Ambiente e sustentabilidade: o fim do ciclo de vida dos medicamentos

Embora se estime que o setor do medicamento represente menos de 0,5% dos Resíduos Sólidos Urbanos produzidos em Portugal, a criação em 1999 de um sistema de recolha de resíduos de medicamentos fora de uso ou do prazo de validade foi de uma grande importância.

De facto, a sua especificidade aconselhou e exigiu a existência de um processo seguro, pelo que o projeto se justificou em termos de saúde pública e ambiental. Graças a essa recolha seletiva, a VALORMED passou também a contribuir para o uso racional do medicamento, impedindo que os produtos que foram prescritos para um determinado tratamento possam ser utilizados posteriormente sem o necessário controlo.

A VALORMED é uma sociedade por quotas cujo objeto social corresponde e remete expressamente para a legislação em vigor, designadamente em matéria de gestão de resíduos de embalagens.

Tem como sócios fundadores as principais instituições representativas dos operadores económicos que constituem a “cadeia do medicamento”, com um capital social e uma estrutura “tripartida” que retrata os seus três subsetores principais: indústria, distribuição e dispensa.

Os setores da produção, importação e embalamento são representados pela APIFARMA que detém um terço do capital social da VALORMED.

O subsetor da distribuição grossista garante a “interface” logística entre a produção e a dispensa. É representado pela GROQUIFAR e ADIFA, que detêm uma participação global de um terço na sociedade.

O subsetor do retalho assegura a dispensa de medicamentos ao público, sendo representado pela ANF e, tal como os demais subsetores, detém um terço do capital social.

Após aquisição e utilização de um determinado medicamento, os cidadãos devem devolver a embalagem adquirida e todos os materiais que originalmente dela fizeram parte, mesmo contendo restos de medicamentos. Falamos, assim, das cartonagens, folhetos, blisters, colheres, tampas, copos, ampolas, frascos, aplicadores, etc., estando vedada (ainda que nem sempre seja respeitada) a deposição de materiais como agulhas ou seringas com agulhas incorporadas, material cirúrgico, material elétrico ou eletrónico, termómetros, radiografias, etc., pela perigosidade que alguns deles representam para os que participam no processo de manuseamento dos contentores e triagem dos resíduos recolhidos.

A adesão crescente dos cidadãos ao sistema, separando e entregando ano após ano quantidades cada vez maiores de resíduos, mostra a mais-valia ambiental e social da VALORMED, que contribui de forma ativa para a redução da quantidade de medicamentos guardados em casa nas “farmácias domésticas”. Consequentemente, o contributo traduz-se na diminuição do risco de acidentes e intoxicações por ingestão de medicamentos, automedicação indevida e melhoria da saúde pública.

O compromisso da VALORMED será sempre colaborar na educação dos atores sociais, dotando-os dos conceitos necessários para encontrarem soluções e enfrentarem o grande desafio da preservação do ambiente e do desenvolvimento sustentável.

Dr. Luís Miguel Figueiredo – Diretor Geral da VALORMED