A Influência da Mente na Resposta Terapêutica: Efeito Placebo VS. Nocebo

A origem do termo “placebo” remonta à literatura médica do século XVIII, mas é a partir da Segunda Guerra Mundial que este fenómeno suscita maior interesse e curiosidade por parte da comunidade científica. Neste cenário, perante uma crise de reduzida disponibilidade de morfina nas enfermarias, Dr. Henry Beecher começou a administrar aos soldados feridos uma solução salina que descrevia como “forte analgésico”, verificando que muitos destes experienciavam uma melhoria significativa das suas queixas. 

 

A definição de placebo foi introduzida no Gould’s Medical Dictionary como sendo “um medicamento inócuo” e, em 1955, também Dr. Beecher, no seu paper The powerful placebo, estimou em 32% a eficácia do efeito placebo no alívio da dor, inspirando a posterior inclusão de grupos placebo nos estudos controlados dos diversos fármacos. Por outro lado, o conceito “nocebo” foi cunhado por Walter Kennedy, em 1961, a propósito das taxas de efeitos adversos e descontinuação de tratamento objetivadas nos grupos placebo, variando entre 19 e 26%.

 

Placebo e nocebo são, atualmente, considerados fenómenos biológicos, psicológicos, sociais e culturais, que modificam o resultado global do tratamento, deixando um convite à compreensão do papel do próprio contexto no outcome terapêutico. Numa perspetiva tecnicamente mais simplista, o substrato neurobiológico relaciona-se, no caso de ambos os fenómenos, em “sentidos opostos”, com modificações na atividade dos sistemas de recompensa, do sistema opióide endógeno, da colecistoquinina e do próprio córtex pré-frontal. Já na esfera dos mecanismos psicológicos centrais também subjacentes, estas respostas estão associadas a diferentes tipos de sinais/aprendizagem (índices de condicionamento, símbolos de comunicação e ícones de observação) e à sua interação com a personalidade dos próprios doentes, admitindo-se que sugestões verbais, expectativas por condicionamento e a presença/ausência de traços de otimismo/pessimismo, novelty seeking ou harm avoidance podem resultar em crenças tendencialmente “farmacofílicas” ou “farmacofóbicas”.

 

Segundo a American Psychological Association, o efeito placebo – “eu agradarei” – corresponde a uma resposta clinicamente significativa a uma substância inerte, medicamento ativo ou tratamento não específico, derivada das expectativas e crenças do recetor em relação à intervenção,  contribuindo para a sua eficácia terapêutica. Em contraste, nocebo – “eu farei mal” – e o seu efeito remetem-nos para a possibilidade das expectativas negativas originarem um resultado terapêutico desfavorável.

 

Assim, estes conceitos revolucionaram quer o rigor da investigação científica, quer a própria prática clínica, ao evidenciar que a eficácia de um tratamento resulta da interação entre o efeito farmacodinâmico específico e a resposta placebo/nocebo. Neste âmbito, pretendemos otimizar o efeito placebo e reduzir o efeito nocebo por meio de técnicas como a Psicofarmacoterapia Criativa, que pressupõe uma abordagem sinérgica entre a farmacologia e a psicologia, fundamentada na personalização e modulação das expectativas do próprio doente, com vista a atingir a resposta clínica mais favorável possível.

 

Dra. Maria João Amaral

Médica Psiquiatra – IFE Psiquiatria, ULS Loures-Odivelas

 

Referências bibliográficas:

  • Colloca, L., & Barsky, A. J. (2020). Placebo and nocebo effects. The New

England Journal of Medicine, 382(6), 554–561. https://doi.org/10.1056/NEJMra1907805;

  • Jakovljevic, M. (2014). The placebo–nocebo response: Controversies and

challenges from clinical and research perspective. European Neuropsychopharmacology, 24(3), 333– 341. https://doi.org/10.1016/j.euroneuro.2013.11.014;

  • Požgain, I., Požgain, Z., & Degmečić, D. (2014). Placebo and nocebo effect: Amini-review. Psychiatria Danubina, 26(2), 100–107. PMID: 24909245;
  • Weimer, K., Enck, P., Dodd, S., & Colloca, L. (2020). Editorial: Placebo and

nocebo effects in psychiatry and beyond. Frontiers in Psychiatry, 11, 801. https://doi.org/10.3389/fpsyt.2020.00801.

A Expansão das Terapias com células CAR-T para Tumores Sólidos

O estabelecimento da imunoterapia como uma abordagem eficaz no combate ao cancro é, indubitavelmente, um dos maiores marcos no tratamento oncológico dos últimos anos. Entre os vários grupos, as terapias celulares com células T (adoptive T cell therapies), nas quais se inserem as células CAR-T, constituem uma das terapêuticas imuno-oncológicas mais inovadoras. As células CAR-T são geradas através da modificação genética de linfócitos T com um gene que codifica para um recetor quimérico de antigénio (CAR – Chimeric Antigen Receptor), que reconhece um determinado antigénio tumoral à superfície das células malignas. Estas células T modificadas tornam-se, então, capazes de direcionar a sua atividade citotóxica para um tumor-alvo específico.

 

 Esta tecnologia demonstrou uma eficácia terapêutica sem precedentes em doentes com cancros hematológicos, tendo apresentado taxas de remissão clínica na ordem dos 60% a 90%. Atualmente, estão aprovados pelas agências regulamentares Norte-Americana (FDA) e Europeia (EMA) seis produtos com células CAR-T para o tratamento de diferentes leucemias e linfomas refratários derivados das células B e de mieloma múltiplo. 

 

No entanto, a aplicação das células CAR-T no tratamento de tumores sólidos está associada a uma baixa eficácia terapêutica, devido às barreiras físicas, químicas e imunossupressoras, características do microambiente tumoral sólido, que contrastam com o fácil acesso das células CAR-T aos cancros “líquidos”. De uma forma muito breve, os desafios começam ainda antes da sua infusão, com a escolha do alvo tumoral. A alta heterogeneidade e consequente falta de alvos exclusivamente expressos por tumores sólidos estão associadas à ocorrência de efeitos adversos on-target e off-tumor, que comprometem a segurança da terapia. Para combater este obstáculo, células CAR-T capazes de reconhecer múltiplos alvos tumorais em simultâneo têm sido desenvolvidas, de forma a aprimorar o direcionamento tumoral. Logo após a administração, segue-se a migração para o local do corpo onde está o tumor, que é dificultada, não só pela falta de determinadas quimiocinas e moléculas de adesão, mas também por barreiras físicas intrínsecas, nomeadamente a vasculatura tumoral tortuosa e desorganizada. 

 

Neste contexto, novas células CAR-T com maior capacidade de tráfego e sensíveis a certos estímulos apenas presentes no microambiente tumoral, estão a ser avaliadas em ensaios pré-clínicos, tendo demonstrado maior taxa de infiltração tumoral. O terceiro desafio está relacionado com o grande número de células imunossupressoras e respetivos sinais químicos inibitórios, presentes no tecido tumoral, que inibem a atividade citotóxica das células CAR-T. O reconhecimento do papel da sobre-expressão de checkpoints imunitários no microambiente tumoral impulsionou a geração de terapias combinadas entre células CAR-T e anticorpos monoclonais inibidores de checkpoints. Esta combinação terapêutica tem demonstrado resultados positivos em ensaios clínicos de fase I, principalmente para o tratamento de mesotelioma. Estratégias inovadoras usando células CAR-T de quarta geração, designadas de TRUCKs (T-cells Redirected for Universal Cytokine-mediated Killing), que secretam moléculas inflamatórias capazes de remodelar a paisagem imunitária do tumor, têm também sido exploradas já em contexto clínico. 

 

De facto, apesar dos obstáculos, a emergência sistemática de novas tecnologias CAR, cada vez mais complexas e multifuncionais, aliada à combinação das células CAR-T com outras imunoterapias não celulares, apresenta um grande potencial para tornar as células CAR-T também eficazes no tratamento dos tumores sólidos. 

 

Teresa Abreu, PharmD, MSc 

PhD student at the Research Institute for Medicines (iMed), FFUL 

Doctoral Programme in Pharmaceutical Sciences, FFUC

 

Saúde com Equidade: desafios e caminhos na inclusão de populações vulneráveis

Em 2015, as Nações Unidas emitiram os Objetivos para o Desenvolvimento Sustentável (ODS), com 17 metas prioritárias para o planeta e a sociedade atingirem até 2030, acompanhadas de indicadores para medir o progresso dos países. Como profissionais e estudantes da área farmacêutica, tendemos a dar mais atenção ao ODS 3 (saúde e bem-estar). Contudo, todos os ODS estão interligados e é difícil avançar em saúde sem progresso noutros, como o ODS 1 (erradicação da pobreza) e o ODS 16 (paz e justiça). Não há saúde sem acesso a bens essenciais como alimentação ou quando hospitais são bombardeados (1).

A equidade, conceito central dos ODS, implica dar a cada pessoa o que necessita para alcançar os mesmos resultados. O ODS 10 visa reduzir iniquidades até 2030, exigindo a análise da distribuição da saúde e seus determinantes por subgrupos vulneráveis. Este texto reflete sobre três desses grupos, frequentemente afetados por guerras, pandemias ou catástrofes.

O primeiro grupo são os migrantes e refugiados que, ao mudarem de país, muitas vezes perdem o acesso à saúde. Em 2024, apenas metade dos países ofereciam acesso integral a cuidados de saúde para esta população. Em 37%, o acesso dependia do estatuto legal. Em 8%, era restrito a urgências e em 5% era inexistente (2). Muitos chegam sem documentação, o que dificulta conhecer seu estatuto serológico. Em Portugal, com uma elevada cobertura vacinal, isso é preocupante (3). A solução passa por integrá-los nos sistemas de saúde e vacinação, e não por exclusão.

Outro grupo são as pessoas em situação de sem-abrigo (PSSA), muitas empurradas para essa realidade pelo desemprego agravado pela pandemia. Estima-se que 1,6 mil milhões de pessoas vivam nesta situação no mundo. Entre as causas estão também o uso problemático de drogas e álcool. Vivendo o dia a dia de forma imprevisível, as PSSA recorrem sobretudo às urgências, enfrentando estigma e discriminação por parte dos Profissionais de Saúde. Em Lisboa, enquadradas no plano municipal 2023-2030, surgiram respostas de saúde como consultas específicas na UCSP Alcântara e no Centro Hospitalar Psiquiátrico (4,5). O projeto Housing First, do Ministério do Trabalho, oferece habitação como ponto de partida, permitindo às pessoas reconstruírem as suas vidas (6). No entanto, a cobertura ainda é limitada, e muitos, excluídos destas soluções, acabam por cometer crimes ligados à sobrevivência ou a dependências.

As prisões são estruturas construídas com o objetivo de reabilitar e, exatamente por isso, em 144 países a pena de morte foi já abolida (7). Estima-se que entre 18–26% dos detidos foram condenados por crimes relacionados com drogas (8). O tratamento é mais custo-efetivo que a detenção, mas continua subutilizado, contribuindo para a sobrelotação prisional (9). Poucos países oferecem tratamento integrado e acessível para distúrbios do uso de drogas nas prisões, perpetuando um ciclo vicioso. O risco de ficar em situação de sem-abrigo após terminar a sentença prisional é 16,4 vezes superior comparativamente aos indivíduos sem contacto prévio com o sistema criminal, chegando este risco a 22,6 na presença de doença mental (10). A situação de sem-abrigo, por sua vez, aumenta o risco de reincidência. A mudança no padrão de consumo na prisão, para substâncias diferentes, com menor pureza ou recorrendo à via injetável, expõe estas pessoas a infecções como HIV e hepatites virais. Embora o tratamento da hepatite C cure mais de 95% dos casos, a reinfeção é frequente sem respostas integradas e contínuas, desperdiçando o investimento social.

 

Doutora Filipa Alves da Costa

Advisor do Ministério da Saúde de Portugal

Professora Auxiliar na FFUL e Investigadora Associada do iMed.ULisboa

 

Referências:

  1. General Assembly of the United Nations. Progress towards the Sustainable Development Goals, 2024 . Geneva : United Nations, 2024. Seventy-ninth session. Item 18 of the preliminary list. High-level political forum on sustainable development, convened under the auspices of the Economic and Social Council.
  2. World Health Organization. World health statistics 2024: monitoring health for the SDGs, Sustainable Development Goals. Geneva : World Health Organization, 2024.
  3. Direção-Geral da Saúde. Relatório Síntese Anual da Vacinação 2024. Lisboa : Direção-Geral de Saúde, 2024.
  4. Câmara Municipal de Lisboa. Plano Municipal para a pessoa em situação de sem-abrigo 2024-2030. Lisboa : Câmara Municipal de Lisboa, 2024.
  5. Gama Marques J, Chesi D, Coelho RO, Castanheira Costa I, Santos Antão C, Pedro CA, Silva Santos P, Xavier Diogo J. Homeless OutreachPsychiatric Engagement for Lisboa (HOPE 4 Lisboa): One year of marontology, and one John Doe living with Diogenes syndrome. Int J SocPsychiatry . 2023, p. 207640231179322.
  6. Ministério do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social. Portaria n.º 151/2021. Estabelece as condições de acesso e candidatura à celebração de protocolos para projetos específicos de housing first e apartamento partilhado, de acordo com os modelos definidos, no âmbito da Estratégia Nacional para a Integração . Diário da República. Lisboa : República Portuguesa, 2021. Vol. 1.ª série, N.º 137 .
  7. Forsberg L, Douglas T. What is Criminal Rehabilitation? Crim Law Philos. 2022, Vol. 16, 1, pp. 103-126.
  8. European Monitoring Centre for Drugs and Drug Addiction. Prison and drugs in Europe: current and future challenges. Lisbon : EMCDDA, 2021. ISBN: 978-92-9497-690-1.
  9. Bernard CL, Rao IJ, Robison KK, Brandeau ML. Health outcomes and cost-effectiveness of diversion programs for low-level drug offenders: A model-based analysis. PLoS Med. 2020, Vol. 17, 10, p. e1003239.
  10. Nilsson SF, Nordentoft M, Fazel S, Laursen TM. Risk of homelessness after prison release and recidivism in Denmark: a nationwide, register-based cohort study. Lancet Public Health. 2023, pp. e756-e765.

O poder da reeducação alimentar no emagrecimento

Na prática clínica, observamos que a reeducação alimentar é uma das estratégias mais eficazes e sustentáveis para a perda de peso. Ao contrário das dietas restritivas, que muitas vezes prometem resultados rápidos, mas temporários, a reeducação alimentar centra-se na modificação gradual e consciente dos hábitos alimentares. Esta abordagem promove uma relação equilibrada com a comida, assim como uma alimentação consciente e saborosa, que respeita a saciedade.

 

Estudos científicos demonstram que dietas muito restritivas, embora possam resultar em perda de peso a curto prazo, tendem a levar a um efeito “iô-iô”, ou seja, “ora perde peso, ora reganha o peso perdido”. Em contraste, intervenções baseadas na reeducação alimentar associam-se a uma maior manutenção do peso perdido a longo prazo. Isto ocorre porque o foco está na construção de hábitos saudáveis, e não em proibições absolutas ou calorias contadas obsessivamente.

 

A reeducação alimentar inclui o foco na ingestão de alimentos como frutas, legumes, cereais integrais, leguminosas, proteínas magras e gorduras insaturadas, ao mesmo tempo que reduz o consumo de alimentos ultraprocessados, ou seja, alimentos ricos em açúcares simples, sal e gorduras saturadas, que apresentam um elevado teor calórico e baixo conteúdo em nutrientes.

 

Outro ponto essencial é o acompanhamento nutricional personalizado. Cada pessoa tem um metabolismo, uma rotina, um histórico, gostos e preferências diferentes. Ao adaptar o plano alimentar à realidade do indivíduo, conseguimos promover não apenas a perda de peso, mas também melhorias na qualidade do sono, nos níveis de energia, na saúde intestinal e na composição corporal.

 

A ciência também evidencia que pequenas mudanças sustentadas ao longo do tempo, como incluir vegetais em todas as refeições ou trocar refrigerantes por água, são mais eficazes do que mudanças radicais e insustentáveis. A reeducação alimentar não visa a perfeição, mas sim o progresso contínuo.

 

Enquanto nutricionista, reforço que emagrecer com equilíbrio e sem sofrimento é essencial para garantir que o processo seja sustentável e saudável. Mudanças extremas ou dietas muito restritivas podem levar à frustração, compulsões alimentares, entre outros problemas de saúde. A reeducação alimentar permite transformar a saúde e o bem-estar de forma gradual e definitiva. Ao mudar a forma como nos relacionamos com a comida, mudamos também a forma como cuidamos do nosso corpo e da nossa saúde.

 

Drª. Inês Clímaco,

Cédula Profissional nº 4646NE

Phage Therapy: a potential solution to fight antibiotic resistant infections

The emergence of bacteria resistant to antibiotics has become a global public health threat.

 According to the World Health Organization (WHO), Antimicrobial Resistance (AMR) is associated with more than a million deaths every year. Recent projections associate AMR to 8.2 million deaths annually by 2050 if no solutions to stop AMR progression are found. This alarming prediction, in addition to a limited pipeline for new antibiotics, has motivated a renewed interest in bacteriophages as possible alternatives or adjunct to conventional antibiotics.

Bacteriophages, also known as phages, are viruses that specifically infect bacteria, independently of their antibiotic resistance profile. They are harmless to human, animal, or plant cells. They are considered the most ubiquitous biological entities in the biosphere and are thought to be ten times more numerous than the bacterial population estimates. Phages were discovered over a century ago, and their potential to treat bacterial infection diseases was, at that time, immediately recognized.

Bacteriophages can be classified as virulent or temperate according to their mode of infection. Virulent phages lyse their bacterial host at the end of a replication cycle while temperate phages may integrate their genome into the bacterial genome. It is this ability of virulent phages to solely kill and lyse bacteria that is the basis of their therapeutic application to treat bacterial infections, the so-called Phage Therapy. Although Phage Therapy has been in use for a century in Eastern countries, particularly in Georgia, its use in the USA and Europe is recent and limited to specific patients with difficult-to-treat bacterial infections, after standard antibiotic treatments had failed. This personalized bacteriophage therapy is applied under local regulations. Although an increasing number of successful phage therapies has been reported, a potential broader adoption of phage therapy still requires robust data to ensure safety and efficacy of phage products. To date, there is no phage-based medicinal product for human use approved under EU or USA law. However, efforts from Medicine Regulatory agencies are in progress and discussion on regulatory aspects relating to phage therapy is taking place.

The development of phage therapy for use in human infections requires engagement of academia, industry, governments and regulatory and funding agencies.

The PhaBRIC group at the Research Institute of Medicines, Faculty of Pharmacy (iMed.ULisboa) studies bacteriophage-bacteria interactions, being engaged in the development of phage-based products for therapeutic application, particularly targeting bacterial pathogens that are part of the WHO global list of most problematic antibiotic-resistant bacteria.

 

Professora Doutora Madalena Pimentel

Get to Know the Alumni – Diogo Tonicher

🇵🇹

Olá a todos! O meu nome é Diogo Tonicher, tenho 24 anos, sou Mestre em Ciências Farmacêuticas e um orgulhoso membro do Alumni Board da LisbonPH.

Durante o meu percurso académico, sempre valorizei as experiências que me poderiam fazer crescer e adquirir skills diferenciadoras e fundamentais para o mercado de trabalho e, por isso, nada melhor que ingressar na LisbonPH, uma Júnior Empresa que tem como visão formar os Profissionais de Saúde do futuro, empreendedores, criativos e multidisciplinares!

Em outubro de 2020, em plena pandemia, ingressei no Departamento Comercial e Vendas da LisbonPH, onde fui posto à prova desde o primeiro dia com o objetivo de me fazer crescer e colmatar todas as inseguranças que poderia ter. Ao ser muito bem recebido por toda a estrutura numa fase difícil a nível mundial, percebi desde cedo o que a LisbonPH poderia ser para mim e para todos aqueles que a querem aproveitar ao máximo: uma casa onde crescemos, criamos amizades e, acima de tudo, impactamos a sociedade positivamente.

Devido à pandemia, a LisbonPH teve que se adaptar, os majestosos eventos presenciais passaram para o digital, uma realidade outrora desconhecida mas que veio para ficar. Numa altura onde a desinformação em Saúde era cada vez maior, a LisbonPH juntou-se a inúmeras empresas da Indústria Farmacêutica e realizou vários webinars informativos sobre as vacinas e a COVID-19. Fazer parte de projetos impactantes, ter contacto com empresas de renome mundial e, posteriormente, ter o reconhecimento destes mesmos projetos a nível europeu é uma sensação incrível enquanto se é estudante e é muito disso que a LisbonPH tem para oferecer.

O meu percurso na LisbonPH culminou como Presidente Executivo, onde tive o privilégio de liderar uma fantástica equipa, inúmeros projetos impactantes e a internacionalização dos serviços da Júnior Empresa. Para mim, a LisbonPH são as pessoas e, por isso, a minha principal ambição sempre foi fomentar uma cultura de integridade, onde todos têm o seu valor reconhecido e onde o sentimento de gosto e pertença é evidente. 

Para além de tudo o que já mencionei, a LisbonPH trouxe-me algo que vou levar para sempre no coração: o Movimento Júnior. Ver a quantidade de jovens que não se querem limitar ao “habitual”, que querem lutar sempre por algo mais e que se ajudam mutuamente a crescer, fez-me perceber que seremos sempre aquilo que quisermos ser. Embora de áreas e localidades completamente diferentes, fiz amizades e adquiri conhecimentos que levo para a vida.

Atualmente, trabalho como Marketing & Medical Affairs Trainee na Eli Lilly & Company e posso, seguramente, dizer que a LisbonPH é a melhor rampa de lançamento para o mercado de trabalho que se pode ter enquanto estudante do MICF. Na LisbonPH, aprendemos a errar e a aprender com os erros, aprendemos a ultrapassar desafios e, acima de tudo, é-nos permitido sonhar e lutar pelos nossos sonhos.

Viver a LisbonPH é algo incrível mas só vocês poderão escrever a vossa história enquanto Júnior Empresários. A LisbonPH trará sempre mais desafios a quem pretende chegar mais longe, a LisbonPH fará de tudo para que sejam cada vez mais empreendedores, criativos e multidisciplinares mas, se querem verdadeiramente que isso aconteça, têm que ter vontade e determinação para superar todas as adversidades que vos possam aparecer no caminho porque, no final, tudo fará sentido e poderão sair com o sentimento de dever cumprido!

 

🇬🇧

 

Hello, everyone! My name is Diogo Tonicher, Im 24 years old, I have a Master’s degree in Pharmaceutical Sciences and I am a proud member of the LisbonPH‘s Alumni Board.

Throughout my academic career, I have always valued experiences that would help me grow and acquire distinctive and fundamental skills for the job market. Therefore, there was no better choice than joining LisbonPH, a Junior Enterprise whose vision is to train the Healthcare Professionals of the future, entrepreneurial, creative, and multidisciplinary!

In October 2020, in the midst of the pandemic, I joined LisbonPH’s Commercial and Sales Department, where I was put to the test from day one with the aim of helping me grow and overcome any insecurities I might have. Being very well received by the entire structure at a difficult time worldwide, I realised early on what LisbonPH could be for me and for all those who want to make the most of it: a home where we grow, make friends and, above all, have a positive impact on society.

Due to the pandemic, LisbonPH had to adapt, and the majestic in-person events moved online, a reality that was once unknown but is now here to stay. At a time when misinformation about health was on the rise, LisbonPH joined forces with numerous companies in the pharmaceutical industry and held several informative webinars on vaccines and COVID-19. Being part of impactful projects, having contact with world-renowned companies and, subsequently, having these same projects recognised at European level is an incredible feeling as a student, and that is very much what LisbonPH has to offer.

My journey at LisbonPH culminated as the Executive President, where I had the privilege of leading a fantastic team, numerous impactful projects, and the internationalisation of the Junior Enterprise’s services. For me, LisbonPH is about the people, and so my main ambition has always been to foster a culture of integrity, where everyone’s value is recognised and where a sense of enjoyment and belonging is evident. 

In addition to everything I have already mentioned, LisbonPH has given me something that I will carry in my heart forever: the Junior Movement. Seeing the number of young people who do not want to limit themselves to the “usual”’, who always want to strive for something more and who help each other to grow, made me realise that we will always be what we want to be. Although from completely different areas and locations, I made friends and acquired knowledge that I will carry with me for life.

I currently work as a Marketing & Medical Affairs Trainee at Eli Lilly & Company, and I can safely say that LisbonPH is the best launch pad into the job market that you can have as a Pharmaceutical Sciences student. At LisbonPH, we learn to make mistakes and learn from them, we learn to overcome challenges, and above all, we are allowed to dream and fight for our dreams.

Experiencing LisbonPH is incredible, but only you can write your story as Junior Entrepreneurs. LisbonPH will always bring more challenges to those who want to go further. LisbonPH will do everything to make you more entrepreneurial, creative, and multidisciplinary, but if you truly want this to happen, you must have the will and determination to overcome all the adversities that may come your way because, in the end, everything will make sense, and you will be able to leave with a sense of accomplishment!

Sobrecarga de Informação: Como Proteger o Cérebro e a Mente no Mundo Digital?

A era digital trouxe-nos inúmeras facilidades, mas também nos tornou reféns de um fluxo incessante de informação. Somos bombardeados a toda a hora por notícias, notificações e conteúdos que desafiam a nossa atenção. Este excesso de estímulos não é apenas cansativo, mas prejudicial para a nossa capacidade reflexiva. Quem nunca sentiu a mente exausta depois de horas a percorrer o feed das redes sociais ou a tentar acompanhar todas as manchetes do dia? Como aludi recentemente num artigo no Público, estamos a ser sufocados por tanta informação e precisamos, urgentemente, de tomar as rédeas da situação, especialmente no que concerne à nossa atenção e capacidade de foco.

O problema não é a informação em si, mas o facto de que o nosso cérebro não foi desenhado para estar constantemente a filtrá-la e processá-la. Consumimos conteúdos sem critério, deixamo-nos levar por manchetes sensacionalistas e/ou alarmistas e passamos horas online. O resultado? Uma mente sobrecarregada, ansiosa e incapaz de se concentrar no que realmente importa. A ideia de que estar bem informado significa absorver tudo é um grande equívoco. Na realidade, é exatamente o oposto: quem quer manter-se bem informado precisa de aprender a selecionar e a ignorar o excesso.

A verdade é que estabelecer limites para a nossa presença digital não é uma simples recomendação, mas uma necessidade urgente. Criar horários específicos para aceder às redes sociais e/ou verificar emails evita a armadilha de estar sempre disponível e, por consequência, distraído. Praticar um consumo seletivo de informação, focando-se em fontes fidedignas e conteúdos realmente relevantes, também ajuda a cultivar um terreno fértil para o nosso cérebro.

Outro passo essencial é o chamado “detox digital”. Precisamos de nos permitir desconectar, nem que seja por algumas horas do dia. Ler um livro, ir beber um café com amigos, sair para caminhar sem o telemóvel, ou simplesmente ficar em silêncio são atitudes que podem parecer banais, mas fazem toda a diferença. A hiperconectividade está a drenar a nossa energia, e quem não se impõe limites acaba por se tornar escravo dos ecrãs.

Além disso, fortalecer a capacidade de foco deve ser uma prioridade. Práticas como meditação e mindfulness são cada vez mais indispensáveis para quem deseja escapar à distração constante. Estas estratégias ajudam a treinar a mente para estar presente no momento e não à mercê de cada notificação ou notícia que aparece no ecrã.

No final de contas, o que está em jogo aqui não é apenas a nossa produtividade, mas a nossa qualidade de vida e saúde mental. A era digital é irreversível, mas a forma como escolhemos interagir com ela é uma decisão individual que impactará o nosso futuro (cerebral). Informação é poder e tecnologia é progresso, mas apenas quando sabemos usá-la a nosso favor.

Rui da Silva Rodrigues

Neurocientista e comunicador de ciência. Apaixonado pelo mundo que o rodeia. 

Do Sinal à Doença: O Alerta Urgente para o Cancro da Pele

O cancro cutâneo constitui uma das neoplasias mais prevalentes a nível mundial. É decorrente da proliferação desregulada das células epiteliais da pele, frequentemente induzida pelo envelhecimento e pela exposição excessiva à radiação ultravioleta (UVA e UVB), proveniente de fontes naturais (sol) ou artificiais (solários). Esta radiação promove mutações no DNA celular que comprometem os mecanismos de reparação celular, favorecendo a transformação maligna.

As principais entidades nosológicas incluem o carcinoma basocelular, o carcinoma espinocelular e o melanoma. O carcinoma basocelular, originado nas células basais da epiderme, é o subtipo mais prevalente e menos agressivo, raramente com potencial metastático (1% dos casos). Em 2º lugar vem o carcinoma espinocelular, derivado das células escamosas, com um comportamento mais agressivo, capacidade invasiva e metastática. 

O melanoma, neoplasia maligna dos melanócitos, é o mais grave, com elevada taxa de metastização e responsável por 80% dos óbitos por cancro cutâneo.

De acordo com os dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), são diagnosticados anualmente mais de 2 milhões de casos de carcinoma basocelular e espinocelular, e cerca de 132 mil casos de melanoma. Em Portugal, a incidência atual de melanoma ronda os 1500 novos casos/ano, com tendência ascendente. Nos países do Norte da Europa, a incidência é maior devido ao fototipo cutâneo mais baixo (I, II), enquanto os países do Sul enfrentam os aumentos relacionados com os hábitos de exposição solar intensa e intermitente.

Os grupos profissionais como pescadores, trabalhadores agrícolas e da construção civil, entre outros, apresentam um risco acrescido devido à exposição solar intensa e prolongada, quase sempre sem medidas de proteção adequadas. A medicina do trabalho assume um papel fundamental na prevenção, através da implementação de estratégias de proteção solar, rastreios periódicos e ações de educação para a saúde.

A prevenção primária constitui um pilar fundamental na redução da incidência do cancro cutâneo. Recomenda-se evitar a exposição solar entre as 11h e as 17h, aplicar de forma correta fotoprotetores com elevado fator de proteção solar (30 a 50+) de 2 em 2 horas nas áreas expostas, usar vestuário colorido, chapéus com proteção auricular, óculos de sol, toldo com proteção anti UVA e UVB e não frequentar solários. A vigilância, incluindo o autoexame regular, permite a deteção precoce de lesões suspeitas. A regra do ABCDE — Assimetria, Bordos irregulares, Cor variável, Diâmetro superior a 6 mm e Evolução — constitui uma ferramenta útil na identificação precoce de melanomas. 

A deteção precoce está diretamente associada ao melhor prognóstico. Qualquer alteração cutânea suspeita deve ser avaliada e tratada por um dermatologista experiente na área do cancro cutâneo. O diagnóstico baseia-se na observação e na realização de biópsia. O tratamento depende do tipo histológico e do estádio da doença, podendo incluir cirurgia, radioterapia, quimioterapia, imunoterapia ou terapêutica dirigida.

Investir na literacia em Saúde, na formação contínua dos profissionais e na sensibilização da população é imperativo. A prevenção começa com o conhecimento, como instrumento vital na promoção da Saúde Pública.

Neste sentido, a LisbonPH promoveu a campanha de sensibilização “Proteção Solar e Patologias Dermatológicas: Sun Aware, Skin Care!”, em parceria com o projeto “Sombra para Todxs”, para reforçar a importância da fotoproteção diária e da deteção precoce do cancro cutâneo.

A prevenção começa com o conhecimento. O conhecimento salva-vidas!

 

Dra. Maria José Passos

Oncologista Médica do Hospital Particular do Algarve

Influência dos Nanoplásticos na Saúde

“Nanoplástico” é um termo genérico atribuído a partículas de diâmetro menor que 100 nanómetros e que, quimicamente, são maioritariamente compostas por um polímero dito plástico como poliestireno (PS), polietileno (PE), polipropileno (PP), entre vários outros.

Do ponto de vista toxicológico, ainda há muito a desvendar acerca dos seus efeitos. A investigação desenvolvida à data, incluindo no laboratório de Toxicologia da FFUL, tem apontado no sentido dos nanoplásticos poderem penetrar células e tecidos, ativando vias de sinalização associadas a uma resposta pró-inflamatória, nomeadamente o eixo TLR4/NF-kB e MPAK p38 [1]. De assinalar, contudo, que muita da investigação laboratorial publicada tem utilizado como modelo partículas comerciais de PS e que nanoplásticos de outros polímeros poderão ter outro tipo de efeitos. 

Para além disso, há que ter em conta que no ambiente as nanopartículas de plástico, em resultado da sua elevada razão área de superfície/volume, interagem fortemente com outros contaminantes, adsorvendo-os na sua superfície, o que pode alterar a sua biodisponibilidade e propriedades toxicológicas [2]. Uma outra camada de complexidade no estudo da toxicologia dos nanoplásticos relaciona-se com o facto de, para além da composição polimérica referida acima, os plásticos terem na sua constituição vários aditivos que têm propriedades toxicológicas distintas. Um exemplo é o bisfenol A (BPA), um conhecido disruptor endócrino [3]. Importa, por isso, perceber também de que forma é que a libertação destes aditivos dos nanoplásticos pode impactar a Saúde humana

Para além desta caracterização dos perigos toxicológicos inerentes aos nanoplásticos, é fundamental saber-se o nível de exposição da população humana para estimarmos o Índice Risco. Embora se tenham feito alguns progressos do ponto de vista analítico recorrendo a metodologias avançadas como espectroscopia Raman [4] ou Pirólise-GC-ToF-MS [5], a comunidade científica ainda não dispõe de métodos validados que permitam avaliar rotineiramente quais os níveis de nanoplásticos – dos mais variados tamanhos e composição química – em diferentes matrizes como águas de consumo e alimentos. 

Este é, na minha opinião, o maior desafio que na atualidade se coloca à investigação sobre nanoplásticos e aquele que determinará a direção de investigação futura, nomeadamente no que respeita à Avaliação do Risco toxicológico destes materiais.

 

Prof. Doutor Vasco Branco

Faculdade de Farmácia da Universidade de Lisboa



“BURNOUT” – Uma nova forma de ver, viver e gerir as “doenças”…

O tema desta reflexão é o “burnout”, que foi recentemente anunciado como uma nova doença pela Organização Mundial da Saúde (OMS) e, mais recentemente ainda, anunciado como uma síndrome (que não é uma doença), pela mesma organização.

Um estudo publicado em 2017, encomendado pela Ordem dos Médicos a uma equipa de investigadores da Universidade de Lisboa, reportou resultados alarmantes: 66% dos médicos que participaram no estudo manifestam um nível elevado de “exaustão emocional”. Este estudo da era pré-COVID-19 (como seriam os resultados hoje?) foi amplamente discutido na comunicação social. A “exaustão emocional” é uma das principais dimensões da síndrome de burnout.

O título do estudo era o “Burnout na Classe Médica em Portugal”. O debate que provocou na comunicação social deu um importante contributo para familiarizar a opinião pública com este anglicismo, já amplamente adotado na língua portuguesa corrente. A palavra “burnout” é hoje utilizada por todos para designar alguém que está deprimido ou, mais popularmente, que está “esgotado” ou, mais genericamente, que apresenta comportamentos estranhos. Diz-se que essa pessoa está em burnout

A Classificação Internacional das Doenças, na sua versão mais recente (CID-11, 2019), classifica o “burnout” como uma síndrome que resulta de stress profissional crónico que não foi bem gerido. É caracterizado por três dimensões:

  1. Sentimentos de falta de energia ou de exaustão emocional;
  2. Desinvestimento mental e emocional na esfera profissional e sentimentos negativos ou cinismo relacionados com o trabalho;
  3. Diminuição da realização profissional.

As dúvidas relativamente ao burnout ser classificado como uma doença convivem com a certeza de que o burnout é uma das principais causas de depressão, a doença que se destaca como primeira causa de incapacidade na Europa. O burnout é a causa de muitos outros problemas de Saúde, de redução do rendimento profissional, e de insatisfação com o trabalho e a vida.

Como se previne e como se trata esta “síndrome”, que não é doença, mas é causa de doenças e de incapacidade? Considerando a definição já apresentada, prevenir e tratar o burnout consiste em “gerir” melhor o stress profissional crónico.

A OMS não exclui os médicos e o sistema de Saúde do tratamento (da gestão) do burnout. Mas fica também claro a partir da sua definição que gerir o burnout de modo a prevenir e a tratar esta “condição” não depende só dos médicos – nem os médicos têm o papel principal nesta tarefa. Gerir o burnout é uma tarefa de todos. 

“Gerir”, no caso do burnout, aplica-se a cada um de nós que deve empenhar-se ativamente na gestão da sua vida profissional. “Gerir” aplica-se às organizações onde trabalhamos e aos seus dirigentes, que devem ser formados para gerir melhor o trabalho e as pessoas. “Gerir” é também uma tarefa dos influenciadores e ativistas sociais, que devem disseminar esta nova conceção de Saúde e de doença. Por fim, esta tarefa é dos políticos, que devem governar considerando estas mudanças na Saúde e nas doenças que pedem novas políticas de Saúde e de organização do trabalho.

 

Paulo Vitória

Psicólogo,

Professor na Universidade da Beira Interior

 

Conceição Nobre

Psicóloga, 

Diretora clínica da Ph+ Desenvolvimento de Potencial Humano.