sem tratamento, não apresenta sintomas ou apresenta alguns leves apenas ocasionalmente. Este intervalo com poucos ou nenhuns sintomas pode durar de dois a quinze anos.

O HIV é um retrovírus, isto é, um tipo de vírus que como muitos outros, armazena as suas informações genéticas como RNA e não como DNA (a maioria dos outros seres vivos usa DNA). Quando o vírus entra numa célula humana, liberta o seu material genético e uma enzima chamada transcriptase reversa, fazendo uma cópia do DNA, a partir do seu RNA.

Transmissão através do contacto sexual, pelo contacto sanguíneo ou durante a gravidez.

Utilização de preservativo durante as relações sexuais e evitar a partilha de objetos cortantes ou perfurantes.

Falso. A contaminação no momento do parto é pouco comum, e a maioria dos casos de infeção por HIV derivam do contacto sexual.

A SIDA é a forma de manifestação da doença e HIV é o vírus que provoca a doença.

A infeção por HIV pode-se manifestar clinicamente como SIDA e causar diminuição da capacidade de resposta imunitária, tornando os indivíduos suscetíveis a infeções.

A infeção por HIV não tem cura, no entanto há medicamentos capazes de aumentar a qualidade de vida dos indivíduos infectados.

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