A comunicação de crise em Saúde Pública: o papel dos meios de comunicação

A pandemia veio trazer à arena das sociedades o dilema sobre o qual os investigadores da comunicação em saúde (CS) se debruçam diariamente: sejam em planos de intervenção para reduzir risco em situação epidémica ou pandémica ou, numa esfera mais caseira, na política de promoção da saúde e prevenção da doença (PSPD).

O século XX deu-nos grandes teorias de CS  que atravessaram de forma corajosa e avassaladora os mundos encriptados das ciências da saúde. A medicina, a psicologia e a enfermagem passaram a ser uma realidade interdisciplinar da CS: a maior e melhor ferramenta da Saúde Pública (SP). Pensarmos que todos têm competências para tal, é o erro n.º 1. O erro n.º 2, e o maior deles, é tomar esta área científica como um arremesso de instrumentalização política ou autopromoção. O que se aprendeu no terreno com a doença por vírus Ébola, nos PALOP (destaco toda a Guiné Bissau) foi  literalmente esquecido com a SARS-CoV-2. É obrigatório conhecer as idiossincrasias vulneráveis regionais deste país, sem acesso à Internet, satélite, televisão por cabo, SMS, jornais ou o que queiram. Os maiores responsáveis pela má comunicação são os agentes políticos que comunicam para se ouvirem. CS é um conceito que visa a PSPD com recurso a um conjunto de ferramentas, como a gestão da comunicação.

É necessário investigar para comunicar: a Organização Mundial de Saúde (OMS) recomenda a investigação. Quando é evidente o uso de melhores práticas, com base em princípios aceites, a OMS faz uma “declaração de melhor prática”. A força da recomendação – firme ou condicional – é determinada por considerações sobre danos, benefícios, viabilidade, valores, preferências, recursos e equidade envolvidas.

Numa crise em SP, é determinante que se articulem os três pilares descritos no diagrama abaixo na gestão da crise e que se restabeleça a confiança entre as pessoas (stakeholders). Estes pilares ditam recomendações/declarações sobre intervenções que a evidência indica serem as melhores. 

O Pilar A é a recomendação forte! Construir a confiança e engajar as populações afetadas. A transparência deve ser em tempo real e de fácil compreensão. Acabar com incertezas: riscos, situações e intervenções perante casos de morte que se registam numa crise.  Em Portugal, falaram todos e tantos e disseram tudo, menos a verdade. É urgente comunicar com as populações afetadas, criar um link e estabelecer a autoeficácia, com recurso à capacitação de mensagens, sem ruído de publicidade, com divulgação em todas as plataformas, métodos e canais, que atinjam populações-alvo mais vulneráveis. Os meios de comunicação social (MCS) falharam: deveriam ajudar a CONSTRUIR APENAS CONFIANÇA. Fomentaram a iliteracia e o medo. Procuraram players para dar “respostas às suas perguntas”, sem evidência científica. Comunicar o conhecido e o desconhecido no momento certo, ao fim de cada dia. Usar as Rádios para os maiores. E os meios digitais para os jovens: os maiores embaixadores que foram desrespeitados na sua plenitude e excelência. Eles são o futuro e carregam a evolução.

pilar B  integra a comunicação de risco em situação de emergência em SP nos sistemas de resposta. O ruído nas mensagens (repetição)  “maisdomesmo.pt”, quando as pessoas apenas devem recolher-se e manter os cuidados de higiene recomendados. Governança e liderança exigem-se mas atropelaram-se e os meios veicularam essa descomunicação.

pilar C deve encaminhar-nos para um manual de emergência, simples para as populações-alvo, com planeamento estratégico implicando: avaliação de necessidades, definição de objetivos, implementação de intervenções específicas e  respetiva monitorização/avaliação, mobilização e sensibilização da PA e influenciar comportamentos antes, durante e depois da emergência de SP. Os MCS, perante um fracasso nas mensagens, devem reposicionar-se para crises futuras , sem aviso prévio. Porque essa é a única certeza da crise: a  imprevisibilidade. 


Isabel Santiago
Professora Convidada e Investigadora em Comunicação em Saúde
Instituto de Medicina Preventiva e Saúde Pública
Faculdade de Medicina da UL

Get to Know the Alumni- Catarina Mourão

É extraordinário olhar para uma oportunidade e pensar “esta vai ser A experiência”. Devo partilhar, de antemão, que não era o que sentia em relação à LisbonPH. Eu não fazia ideia do que me esperava.

Intrigada pelo grupo de jovens que andava pelos corredores da Faculdade de blazer, foi no terceiro ano do Mestrado Integrado em Ciências Farmacêuticas que me candidatei à LisbonPH. Entrei no Departamento de Projetos, um dos departamentos que é privilegiado com uma visão alargada da Júnior Empresa, contemplando, ao mesmo tempo, uma componente operacional muito forte. A gestão de projetos de diversas tipologias e de equipas jovens com opiniões fortes em contrarrelógio rapidamente passou de uma novidade a uma prática comum.

Atingindo o ponto em que era cada vez mais sistemática a execução do trabalho como Project Manager e eram otimizados de dia para dia os métodos de trabalho, surgiu a situação com que todos os Júnior Empresários acabam por se confrontar – a vontade insaciável de querer fazer mais, melhor e acrescentar valor. Foi por isso que, no quarto ano do curso, me candidatei ao cargo de Secretária-Geral da LisbonPH. Este, com uma dimensão já muito mais estratégica, beneficia ainda de uma componente de sistematização e organização, inerente a qualquer Project Manager. Foi como um abrir de horizontes. A coordenação do Conselho de Administração, a gestão de stakeholders e as decisões estratégicas eram só uma parte do que significava assegurar o funcionamento da única Júnior Empresa portuguesa na área da Saúde. Foi aqui que, por terminar o curso, também terminei o meu percurso na LisbonPH.

De momento, ocupo o cargo de Public Affairs & Advocacy Trainee na Sanofi. Porque acredito que somos a transformação que queremos ver no mundo e tento, à minha maneira, fazê-lo também. Com esta oportunidade, tenho tido a possibilidade de explorar o que considero ser uma das vertentes mais humanas da Indústria Farmacêutica, tendo a possibilidade de ver, através de Associações de Doentes, o impacto que a terapêutica tem na vida do doente.

Para quem não tinha expectativas relativamente ao que seria esta experiência, quem diria que chegaria ao dia de hoje sem encontrar palavras que fizessem jus ao que é ser parte da LisbonPH? A questão é que fazer parte da LisbonPH é muito mais do que fazer parte de um grupo de estudantes. É testemunhar a capacitação e potenciação de talento jovem, é correr por uma rampa de lançamento para o futuro com a mentalidade de “eu posso não saber agora, mas perguntem-me novamente amanhã e eu já saberei”. Porque nós somos Júnior Empresários, nós aprendemos ao fazer.

COVID-19: the variants, the contagious phases and the vaccination

SARS-CoV-2, the virus that causes COVID-19, has had a major impact on human health globally. As of April of 2021, it has infected hundreds of millions, caused severe cases of disease and, in somes instances, inflicted long-term health sequelae, resulting in death and excess mortality, especially among older and vulnerable populations. Professor Philippe Colson, Associate Professor of Pharmaceutical Sciences and Microbiology and researcher in the IHU Méditerranée Infection, answered some of the most frequent questions.

What is a variant? With all these variants, can we talk about different epidemics?

Variants are viral strains in which major or minor mutations happened. The SARS-CoV-2 virus can take several different forms and, as of today, more than 15 variants of the initial strains have been described. What we observe is that immunity against one variant is not necessarily transposable to all the others.

The perfect example for this is Manaus city, in Brazil. In 2020, more than 75% of the population had been immunized against one form of the SARS-CoV-2, but, by the beginning of 2021, a new “Brazilian” variant appeared. The number of cases increased considerably again as if that 75% immunization had never existed.

Therefore, we could say that each new variant is responsible for an epidemic and that there is not one, but multiple COVID-19 epidemics worldwide.

How long after we have been infected with the virus do we become contagious?

The period between infection and symptoms, also known as the incubation period, is thought to be 2 to 14 days. However, people usually experience symptoms 4 to 5 days after exposure to the virus. It is thought that people may be contagious up to 48 hours before experiencing any symptoms.

Are asymptomatic patients less contagious?

There is still ongoing research on this key question and researchers still have not reached a consensus. Approximately 20% of the infected people will be asymptomatic, but what is their role in viral spreading? Well, there are 2 hypotheses (mechanical and biological) to consider:

  • Patients without symptoms will be less likely to spread their secretions through sneezing, coughing and, therefore, mechanically there is less chance of transmitting the virus;
  • Also, experiencing no symptoms could be a result of having a smaller viral load (as shown in Cevik et al. meta-analysis) and, thus, being less likely to infect other people.

Although they are less likely to transmit the virus, since they feel physically good, if they keep on going out and meeting with people instead of self-isolating, their “transmission-rate” will be as high as other symptomatic patients. Thus, the take-home message is that these people should not think that they are free of social distancing and wearing masks, just because they do not experience any symptoms.

Will children be able to get vaccinated? And pregnant women? Is that in our best interest in order to fight the pandemic?

Pfizer/BioNTech launched a trial for children for their mRNA vaccine Comirnaty. However, Los Angeles, in the USA, enabled vaccination for anyone over 16 years old.

I think that pregnant women represent a minor proportion of our population and them not being vaccinated will not affect the goals of the vaccination strategy, which is to protect the elderly and those at risk of being severely affected by the virus. Plus, women over 6 months pregnant usually rest at home, making them weak transmitters of the disease. Also, there is a consensus among researchers regarding the benefit-risk ratio, which is not favorable in the vaccination of pregnant women.

How long will the vaccines last?

This is impossible to know from clinical trials and other studies. Our best ally in answering this question is real-life data.

One of the first countries where vaccination started was Israel, so maybe what happens there will be a great source of information regarding how long the vaccines will last.

Can I relax on social restrictions if I am vaccinated?

No, certainly not or at least not for now. The vaccines have a high efficiency rate, but it is not 100%. Also, we must not forget that being vaccinated does not mean others are too, since vaccinating a whole country can be a lengthy process. Vaccines will certainly help reducing daily infections and death induced by COVID-19, but it must not be seen as a sufficient measure.

Philippe Colson

Associate Professor of Pharmaceutical Sciences and Microbiology

Researcher in the IHU Méditerranée Infection

Impacto da COVID-19 no funcionamento da Indústria Farmacêutica e na vida de quem nela trabalha

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Júnior Empresa Mais Socialmente Responsável

Fundada a 23 de dezembro de 2013, a LisbonPH – Júnior Empresa da Faculdade de Farmácia da Universidade de Lisboa, foi criada sob uma visão muito clara: juntar uma equipa de jovens estudantes dinâmicos e com grande vontade de crescer e  contribuir para a formação do Profissional de Saúde do futuro. Simultaneamente, a LisbonPH mantém uma ação Socialmente Responsável, medindo o impacto de cada atividade e promovendo práticas de gestão sustentáveis alinhadas com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da Organização das Nações Unidas, de forma a continuarmos a assegurar a nossa rentabilidade económica, reduzindo o impacto ambiental e maximizando o impacto social causado.

A LisbonPH venceu novamente, pelo quarto ano consecutivo, o Prémio de Júnior Empresa mais Socialmente Responsável do país, atribuído pela Junior Enterprises Portugal (Federação Nacional de Júnior Empresas). Este distingue a Júnior Empresa que, através de projetos e programas envolvendo as competências dos seus membros e o conhecimento existente na Júnior Empresa, tenha tido um elevado e reconhecido impacto social, abrangendo a organização como um todo em práticas socialmente responsáveis, seja materializado no seu core business, ou noutras atividades inseridas no seu funcionamento.

A Responsabilidade Social, enquanto valor da LisbonPH, está profundamente enraizada na nossa estrutura organizacional, que procuramos desenvolver através do nosso projeto PH+, onde conseguimos impactar 14 dos 17 ODS por meio dos nossos três pilares de atuação: Educação para a Saúde, Causas Solidárias e Responsabilidade Ambiental. Descrevemos 2020 como tendo sido a prova máxima da resiliência e capacidade de superação da LisbonPH, desenvolvendo mais de 70 projetos e iniciativas relacionados com Responsabilidade Social e apoiando 10 causas solidárias. 

Acreditamos profundamente no impacto que criamos e, guiados pelos 7 valores da LisbonPH, sob uma visão e missão comum, continuaremos a desafiarmo-nos dia após dia a levar esta causa, tão nobre e maior do que cada um de nós, a grandes conquistas. São os projetos certos, movidos pelas pessoas certas e com as intenções certas que fazem a diferença no mundo. E, movidos pelos nossos valores, acreditamos que somos a transformação que queremos ver no mundo.

Tiago Jorge Dias e Ana Fernandes,

Presidência da LisbonPH

Importância do Farmacêutico no Setor da Saúde nas suas Diversas Áreas

Uma educação de espetro alargado assente nas ciências biológicas, químicas, do medicamento e da vida confere aos recém-mestres o domínio do conhecimento e de competências que lhes possibilita enveredar com grande proficiência e adaptabilidade nas diversas áreas da Saúde e da atividade farmacêutica.

O farmacêutico comunitário é um verdadeiro agente de saúde pública. Garante a cobertura de cuidados de saúde primários, fundamentada na acessibilidade, proximidade e qualidade. Diariamente, contribui para o uso seguro e responsável do medicamento, a gestão e otimização da terapêutica, a deteção precoce de doença e a promoção de estilos de vida saudáveis.

Em Farmácia Hospitalar, o farmacêutico é essencial para garantir o circuito do medicamento, dispositivos médicos e produtos de saúde. Integrado em equipa multidisciplinares, contribui na geração e gestão de informação clínica, científica, técnica e económica, destacando-se o seu papel na avaliação da inovação terapêutica.

A profissão farmacêutica relaciona-se, historicamente, com a área das Análises Laboratoriais. A automatização veio alterar o paradigma existente no setor. Todavia, os analistas clínicos desempenham uma função fundamental para a validação dos resultados, controlo da qualidade e enquanto gestores de inovação na área do diagnóstico e monitorização de patologias. No futuro, será predominante a sua intervenção na prestação de informação clínica junto das equipas de saúde e dos cidadãos, bem como em ações de prevenção da doença e promoção da saúde.

Na Indústria Farmacêutica e nos Assuntos Regulamentares, o contributo do farmacêutico traduz-se na existência de novos medicamentos, dispositivos médicos e produtos de saúde, garantindo a sua segurança, eficácia e qualidade ao longo do seu circuito e ciclo de vida. Ainda que, na sua maioria, não contactem diretamente com o cidadão, é graças aos contributos destes profissionais que em todo o mundo acedemos às terapêuticas e de mais cuidados de saúde.

Poderíamos ainda versar sobre outras áreas como o Ensino e a Distribuição. Sem esquecer as áreas «não convencionais» da profissão. Isto é, âmbitos onde a integração do farmacêutico, pelo seu conhecimento enquanto especialista do medicamento ou seu conhecimento das restantes áreas e do ecossistema da saúde, representa uma mais-valia na execução das suas atividades.

Mais do que evidenciar o óbvio, importa neste momento atentar aos desafios futuros da Saúde, tais como a revolução tecnológica e a transição epidemiológica. E, assim, refletir sobre os caminhos que queremos trilhar para a profissão, que deve dar resposta às necessidades e exigências da sociedade que servimos. Paralelamente, importa criar pontes com outras profissões, mas também dentro das diferentes áreas da nossa profissão. Apenas uma reflexão e ação conjunta nos permitirá transformar o futuro.

Tiago Rodrigues, Secretário-Técnico da SRSRA da Ordem dos Farmacêuticos

Get to Know the Alumni – Francisca Mourinha

Como é possível descrever em tão poucas palavras a experiência mais enriquecedora e desafiante que tive? Começou há pouco mais de 5 anos, quando entrei na Faculdade de Farmácia da Universidade de Lisboa, sem noção do caminho profissional que queria vir a seguir. Não tardou a ouvir falar na LisbonPH e, como verdadeira curiosa que sou, ficou sempre a vontade de integrar uma equipa tão proativa. Tinha como objetivo o meu desenvolvimento pessoal e, se fosse possível, ficar com uma ideia mais definida do que queria vir a fazer no futuro.

Fiz parte da estrutura da LisbonPH por cerca de 2 anos e meio. Ao meu currículo, pude acrescentar a experiência como Membro e Diretora do Departamento de Multimédia e uma breve passagem pela JADE Portugal, agora designada JE Portugal, como Vice-Presidente da Mesa da Assembleia Geral.

O que retirei da LisbonPH? Tanto. Destaco muitas soft e hard skills, porque a aposta na formação constante dos membros é uma das prioridades da nossa Júnior Empresa. Também aprendi a descobrir por mim mesma, para ir sempre um pouco mais além, porque nada melhor que o “learning-by-doing” que tanto nos define, e ensinei. Destaco a experiência como Diretora, e parte integrante do Conselho de Administração, como a parte mais desafiante do meu percurso mas, ainda assim, onde realmente sinto que evoluí, tanto pessoal como profissionalmente. Discutimos estratégias para o futuro da nossa Júnior Empresa, sempre com foco em garantir serviços de excelência mas, acima de tudo, a melhor experiência para os nossos membros. Olhando para trás, é mesmo gratificante recordar estes tempos e guardo não só conhecimento, como também grandes amizades.

Relativamente ao meu percurso profissional, ainda estou no início. Enquanto estudava, tive a oportunidade de trabalhar na ELS Solutions, uma empresa de consultoria na área da Saúde, como Marketing Associate. Desde dezembro de 2020, sou Mestre em Ciências Farmacêuticas e foi nesse mesmo mês que abracei o tão desejado novo desafio. Neste momento, trabalho na Janssen Portugal como Pharmacovigilance Trainee.

Para terminar, deixo apenas os seguintes conselhos, principalmente como pessoa que passou muito recentemente por um processo de recrutamento. A aprendizagem é um processo constante e a vontade de estar disposto a aprender é muito valorizada. Nunca pondo totalmente de parte a vertente científica do curso de Ciências Farmacêuticas, que é importante, o que nos define e destaca, no meio de centenas de candidatos que têm o mesmo objetivo e background que nós, é o que podemos oferecer de diferente. Pode demorar até chegarmos ao lugar onde realmente queremos trabalhar para sempre, e até pode nem chegar essa oportunidade, mas o mais importante é desafiarmo-nos todos os dias e tirar o máximo de proveito de cada oportunidade que nos surja.

Como eterna alumna com o “coração azul”, vou continuar sempre a apoiar a LisbonPH e a aplaudir, com o maior orgulho, todos os feitos da nossa Júnior Empresa. Se fosse possível voltar atrás, faria tudo de novo. Por isso, deixo um grande incentivo a quem tem a oportunidade de fazer parte desta equipa, para aproveitarem ao máximo esta experiência única e, para quem ainda tem dúvidas, arriscar.

Sempre ao dispor,

Francisca Mourinha

From a college student to a successful employee

The famous Chinese philosopher Confucius once said, “Choose a job you love, and you will never have to work a day in your life.”. So, how do you find a job that you will love? When you find that job, how can you write a good application and perform well at an interview, should you be invited? 

The first module of the new “Business Skills” course, developed by myself together with LisbonPH, is about landing your dream job. I have been looking at job applications and conducting interviews for 20 years and it still surprises me how badly prepared many graduates are. In this module, you will learn about how organisations review CVs/resumés and application letters, as well as how they conduct interviews. By understanding what they are looking for, you will be able to tailor your application to improve your chances of success.

After I left University 30 years ago, it took me many years to understand how organisations operate and develop the skills needed for working with others in a professional setting. I believe that, had I possessed some more business knowledge when I left University, my transition into the professional environment would have been much easier. 

Most corporate organisations organise their work along similar lines and the second module of the course will teach you how work is cascaded from a vision and mission through strategies and goals before becoming individual objectives that you will perform in your daily work. All organisations are made up of people, sometimes just a few in a small organisation up to hundreds of thousands in a large international corporate organisation. In order for an organisation to thrive, teamwork and communication are key and individuals who possess these skills invariably do better than those who don’t.  

Module 3 will teach you these skills so that you can be recognised from day 1 as being a valuable team member who makes a difference to the business. 

Finally, in module 4 you will learn about how to manage your time and workload for a healthy work-life balance. Whilst work will play an important role in your future, it should not be the only part of your life and you will need to actively prioritise your daily work and communicate effectively with your manager and your stakeholders to ensure you make an effective contribution without compromising your mental and physical health.

Technology and innovation is moving at a faster pace now than ever before and those individuals who have the academic and emotional intelligence to navigate through the rapidly changing business environment will have opportunities that their predecessors couldn’t even imagine. As a result, it is so important that you are well-prepared as you make the transition from academia into your future professional life so that you can harness the enormous potential for yourself and the global community.

Pharma Marketing 2021 – Agilidade precisa-se!

Desafios em tempos de pandemia

Em julho de 2020, partilhei a minha opinião sobre aquelas que eram, à data, as prioridades para os profissionais de marketing farmacêutico. Passados sete meses, continuo a acreditar que os pilares de sucesso para as marcas desta indústria assentam numa abordagem holística que seja verdadeiramente customer-centric, de onde nascem as linhas orientadoras para uma estratégia de marketing de conteúdos estruturada, com sustento em formas de trabalhar que sejam ágeis e permitam responder à velocidade da variação das necessidades dos clientes e outros players.

Um sinal claro dos tempos correntes é o aumento dos níveis de investimento em projetos de índole digital, a par dos efetuados por outras empresas do grande consumo, por parte de uma indústria altamente regulada (com variações regionais importantes) e tradicionalmente conservadora nas suas abordagens ao cliente. De facto, parafraseando Ian Hale, Vice President of Commercial Content na multinacional Veeva, “uma abordagem omnichannel será um fator crítico”, enquadrada nas necessidades reais dos médicos, enfermeiros, farmacêuticos e outros stakeholders, e alavancada pelos novos canais de comunicação, potenciados pela crise pandémica em que vivemos.

Para uma indústria que se tem a si mesma como altamente relacional, a alteração do modelo de interação, dito tradicional, para aquele que atualmente vigora, foi ceticamente encarado como uma barreira importante à capacidade de criar ligações com os clientes. Curiosamente, os dados já recolhidos apontam para um resultado que poderá ser inesperado para muitos, mas que é fruto de uma abordagem alinhada com a descrita anteriormente. As alterações ocorridas parecem estar a conduzir para um fortalecimento do relacionamento dos Profissionais de Saúde com a Indústria, nomeadamente ao nível dos delegados de informação médica (DIMs). Aqueles que mais cedo procuraram responder às necessidades individuais de cada Profissional de Saúde, através dos seus canais preferenciais, foram premiados com maior disponibilidade e relações mais sólidas, uma prova de conceito à importância da abordagem customer-centric aliada a uma execução omnichannel.

É neste contexto que a agilidade ganha uma dimensão fundamental na forma de funcionamento da Indústria Farmacêutica. Num contexto altamente volátil, em que as necessidades de hoje não são necessariamente as de amanhã, uma abordagem de execução por “ciclos” deixa de fazer sentido. Para enfrentar a mudança constante, é necessário que exista um plano dinâmico, alimentado por feedback que é continuamente recolhido das execuções prévias, numa perspetiva de data-driven test & learn exponencial.

Fazendo uso de uma metáfora de relojoaria Suíça, esta agilidade é a roda dentada que dará o movimento aos ponteiros da customer centricity e do omnichannel. Sem um mecanismo de feedback veloz, não será possível identificar atempadamente aquelas que são as necessidades dos clientes, o que impactará a gestão de conteúdos e canais, com consequências diretas na efetividade das iniciativas implementadas e na capacidade de alcançar os objetivos propostos.

A metáfora anterior conclui-se de forma intuitiva: nunca a pontualidade foi tão importante mas, sem agilidade, vamos andar sempre atrasados!

Nota: Este artigo reflete em exclusivo a opinião do autor.

Next Steps do Júnior Empresário – A Chegada ao Mercado Sénior

Falemos com as centenas de Júnior Empresários que já ingressaram no mercado de trabalho e penso que todos já terão recebido a mesma reação à análise do seu currículo: “Mas o que é isto aqui de Júnior Empresa?”. Existe quem opte pela típica resposta – “uma Júnior Empresa é uma organização sem fins lucrativos, formada e gerida exclusivamente por estudantes universitários, que providencia serviços a empresas, instituições ou clientes individuais” e existe quem goste de simplificar “basicamente, é um grupo de estudantes com muita energia, muitas ideias e para quem o inalcançável é mesmo o desafio certo”.

       Como recém-mestre, recém-alumna da LisbonPH e recém-chegada ao mercado de trabalho, tenho o prazer de anunciar que começo a pertencer a uma nova geração – a geração de quem já não é alvo desta questão porque, caros amigos empreendedores, estamos não a andar, mas a cavalgar na direção certa e a questão mudou de “Mas o que é isto aqui de Júnior Empresa?” para “Conta-me mais sobre a tua experiência na tua Júnior Empresa”.

       Anualmente, os mais de 800 Júnior Empresários portugueses, distribuídos pelas suas 18 Júnior Empresas e com as suas centenas de projetos, atestam à seriedade, empenho, bravura e qualidade que tornaram o Movimento Júnior Português e a designação de Júnior Empresa experiências, não só reconhecidas pelos empregadores, mas procuradas, valorizadas e sinónimas de talento a capturar.

       Mas não é só a fama das Júnior Empresas e do seu trabalho que é reconhecida. O World Economic Forum identificou algumas das skills mais valorizadas pelos empregadores para 2021. Desta lista, podemos destacar: capacidade de autogestão, resiliência, flexibilidade, autodidatismo, gestão de stress, criatividade, pensamento crítico e capacidade de resolução de problemas. As semelhanças com a descrição de qualquer Júnior Empresário sobre o seu percurso na sua Júnior Empresa e as valências que isso lhe trouxe não são mera coincidência. É assim que nos vemos e é assim que somos vistos lá fora.

       As conversas sobre a atual agressividade do mercado de trabalho, os desafios e expectativas que nos são colocados logo à entrada e a necessidade de termos algo que nos destaque são uma constante com que nos debatemos diariamente. Quando digo “nós”, quero dizer “os outros” porque nós, Júnior Empresários, decidimos há muito que melhor que debater o problema é ultrapassá-lo com as mangas arregaçadas – uma experiência única para uma aprendizagem inquantificável.

       2020 foi um ano, mais do que atípico, difícil para todos nós. O tema “saúde” tomou de assalto uma posição de destaque em todas as discussões e as falhas, necessidades e futuro desta área foram esmiuçadas até ao seu core. Conclusões e soluções mágicas? Nunca há, mas uma coisa é certa – o futuro depende da inovação e a inovação depende de nós. Nós, os jovens proativos, resilientes e cheios de vontade para trazer para o mercado as ferramentas certas que estão por detrás da verdadeira evolução.

A LisbonPH pode ser um pequeno passo, mas é o passo certo com a intenção certa. É um conjunto de pessoas que se estão a comprometer, desde cedo, com um projeto maior e mais significativo do que cada um que com ele colabora, com um espírito desprovido de segundas intenções ou interesse próprio e com uma vontade desmedida de contribuir com projetos significativos e de verdadeiro impacto.

É este o segredo que as empresas procuram, este espírito que não se ensina, mas que se cultiva, que se cuida e que está presente em todas as pessoas que realmente fazem a diferença em qualquer companhia.

A visão das empresas sobre nós e sobre o nosso trabalho? – Somos o melhor talento jovem que o mercado tem para oferecer.

-Alice Ramos