Top 10 dicas para o LinkedIn

O LinkedIn é uma rede profissional poderosa, mas os resultados só aparecem quando dedicamos algum tempo para o deixar apelativo e alinhado com os nossos objetivos profissionais.

 

Seja para encontrar emprego, crescer na carreira ou para encontrar clientes, utilizar o LinkedIn é muito mais fácil do que se possa imaginar. Basta um pouco de boa vontade para começar e depois é só manter a regularidade. 

 

Mas por onde começar a usar o LinkedIn?

 

Deixo-vos as minhas Top 10 dicas LinkedIn para que possam começar com o pé direito nesta rede profissional:

 

  1. Defina um único objetivo: É possível ter mais de um objetivo, mas se está a começar agora, sugiro focar-se em apenas um para facilitar. Este pode ser encontrar um emprego, obter uma promoção, encontrar candidatos e/ou clientes ou, simplesmente, construir autoridade e fortalecer a sua network.

 

  1. Otimize o seu Perfil: O perfil deve estar completo, com todas as informações preenchidas. Mas só isso não basta! É necessário que o perfil esteja alinhado com o seu objetivo profissional atual. Por exemplo, se está numa fase de mudança de carreira ou pretende deixar o seu emprego para construir o seu próprio negócio, o seu perfil deve demonstrar essa mudança. 

 

  1. Use palavras-chave no título: Palavras-chave são termos que usamos quando fazemos uma pesquisa no Google ou noutro motor de pesquisa. No LinkedIn é igual,  deve utilizar as palavras-chave relacionadas com a sua área profissional para que o seu perfil apareça quando alguém faz uma pesquisa.

 

  1. Foto: Um dos piores erros cometidos no LinkedIn é ter uma foto de má qualidade ou, pior ainda, não ter fotografia de perfil. A maioria das pessoas  não aceitam uma conexão de perfil sem fotografia. Então, corra para escolher uma fotografia atual, na qual esteja com uma postura profissional, simpática e representativa do seu cargo atual.

 

  1. Sobre: Esta é a seção mais difícil do perfil, sem sombra de dúvidas. Fale sobre as suas experiências, resultados e o que o diferencia. Pode também enumerar as suas principais competências técnicas e soft skills. E não se esqueça de deixar um email de contacto.

 

  1. Peça recomendações: Ao pedir recomendações às pessoas com quem trabalhou (colegas, professores, chefes, funcionários, fornecedores ou clientes) vai conseguir  aumentar a credibilidade do seu perfil.

 

  1. Preencha o campo “Competências”: Este campo é muito importante. Use palavras-chave para facilitar o trabalho do motor de pesquisa do LinkedIn.

 

  1. Experiências: Aqui não se limite ao cargo atual, nome da empresa e período trabalhado. Faça uma breve descrição de cada uma das suas experiências para estabelecer o seu percurso profissional até o momento.

 

  1. Publique conteúdos: Escreva publicações sobre temas relacionados com a sua área profissional para atrair a atenção dos recrutadores ou dos potenciais clientes.

 

  1. Relacione-se com a sua rede: Ter um perfil impecável é apenas o primeiro passo. Isso porque o perfil é estático, ninguém vai entrar no seu perfil todos os dias para ver o que anda a fazer. A solução para movimentar o seu LinkedIn é muito simples: converse com as pessoas.

Faça comentários em publicações que tenha gostado, envie mensagem privada para colegas que não vê há algum tempo e ofereça ajuda sempre que puder.

Estas foram as minhas Top 10 dicas para a boa utilização do LinkedIn. Além de segui-las, eu recomendo que complete o seu perfil em todos os detalhes, pois isso vai aumentar a visibilidade do mesmo.

 

***

Karla Martins é professora, mentora e consultora do LinkedIn.

 

E-mail: geral@karlamartinsconsulting.com

LinkedIn: https://www.linkedin.com/in/karlamartins-consulting/

Get to Know the Alumni – Tiago Dias

Olá a todos! O meu nome é Tiago Dias, tenho 23 anos e sou um orgulhoso membro do Alumni Board da LisbonPH.

O início da minha participação na LisbonPH remonta a 2018, quando no meu 2º ano do Mestrado Integrado em Ciências Farmacêuticas na FFUL decidi que apenas o curso não seria suficiente para alimentar a minha vontade de aprender mais sobre o mercado farmacêutico, e como tal, a LisbonPH seria sem dúvida o melhor sítio para desenvolver este meu interesse.

Contudo o meu caminho não começou de forma linear, pois no X Recrutamento da LisbonPH, após ter participado no Open Day, submeti a minha candidatura, mas infelizmente a mesma acabou por não se concretizar. No entanto, no recrutamento seguinte em março de 2019, acabei por ingressar no Departamento de Marketing da LisbonPH onde permaneci durante cerca de dois anos, primeiramente como membro e depois como Diretor. Foi durante este tempo que aprendi na prática as bases e conceitos de Marketing de forma a aplicá-los em dezenas de diversos projetos em que estive envolvido. Foi sem dúvida um momento de descoberta pessoal e crescimento, em que não só percebi o interesse particular que tenho nesta área e me abriu os horizontes para o meu futuro profissional, como também me permitiu descobrir pela primeira vez como liderar e gerir uma equipa.

Paralelamente mantive sempre uma postura ativa no Movimento Júnior em Portugal, tendo ingressado na federação nacional – Junior Enterprises Portugal enquanto Enlargement Manager com responsabilidades no acompanhamento e incubação de novas Júnior Empresas em diversos estabelecimentos do ensino superior espalhados pelo país.

Terminei a minha caminhada na LisbonPH enquanto Presidente Executivo, tendo sido o maior e mais gratificante desafio que já tive oportunidade de viver. Assim, durante um ano, liderei a equipa de mais de 50 membros da LisbonPH ao longo de dezenas de projetos que colmataram num impacto significativo no setor da Saúde em Portugal, evidenciado pela conquista dos prémios de “Júnior Empresa Mais Sustentável” e “Projeto Mais Impactante”, ambos a nível europeu atribuídos pela Junior Enterprises Europe no âmbito dos Excellence Awards.

Atualmente, desempenho funções enquanto Hospital Unit Marketing Trainee na Bayer Portugal, nas áreas terapêuticas de Oftalmologia e Oncologia, onde todos os dias sinto que as aprendizagens e ferramentas que desenvolvi nos tempos de membro da LisbonPH me ajudam a superar qualquer desafio que me seja apresentado.

Sobre este percurso, sei sem qualquer dúvida que a LisbonPH e o Movimento Júnior foram imprescindíveis no meu crescimento tanto pessoal como profissional, permitindo-me desde cedo ter uma aproximação muito forte ao tecido empresarial e a diversas realidades que contribuíram para ser um profissional verdadeiramente empreendedor, criativo e multidisciplinar. 

Impressão 3D e Veiculação Localizada de Fármacos

A impressão tridimensional (3D) é considerada uma das tecnologias emergentes que estão a revolucionar a Indústria Farmacêutica e Biomédica. De uma forma simples, considera-se que a impressão 3D consiste na produção de um objeto sólido tridimensional, com qualquer forma, a partir de um modelo digital. A impressão 3D é alcançada através de um processo aditivo, no qual são depositadas camadas sucessivas de material com a forma pretendida. Exemplos de técnicas de impressão 3D que têm vindo a ser utilizadas na área biomédica são a fotopolimerização, a estereolitografia, o processamento de luz digital, o jato de tinta, a extrusão, a fusão da camada de pó, a sinterização com laser seletivo, entre outras.

Spritam® (levetiracetam), comprimido orodispersível indicado para o tratamento da epilepsia, foi o primeiro medicamento produzido por impressão 3D a ser comercializado após aprovação pela Food and Drug Administration em agosto de 2015, iniciando-se a Era “pharmacoprinting” na Indústria Farmacêutica. 

Neste contexto, uma das áreas onde a tecnologia de impressão 3D tem vindo a ser muito explorada por diversos grupos de investigação relaciona-se com os sistemas para veiculação localizada de fármacos. Estes sistemas centram-se no tratamento de patologias para as quais a administração oral ou sistémica enfrenta desafios, como a reduzida biodisponibilidade dos fármacos nos tecidos/órgãos alvo. A impressão 3D pretende obter estruturas diversas recorrendo a diferentes tipos de biomateriais (poliméricos, cerâmicos, metálicos ou compósitos) com uma arquitetura e dose do fármaco adaptado para veiculação localizada, permitindo a sua vetorização para um local específico (órgão, tecido), ou mesmo para compartimentos intracelulares.

Diversos exemplos vêm surgindo na literatura científica, designadamente o desenvolvimento de um patch impresso por extrusão contendo 5-fluorouracil para ser aplicado diretamente no pâncreas para suprimir o crescimento das células neoplásicas1. Outras aplicações referem-se à veiculação para o tecido ósseo através da produção de scaffolds, estruturas que mimetizam a matriz extracelular óssea e que podem ser combinadas com antibióticos, anti-inflamatórios ou antineoplásicos para o tratamento de patologia óssea2,3. Outro exemplo com enorme interesse refere-se à produção de microagulhas, um sistema de administração minimamente invasivo e praticamente indolor para o paciente, que pode facilitar a veiculação de fármacos em zonas de difícil acesso, como é o caso do ouvido interno4

Existem, ainda, muitos desafios no desenvolvimento destes produtos, nos biomateriais, nos processos e  em aspetos de regulação. No entanto, a tecnologia de impressão 3D aplicada a sistemas de veiculação localizada tem vindo gradualmente a despertar um interesse crescente e, a longo prazo, pretende-se que estes sistemas possam ser customizados a uma patologia, dose, local de ação e às especificidades de cada paciente.

Doutora Ana Francisca Bettencourt. 

Professora Auxiliar com Agregação em Tecnologia Farmacêutica, Faculdade de Farmácia da Universidade de Lisboa.

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Get to Know the Alumni – Cláudio Carmona

Olá a todos, o meu nome é Cláudio Carmona e participei na fundação da LisbonPH, em 2013, assumindo, numa primeira fase, a Direção do Departamento Comercial e Marketing e, mais tarde, a Direção do Departamento de Recursos Humanos. Durante o meu percurso, tive a oportunidade de liderar as respetivas equipas destes dois departamentos, uma experiência não só muito divertida, mas também enriquecedora do ponto de vista do desenvolvimento de competências.

Após terminar o Mestrado Integrado em Ciências Farmacêuticas, ingressei, em primeiro lugar, na Ordem dos Farmacêuticos, onde coordenei um projeto de Promoção e Educação para a Saúde nas escolas, a “Geração Saudável”. Posteriormente, trabalhei na área da distribuição farmacêutica, no departamento de vendas na Alliance Healthcare, onde aprendi a trabalhar a cultura da gestão de clientes e de negócio, tudo isto num ambiente bastante dinâmico e enérgico.

Atualmente, desempenho funções como Regional Sales Manager na Glintt, sendo responsável pela área de Vendas da Região Sul. Como Regional Sales Manager, o meu principal desafio é aproximar as pessoas e as farmácias à saúde e à tecnologia, incorporando as vendas e a gestão como dois veículos para alcançar esse mesmo objetivo.

Em último lugar e antes de integrar a Glintt, realizei uma Pós-Graduação em Gestão de Informação e Business Intelligence, na área da Saúde, na Universidade Nova IMS, o que me permitiu trabalhar noutras áreas de estudo e com uma enorme rede de Profissionais de Saúde.

A passagem pela LisbonPH permitiu-me desenvolver competências pessoais, o trabalho em equipa e o espírito inovador. Trata-se de uma experiência que nos desafia diariamente e que nos aproxima do mercado de trabalho. A missão de preparar o Profissional de Saúde do futuro está bem patente em todos os projetos e iniciativas da Júnior Empresa e sem dúvida que o mais enriquecedor foram as experiências que vivi, as amizades que fiz e as ferramentas de trabalho que aprendi.

Desafiem-se a participar nesta iniciativa do Movimento Júnior.

Um bem-haja a todos,

Cláudio Carmona

Maquilhagem: as diferentes perspetivas em torno do Mercado da Cosmética

Se há uns anos atrás a maquilhagem era vista como algo supérfluo, fútil e de utilização meramente profissional por quem fazia da imagem o seu modo de vida (como a moda, a  televisão ou o cinema), com a chegada da Internet, das redes sociais e, em especial, da plataforma de vídeo YouTube, onde diariamente são criadas e partilhadas novas e criativas formas de aplicação dos produtos adaptadas a necessidades reais do dia a dia por pessoas “banais”, a maquilhagem generalizou-se, passando hoje a fazer parte do quotidiano da população comum.

Também é certo que nunca antes como agora a sociedade esteve tão centrada na cultura do indivíduo, na valorização da autoestima, aceitação e desenvolvimento de amor próprio, e também aqui a maquilhagem assume-se como uma verdadeira e fiel aliada. 

Esta “popularização” da maquilhagem permitiu que a própria Indústria da Cosmética se expandisse para lá do setor profissional, criando e desenvolvendo novos produtos cada vez mais pensados para o dia a dia de pessoas comuns, atentos às suas necessidades reais, com uma distribuição comercial bem mais vasta e acessível, com o intuito de apresentar soluções práticas que ajudassem a melhorar a autoestima e a qualidade de vida de todos.

Também no Setor da Saúde a maquilhagem tem assumido um papel cada vez mais preponderante. Em pessoas com doenças de pele como o vitiligo, a rosácea ou a acne, ou outras doenças que, por intermédio dos seus tratamentos, interferem com a qualidade e aspeto visual dos seus doentes, é cada vez mais reconhecido pelos Profissionais de Saúde o papel que a maquilhagem desempenha na autoestima e qualidade de vida destes doentes e o valor que isso pode conferir à própria eficácia dos tratamentos.

Sabemos que a nossa mente controla tudo e que é ela que determina como nos sentimos a cada momento. E também sabemos que uma atitude positiva sobre a vida tem demonstrado resultados fascinantes na cura/tratamento de muitas doenças, o que nem sempre a ciência consegue explicar de forma tradicional. É neste ponto que a maquilhagem pode ajudar, fazendo a sua “magia”! O sentido da visão tem um impacto muito marcante e imediato na nossa mente. Ao “vermo-nos” bem, automaticamente a nossa mente muda e interioriza essa nova “visão” de nós próprios, fazendo-nos sentir igualmente bem. E se nos sentimos bem, então estamos bem. A relação é esta: Ver, para Sentir, para Ser.

Cada vez mais conscientes desta abordagem “global/abrangente” sobre os doentes, os Profissionais de Saúde têm vindo cada vez mais a considerar a maquilhagem como parte integrante e indispensável das suas terapêuticas, e a Indústria da Cosmética a desenvolver cada vez mais produtos de formulações mais específicas capazes de dar respostas adequadas a estas situações.

Longe vai o tempo em que o uso de maquilhagem era vaidade ou futilidade e cabe-nos a nós, farmacêuticos, dar também o nosso melhor contributo naquilo que pode ser fundamental para melhorar a qualidade de vida dos nossos utentes, no local que é, reconhecido por todos, a primeira linha na prestação de cuidados de saúde – a farmácia.

iMed.ULisboa – O enquadramento da Investigação Farmacêutica na Sociedade e no Meio Académico, por Prof. Doutor João Gonçalves

O que é o iMed.ULisboa e quais as funções que desempenha?

O iMed.ULisboa é o Instituto de Investigação do Medicamento. É um instituto que está na Faculdade de Farmácia da Universidade de Lisboa e que alberga a força de investigação presente na faculdade, ou seja, gera toda a orientação científica e de investigação sobre as diferentes áreas da Faculdade de Farmácia.

Podem ser áreas mais básicas, da descoberta do medicamento, que vão desde a parte da química à bioquímica, toda a biologia fundamental dos alvos terapêuticos ou dos modelos que depois poderão ser utilizados posteriormente na parte do teste de desenvolvimento de alguns medicamentos ou fármacos, mas que potencialmente poderão ser utilizados sempre no desenvolvimento desses medicamentos. Tem uma parte muito orientada para o mecanismo de ação dos medicamentos, perceber, identificar e isolar mecanismos de ação, que depois possam ser utilizados no estudo de diferentes medicamentos. 

Toda esta investigação mais básica depois é um bocadinho orientada para a parte mais translacional, que é não só o desenvolvimento ou a aplicação de todos estes conceitos de investigação mais básica, de modo a desenvolver novas estratégias terapêuticas, novos potenciais medicamentos, a exploração de novos mecanismos de ação para diferentes medicamentos, mas também uma orientação de uma aplicação destas tecnologias no doente. 

Mas também é o contrário, ou seja, partimos do próprio doente e dos problemas que existem no desenvolvimento e monitorização dessa terapêutica – trazemos de volta para o Instituto, de modo a que algumas questões que nos são colocadas da parte mais clínica depois sejam abordadas do ponto de vista mais laboratorial dentro do Instituto de Investigação do Medicamento. 

No fundo, temos uma parte mais básica, a investigação em modelos in vitro que depois tentamos aplicar no doente, mas também uma parte translacional, que é do doente para o laboratório. É aqui nestas duas dimensões que o iMed se está a colocar. Claro que quando nós olhamos mais para uma parte mais de investigação básica e outra parte mais translacional, temos sempre a questão de como é que isto se pode transpor para a sociedade.

Como é que funciona essa transposição da investigação para a sociedade?

É muito importante aqui também que estas relações com o mundo real sejam feitas. Portanto, o Instituto de Investigação do Medicamento também participa e faz investigação na parte da utilização e de como é que aquilo que nós fazemos no laboratório se pode depois transpor para a utilização prática na clínica e na parte mais da profissão do farmacêutico. 

Dentro destas três dimensões – uma parte mais básica, uma parte mais de mecanismos de ação e uma parte mais de identificação de novos potenciais fármacos, a sua transposição para o doente, para a melhoria e prevenção da saúde. São estas três dimensões que são o objetivo do iMed. O iMed está muito relacionado não só com o medicamento, mas também com a promoção da saúde e a prevenção da doença. São estas diferentes abordagens que o iMed faz neste momento.

Como descreve um dia na vida de um investigador no iMed.ULisboa?

Um dia na vida de um investigador… Nós não fazemos descobertas todos os dias, não é? Estas coisas parecem ser muito “românticas”, mas todo o processo de investigação e desenvolvimento demora sempre muito tempo porque há todo o processo de pesquisa muitas vezes não laboratorial – é, muito mais vezes, pesquisa do que é que se está a fazer naquela área ou por onde é que eu posso ir, quais é que são as perguntas e falar com muitas pessoas.

Depois, há a parte mais laboratorial, pré-laboratorial, que o investigador também deve fazer. Se calhar eu, na altura da minha carreira, já não faço muito a parte laboratorial, tenho muitas pessoas no laboratório que fazem essa parte. A minha função é um bocadinho mais pré-laboratorial e perceber estrategicamente por onde é que quero ir. É falar com muita gente, ler e identificar problemas, mas também gerir o próprio laboratório. 

Gerir o laboratório significa gerir muitas pessoas e o que é que elas estão a fazer, de modo a que todas as pessoas que estão no laboratório não se percam, é preciso orientá-las. É muito fácil perdermo-nos na investigação, porque muitas vezes estamos a olhar para sítios que não devemos, ou que certamente não são o mais importante.

Eu estou a tentar orientar, e depois há os que trabalham no laboratório. Trabalhar no laboratório significa, fundamentalmente, ser muito focado, orientado e muito disciplinado porque as pessoas podem ser muito inteligentes, mas se não forem muito orientadas e disciplinadas é muito difícil conseguirmos chegar a algum lado. 

No laboratório, um dia é um dia de trabalho, que começa muitas vezes de manhã em que se faz uma série de coisas em duas ou três horas, depois há tempos de paragem, depois volta-se novamente. Há sempre aqui um trabalho da bancada laboratorial, mas também um trabalho de secretária. A vida de um investigador, ou um dia, é sempre esta relação entre a bancada do laboratório e o computador. Hoje em dia, não vivem um sem o outro.

É esta dupla função que é um dia normal de um investigador. Claro que as coisas ao longo de vários dias vão aumentando de intensidade, quando se começa a fazer uma ou várias experiências, ou se tentam abordar algumas questões. As coisas vão começando devagarinho, muito lentamente, até que vão acelerando à medida que nós já vamos tendo alguns resultados. É esse um dia, ou vários dias, da vida de um investigador.

O que é que a pandemia da COVID-19 alterou no iMed.ULisboa e, consequentemente, nas suas investigações?

A pandemia alterou muita coisa. Alterou muitas das áreas de investigação em que nós estávamos a trabalhar antes da pandemia, houve algumas áreas que pararam. Na altura, e já faz um ano desde que começou esta pandemia, tivemos que parar alguma investigação exatamente para começar outra.

Parámos durante muito tempo esses projetos (por exemplo, no meu caso, muitos deles relacionavam-se com o cancro e a autoimunidade) e orientámos a nossa investigação para um trabalho mais de serviços. Começámos logo em março a desenvolver este projeto, todos estes protocolos e a parte laboratorial do diagnóstico.

Foi uma altura em que ainda tínhamos pouca coisa para fazer o diagnóstico da COVID-19. Nós entrámos rapidamente para pôr o nosso know-how laboratorial ao serviço do diagnóstico da COVID-19. Tudo isso alterou, as pessoas que estavam a trabalhar nesses projetos de que eu falei anteriormente tiveram que se reorientar e fazer coisas relacionadas com a COVID-19.

Muitas das áreas, não só do diagnóstico, como da serologia, da parte imunológica, na monitorização da infeção, agora da monitorização da eficácia da vacina, tudo isto se alterou. Há um ano atrás, nós não tínhamos noção nenhuma de que iríamos, passado um ano, estar tão envolvidos na COVID-19.

Isto significa também que, quando nós fazemos investigação, estamos preparados para entrar rapidamente noutras áreas. Fazer investigação numa área relacionada, neste caso, com a parte da Imunologia e Virologia, podemos adaptar-nos muito rapidamente às diferentes realidades. Foi isso que aconteceu, adaptámo-nos.

Como avalia a adaptação do iMed.ULisboa durante a pandemia da COVID-19?

Este último ano tem sido um exercício para todos nós. Toda a gente tem tido que fazer esse exercício tal e qual como nós fizemos, que foi adaptarmo-nos a uma realidade que não descartámos, não deitámos fora – adaptámo-nos apenas. É uma das formas que o ser humano tem de responder às crises, não é? Adaptar-se.

Acho que fomos capazes de nos adaptar bem e acho que todos nós temos que tirar alguns ensinamentos de tudo isto, que são quanto melhor e mais rápido nos adaptarmos, mais seremos capazes de sobreviver em todas estas crises, e acho que estamos a demonstrar que isso é possível.

Como conheceu a LisbonPH e como é trabalhar com esta Júnior Empresa?

Já conheço a LisbonPH há muitos anos, um bocadinho antes de 2013. Lembro-me de alguns colegas vossos, antes de começarem, terem vindo falar comigo porque queriam fazer uma Júnior Empresa. Sempre tive muito carinho por isso porque já tinha tido a possibilidade de trabalhar com outras Júnior Empresas, por exemplo do Técnico, e sabia a importância que isso tinha não só para a Academia, como para o próprio crescimento dos alunos.

Quanto mais os alunos crescerem num ambiente de inovação, de desenvolvimento e de competição, mais aprendem. Portanto, sempre achei que a LisbonPH era claramente uma excelente iniciativa da capacidade individual de cada um dos estudantes. Não é como a Associação dos Estudantes, que tem outras vertentes e outras missões. A LisbonPH sempre me pareceu uma oportunidade dos estudantes com uma visão mais empreendedora a colocarem rapidamente e desenvolverem ideias.

Como eu sou muito parecido com esse tipo de comportamento, sempre acarinhei e sempre me disponibilizei, dentro das minhas possibilidades de tempo, que por vezes não são muitas, para pelo menos aconselhar numa ou noutra vertente da LisbonPH. É muito gratificante ver que outras faculdades olham para a LisbonPH como o exemplo, eu sei disso. 

Aqui perto temos a Faculdade de Medicina, em que os próprios estudantes de Medicina olham para a LisbonPH como um bom exemplo daquilo que se pode fazer e que eles lá dentro não conseguem. Por tudo isto e pela capacidade, pela inovação e empreendedorismo que a LisbonPH dá aos farmacêuticos, aos estudantes de farmácia e tudo aquilo que representam na profissão, na preparação das pessoas e dos estudantes para o que é o mundo real da profissão, isso é muito reconhecido.

Hoje, principalmente quando falo com pessoas que estão na Indústria, alegra-me muito ver que muita gente da Indústria fala sempre da LisbonPH porque ouve falar sempre nesse empreendedorismo que a Faculdade de Farmácia tem. Acho que sim, claramente a LisbonPH tem sido uma dinamizadora e uma diferenciação dentro de todos os cursos de Farmácia, dentro dos cursos da área de Saúde e do Ensino Universitário.

Que tipo de colaborações tem com a LisbonPH?

Foram várias as colaborações que temos feito ao longo dos anos, desde cursos até concursos para estudantes ou bolsas. Toda a dinamização e o próprio empreendedorismo que a LisbonPH emprega em tudo o que faz é muito importante, para dinamizar muitos cursos, por exemplo. É importante que sejam feitos mas, muitas vezes, falta exatamente a dinamização e o espírito jovem para os colocar em prática.

As colaborações que nós temos tido nestas áreas são claramente muito gratificantes e foram muito importantes. Fundamentalmente, é isso que eu tenho visto ao longo destes anos, as colaborações que nós temos tido valorizam sempre muito mais pela vossa participação. Empregam sempre uma dinâmica e dão sempre uma dinâmica diferente de dinamização das nossas atividades.

Isso é muito importante nos dias de hoje, em que a quantidade de coisas que se fazem é tanta que nós queremos ser o mais inovadores possível na forma em como fazemos isso. Essa dinamização é a palavra certa para as colaborações que temos tido, que é vocês terem esta capacidade de pensar fora da caixa.

Como já disse, foram várias colaborações, desde cursos até à organização das Bolsas da LisbonPH, que são sempre um aspeto muito importante, e de colaboração com o iMed.ULisboa. Vocês foram capazes de identificar problemas e para além de identificá-los, também foram capazes de propor soluções. Isso é muito importante em todas as colaborações que nós temos tido.

Prof. Doutor João Gonçalves

Get to Know the Alumni – André Carvalho

Olá a todos, o meu nome é André Carvalho e tenho, neste momento, quase um quarto de século. Entrei na LisbonPH no agora distante ano de 2017, como membro do Departamento de Marketing. Iniciei um percurso com altos e baixos onde aprendi muito. 

Passado praticamente um ano, surgiu a oportunidade de me candidatar a diretor do departamento. Cresci imenso, nem eu esperava tal coisa e foi com muito orgulho que liderei uma equipa de sete pessoas. Formámos, assim, um departamento unido, rijo e, para não me alongar mais, simplesmente fantástico. 

Já no mundo profissional, senti uma ligeira vantagem, pois já tinha feito parte de um ambiente semelhante. Quando acabei o estágio curricular, fiquei cerca de dois meses em Farmácia Comunitária à procura de algo que me apaixonasse, até que aparece a GSK. Aí, no Departamento de Marketing em Consumer Healthcare, trabalhei com algumas marcas bastante conhecidas como Sensodyne, Vibrocil e Centrum. A empresa em primeiro lugar no ranking de Consumer Healthcare ajudou-me a ganhar experiência neste mundo tão grande da Indústria Farmacêutica. No entanto, senti que faltava algo.

Por isso, em fevereiro deste ano, entrei na Boehringer Ingelheim Portugal onde estou atualmente a trabalhar na área do pulmão no Departamento de Marketing. Ficava aqui o resto do vosso dia a contar como está a ser, mas resumo a uma palavra: incrível. 

Obrigado por estes cinco minutos e qualquer coisa, apitem.

Um toque de cotovelo,

André

Varicela na Criança e no Recém-nascido

A varicela é uma das doenças mais comuns em Pediatria. Pode aparecer em qualquer idade, mas é mais frequente em crianças até aos 10 anos. Muito contagiosa, mas quase sempre sem grande gravidade, implica que todos estejamos atentos para que o diagnóstico, tratamento e isolamento da criança infetada sejam feitos o mais rápido e adequadamente possível.

O que é?

A varicela é uma doença infecciosa, muito contagiosa, causada pelo vírus varicella zoster. É uma das doenças benignas da infância, mais comum no final do inverno e no início da primavera, e em crianças mais pequenas.

Como se transmite?

A transmissão pode ocorrer antes da pessoa infetada ter qualquer sintoma e até todas as borbulhas estarem em crosta. A doença dura habitualmente 5 a 7 dias e o período de incubação 11 a 21 dias.

O vírus pode ser transmitido através do contacto direto com as vesículas da pele ou pelas secreções respiratórias da pessoa doente. Nas grávidas, pode também ser passado através da placenta, levando à infeção do bebé, o que é particularmente grave no primeiro trimestre, altura em que pode originar malformações.

Como se manifesta?

A varicela caracteriza-se pela presença de diferentes tipos de lesões na pele que dão muita comichão, podem atingir qualquer parte do corpo, e cujo número e gravidade variam de criança para criança. As lesões aparecem inicialmente como pequenas manchas/pápulas rosadas, que evoluem rapidamente para vesículas, que acabam por se transformar em crostas. O mais característico é, com a evolução da doença, estes 3 diferentes tipos de lesões estarem presentes ao mesmo tempo e surgirem invariavelmente na cabeça, boca e região genital.

Outros sinais e sintomas incluem o mal-estar, a febre, a falta de apetite, as cefaleias e dores abdominais, que podem surgir antes do aparecimento das lesões.

Como se trata?

O tratamento é sobretudo sintomático:

  •  Manter as unhas curtas e limpas;
  • Utilizar roupas leves e frescas;
  • Banhos de água morna e gel antisséptico (embora referida como mito, a farinha maizena pode ser utilizada com efeito na água do banho), sem esfregar a pele;
  • Enxugar a pele com cuidado e aplicar cremes/loções antipruriginosas;
  • Usar anti-histamínicos para controlar a comichão;
  • Se febre, dar apenas paracetamol – NÃO utilizar ácido acetilsalicílico (ex. aspirina e derivados) ou ibuprofeno, porque se associam a possíveis complicações graves.

O tratamento com fármacos antivirais deve ficar ao critério do médico assistente, fazendo sentido no caso de segundos contactos ou em crianças com imunodeficiências, neoplasias ou doenças crónicas que se possam associar a complicações.

Quais as complicações possíveis?

Os adolescentes, adultos e crianças com a imunidade diminuída têm maior risco de doença grave e complicações. Embora seja uma doença benigna, as mais frequentes são a sobreinfeção das lesões, a pneumonia e a encefalite.

Como prevenir e limitar o contágio?

Para a prevenção é essencial isolar a criança infetada até que as lesões estejam todas em crosta, sendo uma doença de evicção escolar obrigatória. A vacina para a varicela existe mas não faz parte do Programa Nacional de Vacinação, sendo recomendada apenas a grupos de risco, não estando habitualmente indicada em crianças saudáveis.

Dr.ª Inês Marques, Médica Pediatra e autora do blogue omundodapediatria.com

Impacto da COVID-19 na Indústria da Beleza

“Ninguém podia prever que o início de 2020 iria trazer ao mundo tanta angústia e incerteza. Tudo o que era óbvio e adquirido passou a ser incerto. Deixámos de nos poder movimentar livremente e, em prol da saúde de todos, a grande maioria da população ficou confinada às suas casas. Aprendemos a gerir a vida profissional e familiar/pessoal em simultâneo, já que o teletrabalho passou a ser obrigatório. Perante esta realidade, as pessoas acabaram por adotar um estilo mais descontraído, confortável e a maquilhagem deixou de fazer parte do dia a dia de muitas consumidoras que, consequentemente, deixaram de ter necessidade de adquirir estes produtos.

Em março de 2020, o mercado da maquilhagem caiu 43% e embora a Avène-Couvrance caísse menos do que o mercado (36%), em abril passou abruptamente para os -70%.

Ainda que Portugal tenha começado a desconfinar em maio, ficou claro perante estes números que este foi um segmento que não conseguiu recuperar e terminou o ano a cair mais de 40%! A maquilhagem foi, portanto, um mercado que sofreu bastante com a pandemia.

Outro dos fatores que contribuiu para esta queda no consumo de maquilhagem foi a obrigatoriedade do uso de máscara. Este novo acessório, que esconde boa parte do rosto, passou a ser um dos motivos para a pouca procura de maquilhagem. Mas não só! Pelo mesmo motivo, mas também devido ao aumento de acne com a utilização das máscaras, os BB creams e protetores solares com cor passaram a estar excluídos do cesto de compras dos consumidores. Da mesma forma, produtos para lábios, quer de maquilhagem quer de hidratação ou reparação, sofreram quebras de vendas enormes.

Apenas com o olhar a descoberto, alguns consumidores acabaram por preferir realçar o olhar com maquilhagem, dando preferência à compra de produtos como máscaras de pestanas, sombras, eyeliners, etc..

Relativamente à comunicação, os canais digitais aumentaram exponencialmente. Durante todo o confinamento, as atenções voltaram-se para o digital e a necessidade de cativar os consumidores através das redes sociais tornou-se uma das prioridades. Também os workshops digitais com consumidores foi uma das grandes apostas, nomeadamente na área da maquilhagem.

Em suma, enquanto farmacêutica na marca Avène, penso que a pandemia COVID-19 trouxe pontos negativos e positivos. Pontos negativos, claramente a diminuição do sell-out de uma forma global e, em particular, a maquilhagem. Pontos positivos, a capacidade de reinvenção e acompanhamento das tendências nos hábitos de consumo.”

Dr.ª Ana Raquel Santos

Training Manager

Pierre Fabre Dermo-cosmétique

No período de tempo prévio à pandemia da COVID-19, as marcas já se encontravam sob pressão para realizar a revisão da pipeline de inovação dos produtos. Agora, podemos afirmar que a necessidade de acelerar este processo é cada vez maior. A Indústria da Beleza, onde se encontra inserida a área da maquilhagem, foi surpreendida com a crise da COVID-19. Quais serão os efeitos da COVID-19 sobre a Indústria da Beleza nos próximos meses? E quais os efeitos a longo prazo?

Mesmo que o impacto económico da crise da COVID-19 seja muito maior do que qualquer recessão, a Indústria da Beleza pode ser relativamente resiliente. Ao observar a subida nas vendas dos batons durante a recessão de 2001, Leonard Lauder da Indústria Cosmética criou o termo “Lipstick Index” para descrever o fenómeno – o batom é visto como um luxo acessível, logo as vendas continuam fortes mesmo em tempos adversos.

Com base nos cenários mais expectáveis por empresas e tendências atuais, a McKinsey & Company estima que as receitas globais na Indústria da Beleza global possam cair entre 20 a 30%, em 2020. No entanto, analisou a recuperação da mesma através de dois fatores:

  1. Onde e como os produtos de beleza são vendidos – Em muitos locais, as compras em loja representavam até 85% das compras de produtos de beleza antes da crise da COVID-19, com variações por subcategoria. Com o encerramento de lojas, cerca de 30% do mercado da Indústria da Beleza terminou. No entanto, foram reportadas vendas de e-Commerce duas vezes mais altas do que na época pré COVID-19, e pensa-se que o crescimento mais típico será de 20 a 30%. A oferta de descontos online também subiu até 40%, o que atrai sempre o número de clientes.
  2. Que produtos de beleza estão a ser comprados – Devido ao teletrabalho e ao uso de máscara, tornou-se menos relevante usar maquilhagem. Para algumas marcas, houve um declínio de 55% na compra de cosméticos em comparação com o ano anterior. No regresso ao trabalho, o uso de máscara mantém-se e a procura por maquilhagem será ainda mais retardada, à exceção dos produtos que fiquem acima da máscara. Por outro lado, a tendência do-it-yourself (DIY) nos cuidados de beleza é cada vez maior. Muitos consumidores enfrentarão problemas económicos após a crise da COVID-19. Como resultado, o cuidado das unhas DIY tem novos clientes e originou um termo semelhante ao do batom, na crise atual – o “nail-polish effect“.

Alterações resultantes da crise da COVID-19 poderão ser definitivas na Indústria da Beleza. Os consumidores têm tendência a aumentar o seu engagement e os seus gastos online, e por esse motivo, devem priorizar-se canais digitais para captar e converter a atenção de clientes habituais e recentes. Consumidores em todo o mundo continuam a encontrar conforto nos simples prazeres de um “self-care Sunday” ou em aplicar um toque de batom antes de uma reunião no Zoom. Mesmo antes da pandemia, a definição de beleza estava a tornar-se mais global, expansiva e interconectada com a sensação de bem-estar. A crise da COVID-19 não é suscetível a mudar estas tendências – e assim, há sempre razão para ter esperança.