Get to Know the Alumni – Diogo Tonicher

🇵🇹

Olá a todos! O meu nome é Diogo Tonicher, tenho 24 anos, sou Mestre em Ciências Farmacêuticas e um orgulhoso membro do Alumni Board da LisbonPH.

Durante o meu percurso académico, sempre valorizei as experiências que me poderiam fazer crescer e adquirir skills diferenciadoras e fundamentais para o mercado de trabalho e, por isso, nada melhor que ingressar na LisbonPH, uma Júnior Empresa que tem como visão formar os Profissionais de Saúde do futuro, empreendedores, criativos e multidisciplinares!

Em outubro de 2020, em plena pandemia, ingressei no Departamento Comercial e Vendas da LisbonPH, onde fui posto à prova desde o primeiro dia com o objetivo de me fazer crescer e colmatar todas as inseguranças que poderia ter. Ao ser muito bem recebido por toda a estrutura numa fase difícil a nível mundial, percebi desde cedo o que a LisbonPH poderia ser para mim e para todos aqueles que a querem aproveitar ao máximo: uma casa onde crescemos, criamos amizades e, acima de tudo, impactamos a sociedade positivamente.

Devido à pandemia, a LisbonPH teve que se adaptar, os majestosos eventos presenciais passaram para o digital, uma realidade outrora desconhecida mas que veio para ficar. Numa altura onde a desinformação em Saúde era cada vez maior, a LisbonPH juntou-se a inúmeras empresas da Indústria Farmacêutica e realizou vários webinars informativos sobre as vacinas e a COVID-19. Fazer parte de projetos impactantes, ter contacto com empresas de renome mundial e, posteriormente, ter o reconhecimento destes mesmos projetos a nível europeu é uma sensação incrível enquanto se é estudante e é muito disso que a LisbonPH tem para oferecer.

O meu percurso na LisbonPH culminou como Presidente Executivo, onde tive o privilégio de liderar uma fantástica equipa, inúmeros projetos impactantes e a internacionalização dos serviços da Júnior Empresa. Para mim, a LisbonPH são as pessoas e, por isso, a minha principal ambição sempre foi fomentar uma cultura de integridade, onde todos têm o seu valor reconhecido e onde o sentimento de gosto e pertença é evidente. 

Para além de tudo o que já mencionei, a LisbonPH trouxe-me algo que vou levar para sempre no coração: o Movimento Júnior. Ver a quantidade de jovens que não se querem limitar ao “habitual”, que querem lutar sempre por algo mais e que se ajudam mutuamente a crescer, fez-me perceber que seremos sempre aquilo que quisermos ser. Embora de áreas e localidades completamente diferentes, fiz amizades e adquiri conhecimentos que levo para a vida.

Atualmente, trabalho como Marketing & Medical Affairs Trainee na Eli Lilly & Company e posso, seguramente, dizer que a LisbonPH é a melhor rampa de lançamento para o mercado de trabalho que se pode ter enquanto estudante do MICF. Na LisbonPH, aprendemos a errar e a aprender com os erros, aprendemos a ultrapassar desafios e, acima de tudo, é-nos permitido sonhar e lutar pelos nossos sonhos.

Viver a LisbonPH é algo incrível mas só vocês poderão escrever a vossa história enquanto Júnior Empresários. A LisbonPH trará sempre mais desafios a quem pretende chegar mais longe, a LisbonPH fará de tudo para que sejam cada vez mais empreendedores, criativos e multidisciplinares mas, se querem verdadeiramente que isso aconteça, têm que ter vontade e determinação para superar todas as adversidades que vos possam aparecer no caminho porque, no final, tudo fará sentido e poderão sair com o sentimento de dever cumprido!

 

🇬🇧

 

Hello, everyone! My name is Diogo Tonicher, Im 24 years old, I have a Master’s degree in Pharmaceutical Sciences and I am a proud member of the LisbonPH‘s Alumni Board.

Throughout my academic career, I have always valued experiences that would help me grow and acquire distinctive and fundamental skills for the job market. Therefore, there was no better choice than joining LisbonPH, a Junior Enterprise whose vision is to train the Healthcare Professionals of the future, entrepreneurial, creative, and multidisciplinary!

In October 2020, in the midst of the pandemic, I joined LisbonPH’s Commercial and Sales Department, where I was put to the test from day one with the aim of helping me grow and overcome any insecurities I might have. Being very well received by the entire structure at a difficult time worldwide, I realised early on what LisbonPH could be for me and for all those who want to make the most of it: a home where we grow, make friends and, above all, have a positive impact on society.

Due to the pandemic, LisbonPH had to adapt, and the majestic in-person events moved online, a reality that was once unknown but is now here to stay. At a time when misinformation about health was on the rise, LisbonPH joined forces with numerous companies in the pharmaceutical industry and held several informative webinars on vaccines and COVID-19. Being part of impactful projects, having contact with world-renowned companies and, subsequently, having these same projects recognised at European level is an incredible feeling as a student, and that is very much what LisbonPH has to offer.

My journey at LisbonPH culminated as the Executive President, where I had the privilege of leading a fantastic team, numerous impactful projects, and the internationalisation of the Junior Enterprise’s services. For me, LisbonPH is about the people, and so my main ambition has always been to foster a culture of integrity, where everyone’s value is recognised and where a sense of enjoyment and belonging is evident. 

In addition to everything I have already mentioned, LisbonPH has given me something that I will carry in my heart forever: the Junior Movement. Seeing the number of young people who do not want to limit themselves to the “usual”’, who always want to strive for something more and who help each other to grow, made me realise that we will always be what we want to be. Although from completely different areas and locations, I made friends and acquired knowledge that I will carry with me for life.

I currently work as a Marketing & Medical Affairs Trainee at Eli Lilly & Company, and I can safely say that LisbonPH is the best launch pad into the job market that you can have as a Pharmaceutical Sciences student. At LisbonPH, we learn to make mistakes and learn from them, we learn to overcome challenges, and above all, we are allowed to dream and fight for our dreams.

Experiencing LisbonPH is incredible, but only you can write your story as Junior Entrepreneurs. LisbonPH will always bring more challenges to those who want to go further. LisbonPH will do everything to make you more entrepreneurial, creative, and multidisciplinary, but if you truly want this to happen, you must have the will and determination to overcome all the adversities that may come your way because, in the end, everything will make sense, and you will be able to leave with a sense of accomplishment!

Sobrecarga de Informação: Como Proteger o Cérebro e a Mente no Mundo Digital?

A era digital trouxe-nos inúmeras facilidades, mas também nos tornou reféns de um fluxo incessante de informação. Somos bombardeados a toda a hora por notícias, notificações e conteúdos que desafiam a nossa atenção. Este excesso de estímulos não é apenas cansativo, mas prejudicial para a nossa capacidade reflexiva. Quem nunca sentiu a mente exausta depois de horas a percorrer o feed das redes sociais ou a tentar acompanhar todas as manchetes do dia? Como aludi recentemente num artigo no Público, estamos a ser sufocados por tanta informação e precisamos, urgentemente, de tomar as rédeas da situação, especialmente no que concerne à nossa atenção e capacidade de foco.

O problema não é a informação em si, mas o facto de que o nosso cérebro não foi desenhado para estar constantemente a filtrá-la e processá-la. Consumimos conteúdos sem critério, deixamo-nos levar por manchetes sensacionalistas e/ou alarmistas e passamos horas online. O resultado? Uma mente sobrecarregada, ansiosa e incapaz de se concentrar no que realmente importa. A ideia de que estar bem informado significa absorver tudo é um grande equívoco. Na realidade, é exatamente o oposto: quem quer manter-se bem informado precisa de aprender a selecionar e a ignorar o excesso.

A verdade é que estabelecer limites para a nossa presença digital não é uma simples recomendação, mas uma necessidade urgente. Criar horários específicos para aceder às redes sociais e/ou verificar emails evita a armadilha de estar sempre disponível e, por consequência, distraído. Praticar um consumo seletivo de informação, focando-se em fontes fidedignas e conteúdos realmente relevantes, também ajuda a cultivar um terreno fértil para o nosso cérebro.

Outro passo essencial é o chamado “detox digital”. Precisamos de nos permitir desconectar, nem que seja por algumas horas do dia. Ler um livro, ir beber um café com amigos, sair para caminhar sem o telemóvel, ou simplesmente ficar em silêncio são atitudes que podem parecer banais, mas fazem toda a diferença. A hiperconectividade está a drenar a nossa energia, e quem não se impõe limites acaba por se tornar escravo dos ecrãs.

Além disso, fortalecer a capacidade de foco deve ser uma prioridade. Práticas como meditação e mindfulness são cada vez mais indispensáveis para quem deseja escapar à distração constante. Estas estratégias ajudam a treinar a mente para estar presente no momento e não à mercê de cada notificação ou notícia que aparece no ecrã.

No final de contas, o que está em jogo aqui não é apenas a nossa produtividade, mas a nossa qualidade de vida e saúde mental. A era digital é irreversível, mas a forma como escolhemos interagir com ela é uma decisão individual que impactará o nosso futuro (cerebral). Informação é poder e tecnologia é progresso, mas apenas quando sabemos usá-la a nosso favor.

Rui da Silva Rodrigues

Neurocientista e comunicador de ciência. Apaixonado pelo mundo que o rodeia. 

Do Sinal à Doença: O Alerta Urgente para o Cancro da Pele

O cancro cutâneo constitui uma das neoplasias mais prevalentes a nível mundial. É decorrente da proliferação desregulada das células epiteliais da pele, frequentemente induzida pelo envelhecimento e pela exposição excessiva à radiação ultravioleta (UVA e UVB), proveniente de fontes naturais (sol) ou artificiais (solários). Esta radiação promove mutações no DNA celular que comprometem os mecanismos de reparação celular, favorecendo a transformação maligna.

As principais entidades nosológicas incluem o carcinoma basocelular, o carcinoma espinocelular e o melanoma. O carcinoma basocelular, originado nas células basais da epiderme, é o subtipo mais prevalente e menos agressivo, raramente com potencial metastático (1% dos casos). Em 2º lugar vem o carcinoma espinocelular, derivado das células escamosas, com um comportamento mais agressivo, capacidade invasiva e metastática. 

O melanoma, neoplasia maligna dos melanócitos, é o mais grave, com elevada taxa de metastização e responsável por 80% dos óbitos por cancro cutâneo.

De acordo com os dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), são diagnosticados anualmente mais de 2 milhões de casos de carcinoma basocelular e espinocelular, e cerca de 132 mil casos de melanoma. Em Portugal, a incidência atual de melanoma ronda os 1500 novos casos/ano, com tendência ascendente. Nos países do Norte da Europa, a incidência é maior devido ao fototipo cutâneo mais baixo (I, II), enquanto os países do Sul enfrentam os aumentos relacionados com os hábitos de exposição solar intensa e intermitente.

Os grupos profissionais como pescadores, trabalhadores agrícolas e da construção civil, entre outros, apresentam um risco acrescido devido à exposição solar intensa e prolongada, quase sempre sem medidas de proteção adequadas. A medicina do trabalho assume um papel fundamental na prevenção, através da implementação de estratégias de proteção solar, rastreios periódicos e ações de educação para a saúde.

A prevenção primária constitui um pilar fundamental na redução da incidência do cancro cutâneo. Recomenda-se evitar a exposição solar entre as 11h e as 17h, aplicar de forma correta fotoprotetores com elevado fator de proteção solar (30 a 50+) de 2 em 2 horas nas áreas expostas, usar vestuário colorido, chapéus com proteção auricular, óculos de sol, toldo com proteção anti UVA e UVB e não frequentar solários. A vigilância, incluindo o autoexame regular, permite a deteção precoce de lesões suspeitas. A regra do ABCDE — Assimetria, Bordos irregulares, Cor variável, Diâmetro superior a 6 mm e Evolução — constitui uma ferramenta útil na identificação precoce de melanomas. 

A deteção precoce está diretamente associada ao melhor prognóstico. Qualquer alteração cutânea suspeita deve ser avaliada e tratada por um dermatologista experiente na área do cancro cutâneo. O diagnóstico baseia-se na observação e na realização de biópsia. O tratamento depende do tipo histológico e do estádio da doença, podendo incluir cirurgia, radioterapia, quimioterapia, imunoterapia ou terapêutica dirigida.

Investir na literacia em Saúde, na formação contínua dos profissionais e na sensibilização da população é imperativo. A prevenção começa com o conhecimento, como instrumento vital na promoção da Saúde Pública.

Neste sentido, a LisbonPH promoveu a campanha de sensibilização “Proteção Solar e Patologias Dermatológicas: Sun Aware, Skin Care!”, em parceria com o projeto “Sombra para Todxs”, para reforçar a importância da fotoproteção diária e da deteção precoce do cancro cutâneo.

A prevenção começa com o conhecimento. O conhecimento salva-vidas!

 

Dra. Maria José Passos

Oncologista Médica do Hospital Particular do Algarve

Influência dos Nanoplásticos na Saúde

“Nanoplástico” é um termo genérico atribuído a partículas de diâmetro menor que 100 nanómetros e que, quimicamente, são maioritariamente compostas por um polímero dito plástico como poliestireno (PS), polietileno (PE), polipropileno (PP), entre vários outros.

Do ponto de vista toxicológico, ainda há muito a desvendar acerca dos seus efeitos. A investigação desenvolvida à data, incluindo no laboratório de Toxicologia da FFUL, tem apontado no sentido dos nanoplásticos poderem penetrar células e tecidos, ativando vias de sinalização associadas a uma resposta pró-inflamatória, nomeadamente o eixo TLR4/NF-kB e MPAK p38 [1]. De assinalar, contudo, que muita da investigação laboratorial publicada tem utilizado como modelo partículas comerciais de PS e que nanoplásticos de outros polímeros poderão ter outro tipo de efeitos. 

Para além disso, há que ter em conta que no ambiente as nanopartículas de plástico, em resultado da sua elevada razão área de superfície/volume, interagem fortemente com outros contaminantes, adsorvendo-os na sua superfície, o que pode alterar a sua biodisponibilidade e propriedades toxicológicas [2]. Uma outra camada de complexidade no estudo da toxicologia dos nanoplásticos relaciona-se com o facto de, para além da composição polimérica referida acima, os plásticos terem na sua constituição vários aditivos que têm propriedades toxicológicas distintas. Um exemplo é o bisfenol A (BPA), um conhecido disruptor endócrino [3]. Importa, por isso, perceber também de que forma é que a libertação destes aditivos dos nanoplásticos pode impactar a Saúde humana

Para além desta caracterização dos perigos toxicológicos inerentes aos nanoplásticos, é fundamental saber-se o nível de exposição da população humana para estimarmos o Índice Risco. Embora se tenham feito alguns progressos do ponto de vista analítico recorrendo a metodologias avançadas como espectroscopia Raman [4] ou Pirólise-GC-ToF-MS [5], a comunidade científica ainda não dispõe de métodos validados que permitam avaliar rotineiramente quais os níveis de nanoplásticos – dos mais variados tamanhos e composição química – em diferentes matrizes como águas de consumo e alimentos. 

Este é, na minha opinião, o maior desafio que na atualidade se coloca à investigação sobre nanoplásticos e aquele que determinará a direção de investigação futura, nomeadamente no que respeita à Avaliação do Risco toxicológico destes materiais.

 

Prof. Doutor Vasco Branco

Faculdade de Farmácia da Universidade de Lisboa



“BURNOUT” – Uma nova forma de ver, viver e gerir as “doenças”…

O tema desta reflexão é o “burnout”, que foi recentemente anunciado como uma nova doença pela Organização Mundial da Saúde (OMS) e, mais recentemente ainda, anunciado como uma síndrome (que não é uma doença), pela mesma organização.

Um estudo publicado em 2017, encomendado pela Ordem dos Médicos a uma equipa de investigadores da Universidade de Lisboa, reportou resultados alarmantes: 66% dos médicos que participaram no estudo manifestam um nível elevado de “exaustão emocional”. Este estudo da era pré-COVID-19 (como seriam os resultados hoje?) foi amplamente discutido na comunicação social. A “exaustão emocional” é uma das principais dimensões da síndrome de burnout.

O título do estudo era o “Burnout na Classe Médica em Portugal”. O debate que provocou na comunicação social deu um importante contributo para familiarizar a opinião pública com este anglicismo, já amplamente adotado na língua portuguesa corrente. A palavra “burnout” é hoje utilizada por todos para designar alguém que está deprimido ou, mais popularmente, que está “esgotado” ou, mais genericamente, que apresenta comportamentos estranhos. Diz-se que essa pessoa está em burnout

A Classificação Internacional das Doenças, na sua versão mais recente (CID-11, 2019), classifica o “burnout” como uma síndrome que resulta de stress profissional crónico que não foi bem gerido. É caracterizado por três dimensões:

  1. Sentimentos de falta de energia ou de exaustão emocional;
  2. Desinvestimento mental e emocional na esfera profissional e sentimentos negativos ou cinismo relacionados com o trabalho;
  3. Diminuição da realização profissional.

As dúvidas relativamente ao burnout ser classificado como uma doença convivem com a certeza de que o burnout é uma das principais causas de depressão, a doença que se destaca como primeira causa de incapacidade na Europa. O burnout é a causa de muitos outros problemas de Saúde, de redução do rendimento profissional, e de insatisfação com o trabalho e a vida.

Como se previne e como se trata esta “síndrome”, que não é doença, mas é causa de doenças e de incapacidade? Considerando a definição já apresentada, prevenir e tratar o burnout consiste em “gerir” melhor o stress profissional crónico.

A OMS não exclui os médicos e o sistema de Saúde do tratamento (da gestão) do burnout. Mas fica também claro a partir da sua definição que gerir o burnout de modo a prevenir e a tratar esta “condição” não depende só dos médicos – nem os médicos têm o papel principal nesta tarefa. Gerir o burnout é uma tarefa de todos. 

“Gerir”, no caso do burnout, aplica-se a cada um de nós que deve empenhar-se ativamente na gestão da sua vida profissional. “Gerir” aplica-se às organizações onde trabalhamos e aos seus dirigentes, que devem ser formados para gerir melhor o trabalho e as pessoas. “Gerir” é também uma tarefa dos influenciadores e ativistas sociais, que devem disseminar esta nova conceção de Saúde e de doença. Por fim, esta tarefa é dos políticos, que devem governar considerando estas mudanças na Saúde e nas doenças que pedem novas políticas de Saúde e de organização do trabalho.

 

Paulo Vitória

Psicólogo,

Professor na Universidade da Beira Interior

 

Conceição Nobre

Psicóloga, 

Diretora clínica da Ph+ Desenvolvimento de Potencial Humano.



Get to Know the Alumni – Beatriz Glória

🇵🇹

O Movimento Júnior é a principal plataforma de desenvolvimento complementar ao ensino académico. Aqui é possível criar valor para a sociedade e para o tecido empresarial, através do empreendedorismo de jovens universitários, permitindo torná-los líderes do futuro mais completos e diferenciados.

Em 2021, motivada pelo empreendedorismo, dinamismo e inovação que, para mim, representa este movimento, integrei o Departamento Comercial e Vendas da LisbonPH. Na altura, estava longe de imaginar que nos próximos 3 anos, também eu faria parte deste grupo de estudantes universitários que diariamente contribui para um impacto positivo no setor da Saúde.

A vertente internacional do Movimento Júnior sempre me suscitou interesse e foi por isso que, no ano seguinte, integrei a Junior Entreprises Europe como Partnerships and Public Affairs Manager e mais tarde me tornei External International Manager da LisbonPH. Aqui contactei com colegas de vários países e Júnior Empresas, com áreas de negócio diversas, mas com um ponto comum: crescer, crescer, crescer.

No início de 2023, fui eleita Diretora do Departamento Comercial e Vendas, função que desempenhei durante um ano, e onde aprendi que o mais importante de qualquer negócio são sempre as pessoas. Esta aprendizagem reflete o grande marco que foi a minha passagem pela LisbonPH, não só enquanto membro, mas também enquanto Conselho de Administração. No fim do dia o que fica são as amizades criadas, o companheirismo diário, o trabalho em equipa e as conquistas que juntos alcançamos.

De todos os eventos, reuniões externas tidas, projetos angariados e parcerias estabelecidas aquilo que recordo desta jornada verdadeiramente enriquecedora foram as pessoas com as quais a partilhei.

Desde que finalizei o MICF em julho de 2024 que trabalho na AbbVie, enquanto Sales Representative na área das Neurociências, onde integro mais uma vez uma equipa dinâmica, repleta de pessoas extraordinárias que trabalham todos os dias para criar um impacto positivo na vida de doentes em todo o mundo, tornando possibilidades realidade.

 

🇬🇧

The Junior Movement is the main platform for complementary development alongside academic education. It provides an opportunity to create value for society and the business sector through the entrepreneurship of university students, helping them become more well-rounded and distinctive leaders of the future.

In 2021, driven by the entrepreneurship, dynamism, and innovation that this movement represents to me, I joined the Commercial and Sales Department of LisbonPH. At the time, I had no idea that over the next three years I would become part of this group of university students who contribute daily to making a positive impact in the healthcare sector.

The international dimension of the Junior Movement has always fascinated me, which is why, in the following year, I joined Junior Enterprises Europe as Partnerships and Public Affairs Manager and later became External International Manager of LisbonPH. In this role, I connected with peers from different countries and Junior Enterprises from various business areas, all sharing a common goal: to grow, grow, grow.

At the beginning of 2023, I was elected Director of the Commercial and Sales Department, a position I held for one year. It was in this role that I learned the most important lesson in any business: people always come first. This insight reflects the significant milestone that my time at LisbonPH represented, not only as a member, but also as part of the Board of Directors. At the end of the day, what remains are the friendships built, the daily camaraderie, the teamwork, and the shared achievements. Among all the events, external meetings, projects acquired, and partnerships established, what I cherish most from this truly enriching journey are the people with whom I shared it.

Since completing the MICF in July 2024, I have been working at AbbVie as a Sales Representative in the Neuroscience area, once again joining a dynamic team filled with extraordinary people who work every day to create a positive impact in the lives of patients around the world, turning possibilities into reality.

 

R-nuucell – Rumo a uma nova era para a quimioterapia do cancro

Apesar dos avanços já alcançados no tratamento do cancro, os cancros metastáticos continuam a ser os grandes “protagonistas do mal” pelo seu elevado número de mortes.

O que são então cancros metastáticos?

São tumores malignos caracterizados pela disseminação precoce de células cancerosas que, viajando através da corrente sanguínea e dos vasos linfáticos, podem chegar a vários locais do corpo humano onde vão “semear” o cancro. Assim, os novos tumores, que se denominam metástases, podem encontrar-se espalhados pelo fígado, pulmão, cérebro, ossos, etc. É esta disseminação precoce das metástases que aciona inexoravelmente a contagem do relógio…

Os cancros metastáticos são responsáveis pela maioria das mortes por cancro segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS).

O grande problema a resolver é a inexistência de medicamentos adequados e eficazes para tratamento dos cancros metastáticos, que são considerados uma “necessidade médica não atendida”.  Assim, a solução que tem sido encontrada passa por estender o tempo de vida dos pacientes utilizando combinações de medicamentos eficazes para outros tipos de cancro que permitam desacelerar a progressão da doença. Contudo, esta solução acarreta todas as consequências de uma quimioterapia não adequada e a perda de qualidade de vida dos pacientes. Nos casos mais avançados da doença o único recurso é o uso de paliativos para o alívio dos sintomas.

Neste contexto, a urgência em encontrar uma solução para o tratamento eficaz dos cancros metastáticos é por demais óbvia.

A longa investigação científica do Grupo de Química BioInorgânica e BioOrganometálica (Faculdade de Ciências, ULisboa) na área da síntese de novas moléculas com potencial interesse societal levou à descoberta de novos compostos que, pelas suas potencialidades como medicamentos antimetastáticos, catapultou a criação da empresa de investigação científica R-nuucell.

A R-nuucell, fundada em 2021 pelas investigadoras Helena Garcia e Andreia Valente, é uma spin-off de biotecnologia que visa a descoberta e desenvolvimento de medicamentos inovadores e pioneiros para a quimioterapia de cancros metastáticos, com ênfase nos cancros da mama triplo negativo, pulmão e colorretal, responsáveis por cerca de 50% de todas as mortes por cancro. 

O âmago da R-nuucell está no design estratégico de novas moléculas para a terapia dirigida do cancro que já demonstraram ser efetivas onde os medicamentos tradicionais falham. 

Estes potenciais medicamentos, baseados num átomo central de ruténio que os coloca na família dos metalofármacos, como a cisplatina (medicamento em clínica para quimioterapia), respondem aos três grandes desafios em que falham os tratamentos em uso clínico, nomeadamente: i) têm alvos específicos e clinicamente validados na célula cancerosa – a base da quimioterapia dirigida; ii) têm potencial antimetastático – inibem certos processos de metastização e reduzem o número de metástases;  iii) são capazes de ultrapassar vários mecanismos de resistência aos fármacos – inibem, por exemplo, o funcionamento das proteínas de efluxo que expulsam os fármacos das células cancerosas.

No contexto dos resultados já obtidos e validados por provas de conceito in vivo podemos perspetivar para a R-nuucell um futuro de esperança no tratamento de uma doença que constitui a segunda causa de morte a nível mundial.

 

Doutora Maria Helena Garcia

Co-founder & CTO at “R-nuucell”



“Dores Sem Idade: O Impacto do Reumatismo nos Jovens”

O reumatismo é um termo genérico utilizado para descrever mais de 100 doenças, designadas como doenças reumáticas. As doenças reumáticas atingem não só as articulações, os ossos e os músculos, mas também podem envolver a pele, o coração, os pulmões, os rins, o sistema nervoso, o intestino, o sangue, entre outros. Algumas doenças, como a osteoartrose e a osteoporose, são mais frequentes na faixa etária mais avançada, mas as doenças reumáticas podem ocorrer em qualquer idade, e existem muitas doenças reumáticas que começam na idade jovem (por exemplo a artrite idiopática juvenil, o lúpus eritematoso sistémico e a espondilite anquilosante). 

A realização do diagnóstico de doença reumática sistémica tem sempre um impacto muito significativo na vida das pessoas, principalmente se se tratar de um jovem, em que o atraso no diagnóstico pode condicionar a instituição demorada da terapêutica adequada, levando a sequelas articulares e motoras. 

Na última década registaram-se grandes mudanças no tratamento dos jovens com doenças reumáticas, sobretudo com as terapêuticas biotecnológicas, sendo muito importante uma maior consciencialização da comunidade para estas doenças, uma vez que o empenho do doente (e da família/entidade empregadora, ao facilitar o acesso às consultas, ensinos terapêuticos, realização de repouso após técnicas de diagnóstico e terapêutica) é imprescindível para ter sucesso na estratégia terapêutica proposta.

Se o jovem com doença reumática for tratado atempada e adequadamente, por médicos especialistas em Reumatologia, a maioria poderá levar uma vida dentro da normalidade.  Nos casos em que ocorre um grande atraso na instituição de terapêutica podem ocorrer deformações e limitações irreversíveis. Os médicos de família, sendo o primeiro contacto das famílias com os Profissionais de Saúde, têm um papel fundamental no diagnóstico precoce destes doentes e na referenciação para um centro com consulta de Reumatologia. 

Doutora Ana Filipa Mourão

Médica Reumatologista da rede Hospital da Luz



Terah – a gestão da terapêutica à distância de um clique!

A aplicação Terah – My Therapeutics at Hand surgiu com o objetivo claro de trazer uma solução para toda a problemática associada ao mau uso do medicamento. Inicialmente, estruturámos o conceito de trazer uma solução focada na vertente da iliteracia do medicamento, permitindo ao doente aceder a informação clara e objetiva acerca do mesmo e tratada para ser reproduzida numa linguagem técnica, mas acessível.

Entretanto, o conceito foi evoluindo, sobretudo porque percebemos o impacto que poderíamos gerar em todo o ecossistema da Saúde, se fôssemos capazes de aplicar todo o conhecimento disponível acerca dos medicamentos, para proporcionar uma gestão profissional na mão do utente.

Em todo o processo de desenvolvimento e maturação do produto, tivemos sempre presente o nosso objetivo real – suprimir as implicações do mau uso do medicamento, que a OMS estima que sejam responsáveis por 10% dos internamentos hospitalares. Nesse sentido, percebemos que a aplicação teria de ser extremamente simples para podermos chegar a todas as faixas etárias, independentemente da sua literacia digital. É com este objetivo em mente que a Terah assenta a sua principal funcionalidade na leitura do código do medicamento, permitindo ao utilizador adicionar um medicamento apenas com o scan.

É exatamente devido a estas características singulares que a Terah surge como algo verdadeiramente disruptivo em todo o mundo. Para além da informação primária que esta gera após a leitura do código, também tem os alarmes predefinidos de acordo com a posologia recomendada e momentos ideais da toma. Além disso, prevê o término do medicamento de acordo com a posologia, possibilitando ao utente, inclusivamente, fazer o seu pedido diretamente para as Farmácias aderentes. 

No entanto, o que torna a Terah verdadeiramente especial é a capacidade de olhar para a medicação do utente como um todo, para, por exemplo, detetar interações medicamentosas ou duplicações, e orientar sobre o procedimento a tomar em cada situação em particular.

Todavia, sabemos que para sermos bem sucedidos naquilo que pretendemos alcançar, e solucionar este problema de saúde pública, teremos de aproximar os dois atores fundamentais no processo de cura – o utente e o Profissional de Saúde.

Assim, em breve, haverá a possibilidade de o Profissional de Saúde, através de um acesso concedido pelo utente, possuir não só uma visão integral do histórico terapêutico e ativo do utente, mas também poderá atuar diretamente e ajustar o esquema terapêutico e forma de tomar, para que o utente apenas se preocupe em tomar quando receber o alerta da toma, definido pelo seu Profissional de Saúde.

O futuro passará por, obviamente, continuar a proporcionar a melhor experiência possível aos nossos utilizadores, mas também passa por acrescentar novas funcionalidades que permitam atuar em outras áreas do medicamento, para otimizarmos o processo de gestão da medicação e minimizar as ocorrências negativas que surgem nos tratamentos.

O desafio passará por fazer todo este trajeto de crescimento que temos perspetivado em termos de produto, enquanto fazemos o crescimento enquanto empresa, para mercados internacionais.

 

João Mota, CEO da Terah



Hipotiroidismo: uma doença muito feminina

MARIA JOÃO MATOS

Endocrinologista

 

INTRODUÇÃO

O hipotiroidismo, uma síndrome que engloba um conjunto de sintomas e sinais resultantes do défice de hormonas tiroideias (T3 e T4) e das suas ações nos tecidos periféricos, é comum e frequentemente não diagnosticado. Um estudo que avaliou, em Portugal, a prevalência de disfunção tiroideia como objetivo secundário encontrou uma prevalência de 4,9%, com uma proporção elevada de casos por diagnosticar, à semelhança do que se verificou no resto da Europa.

O hipotiroidismo define-se como primário quando a causa é tiroideia, ou central (secundário ou terciário) quando a causa é, respetivamente, hipofisária ou hipotalâmica. O hipotiroidismo primário, responsável pela grande maioria de casos de hipotiroidismo, pode ser ainda definido como clínico, caracterizado laboratorialmente por valores baixos de hormonas tiroideias e elevação da hormona estimuladora da tiroide (TSH), ou subclínico, caracterizado por uma TSH acima dos valores de referência, com valores normais de T4 e T3.

De uma forma muito genérica, o hipotiroidismo traduz-se numa lentificação do metabolismo, caracterizando-se por sintomas muitas vezes inespecíficos e insidiosos  (como fadiga, aumento ponderal, intolerância ao frio, obstipação, queda de cabelo, unhas quebradiças, humor deprimido) e de magnitude muito variável (desde a ausência de sintomas, sobretudo em indivíduos com hipotiroidismo subclínico, até ao muito raro coma mixedematoso).

  

SEXO FEMININO COMO FATOR DE RISCO PARA HIPOTIROIDISMO

O hipotiroidismo é 8 vezes mais frequente na mulher do que no homem, e a sua prevalência aumenta com a idade. Um dos motivos pelos quais o sexo feminino é mais afetado pela doença prende-se com o facto de a mulher ter um risco acrescido de doenças autoimunes, e de a autoimunidade (tiroidite autoimune ou de Hashimoto) ser a causa mais frequente de hipotiroidismo em regiões com suficiência em iodo.

Outra razão apontada para a maior prevalência de hipotiroidismo na mulher é a interação entre as hormonas tiroideias e as hormonas sexuais, o que pode explicar o facto de a doença ser particularmente comum na mulher na peri e pós-menopausa.

 

IMPACTO DO HIPOTIROIDISMO NA MULHER

HIPOTIROIDISMO E APARELHO REPRODUTOR FEMININO

Além de ser muito mais frequente na mulher, o hipotiroidismo não tratado ou inadequadamente tratado tem impacto sobre o seu sistema reprodutor, podendo relacionar-se com alteração na idade da menarca, irregularidades menstruais, anovulação, amenorreia, galactorreia, hirsutismo  e subfertilidade ou infertilidade.

 

HIPOTIROIDISMO E GRAVIDEZ

O desenvolvimento embrionário depende inteiramente das hormonas tiroideias maternas durante fases críticas do desenvolvimento cerebral (geralmente antes das 16-20 semanas de gestação). O hipotiroidismo não tratado na gravidez associa-se a risco aumentado de abortamento, parto prematuro, hipertensão gestacional, pré-eclâmpsia, baixo peso ao nascimento, morte fetal e alterações neuropsicológicas e cognitivas na descendência. O rastreio universal do hipotiroidismo na mulher grávida é um tema controverso, sendo efetuado apenas em alguns países. Noutros,  o rastreio é feito na presença de sintomas ou sinais de doença tiroideia, ou nas grávidas com fatores de risco para o desenvolvimento de hipotiroidismo (nomeadamente com idade ≥ a 30 anos, história familiar de hipotiroidismo ou de doença tiroideia autoimune, presença de doenças autoimunes como diabetes mellitus tipo 1, índice de massa corporal ≥ a 40 kg/m2 ou residência em área de insuficiência moderada a grave em iodo) ou história prévia conhecida de doença tiroideia.

 

HIPOTIROIDISMO E MENOPAUSA

O diagnóstico de hipotiroidismo é frequente na perimenopausa.  Muitos sintomas, incluindo irregularidades menstruais, alterações do humor, depressão, aumento ponderal, dor e fraqueza muscular e diminuição da líbido, são comuns à perimenopausa e ao hipotiroidismo. Esta sobreposição de sintomas leva a desafios e atrasos no diagnóstico. O hipotiroidismo pode, por outro lado, associar-se ao agravamento dos efeitos cardiometabólicos ligados às alterações hormonais da menopausa e/ou ao envelhecimento, nomeadamente à dislipidemia. Não há, contudo, estudos que clarifiquem se a menopausa tem um efeito direto na tiróide independente da idade.

 

CONCLUSÕES

O hipotiroidismo, além de ser muito mais prevalente na mulher, tem um particular impacto sobre a sua saúde reprodutiva. Os sintomas e sinais do hipotiroidismo são muitas vezes inespecíficos e insidiosos, podendo confundir-se com outros frequentemente presentes em fases do ciclo de vida da mulher, como a gravidez e a menopausa. Este reconhecimento é importante para que possam ser efetuados um diagnóstico e tratamento adequados.