Ambiente e sustentabilidade: o fim do ciclo de vida dos medicamentos

Embora se estime que o setor do medicamento represente menos de 0,5% dos Resíduos Sólidos Urbanos produzidos em Portugal, a criação em 1999 de um sistema de recolha de resíduos de medicamentos fora de uso ou do prazo de validade foi de uma grande importância.

De facto, a sua especificidade aconselhou e exigiu a existência de um processo seguro, pelo que o projeto se justificou em termos de saúde pública e ambiental. Graças a essa recolha seletiva, a VALORMED passou também a contribuir para o uso racional do medicamento, impedindo que os produtos que foram prescritos para um determinado tratamento possam ser utilizados posteriormente sem o necessário controlo.

A VALORMED é uma sociedade por quotas cujo objeto social corresponde e remete expressamente para a legislação em vigor, designadamente em matéria de gestão de resíduos de embalagens.

Tem como sócios fundadores as principais instituições representativas dos operadores económicos que constituem a “cadeia do medicamento”, com um capital social e uma estrutura “tripartida” que retrata os seus três subsetores principais: indústria, distribuição e dispensa.

Os setores da produção, importação e embalamento são representados pela APIFARMA que detém um terço do capital social da VALORMED.

O subsetor da distribuição grossista garante a “interface” logística entre a produção e a dispensa. É representado pela GROQUIFAR e ADIFA, que detêm uma participação global de um terço na sociedade.

O subsetor do retalho assegura a dispensa de medicamentos ao público, sendo representado pela ANF e, tal como os demais subsetores, detém um terço do capital social.

Após aquisição e utilização de um determinado medicamento, os cidadãos devem devolver a embalagem adquirida e todos os materiais que originalmente dela fizeram parte, mesmo contendo restos de medicamentos. Falamos, assim, das cartonagens, folhetos, blisters, colheres, tampas, copos, ampolas, frascos, aplicadores, etc., estando vedada (ainda que nem sempre seja respeitada) a deposição de materiais como agulhas ou seringas com agulhas incorporadas, material cirúrgico, material elétrico ou eletrónico, termómetros, radiografias, etc., pela perigosidade que alguns deles representam para os que participam no processo de manuseamento dos contentores e triagem dos resíduos recolhidos.

A adesão crescente dos cidadãos ao sistema, separando e entregando ano após ano quantidades cada vez maiores de resíduos, mostra a mais-valia ambiental e social da VALORMED, que contribui de forma ativa para a redução da quantidade de medicamentos guardados em casa nas “farmácias domésticas”. Consequentemente, o contributo traduz-se na diminuição do risco de acidentes e intoxicações por ingestão de medicamentos, automedicação indevida e melhoria da saúde pública.

O compromisso da VALORMED será sempre colaborar na educação dos atores sociais, dotando-os dos conceitos necessários para encontrarem soluções e enfrentarem o grande desafio da preservação do ambiente e do desenvolvimento sustentável.

Dr. Luís Miguel Figueiredo – Diretor Geral da VALORMED

Get to Know the Alumni – Elisa Reis

Dizem que “não há duas sem três” e foi mesmo à terceira candidatura que, em março de 2016, tive a oportunidade incrível de fazer parte do projeto da LisbonPH. E este foi um bom prognóstico para o que haveria de estar para vir neste meu percurso enquanto Júnior Empresária: não ia ser fácil, mas no fim ia valer a pena.

E afinal, o que fui eu fazer? Até então, sempre fiz parte de diferentes organizações de eventos, portanto tinha a certeza de que tinha todas as capacidades para acrescentar valor na grande componente logística/operacional que um evento da LisbonPH traz. Mas não foi isso que me surpreendeu… Na LisbonPH aprendi a gostar da vertente comercial de uma empresa. Arrisquei e fiz parte do Departamento Comercial, onde aprendi muitas das ferramentas que ainda atualmente utilizo e onde tive a oportunidade de lidar com diferentes clientes/parceiros.

A LisbonPH incentiva à multidisciplinaridade dos seus membros e foi mesmo este o meu passo seguinte, ingressei na Federação de Júnior Empresas de Portugal como a primeira Project Manager na área de parcerias. O que aprendi “lá fora” com outras áreas e pessoas foi uma grande mais-valia para a minha perspetiva profissional e para as componentes técnicas que me faltavam.

Dois anos depois de ter entrado como membro, saí como Presidente Executiva. No início, se alguém me tivesse perguntado “achas que um dia vais ser Presidente?” eu diria à pessoa que devia estar louca. A LisbonPH tem este poder, o poder de atingires objetivos que nunca pensaste serem possíveis…

Hoje sou farmacêutica, estou há ano e meio como Gestora de Conta de Farmácias na Alliance Healthcare e, se estou na área em que estou, devo-o à LisbonPH. Foi nesta casa que aprendi que não deves dizer que não a nada sem antes experimentares, que melhorei as minhas capacidades de comunicação e onde conheci as pessoas mais incríveis e desafiantes de lidar, pessoas que levo para a vida.

A LisbonPH é a única Júnior Empresa federada na área da Saúde em Portugal e um caso de estudo a nível europeu, não há mais ninguém a fazer o que esta equipa faz… E que orgulho tenho em poder dizer que, nesta casa, um dia “ensinei muito e aprendi ainda mais”.

Get to Know the Alumni – Margarida Gaião

Olá! Sou a Margarida, tenho 25 anos e hoje venho-te falar um bocadinho do meu percurso para que te possas inspirar.

Escolhi Ciências Farmacêuticas um bocadinho ao acaso. Gostava da área da saúde e sempre me interessei pelas disciplinas de Química e, por isso, voilà: escolhi este curso.

No segundo ano de faculdade, comecei a desenvolver um especial interesse pelo Associativismo. Por esta razão, candidatei-me à LisbonPH e entrei como membro do Departamento Científico. Um novo mundo nasceu para mim, fiquei apaixonada por esta Júnior Empresa e tentei dedicar-me ao máximo a impulsioná-la. Fui convidada no início do meu terceiro ano a fazer parte da JADE Portugal, Federação das Júnior Empresas de Portugal, como Vice-Presidente. Cresci muito, principalmente por ter saído da minha zona de conforto e surpreendi-me a mim própria com as atividades onde me envolvi e que fiz desenvolver.

Primeira dica: Os momentos em que mais te desenvolves são os momentos que te causam algum desconforto e que te criam desafios e obstáculos. Não fujas desses momentos.

Após o fim do mandato da Direção da JADE Portugal, fui eleita Secretária Geral da LisbonPH: o cargo mais desafiante, mas também o mais recompensador que tive no meu percurso académico. Gerir uma equipa a nível interno, resolver problemas e imprevistos de uma forma diária e apresentar resultados que cumpram e superem as expectativas que tu própria, e os outros, colocam em ti e na tua equipa foram os principais desafios que me deram algumas dores de cabeça, mas que foram totalmente recompensadas pela equipa e por tudo o que vi ser alcançado. É indescritível.

Segunda dica: Tenta ao máximo relativizar qualquer desafio ou problema que te possa surgir. Aquilo que conseguires resolver, resolve e rapidamente. Há (quase) sempre uma solução!

Terminei o Mestrado em Ciências Farmacêuticas com a sensação de dever cumprido, mas com a ânsia de me inserir rapidamente no mercado de trabalho e na área que estava totalmente “fisgada” na minha cabeça: Medical Affairs na Indústria Farmacêutica. Só após sensivelmente um ano é que consegui esta oportunidade, mas será que as duas experiências profissionais que tive anteriormente foram totalmente ao lado? Claro que não! Foram sem dúvida experiências onde aprendi e desenvolvi não só competências técnico-científicas cruciais para o meu trabalho diário, como também soft-skills inerentes a qualquer tipo de função.

Terceira dica: Se não conseguires à primeira, não desistas e aproveita ao máximo as experiências onde estás envolvido, mesmo que não seja exatamente o que tinhas idealizado para o teu caminho.

Aproveita o teu percurso académico para te desenvolveres profissional e pessoalmente, mas também (e principalmente!) para criares amizades e relações para a vida.

Beijinho,

Margarida

A Experiência de Venda de Maquilhagem de um Farmacêutico

A maquilhagem é um passo essencial na rotina diária, já não se tratando apenas de um mercado feminino, mas sim unissexo, sendo usada com o intuito de esconder algumas imperfeições, como os típicos sinais de fadiga, e ganhar alguma confiança.

Quando pensamos em maquilhagem, existe ainda o senso comum de a associar maioritariamente às questões relacionadas com a moda e beleza. Contudo, para muitas pessoas não se trata de um assunto tão simples, de tal modo que, em farmácia, os cosméticos andam de mão dada com a Saúde, sem sazonalidade associada. É neste contexto que surge a maquilhagem corretiva, a qual foi criada com o intuito de disfarçar imperfeições severas consequentes de doenças, como rosácea, acne, vitiligo, hiperpigmentação, psoríase, queimaduras, cicatrizes ou sequelas de tratamentos oncológicos. É direcionada para peles muito sensíveis e quase sempre agredidas. São vários os tipos de clientes que se dirigem diariamente a uma farmácia à procura de uma solução para os seus problemas e é essencial que nós, farmacêuticos, consigamos fornecer o melhor aconselhamento possível, o qual inclua, não apenas a questão primordial que levou a pessoa até nós, mas também tudo o que possamos ajudar ao nível da prevenção, tratamento e melhoria dos sintomas para que se sinta bem com ela própria.

Passando à exemplificação do tipo de aconselhamento que podemos fornecer, na maquilhagem corretiva recorremos à neutralização de cores para disfarçar os vários tipos de imperfeições em causa. Deste modo, o verde neutraliza a cor vermelha (borbulhas ou lesões devido a tratamentos a laser), o amarelo neutraliza o violeta (varizes, hematomas, olheiras com tonalidade lilás ou marcas de intervenções cirúrgicas), o coral neutraliza o castanho (melasmas, cicatrizes hiperpigmentadas, olheiras acastanhadas ou manchas da idade). Quando estamos perante uma pele sensível, é importante aconselhar produtos hipoalergénicos, com fator de proteção solar superior a 30, e que não sejam difíceis de remover de modo a não agredir ainda mais a pele já sensibilizada. Já no caso de peles propensas à acne, aconselhar maquilhagem não-comedogénica, a qual não obstrui os poros, reforçando ainda a adoção de cuidados preventivos como uma limpeza correta da pele, os produtos de tratamento mais indicados e a proteção diária contra as agressões.

Apesar de toda a envolvente teórica, falar da experiência de venda de maquilhagem de um farmacêutico obriga igualmente a abordar a exigência face ao mundo em rápida evolução em que vivemos atualmente, com o canal digital a começar a dominar o negócio das várias empresas, e o mercado das farmácias não é exceção. Segundo o estudo da Bareme Internet, lançado pela Marktest, mais de metade dos portugueses acede à Internet, dos quais cerca de 34% dos portugueses já comprou pelo menos um produto de beleza online no último ano e 55% efetua as suas compras em sites estrangeiros. Além disso, e apesar de continuar a ser ainda um negócio com a venda focada na relação farmacêutico-cliente, estamos constantemente perante um consumidor muito mais informado e exigente, sendo fulcral o reforço formativo na saúde e beleza. O desafio reside na capacidade das farmácias se conseguirem digitalizar e adotarem preços competitivos, ganhando visibilidade online nos motores de pesquisa, através de uma boa gestão de redes sociais ou da criação de um canal de e-commerce, o qual tem um forte potencial de crescimento, e adotando as metodologias necessárias para conseguir conquistar este público-alvo.

Get to Know the Alumni – João Malhadeiro

Júnior: mais novo, relativamente a outro.
Empresa: sociedade ou companhia que explora qualquer ramo de indústria ou comércio.
São raros os casos em que o dicionário nos dá uma definição incompleta ou pouco clara. Contudo, quando o tema é a LisbonPH, Júnior Empresa da Faculdade de Farmácia da Universidade de Lisboa, é preciso ir além do dicionário para compreender a realidade e o dia-a-dia desta Júnior Empresa na área da Saúde. O meu percurso de 2 anos na LisbonPH iniciou-se no 3º ano da Faculdade, quando ingressei no Departamento de Inovação e Científico, tendo feito parte deste enquanto membro e diretor. Durante este período, os desafios foram constantes, desde a produção de conteúdo científicos para os eventos e e-Learnings organizados pela LisbonPH, até à gestão do património informático e coordenação de equipas. Mas não ficou por aqui! A experiência na LisbonPH foi muito mais do que o trabalho dentro de cada Departamento. Foi o contacto com profissionais de saúde de diversas áreas, o trabalho em equipa e gestão de objetivos, a participação em reuniões estratégicas e operacionais onde se é voz ativa em cada projeto e os momentos em team building. Cada uma destas experiências deu-me diversas ferramentas e valências que me prepararam para enfrentar o mercado de trabalho: o trabalho em equipa, a gestão de tempo, o planeamento estratégico ou a priorização de tarefas. Após ter feito um estágio na Direção de Avaliação de Tecnologias de Saúde do Infarmed, iniciei o meu percurso na Boehringer Ingelheim no Departamento de Acesso ao Mercado, onde desempenho funções nos últimos dois anos.

Alumnus vs. Membro

Afonso Coutinho - Alumnus da LisbonPH

   Quais são as skills que queres tentar transmitir ao longo desta experiência?

Ao longo deste programa, tenho tentado transmitir, essencialmente, todas as minhas experiências passadas – tanto os meus sucessos, como os meus erros e consequentes aprendizagens. Acredito que ter o testemunho de alguém mais velho, que já passou por situações similares, é uma grande mais-valia e proporciona um sentimento de conforto. Tenho, também, trabalhado com a Marta diversas temáticas importantes, tais como técnicas de gestão de tempo e organização, definição de prioridades futuras e aprimoramento de CV. Por fim, tem sempre havido um acompanhamento dos projetos atuais.

Qual a importância deste programa para a estrutura da LisbonPH?

Este Programa é uma das ferramentas que a LisbonPH proporciona aos seus membros, através da colaboração entre o Departamento de Recursos Humanos e o Alumni Board, e que, a meu ver, é imbatível no que concerne ao aprimoramento do trabalho do membro e ao seu contacto com o mercado de trabalho. É, efetivamente, a essência e o propósito de uma rede Alumni Board coesa, dedicada e focada em continuar a auxiliar a LisbonPH.

  Como vês a LisbonPH neste momento? 

A LisbonPH continua a ser a verdadeira referência para qualquer estudante da FFUL que queira expandir os seus horizontes através da aquisição de conhecimentos, capacidades e técnicas que não encontrará de outra forma durante o seu percurso académico – e que são aplicáveis não apenas a quem pretenda seguir Indústria Farmacêutica, como também qualquer outra saída profissional. De resto, e noutra vertente, mantém-se como sendo um grupo unido, coeso, onde, além de se partilhar momentos de vitórias, trabalho e esforço, também se criam verdadeiras amizades e se conhecem pessoas estupendas.

 Diz-nos um conselho que darias para quem vai entrar neste recrutamento!

Para todos os que vão entrar neste Recrutamento – boa sorte! Preparem-se devidamente para todas as etapas de Seleção, mostrem profissionalismo, ambição e muita vontade de aprender e de querer fazer mais. Até porque a LisbonPH não deve ser vista apenas como um mero instrumento para vos fazer crescer, de forma individual – também tem de ser vista como uma oportunidade para entregarem muito de vocês, de forma a que façam a própria LisbonPH e todos os nela envolvidos crescer paralelamente convosco.

 

Marta Aiveca - Membro da LisbonPH

Quais eram as tuas expectativas relativamente a este programa?

Eu entrei na LisbonPH em março e as candidaturas para o Programa de Mentores abriram muito pouco tempo depois. Ao início mostrei-me reticente, uma vez que tinha acabado de entrar e ainda sentia que tinha um perfil LisbonPH embrionário para me envolver neste tipo de desafios. A verdade é que o Programa de Mentores é ainda mais vantajoso para pessoas como eu na altura! Há ainda mais para aprender – e que aprendizagem que tem sido. É arriscar e agarrar ao máximo todas as oportunidades fantásticas que a LisbonPH tem para nos dar, sendo que as minhas expectativas eram, maioritariamente, conversar, ouvir e aprender com o mentor que me ficasse alocado e trocar ideias, opiniões e experiências.

O que esperavas encontrar no teu mentor? 

Inspiração! E ver a forma profissional e tão bem conseguida como o Afonso trabalha é, sem dúvida, uma grande inspiração para mim. Uma pessoa acessível, com mais experiência e dedicada. O Afonso tem-se revelado tão mais do que isto, encontro agora um amigo que tem gostos e valores parecidos com os meus.

Quais são as skills que esperas levar desta experiência?

Já cresci tanto, aprendi tanto. O Afonso tem sido uma mais-valia ao longo da minha experiência na LisbonPH, desde uma formação sobre como atingir o sucesso (com dicas e ferramentas extraordinárias!), a ter uma melhor gestão organizacional e a como tornar o meu CV e a carta de motivação os tais. No geral, todo o nosso caminho percorrido até aqui, fizeram-me aprender ainda mais sobre mim mesma, acabando por desenvolver ainda mais skills já adquiridas.

   Como vês a LisbonPH neste momento? 

Vejo a LisbonPH como uma referência, pela sua promoção e apoio ao empreendedorismo na área da Saúde, para todos os Profissionais de Saúde, prevalecendo ainda na mesma a aprendizagem de soft-skills e hard-skills que não se obteriam de outro modo ao longo do percurso académico, preparando Júnior Empresários para o mundo profissional de forma distintiva.

Diz-nos um conselho que darias para quem vai entrar neste recrutamento!

Prepara-te bem para todas as fases de Seleção, dá o teu melhor e nunca tenhas medo de errar. Mais importante do que já saber fazer, é ter muita vontade de aprender e sermos ambiciosos e proativos. Acima de todas as lições, sê tu mesmo! Boa sorte. 

O Atendimento ao Idoso na Farmácia

           Para o doente idoso, os farmacêuticos são, por vezes, os profissionais de saúde mais acessíveis. Além da venda de fármacos, o farmacêutico presta informações aos pacientes e cuidadores, monitorizam o uso da medicação, de forma a potenciar a adesão à mesma, e fazem a ponte entre médicos e outros profissionais de saúde.

           No paciente idoso com múltiplas patologias, verifica-se uma maior tendência para o consumo de mais medicamentos – polimedicação. Falhas na adesão ao regime terapêutico e erros de administrações também aumentam com a idade, que derivam, em parte, da confusão causada por terapêuticas múltiplas, distúrbios cognitivos, dificuldade visual e destreza manual prejudicada, sendo que a semelhança na embalagem dos medicamentos também pode dificultar a adesão à terapêutica no paciente idoso.

           A implementação de estratégias facilitadoras nas farmácias comunitárias é de suma importância para suprir a carência de informação característica da população idosa. Estas estratégias, além de trazerem concomitantemente um farmacêutico diferenciado que necessitará de conhecimentos específicos relativamente ao paciente idoso, também traz necessidade de promulgar os seus conhecimentos para outros profissionais de saúde, sendo, assim, um desafio para todos.

           Este profissional de saúde diferenciado, nomeadamente o farmacêutico, terá a capacidade de obter melhores resultados aquando da terapêutica do doente idoso. Nestas circunstâncias, os idosos são ouvidos e as suas opiniões são relevantes e, consequentemente, o farmacêutico humaniza a sua abordagem ao mesmo tempo que se compromete a trabalhar na sua saúde. Assim, o farmacêutico tem a responsabilidade de promover o desenvolvimento do conhecimento e, com isso, melhorar a qualidade de vida e saúde das pessoas envolvidas neste processo. A implementação de atividades que envolvam ações educativas com o idoso, por exemplo, torna-se uma maneira de ampliar o debate acerca destas questões, bem como de favorecer a formação dos profissionais de saúde.

“O utente idoso, pelas características inerentes ao avançar da idade, tem tendência à presença de várias patologias crónicas, que levam a que seja muitas vezes seguido em primeiro lugar pelo médico de família, mas também por outras especialidades médicas. Assim, a vinda à farmácia nesta população acaba por ser mais frequente que em outras faixas etárias, no mínimo uma vez por mês – alguns casos, a solidão e necessidade de apoio levam a que esta frequência aumente. O atendimento nesta faixa etária varia substancialmente de indivíduo para indivíduo, podendo verificar-se vários casos: problemas auditivos, que levam a que o tom de voz tenha que ser ajustado, problemas de locomoção, que requerem um atendimento sentado, ou muitas vezes alguma confusão com o próprio receituário e com a medicação, que requer uma maior atenção por parte do Farmacêutico na explicação das posologias, de forma a evitar erros na toma dos medicamentos.”

Farmacêutica Maria Róis

Get to know the Alumni – João Roma

O meu nome é João Roma. Liderei a equipa de fundadores da LisbonPH em 2013 e fui o seu primeiro Presidente Executivo. A LisbonPH nasceu porque acreditávamos que era necessário promover o empreendedorismo na comunidade da FFUL, aproximar os estudantes do mercado de trabalho, e promover a faculdade.Fazer parte da equipa de fundadores da primeira empresa júnior na área da saúde mostrou-me o quão extraordinário é acreditar em algo e lutar para moldar a realidade aos nossos ideais. Quando o fazemos, a nossa actividade profissional funde-se com a vida pessoal, e o nosso dia-a-dia ganha mais cor, para o bem e para o mal. Desde a LisbonPH, o meu percurso foi sempre em busca de projetos que me permitissem aprender, consolidar processos e inovar, adicionar valor. Depois de alguns estágios em logística e vendas, o meu primeiro emprego foi numa agência de publicidade, a Float Health. Trabalhei em marketing em grandes empresas do setor da saúde e beleza como a GSK, a Mylan e a L’Oréal. Em janeiro de 2019 integrei um grupo de farmácias com o objetivo de contruir o seu negócio online. Sou hoje o Gestor do e-commerce www.bairrodasaude.pt, um projeto me desafia todos os dias a crescer. Adoro o meu trabalho e o primeiro agradecimento que faço por isso é à LisbonPH.

A minha experiência na LisbonPH

O meu nome é António Leitão e fiz parte da equipa da LisbonPH entre 2016 e 2018. A nossa Júnior Empresa tinha sido fundada há poucos anos mas já tinha adquirido um dimensão considerável no setor da saúde, nomeadamente na formação de profissionais.Desde sempre ligado à área comercial, a minha grande paixão era colocar o nome e qualidade dos serviços da LisbonPH a circular pelo maior número de pessoas. Para além desta vertente institucional, os meus anos nesta Júnior Empresa permitiram-me abraçar projetos incrivelmente desafiantes e diversificados: desde edificar conferências internacionais do zero a angariar centenas de participantes para cursos e-Learning totalmente inovadores no mercado.O que trago comigo para sempre desta experiência na LisbonPH foi como me moldou de um jovem estudante para um verdadeiro profissional ainda antes de ter entrado no mercado de trabalho. Hoje sou Trainee na UCB Pharma em Bruxelas e ponho em prática diariamente grande parte das competências que adquiri na LisbonPH. Levo comigo também as inúmeras amizades que a LisbonPH me proporcionou pois sempre operámos como um grande família.Por isto e por muito mais estou bastante grato a esta minha experiência enquanto Júnior Empresário e certo de que me será sempre muito útil no meu futuro!

O Impacto das Fake News na Sociedade durante a pandemia da COVID-19

Atrevo-me a começar esta breve reflexão por ponderar que o termo “Fake News” é profundamente ingrato. Não é possível, pois, conceber que uma notícia, na sua aceção mais restrita, possa ter como caraterística a sua falsidade. 

Vivemos, por isso, reféns de uma tal incerteza que nos leva a questionar um conceito tão inocente como o da verdade. Se é certo que essa “verdade” já não o era igualmente reconfortante para tantos de nós, não fosse a inquietude da dúvida uma constante nas nossas vidas, certo é que agora a distinção entre informação e ficção ficou ainda mais distorcida. 

A intencionalidade em enganar o público ao fornecer informação falsa é uma ameaça transversal a todos os setores de atividade, mas especialmente preocupante no setor da saúde, se considerarmos as consequências negativas, e potencialmente fatais, que podem decorrer da mensagem transmitida, em muitos casos, por fontes “ditas” de credíveis. Basta relembrar a recomendação do presidente dos E.U.A., Donald Trump, para a ingestão de lixívia como método preventivo da COVID-19.

A evolução tecnológica, consumada na liberdade de acesso à informação, mas também na facilidade de propagação de ideias ou mensagens, chamemos-lhes assim, foi um “adubo” incontestável para a desinformação. Estamos, assim, a recolher os frutos do terreno fértil que foi cultivado, anos a fio, sem qualquer medida preventiva. 

Emergem agora, face a um contexto pandémico, as medidas necessárias para evitar a propagação desta avalanche de informação enganosa. A Organização Mundial da Saúde (OMS), que está a liderar a resposta da ONU à COVID-19, tem apelado a todos os governos para acautelarem plataformas de comunicação, em função das suas próprias condições e da propagação do vírus nos seus países, para combater a propagação de informação pouco fiável. 

Contudo, não chega. Tal como nos casos das doenças infeciosas, nas quais podemos incluir a COVID–19, a desinformação será um dos principais perigos para a Saúde Pública. 

É essencial pensarmos numa “estratégia” muito mais do que em medidas a curto prazo, que mais não são do que “pensos” rápidos, eles próprios, uma espécie de informação falaciosa. Estamos perante um desafio que requer uma abordagem multidisciplinar, sem qualquer tipo de dúvida.

A comunicação estratégica para a mudança é, particularmente, pertinente numa altura em que muitas das ameaças estão enraizadas no comportamento humano. Rimal e Lapinski (2009) assumiam-se otimistas quando declararam num boletim da OMS, que os comunicadores para a saúde têm uma oportunidade única de dar um contributo significativo para melhorar e salvar vidas. Agora, mais do que nunca, chegou o momento!

Andreia Garcia, Diretora-Geral da Miligrama Comunicação em Saúde