Do Sinal à Doença: O Alerta Urgente para o Cancro da Pele

O cancro cutâneo constitui uma das neoplasias mais prevalentes a nível mundial. É decorrente da proliferação desregulada das células epiteliais da pele, frequentemente induzida pelo envelhecimento e pela exposição excessiva à radiação ultravioleta (UVA e UVB), proveniente de fontes naturais (sol) ou artificiais (solários). Esta radiação promove mutações no DNA celular que comprometem os mecanismos de reparação celular, favorecendo a transformação maligna.

As principais entidades nosológicas incluem o carcinoma basocelular, o carcinoma espinocelular e o melanoma. O carcinoma basocelular, originado nas células basais da epiderme, é o subtipo mais prevalente e menos agressivo, raramente com potencial metastático (1% dos casos). Em 2º lugar vem o carcinoma espinocelular, derivado das células escamosas, com um comportamento mais agressivo, capacidade invasiva e metastática. 

O melanoma, neoplasia maligna dos melanócitos, é o mais grave, com elevada taxa de metastização e responsável por 80% dos óbitos por cancro cutâneo.

De acordo com os dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), são diagnosticados anualmente mais de 2 milhões de casos de carcinoma basocelular e espinocelular, e cerca de 132 mil casos de melanoma. Em Portugal, a incidência atual de melanoma ronda os 1500 novos casos/ano, com tendência ascendente. Nos países do Norte da Europa, a incidência é maior devido ao fototipo cutâneo mais baixo (I, II), enquanto os países do Sul enfrentam os aumentos relacionados com os hábitos de exposição solar intensa e intermitente.

Os grupos profissionais como pescadores, trabalhadores agrícolas e da construção civil, entre outros, apresentam um risco acrescido devido à exposição solar intensa e prolongada, quase sempre sem medidas de proteção adequadas. A medicina do trabalho assume um papel fundamental na prevenção, através da implementação de estratégias de proteção solar, rastreios periódicos e ações de educação para a saúde.

A prevenção primária constitui um pilar fundamental na redução da incidência do cancro cutâneo. Recomenda-se evitar a exposição solar entre as 11h e as 17h, aplicar de forma correta fotoprotetores com elevado fator de proteção solar (30 a 50+) de 2 em 2 horas nas áreas expostas, usar vestuário colorido, chapéus com proteção auricular, óculos de sol, toldo com proteção anti UVA e UVB e não frequentar solários. A vigilância, incluindo o autoexame regular, permite a deteção precoce de lesões suspeitas. A regra do ABCDE — Assimetria, Bordos irregulares, Cor variável, Diâmetro superior a 6 mm e Evolução — constitui uma ferramenta útil na identificação precoce de melanomas. 

A deteção precoce está diretamente associada ao melhor prognóstico. Qualquer alteração cutânea suspeita deve ser avaliada e tratada por um dermatologista experiente na área do cancro cutâneo. O diagnóstico baseia-se na observação e na realização de biópsia. O tratamento depende do tipo histológico e do estádio da doença, podendo incluir cirurgia, radioterapia, quimioterapia, imunoterapia ou terapêutica dirigida.

Investir na literacia em Saúde, na formação contínua dos profissionais e na sensibilização da população é imperativo. A prevenção começa com o conhecimento, como instrumento vital na promoção da Saúde Pública.

Neste sentido, a LisbonPH promoveu a campanha de sensibilização “Proteção Solar e Patologias Dermatológicas: Sun Aware, Skin Care!”, em parceria com o projeto “Sombra para Todxs”, para reforçar a importância da fotoproteção diária e da deteção precoce do cancro cutâneo.

A prevenção começa com o conhecimento. O conhecimento salva-vidas!

 

Dra. Maria José Passos

Oncologista Médica do Hospital Particular do Algarve