A Importância dos Cuidados com a Terapêutica Medicamentosa no Idoso

O idoso apresenta características específicas que o torna mais suscetível aos medicamentos, tendo em consideração que a sua composição corporal apresenta algumas diferenças em relação ao adulto, apresentando maior conteúdo gordo e menor conteúdo aquoso, o que altera a distribuição corporal dos diferentes tipos de medicamentos, conforme a solubilidade e, com ela, a concentração sérica do medicamento, podendo aumentá-la ou reduzi-la e, com isso, a efetividade ou toxicidade medicamentosa. Outra alteração que surge no idoso, e que pode ter consequências importantes para a terapêutica, consiste na alteração de processos de eliminação, particularmente renal, que está diminuída, podendo conduzir à acumulação e aumento da toxicidade do fármaco. Juntamente com estas alterações que ocorrem no idoso, há ainda a considerar a maior suscetibilidade a fármacos que atuam a nível do sistema nervoso central e anticolinérgicos, por exemplo.

bidesde que existam alternativas mais seguras neste grupo etário. Estes medicamentos foram designados como Medicamentos Potencialmente Inapropriados (MPI) e deve ser evitada a sua administração a estes doentes, desde que haja alternativas ou, sendo indispensável a terapêutica, a mesma deve ser efetuada com precaução e vigilância do doente.

Existem critérios implícitos que obrigam ao consumo de mais tempo para análise de cada medicamento baseando-se no perfil do doente. Os critérios designados como explícitos, são constituídos por tabelas de medicamentos que devem ser evitados no idoso por serem considerados MPI. Os primeiros e mais divulgados e utilizados são os Critérios de Beers (EUA), cuja última edição é de 2015. Para aplicação mais fácil na Europa, foram publicados os Critérios de STOPP/START, que apresentam a particularidade de abranger medicamentos europeus e, para além da tabela de MPI (STOPP) incluem uma tabela de medicamentos que o doente deveria estar a tomar, mas que não foram prescritos (START). Apresentam também tabelas de medicamentos que aumentam o risco de quedas e alertam para a duplicação da terapêutica.

Do exposto, considera-se extremamente importante que todo o profissional de saúde conheça a problemática da terapêutica medicamentosa no idoso para prevenir a ocorrência de problemas relacionados com os medicamentos.

Maria Augusta Soares

A Importância da Saúde Oral na Saúde Geral

A saúde oral tem muita influência na saúde geral. A boca é um indicador sensível de saúde geral podendo, nalguns casos, ser o 1º local de manifestação de uma doença do foro geral. Para além disso ter problemas orais é uma fonte de dor, infeção e diminuição da qualidade de vida e bem-estar. A presença de doenças orais, nomeadamente, as cáries dentárias e os problemas gengivais, vão permitir a entrada de microorganismos para a corrente sanguínea e causar doenças em outros órgãos. São exemplos destas situações problemas cardiovasculares, cerebrovasculares, doenças respiratórias, diabetes, entre outros.

O 1º passo para termos uma boa saúde oral é escovar os dentes 2 ou mais vezes ao dia com uma pasta com flúor, sendo a escovagem antes de dormir aquela que é mais importante. Mas a escova não é capaz de chegar aos espaços entre os dentes e por isso deve ser utilizado uma vez por dia o fio/fita dentário ou um escovilhão, para uma limpeza destes espaços interdentários. Outro passo é restringir o consumo de açúcares principalmente entre as refeições, pois é nestas alturas que o açúcar é mais lesivo para os dentes. Uma alimentação equilibrada, com todos os nutrientes essenciais, é um dos factores mais importantes para a saúde oral e geral. O 4º passo é fazer uma vigilância periódica com um profissional de saúde oral. As visitas regulares a estes profissionais permitem um diagnóstico precoce.

Sandra Graça

Testemunho APPSHO

A Associação Portuguesa Promotora de Saúde e Higiene Oral, desde a sua criação, tem vindo a implementar vários projetos de intervenção comunitária junto das pessoa com maior vulnerabilidade social e económica, residentes na região de Lisboa e Vale do Tejo nas áreas da saúde oral e nutrição. As desigualdades no acesso a saúde oral ainda são muito grande e as pessoas carenciadas são aquelas que apresentam maior dificuldades no acesso à saúde oral, apresentam uma elevada prevalência das doenças orais e uma baixa literacia em saúde. Com o apoio da DGS, permitiu-nos desenvolver o projeto “Crescer com Saúde” e criar um “Centro Comunitário de Saúde Oral”, que veio trazer maior equidade no acesso à saúde oral junto das pessoas que apresentam maior vulnerabilidade social, baixando a prevalência da cárie dentária e aumentando a literacia em saúde . As doenças orais devem ser encaradas como um grave  problema de saúde pública que deve ser controlada, porque interfere diretamente com o conforto do indivíduo, saúde geral, saúde mental, inclusão social.

 

O nosso lema é pensar globalmente e agir localmente e para que a saúde oral chega a mais pessoas desenvolvemos o projeto “Bairro sem Cárie”, que é um projeto de proximidade junto dos bairros sociais do Concelho do Seixal, onde se promoveu a importância da saúde oral, o ensino de técnicas corretas de higiene oral e alimentação saudável. Este projeto teve um grande impacto nos bairros sociais, permitiu criar maior acesso à saúde oral, a mais de 900 crianças e jovens que foram tratados e muitos dos jovens que não conseguiam ter acesso ao emprego pela sua condição de saúde oral, conseguiram arranjar emprego.

 

 

 

Cumprimentos,
Octávio Rodrigues

Tuberculose: necessidades, desafios, promessas e perspectivas.

Todos os anos, no dia 24 de março, o Dia Mundial da Tuberculose (TB) visa aumentar a consciencialização sobre a doença. A TB tem infetado seres humanos desde há muitos séculos e embora nunca tenha sido completamente erradicada, houve, no entanto, uma queda significativa nos casos e taxas de mortalidade, graças ao desenvolvimento da vacina BCG (1921) e aos “novos” antibióticos (nos anos 50 do século passado).  Mas a doença ressurgiu. A prevalência aumentou para um nível tão preocupante que a OMS declarou uma emergência de saúde global em 1993 e, subsequentemente, desenvolveu a estratégia do “STOP TB”, com o objetivo de acabar com a epidemia global de TB até 2035.  Embora se tenham registado progressos na redução da mortalidade, a TB classifica-se como uma das doenças infeciosas mais letais, particularmente, em doentes infetados com o vírus da imunodeficiência humana (HIV).

O controlo está repleto de problemas em torno da transmissão, especialmente em tempos de aumento de viagens globais e superlotação em algumas áreas urbanas, aumento da resistência a antibióticos, ferramentas de diagnóstico limitadas e falta de vacinas eficazes. O problema tem-se complicado pelo surgimento da resistência contra os antibióticos mais eficazes especialmente isoniazida e rifampicina. Estirpes de bacilos resistentes a múltiplos medicamentos (MDR-TB e XDR-TB) foram responsáveis ​​por 0,49 milhão de casos de TB, principalmente na Índia, na China e na Federação Russa.

Um obstáculo significativo no tratamento da TB é a alta prevalência de coinfeção com HIV. Os dois patogenos exacerbam-se mutuamente aumentando a morbilidade e mortalidade. Além disso existem interações medicamentosas que tornam problemático o co-tratamento com antibióticos de primeira linha contra a tuberculose e a terapia anti-retroviral (ART).

A longa duração e natureza complexa da terapia da TB atual e o consequente surgimento de MDR-TB e XDR-TB, e a incompatibilidade dos antibacilares com a ART, todos suportam a necessidade de desenvolver novos medicamentos e melhores regimes de tratamento. Melhorar o tratamento da TB implica alcançar vários objetivos: – encurtar a duração do tratamento para a doença ativa a fim de melhorar a adesão; – desenvolver medicamentos seguros e toleráveis ​​com novos mecanismos de ação que sejam eficazes contra estirpes resistentes (MDR-TB e XDR-TB); – desenvolvimento de medicamentos que evitem interações medicamentosas, especialmente com a ART e facilitar o tratamento de pacientes co-infetados com HIV. Contudo, apenas recentemente e, depois de quase meio século desde a aprovação da última medicação antituberculosa, duas novas moléculas, a delamanida e a bedaquilina, foram incluídas em esquemas terapêuticos e somente para tratar pacientes com MDR ou XDR-TB.

O objetivo do tratamento da TB tem sido o de matar as micobactérias causadoras com agentes antimicobacterianos. Devido à longa duração do tratamento, as possibilidades de toxicidade do fármaco e o aumento da resistência ao fármaco, as terapias dirigidas pelo hospedeiro (HDT), ganharam atenção recentemente. Os HDTs são agentes que podem aumentar os mecanismos de defesa do hospedeiro, modular a inflamação excessiva ou ambos, manipulando a resposta do hospedeiro a um patogeno e interferindo nos mecanismos do hospedeiro explorados pelo patogeno para persistir ou replicar nos tecidos do hospedeiro. Isso pode levar a melhores resultados no tratamento clínico, como redução da morbilidade, mortalidade e danos aos órgãos-alvo e recuperação funcional a longo prazo.

A busca por uma melhor terapia contra a tuberculose tem assim sido impulsionada por duas atividades interligadas: a busca de novos fármacos e o desenvolvimento de esquemas de combinação eficazes e pela primeira vez em 40 anos, um portfólio de novos compostos promissores para o tratamento da tuberculose está no horizonte.

Elsa Anes

Testemunho Ana Frazão

Olá! O meu nome é Ana Frazão, tenho 24 anos, terminei o Mestrado Integrado em Ciências Farmacêuticas em 2018 e encontro-me neste momento enquanto Marketing Trainee na GSK. Ao longo dos meus 5 anos de faculdade, a maior parte deles foram partilhados com a LisbonPH e gostava de vos contar um bocadinho dessa (tão querida para mim) história.

Esta foi para mim uma viagem atribulada (num muito bom sentido). Assisti ao primeiro evento da LisbonPH para a comunidade estudantil e todo o envolvimento do evento despertou a minha curiosidade. No início do meu 2º ano arrisquei, candidatei-me e ingressei no já extinto Departamento Comercial e Logística. Confesso que não é fácil descrever todas as oportunidades que me deram e nas quais eu embarquei. Entre trabalhar com várias equipas (fosse dentro do departamento, para um projeto…), contactar com profissionais de saúde ou de outras áreas, gerir objetivos e atingir resultados, o crescimento foi exponencial. E tal só aconteceu porque na LisbonPH há uma oportunidade de te desafiares a ti mesmo, às tuas capacidades e, sobretudo, uma oportunidade de aprendizagem. Esta viagem não terminou por aqui, passado um ano decidi candidatar-me a Diretora do meu departamento. Ambicioso? Sim, bastante, considerando que estava no 3º ano, mas essa foi mais uma das valências que ganhei. Trabalhar com uma ambição, a ambição de poder levar a LisbonPH muito mais longe.

Parar por aqui? Nem pensar! Passado um ano enquanto Diretora de departamento tive a oportunidade de fazer parte da JADE Portugal – Federação de Júnior Empresas de Portugal, enquanto International Manager. Mesmo assim, senti que não era capaz de deixar a minha LisbonPH e ajudei enquanto Presidente do Conselho Fiscal. Qual foi o meu maior desafio? Honestamente, considerei-o um desafio mas hoje vejo-o como uma das maiores oportunidades que esta Júnior Empresa me deu: poder apresentar a candidatura a um prémio a nível europeu, em Bruxelas, em frente a 300 Júnior Empresários e cerca de 30 representantes de empresas e entidades europeias foi um passo que eu jamais pensei ser capaz de dar. Mas fui, porque a LisbonPH mo permitiu e me deu as competências para que tal fosse possível.

Achas que és capaz? Eu acho que sim! Não deixes ficar a candidatura no computador!

Ana Frazão

 

 

Qual o contributo do cargo de Diretora do Departamento Comercial e Logística na LisbonPH para o atual cargo na ANF na área de logística e vendas de produtos?

Ser Alumni da LisbonPH é uma responsabilidade, mas sobretudo uma oportunidade de continuar ligada ao desenvolvimento do profissional do futuro empreendedor, criativo e multidisciplinar.

O futuro e a inovação são a grande ponte de ligação entre a LisbonPH e as Farmácias Portuguesas, onde atualmente integro uma equipa multidisciplinar, para lá das ciências da Saúde, cujo foco é a operacionalização da Gestão de Categorias no contexto Farmácia. Se este conceito de loja está bem implementado noutras realidades comerciais, na Farmácia, enquanto loja, a conciliação dos racionais de consumo com as necessidades de Saúde é uma nova realidade.

A que necessidades responde a Farmácia? Que necessidades o shopper quer satisfazer? Quem é o shopper da Farmácia? Romper o racional da doença e compreender que quem entra na Farmácia – o shopper – pode ser impactado por ferramentas de marketing que o levam a satisfazer necessidades de Saúde, que nem ele sabe ter, é valorizar a experiência de compra e rentabilizar o processo de venda. Como? Otimizando o fluxo de circulação em loja, garantindo uma experiência imergente e completa; comunicar no ponto de venda numa linguagem simples e visual de forma a facilitar a identificação das respostas de Saúde possíveis de encontrar na Farmácia; rentabilizar a exposição de produtos associando necessidades primárias a secundárias de forma a aumentar e melhorar a resposta enquanto se aumenta o valor do cesto. A experiência Farmácia é assim renovada e adaptada a uma sociedade que procura respostas simples, rápidas e completas às suas necessidades.

Esta abordagem é singular e personalizada à realidade de cada Farmácia, permitindo a cada uma desenvolver-se no sentido de otimizar a resposta dada às necessidades do seu shopper.

Assim, depois da experiência associativa que me propôs desenvolver o Farmacêutico do futuro, empreendedor, criativo e multidisciplinar, hoje, a proposta é fazer da Farmácia o seu habitat natural.

Cátia Henriques

O Subdiagnóstico de Doenças Infeciosas, Farmácias e Saúde Pública

Num dia normal, as farmácias atendem 250 mil pessoas. Nenhuma outra rede contacta, todos os dias, com tanta gente de todas as idades e condições de saúde: doentes, cuidadores, pessoas saudáveis. Isto representa uma grande oportunidade para a Saúde Pública.

Com mais de três farmacêuticos por farmácia, a rede de farmácias é uma das cinco mais qualificadas do mundo. E é também a mais bem distribuída pelo território. Continua a haver farmácias onde já fechou tudo, da extensão do centro de saúde à linha de caminho-de-ferro. Em muitas terras onde já não chegam outros profissionais de saúde ainda existe uma farmácia de portas abertas. Isto torna a rede de farmácias indispensável à Saúde Pública.

No caso do VIH-SIDA, isso ficou evidente nos anos 90. O Programa Troca de Seringas (PTS) evitou 7.283 infeções por cada 10.000 utilizadores de drogas injetáveis nos primeiros dez anos em que funcionou na rede de farmácias, quando a doença era motivo de pânico generalizado. O PTS salvou milhares de vidas e ajudou muitos jovens a superar a toxicodependência. Por outro lado, poupou ao Estado entre 400 milhões e 2.000 milhões de euros em tratamentos evitáveis, de acordo com uma auditoria realizada pela consultora Exigo para a Comissão Nacional de Luta Contra a Sida.

Graças à investigação científica, na qual também trabalham muitos farmacêuticos portugueses, a SIDA já não é uma doença mortal. A morbilidade e a mortalidade dos portadores de VIH aproximam-se, cada vez mais, das registadas na população em geral. No entanto, persiste um problema sério de subdiagnóstico da doença. A Direção-Geral da Saúde estima que cerca de 10 por cento das pessoas seropositivas desconheçam a sua condição, de acordo com o relatório de 2018 do Programa Nacional para a Infeção VIH-SIDA. «Continuamos, hoje, a diagnosticar pessoas cujos resultados das análises indicam que podem ter sido infetadas há dez anos», alertou o infeciologista Kamal Mansinho na Revista Farmácia Portuguesa.

Tudo indica que o subdiagnóstico seja um problema ainda maior no caso das hepatites. O estudo “O Impacto da Hepatite C em Portugal”, publicado em 2014 no “Jornal Português de Gastrenterologia”, refere que apenas 30% dos doentes se encontram atualmente diagnosticados. A Universidade Católica estima que existam 89.200 portugueses infetados.

As hepatites, se não forem diagnosticadas atempadamente, podem obrigar ao transplante do fígado e até causar a morte. O custo da última geração de medicamentos é tão elevado que implicou uma negociação dura e um acordo de confidencialidade quanto ao preço entre o Estado e o laboratório produtor. A maior ironia é que, detetada a tempo, a infeção é relativamente simples de curar, a custos controlados.

Portugal subscreveu o objetivo da ONUSIDA de quebrar o ciclo de transmissões e erradicar as epidemias de VIH/SIDA e de hepatites virais até 2030. Isso não será possível se não resolvermos o colossal problema do subdiagnóstico destas doenças. Basta pensarmos em quantas pessoas podem ser involuntariamente infetadas por um único portador da doença que desconheça esse facto.

A implementação nas farmácias de testes rápidos de rastreio ao VIH, VHB e VHC é indispensável ao cumprimento do objetivo assumido pelo Estado português de erradicar estas doenças. Para desenvolver políticas de Saúde Pública, prevenção da doença e promoção de estilos de vida saudáveis, Portugal precisa de uma maior integração das farmácias com o Serviço Nacional de Saúde.

Dr. Paulo Duarte, Presidente da Direção da Associação Nacional das Farmácias (ANF)

Será o Empreendedorismo a Chave do Futuro?

A LisbonPH foi fundada por um grupo de estudantes em 2013, ano em que o setor farmacêutico vivia diversas  dificuldades devido a múltiplos fatores socioeconómicos. Neste preciso ano, o ingresso no mercado de trabalho por parte dos alunos finalistas do Mestrado Integrado em Ciências Farmacêuticas estava cada vez mais dificultado e as condições de trabalho não eram as idealizadas. Com o mercado de trabalho praticamente saturado, todos procuravam a chave para o sucesso. Foi então, que um grupo de estudantes da Faculdade de Farmácia da Universidade de Lisboa decidiu acrescentar valor à sua formação iniciando uma Júnior Empresa cujo o principal mote é o “Desenvolvimento do Profissional de Saúde do futuro, empreendedor, criativo e multidisplinar”, a LisbonPH. Este foi o fator diferenciador que cada um daqueles jovens fundadores teve no seu percurso académico e que se continuou a perpetuar durante os últimos cinco anos a todos os estudantes que passam por esta Júnior Empresa. Pois bem, se empreendedorismo significa empreender, resolver um problema ou situação complicada, nada poderá ter sido mais empreendedor que a criação da LisbonPH como resposta às adversidades. E se, empreendedorismo foi a palavra de ordem para o “nascimento” da LisbonPH depressa se tornou num valor pelo qual nos pautamos. É através do  empreendedorismo que procuramos a constante inovação, que nos preocupamos em desenvolver novos serviços e que nos permite evoluir e atingir novos patamares . A evolução contínua foi e sempre será um dos principais objetivos da LisbonPH. Para além disso, o que faz da LisbonPH verdadeiramente empreendedora é o conjunto de empreendedores pelos quais somos constituídos com as capacidades certas para ter sucesso: flexibilidade, dinamismo, criatividade, garra, energia, espírito de iniciativa e sacrifício. E assim, chegamos ao cerne da questão: “ SERÁ O EMPREENDEDORISMO A CHAVE DO FUTURO? Estou certa que sim. Em 2019, a LisbonPH continuará a ultrapassar todas as adversidades com as quais for deparada, a elevar os seus padrões de inovação, a ambicionar sempre mais e, mais importante que tudo,  nunca estagnar para que nos mantenhamos fiéis ao propósito pelo qual fomos criados: “Pelo desenvolvimento do Profissional de Saúde do futuro, empreendedor, criativo e multidisplinar”.

– Mariana Chaves, Presidente Executivo da LisbonPH

Orçamento de Estado – Custos de Saúde

O Orçamento do Estado de 2019 apresenta, no que diz respeito ao setor da saúde, duas partes distintas.

A primeira dessas partes é preparada pelo Ministério da Saúde, pois está na secção dedicada à saúde (e o formato e texto seguem o padrão de anos anteriores). A segunda parte é uma secção dedicada ao Serviço Nacional de Saúde, claramente escrita com outro estilo, e dando uma perspetiva adicional sobre os desafios do Governo nesta área. Aparentemente terá sido escrita por alguém mais próximo do Ministério das Finanças.

Na secção dedicada explicitamente à saúde e ao Ministério da Saúde, grande parte do texto apresentado é em grande medida igual ao do ano anterior, que por sua vez já tinha grandes semelhanças com o do ano anterior a esse. As prioridades têm ligeiras alterações, normalmente decorrentes de novas ideias ou de conclusão de medidas antigas. Podemos destacar as preocupações com o acesso a cuidados de saúde (saúde oral, telessaúde, atribuição de médico de família a aproximar os 96%).

Já na secção dedicada ao Serviço Nacional de Saúde, surge com destaque a Estrutura de Missão para a Sustentabilidade do Programa Operacional da Saúde, que tem como missão central ajudar a uma maior racionalidade e eficiência na despesa pública em saúde, e em particular dos Hospitais EPE. A breve referência a esta Estrutura de Missão, feita na secção do Ministério da Saúde, contrasta com a descrição alargada feita nesta outra secção. O papel desta Estrutura de Missão é importante em dois planos: primeiro, pelas recomendações que realiza, no sentido de procurar resolver o problema das dívidas dos Hospitais EPE; segundo, pelo sinal político que transmite, que se espera que seja de colaboração entre o Ministério da Saúde e o Ministério das Finanças, sendo importante que ambos sintam o compromisso de fazer com que esta Estrutura de Missão tenha condições adequadas para desenvolver o seu trabalho.

Em termos de contas, a despesa prevista para o SNS em 2019 é de 10,223 mil milhões de euros, embora a transferência do Orçamento do Estado para o Serviço Nacional de Saúde seja “apenas” de 8,812 mil milhões de euros. A diferença entre a despesa do SNS e a transferência vinda do Orçamento do Estado terá que ser colmatada com receitas de taxas moderadoras, com pagamentos realizados por outras entidades contra serviços prestados pelo Serviço Nacional de Saúde, e por défice (que terá de ser pago no futuro, de qualquer modo). Os hospitais públicos têm uma despesa prevista no Orçamento do Estado de 5,077 mil milhões de euros, e as Administrações Regionais de Saúde cerca de 3,688 mil milhões de euros (e inclui a despesa com as unidades de cuidados de saúde primários e em intervenções de saúde pública). São a parte mais substancial da despesa pública em saúde. O papel dos hospitais na despesa faz com que os problemas gerados pelo acumular das suas dívidas (e pagamentos em atraso) a fornecedores sejam também problemas para o Orçamento do Estado. E daqui decorre a importância da Estrutura de Missão para resolver esta questão dos pagamentos em atraso. E será este o principal desafio do Orçamento do Estado para 2019, que se torna mais forte devido à pressão para mais contratações de recursos humanos, e logo, mais despesa. Essa necessidade de reforço de profissionais de saúde surge em larga medida da alteração dos horários de trabalho, com a passagem das 40h para as 35h semanais, e que também tem estado na origem da conflitualidade laboral no SNS.

– Prof. Doutor Pedro Pita Barros, Nova School of Business and Economics

Seis aprendizagens da minha jornada empreendedora | De Portugal para o Mundo

A minha jornada de fazedor já começou há alguns anos, mas acabou por se materializar de forma mais séria com o nascimento da Forall Phones. O que é a Forall Phones? A Forall Phones é uma startup portuguesa que nasceu no seio universitário com a missão de tornar a tecnologia topo de gama acessível, enquanto temos impacto ambiental positivo na sociedade. Como é que fazemos isso? Através da venda de smartphones topo de gama recondicionados, que em média, são 40% mais baratos que os novos. Damos uma nova vida a equipamentos e permitimos a poupança de dinheiro aos nossos clientes. Em pouco mais de 1 ano conseguimos passar de 4 colaboradores full-time para 50, gerar vendas para 14 países, abrir uma rede de lojas e atingir um crescimento superior a 700% ao ano.

Ao longo desta viagem retirei algumas aprendizagens que acho essencial para teres sucesso enquanto empreendedor:

  • Se queres ter um negócio de sucesso é essencial focares-te. Parece óbvio, mas hoje em dia, e graças à enorme competição que existe, é 100% certo que se não estiveres focado e 200% entregue ao teu projeto, não vais conseguir assegurar um crescimento escalável e duradouro;
  • Pensa bem no “porquê” de estares a começar algo. Podes fazer um exercício muito simples de perguntar 5 vezes “porque razão estou a começar isto?”. Este racional vai testar a força da tua ideia e, dar a garantia que estás muito claro relativamente ao propósito que será abraçado por dezenas e, quem sabe, milhares de pessoas no futuro;
  • Foca-te naquilo que és bom e que te torna diferente/único no mercado. Depois, explora essa diferenciação através de uma narrativa. Isso vai ressoar na tua audiência, na tua equipa, nos teus stakeholders e vai permitir que se revejam e percebam porque razão devem confiar em ti. Tal como Scott Belsky defende, criar uma narrativa deve ser uma das primeiras prioridades de um empreendedor. Esse exercício vai-te ajudar a perceber qual será o teu market fit;
  • A cultura e as pessoas são chave! Desde muito cedo a cultura foi muito importante para a Forall Phones. Acreditamos que o capital humano é o principal ativo das empresas do século XXI! Nesse sentido, investimos muito tempo a trabalhar a nossa cultura, valores e a forma como garantimos que toda a nossa equipa está motivada e alinhada por um propósito comum. A nossa cultura de confiança, liberdade e responsabilidade tem-se revelado um sucesso a nível de performance, atração e retenção de talento;
  • Simplifica! Pensa simples e evita criar complexidade. A rapidez na execução, flexibilidade e adaptação são essenciais numa fase de lançamento de negócio. Nesse sentido, existe uma imensidão de ferramentas disponíveis, como plataformas de e-commerce Shopify ou Woocommerce, que te permitem lançar um negócio do dia para a noite sem precisares de investir dezenas de milhares de euros ou recrutares uma dezena de developers;
  • Se não és apaixonado pelo que fazes não vai dar certo! A viagem de um empreendedor é muito desafiante. As adversidades surgem a todos os minutos e só vais conseguir chegar ao teu objetivo se tiveres a resiliência e persistência para lidares com elas. Nós acreditamos que isso só é possível quando estás a fazer algo que vês como uma missão e não como um simples trabalho – nós chamamos-lhe paixão!

Por fim, COMEÇA, FAZ! A verdade é que no início nós não éramos 100% experts em negócios da economia circular, lançámo-nos nesta jornada de mente aberta e dispostos aprender e ser melhores a cada dia que passa.

João Ribeiro
CMO & Co-owner Forall Phones