Arquitetura e Bem-estar: de que forma os Espaços afetam a nossa Saúde?

Os seres humanos passam grande parte da sua vida no interior de edifícios, sendo que mais de 90% do tempo quotidiano decorre em ambientes construídos (Klepeis et al., 2001). Esta realidade atribui à qualidade desses espaços um papel central na Saúde Pública e no bem-estar coletivo. Longe de constituírem meros cenários estáticos, os ambientes moldam, de forma contínua e subtil, os nossos estados emocionais, cognitivos e comportamentais. John Paul Eberhard, fundador da Academy of Neuroscience for Architecture, sintetizou esta premissa numa expressão que se tornou emblemática: “Nenhum espaço é neutro” (Eberhard, 2009).

A Neuroarquitetura procura compreender estas relações com base em evidência científica, articulando arquitetura, neurociências e psicologia ambiental. Estudos recentes demonstram que fatores como a luz, ventilação, acústica, materiais e formas desencadeiam respostas fisiológicas mensuráveis que podem beneficiar ou prejudicar a Ssaúde (Bower et al., 2022).

Um dos mecanismos mais relevantes é o stress crónico. Sempre que percebemos uma ameaça, o eixo hipotalâmico-hipofisário-adrenal (HPA) é ativado, libertando cortisol e adrenalina. Embora essencial em situações de curto prazo, a sua ativação prolongada conduz à inflamação sistémica, imunossupressão, doenças cardiovasculares e distúrbios metabólicos (McEwen, 2007; Slavich, 2020).

Os espaços podem agravar ou mitigar este processo. Ambientes ruidosos, densos, confusos, escuros e desprovidos de natureza amplificam a carga alostática, ou seja, o desgaste fisiológico causado pelo stress. Em contrapartida, a exposição à luz natural regula o ritmo circadiano, reduz o cortisol noturno, estimula a produção de melatonina e melhora a qualidade do sono (Cajochen et al., 2005; Chellappa et al., 2020). Paralelamente, potencia a síntese de serotonina, associada a estados de bem-estar. O contacto com elementos naturais, descrito no princípio da biofilia (Wilson, 1984), ativa o sistema nervoso parassimpático, reduzindo a frequência cardíaca e a pressão arterial, promovendo o equilíbrio fisiológico (Bratman et al., 2019).

Nos espaços de saúde, o impacto ambiental é evidente. Ulrich (1984) demonstrou que doentes com vistas para a natureza recuperavam mais depressa, e Devlin & Arneill (2003) confirmaram que ambientes hospitalares agradáveis reduzem a ansiedade.

Nos locais de trabalho, a qualidade ambiental influencia diretamente a sSaúde e a produtividade. Escritórios com ventilação deficiente estão associados a fadiga e menor desempenho cognitivo (Allen et al., 2016). O design biofílico e o acesso à luz natural reduzem o stress, melhoram a concentração e aumentam a produtividade (Frontiers in Virtual Reality, 2025; Nature Scientific Reports, 2024). Esta evidência encontra suporte na Teoria da Recuperação da Atenção (Kaplan, 1995), que sustenta que a exposição a estímulos naturais facilita a reposição da atenção dirigida, frequentemente sobrecarregada em ambientes de trabalho intensivos.

Nos espaços de aprendizagem, a arquitetura condiciona o desempenho académico. Excesso de ruído eleva os níveis de cortisol e reduz a memória de curto prazo em crianças (Evans & Maxwell, 1997), enquanto salas bem iluminadas e equilibradas acusticamente favorecem a atenção e motivação (Barrett et al., 2015).

A Neuroestética, explorada por Semir Zeki (1999), acrescenta ainda que a perceção de beleza ativa o sistema de recompensa cerebral, libertando dopamina. Espaços esteticamente harmoniosos induzem respostas biológicas ligadas ao prazer e à motivação.

Os espaços não são neutros, são determinantes ativos da saúde humana. Através da luz, da natureza, da estética e da organização espacial, é possível moldar os sistemas nervoso, endócrino e imunitário, influenciando níveis de stress, bem-estar emocional, recuperação clínica, produtividade e aprendizagem.

Compreender e aplicar os princípios da Neuroarquitetura é um compromisso para com a Saúde Pública e com a criação de espaços que cuidam ativamente das pessoas.

 

Teresa Ribeiro

        Arquiteta, Especialista em Neuroarquitetura

 

The Power of Nanotechnology in Muscle Rehabilitation

Muscular rehabilitation is a treatment process used to restore muscle function and strength after a physical injury, or to improve congenital anomalies. Good functional recovery depends on a correct rehabilitation treatment. To apply the correct rehabilitation treatment, real time monitoring of different parameters, such as muscle activity, joint movements, or body temperature, is crucial. For the acquisition of this information, electromyography (EMG) sensors, inertial sensors and temperature sensors are typically used.

In recent decades, high-density electromyography (HD-EMG) has become extremely relevant due to its potential to provide more detailed and accurate data on muscle electrical activity compared to traditional EMG techniques. HD-EMG consists of a high-density electrode matrix, more compact and with better performance, capable of capturing a greater variety of motor units, i.e., a single motor neuron and all the muscle fibres it innervates, throughout the muscle. This allows a detailed analysis of the activation and coordination of motor units, enabling the precise assessment of muscle recruitment patterns and the study of fatigue, motor coordination, and neuromuscular dysfunctions. Among the inertial sensors, accelerometers and gyroscopes are most commonly used in human motion analysis, such as gait analysis. Regarding the temperature sensors, body temperature monitoring assesses the effectiveness of the treatment and potentially detects muscle inflammation. Among the different temperature sensors, resistance temperature detector (RTD) sensors are passive devices whose resistance changes as their temperature changes. They show fast response, high accuracy and excellent linearity.

All these sensors can be manufactured by different techniques, such as cleanroom (CR) and printing techniques, and structures with micro and nanometric resolution can be obtained. In the printing techniques, a conductive ink, typically a silver-based ink, which has micro and/or nanoparticles, is printed on a substrate. These techniques are cheaper than the CR ones, and among them, inkjet-printing, screen-printing or syringe-dispensing can be mentioned.

Despite the potential of these solutions, there are several challenges in using these devices, such as their weight, cost, size, noise, variability in contact between the sensors and skin, and the lack of flexibility and body adaptation of currently available solutions.

In this context, within the scope of the Agenda “Health from Portugal – HfPT” [C630926586-00465198], co-financed by the Recovery and Resilience Plan (RRP) and by the European funds NextGeneration EU (https://recuperarportugal.gov.pt/), through the Incentive System “Agendas for Business Innovation”, our consortium is working on the manufacturing of HD-EMG (Figure 1) and RTD temperature sensors (Figure 2) in a flexible, lightweight textile structure, by low-cost printing techniques, such as screen-printing and syringe-dispensing, respectively. 

This way, the device ensures optimal comfort and skin contact, eliminating the need for bulky electronics or cables. A mobile application provides real-time data to users and healthcare professionals, improving the convenience and effectiveness of rehabilitation programs. Additionally, the project explores the use of biodegradable substrates and biocompatible adhesives to enhance both device performance and sustainability. 

You can find more information about the Agenda “Health from Portugal” in the following link: Início | Health from Portugal.

Dr. Aritz Retolaza

PhD em Polymer Science

Research Engineer no International Iberian Nanotechnology Laboratory

O Futuro da Medicina Personalizada: as Impressões Digitais Biomoleculares

Vivemos uma era de transformação profunda na medicina. A abordagem tradicional, assente em tratamentos uniformes para grandes grupos de doentes, está gradualmente a dar lugar à medicina personalizada – uma nova forma de pensar o diagnóstico e a terapêutica, centrada nas características biológicas únicas de cada indivíduo.

No centro desta revolução estão os biomarcadores moleculares, que funcionam como verdadeiras impressões digitais biológicas. Um biomarcador é uma característica mensurável do organismo que fornece informação sobre processos fisiológicos normais, alterações patológicas ou respostas a intervenções terapêuticas. Quando falamos de biomarcadores moleculares, referimo-nos a moléculas como genes, proteínas, lípidos ou metabolitos, que podem ser detetadas em amostras de sangue, urina, saliva ou tecido. Estes sinais biológicos permitem selecionar terapias específicas, ajustar doses de medicamentos e evitar reações adversas graves. O tratamento deixa, assim, de ser padronizado para grupos amplos e passa a ser guiado por uma bússola molecular, que orienta decisões clínicas com maior precisão.

Graças aos avanços nas áreas da genómica, proteómica, metabolómica e à integração de dados clínicos com algoritmos de inteligência artificial, tornou-se possível caracterizar doenças com um nível de detalhe sem precedentes. Em muitos casos, esta capacidade permite identificar subgrupos biológicos distintos entre doentes com o mesmo diagnóstico, adaptando o tratamento de forma mais eficaz. Na prática clínica, estas ferramentas já estão a ser aplicadas. Em áreas como a oncologia e a cardiologia, a utilização de biomarcadores permite otimizar o tratamento, aumentar a eficácia e reduzir o risco de efeitos adversos.

É importante reconhecer que a medicina personalizada está ainda em rápida evolução. Os testes tornam-se progressivamente mais acessíveis e abrangentes, os algoritmos de apoio à decisão mais robustos, e a integração de dados clínicos, moleculares e ambientais continua a expandir-se. No entanto, ainda há muito por descobrir: quais os biomarcadores mais úteis, em que contextos aplicá-los e como interpretar os resultados de forma segura, ética e clinicamente relevante.

Apesar dos avanços, a implementação plena da medicina personalizada enfrenta desafios concretos. Tecnologias como a sequenciação genómica, os testes multigénicos e a aplicação de algoritmos exigem infraestrutura laboratorial especializada, profissionais qualificados e investimento significativo. Em alguns contextos, como no cancro do pulmão, a relação custo-benefício já está bem estabelecida e os testes moleculares são rotina. Contudo, em doenças raras ou em contextos preventivos, a sua aplicação clínica ainda está em fase de validação.

Além disso, subsiste um risco real de desigualdade: o acesso à medicina personalizada pode vir a depender mais do código postal ou da capacidade financeira do doente do que do seu perfil biológico. Garantir equidade no acesso a estas tecnologias será essencial para que esta revolução beneficie todos – e não apenas alguns.

Ainda assim, tudo indica que o futuro da medicina será cada vez mais guiado por dados, precisão e individualização. E, molécula a molécula, estamos a escrever uma nova história — onde cada doente deixa de ser apenas um caso clínico e passa a ser compreendido como um sistema único e irrepetível.

 

Marta Bento Afonso

Professora Auxiliar na Faculdade de Farmácia da Universidade de Lisboa

Investigadora do iMed.ULisboa

Get to Know the Alumni – Filipe Cordeiro

🇵🇹

Olá a todos! O meu nome é Filipe Cordeiro e aos 24 anos tenho orgulho em dizer que sou Farmacêutico, Alumnus da LisbonPH e da Junior Enterprises Portugal.

“Excelente, entrei na faculdade. E agora?” Quantos de nós se perguntam a si mesmos? No meu caso, não foi preciso muito tempo para ter a resposta. A resposta chamava-se LisbonPH! Embora ainda sem saber exatamente o que faziam, estava certo de que a união e a vontade de fazer dos membros desta Júnior Empresa seria o caminho para evoluir. Quase 5 anos depois, posso dizer com toda a convicção: esta foi a resposta certa!

Em 2021, iniciei o meu percurso nesta bonita casa azul que é a LisbonPH, ao ser recrutado para o Departamento de Projetos. Apesar da pandemia e de ser um aluno deslocado, foi aqui que tive a oportunidade de desenvolver inúmeras competências e incontáveis histórias ao tornar-me líder de equipas que transformaram ideias em projetos reais, para clientes de renome; fossem eventos online, cursos e-Learning, projetos de consultoria ou projetos internos. Fizemos de tudo e fizemo-lo com qualidade tal que competia com empresas estabelecidas. Ganhámos prémios, impactámos positivamente a sociedade mas, tão ou mais importante, deixámos a incerteza para trás e percebemos que juntos éramos mesmo capazes de tudo (mesmo sendo estudantes).

Estava feliz, mas em 2022 quis continuar a evoluir num outro projeto que chamou a minha atenção desde o primeiro dia: a JE Portugal. Entrei nesta segunda casa como Enlargement Manager, acompanhado de colegas da LisbonPH, onde durante um ano contactámos com pessoas de norte a sul e ilhas para tornar realidade o projeto mais importante de todos no Movimento Júnior: contribuir para que fossem criadas novas Júnior Empresas, e com isso dar as mesmas oportunidades de desenvolvimento a centenas de novos estudantes nos anos vindouros. Para além de ter sido uma experiência rica a todos os níveis, contribuímos com sucesso para esta importante missão e isso deixa-me profundamente orgulhoso.

Não queria deixar de todo a LisbonPH que tanto me tinha dado, por isso acumulei o cargo na JE Portugal com o de Presidente da Mesa da Assembleia Geral. Em conjunto com uma equipa fantástica, contribuímos para a vida interna da nossa casa azul, fomentámos o espírito profundamente democrático da LisbonPH (sem igual no Movimento Júnior) e alavancámos a atratividade daquelas funções imprescindíveis.

Atualmente, estou nos Laboratórios Pfizer onde exerço funções na equipa Comercial como Marketing Trainee para aumentar o arsenal terapêutico disponível em Portugal e contribuir para que cheguem aos doentes novas soluções.

A LisbonPH abriu-me portas e foi uma rampa de lançamento para que tivesse as oportunidades que vim a ter e para que tivesse a coragem de as perseguir, como as passagens pelo ISEG e IST. Estou muito grato por cada projeto, por cada pessoa que conheci e por cada experiência. Recordo-os com muita saudade!

O trabalho nunca está completo, por isso, continuo a acompanhar, embora de mais longe como os demais alumni, aqueles que fazem a LisbonPH todos os dias. Àqueles que estão nesta família, digo-vos: esta foi a escolha certa, continuem a querer agarrar as oportunidades! Àqueles que querem vir a estar e contribuir para esta casa azul, digo-vos: esta é a escolha certa, não se arrependerão. Venham e desafiem-se!

 

🇬🇧

Hello everyone! My name is Filipe Cordeiro and, at 24, I’m proud to say that I’m a Pharmacist and a LisbonPH and Junior Enterprises Portugal Alumnus.

“Great, I’ve got into university. Now what?” How many of us ask ourselves that? In my case, it didn’t take long to find the answer. The answer was called LisbonPH! Although I didn’t yet know exactly what they did, I was certain that the unity and drive of the members of this Junior Enterprise would be the path to growth. Almost five years later, I can say with complete conviction: this was the right answer!

In 2021, I began my journey in this beautiful blue house that is LisbonPH, having been recruited to the Projects Department. Despite the pandemic and being a displaced student, it was here that I had the opportunity to develop many skills and create countless stories by becoming a team leader who turned ideas into real projects for renowned clients; whether they were online events, e-Learning courses, consultancy projects or internal projects. We did it all, and we did it to such a high standard that we could compete with established companies. We won awards, we had a positive impact on society but, just as importantly, we left uncertainty behind and realised that together we really were capable of anything (even as students).

I was happy, but in 2022 I wanted to continue developing my skills in another project that had caught my attention from day one: JE Portugal. I joined this second home as Enlargement Manager, alongside colleagues from LisbonPH, where for a year we reached out to people from north to south and across the islands to bring to life the most important project of all within the Junior Movement: helping to create new Junior Enterprises, and thereby providing the same development opportunities to hundreds of new students in the years to come. As well as being a rewarding experience on every level, we successfully contributed to this important mission, and that makes me deeply proud.

I didn’t want to leave LisbonPH, which had given me so much, so I combined my role at JE Portugal with the role of President of the General Assembly. Along with a fantastic team, we contributed to the inner workings of our blue house, fostered the deeply democratic spirit of LisbonPH (unrivalled in the Junior Movement) and boosted the appeal of those essential roles.

I am currently at Pfizer Laboratories, where I work in the Sales team as a Marketing Trainee to expand the therapeutic arsenal available in Portugal and help ensure that new solutions reach patients.

LisbonPH opened doors for me and served as a springboard, enabling me to seize the opportunities that came my way and giving me the courage to pursue them, such as my time at ISEG and IST.

I am so grateful for every project, every person I met and every experience. I look back on them with great fondness!

The work is never finished, so I continue to follow, although from further away like the other alumni, those who make LisbonPH happen every day. To those who are part of this family, I say to you: this was the right choice, keep seizing opportunities! To those who wish to join and contribute to this blue house, I say to you: this is the right choice, you won’t regret it. Come and challenge yourselves!

Nanomedicamentos: o Futuro da Terapia Personalizada

A Nanomedicina já não está restringida a um conceito académico. Atualmente, perfila-se como uma das mais promissoras fronteiras da ciência, inaugurando uma nova era de terapias de precisão, moldadas à singularidade de cada doente.

Este ramo da Nanotecnologia aplicada à Saúde está a redefinir, de forma profunda, os paradigmas terapêuticos tradicionais, ao permitir intervenções extraordinariamente específicas e personalizadas. Atualmente, já se encontram disponíveis no mercado dezenas de exemplos de nanomedicamentos, comprovando o seu impacto crescente na prática clínica e consolidando o papel da Nanomedicina como um pilar da terapêutica moderna.

Uma das mais relevantes inovações consiste no desenvolvimento de nanossistemas de veiculação de fármacos. Estes nanossistemas são projetados para acumular seletivamente o(s) fármaco(s) em tecidos-alvo. Um dos exemplos mais conhecidos e antigos envolve a encapsulação da doxorrubicina em lipossomas, alterando a sua farmacocinética e biodistribuição, conduzindo a uma maior concentração na área tumoral, com uma consequente melhoria da eficácia terapêutica e uma redução da cardiotoxicidade do fármaco.

Importa também sublinhar que estes nanossistemas têm, igualmente, a capacidade de transpor barreiras biológicas críticas, como é o caso da barreira hematoencefálica. Estima-se que mais de 98% das moléculas com potencial terapêutico para o sistema nervoso central não consigam atravessar essa barreira. Um estudo recente dedicado ao tratamento do glioblastoma multiforme reportou uma elevada penetração no tecido cerebral de nanopartículas lipídicas com siRNA, promovendo uma regressão tumoral superior a 60% em modelos pré-clínicos

Para além da vetorização, a incorporação de nanomateriais inteligentes sensíveis a estímulos internos ou externos (temperatura, campos magnéticos, luz, etc.) permite, ainda, uma libertação controlada do fármaco.

Além disso, na área dos nanomateriais inteligentes sensíveis a estímulos externos, encontramos, por exemplo, as nanopartículas de ouro. O nosso grupo, investigadores do iMed.ULisboa e do IBEB da Universidade de Lisboa, tem vindo a associar a fototerapia com nanopartículas de ouro na eliminação seletiva de tumores localizados, tais como o cancro de mama, tiroide, próstata, melanoma, entre muitos outros. Em ensaios in vitro, após incubação de 4 horas e irradiação com laser durante 5 minutos, as nanopartículas de ouro reduziram significativamente a viabilidade celular de várias linhas celulares tumorais (mama (MCF-7), cólon (HCT-116) e melanoma (A375)), sem afetar as células saudáveis (células da pele saudáveis (HaCat)). Estas nanopartículas de ouro combinadas com laser revelaram, ainda, resultados altamente promissores em modelos tumorais animais, com uma redução de 80% do volume do tumor após um único tratamento.

Outro aspeto disruptivo da Nanomedicina abrange os sistemas combinados de diagnóstico e terapia. Um exemplo destes nanossistemas combinados inclui as nanopartículas de ferro e a sua visualização por ressonância magnética. Um outro exemplo paradigmático refere-se novamente às nanopartículas de ouro para fototerapia e imagiologia, que permite, simultaneamente, a visualização e destruição seletiva de células tumorais, reduzindo procedimentos invasivos e otimizando os tratamentos, com uma clara redução dos custos a nível hospitalar.

E, a propósito de custos, os benefícios da adoção dos nanomedicamentos são igualmente assinaláveis. Na área oncológica, estima-se que a sua implementação possa reduzir até 25% os custos totais com os cuidados de saúde, não apenas pela menor necessidade de hospitalização, mas também pelos ganhos de produtividade e qualidade de vida dos doentes.

Assim, a Nanomedicina inaugura um novo paradigma na prática clínica — um paradigma de elevada precisão, segurança e eficácia. 

O futuro vislumbra-se dominado por estes nanossistemas, capazes de diagnosticar em tempo real e de desencadear respostas terapêuticas eficazes, tornando a medicina personalizada não apenas uma promessa, mas sim uma regra.

 

Professora Doutora Ana Catarina Reis

Professora na Faculdade de Farmácia da Universidade de Lisboa, Investigadora no iMed.ULisboa e colaboradora no IBEB/FCUL

A Influência da Mente na Resposta Terapêutica: Efeito Placebo VS. Nocebo

A origem do termo “placebo” remonta à literatura médica do século XVIII, mas é a partir da Segunda Guerra Mundial que este fenómeno suscita maior interesse e curiosidade por parte da comunidade científica. Neste cenário, perante uma crise de reduzida disponibilidade de morfina nas enfermarias, Dr. Henry Beecher começou a administrar aos soldados feridos uma solução salina que descrevia como “forte analgésico”, verificando que muitos destes experienciavam uma melhoria significativa das suas queixas. 

 

A definição de placebo foi introduzida no Gould’s Medical Dictionary como sendo “um medicamento inócuo” e, em 1955, também Dr. Beecher, no seu paper The powerful placebo, estimou em 32% a eficácia do efeito placebo no alívio da dor, inspirando a posterior inclusão de grupos placebo nos estudos controlados dos diversos fármacos. Por outro lado, o conceito “nocebo” foi cunhado por Walter Kennedy, em 1961, a propósito das taxas de efeitos adversos e descontinuação de tratamento objetivadas nos grupos placebo, variando entre 19 e 26%.

 

Placebo e nocebo são, atualmente, considerados fenómenos biológicos, psicológicos, sociais e culturais, que modificam o resultado global do tratamento, deixando um convite à compreensão do papel do próprio contexto no outcome terapêutico. Numa perspetiva tecnicamente mais simplista, o substrato neurobiológico relaciona-se, no caso de ambos os fenómenos, em “sentidos opostos”, com modificações na atividade dos sistemas de recompensa, do sistema opióide endógeno, da colecistoquinina e do próprio córtex pré-frontal. Já na esfera dos mecanismos psicológicos centrais também subjacentes, estas respostas estão associadas a diferentes tipos de sinais/aprendizagem (índices de condicionamento, símbolos de comunicação e ícones de observação) e à sua interação com a personalidade dos próprios doentes, admitindo-se que sugestões verbais, expectativas por condicionamento e a presença/ausência de traços de otimismo/pessimismo, novelty seeking ou harm avoidance podem resultar em crenças tendencialmente “farmacofílicas” ou “farmacofóbicas”.

 

Segundo a American Psychological Association, o efeito placebo – “eu agradarei” – corresponde a uma resposta clinicamente significativa a uma substância inerte, medicamento ativo ou tratamento não específico, derivada das expectativas e crenças do recetor em relação à intervenção,  contribuindo para a sua eficácia terapêutica. Em contraste, nocebo – “eu farei mal” – e o seu efeito remetem-nos para a possibilidade das expectativas negativas originarem um resultado terapêutico desfavorável.

 

Assim, estes conceitos revolucionaram quer o rigor da investigação científica, quer a própria prática clínica, ao evidenciar que a eficácia de um tratamento resulta da interação entre o efeito farmacodinâmico específico e a resposta placebo/nocebo. Neste âmbito, pretendemos otimizar o efeito placebo e reduzir o efeito nocebo por meio de técnicas como a Psicofarmacoterapia Criativa, que pressupõe uma abordagem sinérgica entre a farmacologia e a psicologia, fundamentada na personalização e modulação das expectativas do próprio doente, com vista a atingir a resposta clínica mais favorável possível.

 

Dra. Maria João Amaral

Médica Psiquiatra – IFE Psiquiatria, ULS Loures-Odivelas

 

Referências bibliográficas:

  • Colloca, L., & Barsky, A. J. (2020). Placebo and nocebo effects. The New

England Journal of Medicine, 382(6), 554–561. https://doi.org/10.1056/NEJMra1907805;

  • Jakovljevic, M. (2014). The placebo–nocebo response: Controversies and

challenges from clinical and research perspective. European Neuropsychopharmacology, 24(3), 333– 341. https://doi.org/10.1016/j.euroneuro.2013.11.014;

  • Požgain, I., Požgain, Z., & Degmečić, D. (2014). Placebo and nocebo effect: Amini-review. Psychiatria Danubina, 26(2), 100–107. PMID: 24909245;
  • Weimer, K., Enck, P., Dodd, S., & Colloca, L. (2020). Editorial: Placebo and

nocebo effects in psychiatry and beyond. Frontiers in Psychiatry, 11, 801. https://doi.org/10.3389/fpsyt.2020.00801.

A Expansão das Terapias com células CAR-T para Tumores Sólidos

O estabelecimento da imunoterapia como uma abordagem eficaz no combate ao cancro é, indubitavelmente, um dos maiores marcos no tratamento oncológico dos últimos anos. Entre os vários grupos, as terapias celulares com células T (adoptive T cell therapies), nas quais se inserem as células CAR-T, constituem uma das terapêuticas imuno-oncológicas mais inovadoras. As células CAR-T são geradas através da modificação genética de linfócitos T com um gene que codifica para um recetor quimérico de antigénio (CAR – Chimeric Antigen Receptor), que reconhece um determinado antigénio tumoral à superfície das células malignas. Estas células T modificadas tornam-se, então, capazes de direcionar a sua atividade citotóxica para um tumor-alvo específico.

 

 Esta tecnologia demonstrou uma eficácia terapêutica sem precedentes em doentes com cancros hematológicos, tendo apresentado taxas de remissão clínica na ordem dos 60% a 90%. Atualmente, estão aprovados pelas agências regulamentares Norte-Americana (FDA) e Europeia (EMA) seis produtos com células CAR-T para o tratamento de diferentes leucemias e linfomas refratários derivados das células B e de mieloma múltiplo. 

 

No entanto, a aplicação das células CAR-T no tratamento de tumores sólidos está associada a uma baixa eficácia terapêutica, devido às barreiras físicas, químicas e imunossupressoras, características do microambiente tumoral sólido, que contrastam com o fácil acesso das células CAR-T aos cancros “líquidos”. De uma forma muito breve, os desafios começam ainda antes da sua infusão, com a escolha do alvo tumoral. A alta heterogeneidade e consequente falta de alvos exclusivamente expressos por tumores sólidos estão associadas à ocorrência de efeitos adversos on-target e off-tumor, que comprometem a segurança da terapia. Para combater este obstáculo, células CAR-T capazes de reconhecer múltiplos alvos tumorais em simultâneo têm sido desenvolvidas, de forma a aprimorar o direcionamento tumoral. Logo após a administração, segue-se a migração para o local do corpo onde está o tumor, que é dificultada, não só pela falta de determinadas quimiocinas e moléculas de adesão, mas também por barreiras físicas intrínsecas, nomeadamente a vasculatura tumoral tortuosa e desorganizada. 

 

Neste contexto, novas células CAR-T com maior capacidade de tráfego e sensíveis a certos estímulos apenas presentes no microambiente tumoral, estão a ser avaliadas em ensaios pré-clínicos, tendo demonstrado maior taxa de infiltração tumoral. O terceiro desafio está relacionado com o grande número de células imunossupressoras e respetivos sinais químicos inibitórios, presentes no tecido tumoral, que inibem a atividade citotóxica das células CAR-T. O reconhecimento do papel da sobre-expressão de checkpoints imunitários no microambiente tumoral impulsionou a geração de terapias combinadas entre células CAR-T e anticorpos monoclonais inibidores de checkpoints. Esta combinação terapêutica tem demonstrado resultados positivos em ensaios clínicos de fase I, principalmente para o tratamento de mesotelioma. Estratégias inovadoras usando células CAR-T de quarta geração, designadas de TRUCKs (T-cells Redirected for Universal Cytokine-mediated Killing), que secretam moléculas inflamatórias capazes de remodelar a paisagem imunitária do tumor, têm também sido exploradas já em contexto clínico. 

 

De facto, apesar dos obstáculos, a emergência sistemática de novas tecnologias CAR, cada vez mais complexas e multifuncionais, aliada à combinação das células CAR-T com outras imunoterapias não celulares, apresenta um grande potencial para tornar as células CAR-T também eficazes no tratamento dos tumores sólidos. 

 

Teresa Abreu, PharmD, MSc 

PhD student at the Research Institute for Medicines (iMed), FFUL 

Doctoral Programme in Pharmaceutical Sciences, FFUC

 

Saúde com Equidade: desafios e caminhos na inclusão de populações vulneráveis

Em 2015, as Nações Unidas emitiram os Objetivos para o Desenvolvimento Sustentável (ODS), com 17 metas prioritárias para o planeta e a sociedade atingirem até 2030, acompanhadas de indicadores para medir o progresso dos países. Como profissionais e estudantes da área farmacêutica, tendemos a dar mais atenção ao ODS 3 (saúde e bem-estar). Contudo, todos os ODS estão interligados e é difícil avançar em saúde sem progresso noutros, como o ODS 1 (erradicação da pobreza) e o ODS 16 (paz e justiça). Não há saúde sem acesso a bens essenciais como alimentação ou quando hospitais são bombardeados (1).

A equidade, conceito central dos ODS, implica dar a cada pessoa o que necessita para alcançar os mesmos resultados. O ODS 10 visa reduzir iniquidades até 2030, exigindo a análise da distribuição da saúde e seus determinantes por subgrupos vulneráveis. Este texto reflete sobre três desses grupos, frequentemente afetados por guerras, pandemias ou catástrofes.

O primeiro grupo são os migrantes e refugiados que, ao mudarem de país, muitas vezes perdem o acesso à saúde. Em 2024, apenas metade dos países ofereciam acesso integral a cuidados de saúde para esta população. Em 37%, o acesso dependia do estatuto legal. Em 8%, era restrito a urgências e em 5% era inexistente (2). Muitos chegam sem documentação, o que dificulta conhecer seu estatuto serológico. Em Portugal, com uma elevada cobertura vacinal, isso é preocupante (3). A solução passa por integrá-los nos sistemas de saúde e vacinação, e não por exclusão.

Outro grupo são as pessoas em situação de sem-abrigo (PSSA), muitas empurradas para essa realidade pelo desemprego agravado pela pandemia. Estima-se que 1,6 mil milhões de pessoas vivam nesta situação no mundo. Entre as causas estão também o uso problemático de drogas e álcool. Vivendo o dia a dia de forma imprevisível, as PSSA recorrem sobretudo às urgências, enfrentando estigma e discriminação por parte dos Profissionais de Saúde. Em Lisboa, enquadradas no plano municipal 2023-2030, surgiram respostas de saúde como consultas específicas na UCSP Alcântara e no Centro Hospitalar Psiquiátrico (4,5). O projeto Housing First, do Ministério do Trabalho, oferece habitação como ponto de partida, permitindo às pessoas reconstruírem as suas vidas (6). No entanto, a cobertura ainda é limitada, e muitos, excluídos destas soluções, acabam por cometer crimes ligados à sobrevivência ou a dependências.

As prisões são estruturas construídas com o objetivo de reabilitar e, exatamente por isso, em 144 países a pena de morte foi já abolida (7). Estima-se que entre 18–26% dos detidos foram condenados por crimes relacionados com drogas (8). O tratamento é mais custo-efetivo que a detenção, mas continua subutilizado, contribuindo para a sobrelotação prisional (9). Poucos países oferecem tratamento integrado e acessível para distúrbios do uso de drogas nas prisões, perpetuando um ciclo vicioso. O risco de ficar em situação de sem-abrigo após terminar a sentença prisional é 16,4 vezes superior comparativamente aos indivíduos sem contacto prévio com o sistema criminal, chegando este risco a 22,6 na presença de doença mental (10). A situação de sem-abrigo, por sua vez, aumenta o risco de reincidência. A mudança no padrão de consumo na prisão, para substâncias diferentes, com menor pureza ou recorrendo à via injetável, expõe estas pessoas a infecções como HIV e hepatites virais. Embora o tratamento da hepatite C cure mais de 95% dos casos, a reinfeção é frequente sem respostas integradas e contínuas, desperdiçando o investimento social.

 

Doutora Filipa Alves da Costa

Advisor do Ministério da Saúde de Portugal

Professora Auxiliar na FFUL e Investigadora Associada do iMed.ULisboa

 

Referências:

  1. General Assembly of the United Nations. Progress towards the Sustainable Development Goals, 2024 . Geneva : United Nations, 2024. Seventy-ninth session. Item 18 of the preliminary list. High-level political forum on sustainable development, convened under the auspices of the Economic and Social Council.
  2. World Health Organization. World health statistics 2024: monitoring health for the SDGs, Sustainable Development Goals. Geneva : World Health Organization, 2024.
  3. Direção-Geral da Saúde. Relatório Síntese Anual da Vacinação 2024. Lisboa : Direção-Geral de Saúde, 2024.
  4. Câmara Municipal de Lisboa. Plano Municipal para a pessoa em situação de sem-abrigo 2024-2030. Lisboa : Câmara Municipal de Lisboa, 2024.
  5. Gama Marques J, Chesi D, Coelho RO, Castanheira Costa I, Santos Antão C, Pedro CA, Silva Santos P, Xavier Diogo J. Homeless OutreachPsychiatric Engagement for Lisboa (HOPE 4 Lisboa): One year of marontology, and one John Doe living with Diogenes syndrome. Int J SocPsychiatry . 2023, p. 207640231179322.
  6. Ministério do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social. Portaria n.º 151/2021. Estabelece as condições de acesso e candidatura à celebração de protocolos para projetos específicos de housing first e apartamento partilhado, de acordo com os modelos definidos, no âmbito da Estratégia Nacional para a Integração . Diário da República. Lisboa : República Portuguesa, 2021. Vol. 1.ª série, N.º 137 .
  7. Forsberg L, Douglas T. What is Criminal Rehabilitation? Crim Law Philos. 2022, Vol. 16, 1, pp. 103-126.
  8. European Monitoring Centre for Drugs and Drug Addiction. Prison and drugs in Europe: current and future challenges. Lisbon : EMCDDA, 2021. ISBN: 978-92-9497-690-1.
  9. Bernard CL, Rao IJ, Robison KK, Brandeau ML. Health outcomes and cost-effectiveness of diversion programs for low-level drug offenders: A model-based analysis. PLoS Med. 2020, Vol. 17, 10, p. e1003239.
  10. Nilsson SF, Nordentoft M, Fazel S, Laursen TM. Risk of homelessness after prison release and recidivism in Denmark: a nationwide, register-based cohort study. Lancet Public Health. 2023, pp. e756-e765.

O poder da reeducação alimentar no emagrecimento

Na prática clínica, observamos que a reeducação alimentar é uma das estratégias mais eficazes e sustentáveis para a perda de peso. Ao contrário das dietas restritivas, que muitas vezes prometem resultados rápidos, mas temporários, a reeducação alimentar centra-se na modificação gradual e consciente dos hábitos alimentares. Esta abordagem promove uma relação equilibrada com a comida, assim como uma alimentação consciente e saborosa, que respeita a saciedade.

 

Estudos científicos demonstram que dietas muito restritivas, embora possam resultar em perda de peso a curto prazo, tendem a levar a um efeito “iô-iô”, ou seja, “ora perde peso, ora reganha o peso perdido”. Em contraste, intervenções baseadas na reeducação alimentar associam-se a uma maior manutenção do peso perdido a longo prazo. Isto ocorre porque o foco está na construção de hábitos saudáveis, e não em proibições absolutas ou calorias contadas obsessivamente.

 

A reeducação alimentar inclui o foco na ingestão de alimentos como frutas, legumes, cereais integrais, leguminosas, proteínas magras e gorduras insaturadas, ao mesmo tempo que reduz o consumo de alimentos ultraprocessados, ou seja, alimentos ricos em açúcares simples, sal e gorduras saturadas, que apresentam um elevado teor calórico e baixo conteúdo em nutrientes.

 

Outro ponto essencial é o acompanhamento nutricional personalizado. Cada pessoa tem um metabolismo, uma rotina, um histórico, gostos e preferências diferentes. Ao adaptar o plano alimentar à realidade do indivíduo, conseguimos promover não apenas a perda de peso, mas também melhorias na qualidade do sono, nos níveis de energia, na saúde intestinal e na composição corporal.

 

A ciência também evidencia que pequenas mudanças sustentadas ao longo do tempo, como incluir vegetais em todas as refeições ou trocar refrigerantes por água, são mais eficazes do que mudanças radicais e insustentáveis. A reeducação alimentar não visa a perfeição, mas sim o progresso contínuo.

 

Enquanto nutricionista, reforço que emagrecer com equilíbrio e sem sofrimento é essencial para garantir que o processo seja sustentável e saudável. Mudanças extremas ou dietas muito restritivas podem levar à frustração, compulsões alimentares, entre outros problemas de saúde. A reeducação alimentar permite transformar a saúde e o bem-estar de forma gradual e definitiva. Ao mudar a forma como nos relacionamos com a comida, mudamos também a forma como cuidamos do nosso corpo e da nossa saúde.

 

Drª. Inês Clímaco,

Cédula Profissional nº 4646NE

Phage Therapy: a potential solution to fight antibiotic resistant infections

The emergence of bacteria resistant to antibiotics has become a global public health threat.

 According to the World Health Organization (WHO), Antimicrobial Resistance (AMR) is associated with more than a million deaths every year. Recent projections associate AMR to 8.2 million deaths annually by 2050 if no solutions to stop AMR progression are found. This alarming prediction, in addition to a limited pipeline for new antibiotics, has motivated a renewed interest in bacteriophages as possible alternatives or adjunct to conventional antibiotics.

Bacteriophages, also known as phages, are viruses that specifically infect bacteria, independently of their antibiotic resistance profile. They are harmless to human, animal, or plant cells. They are considered the most ubiquitous biological entities in the biosphere and are thought to be ten times more numerous than the bacterial population estimates. Phages were discovered over a century ago, and their potential to treat bacterial infection diseases was, at that time, immediately recognized.

Bacteriophages can be classified as virulent or temperate according to their mode of infection. Virulent phages lyse their bacterial host at the end of a replication cycle while temperate phages may integrate their genome into the bacterial genome. It is this ability of virulent phages to solely kill and lyse bacteria that is the basis of their therapeutic application to treat bacterial infections, the so-called Phage Therapy. Although Phage Therapy has been in use for a century in Eastern countries, particularly in Georgia, its use in the USA and Europe is recent and limited to specific patients with difficult-to-treat bacterial infections, after standard antibiotic treatments had failed. This personalized bacteriophage therapy is applied under local regulations. Although an increasing number of successful phage therapies has been reported, a potential broader adoption of phage therapy still requires robust data to ensure safety and efficacy of phage products. To date, there is no phage-based medicinal product for human use approved under EU or USA law. However, efforts from Medicine Regulatory agencies are in progress and discussion on regulatory aspects relating to phage therapy is taking place.

The development of phage therapy for use in human infections requires engagement of academia, industry, governments and regulatory and funding agencies.

The PhaBRIC group at the Research Institute of Medicines, Faculty of Pharmacy (iMed.ULisboa) studies bacteriophage-bacteria interactions, being engaged in the development of phage-based products for therapeutic application, particularly targeting bacterial pathogens that are part of the WHO global list of most problematic antibiotic-resistant bacteria.

 

Professora Doutora Madalena Pimentel