Alumnus vs. Membro

Afonso Coutinho - Alumnus da LisbonPH

   Quais são as skills que queres tentar transmitir ao longo desta experiência?

Ao longo deste programa, tenho tentado transmitir, essencialmente, todas as minhas experiências passadas – tanto os meus sucessos, como os meus erros e consequentes aprendizagens. Acredito que ter o testemunho de alguém mais velho, que já passou por situações similares, é uma grande mais-valia e proporciona um sentimento de conforto. Tenho, também, trabalhado com a Marta diversas temáticas importantes, tais como técnicas de gestão de tempo e organização, definição de prioridades futuras e aprimoramento de CV. Por fim, tem sempre havido um acompanhamento dos projetos atuais.

Qual a importância deste programa para a estrutura da LisbonPH?

Este Programa é uma das ferramentas que a LisbonPH proporciona aos seus membros, através da colaboração entre o Departamento de Recursos Humanos e o Alumni Board, e que, a meu ver, é imbatível no que concerne ao aprimoramento do trabalho do membro e ao seu contacto com o mercado de trabalho. É, efetivamente, a essência e o propósito de uma rede Alumni Board coesa, dedicada e focada em continuar a auxiliar a LisbonPH.

  Como vês a LisbonPH neste momento? 

A LisbonPH continua a ser a verdadeira referência para qualquer estudante da FFUL que queira expandir os seus horizontes através da aquisição de conhecimentos, capacidades e técnicas que não encontrará de outra forma durante o seu percurso académico – e que são aplicáveis não apenas a quem pretenda seguir Indústria Farmacêutica, como também qualquer outra saída profissional. De resto, e noutra vertente, mantém-se como sendo um grupo unido, coeso, onde, além de se partilhar momentos de vitórias, trabalho e esforço, também se criam verdadeiras amizades e se conhecem pessoas estupendas.

 Diz-nos um conselho que darias para quem vai entrar neste recrutamento!

Para todos os que vão entrar neste Recrutamento – boa sorte! Preparem-se devidamente para todas as etapas de Seleção, mostrem profissionalismo, ambição e muita vontade de aprender e de querer fazer mais. Até porque a LisbonPH não deve ser vista apenas como um mero instrumento para vos fazer crescer, de forma individual – também tem de ser vista como uma oportunidade para entregarem muito de vocês, de forma a que façam a própria LisbonPH e todos os nela envolvidos crescer paralelamente convosco.

 

Marta Aiveca - Membro da LisbonPH

Quais eram as tuas expectativas relativamente a este programa?

Eu entrei na LisbonPH em março e as candidaturas para o Programa de Mentores abriram muito pouco tempo depois. Ao início mostrei-me reticente, uma vez que tinha acabado de entrar e ainda sentia que tinha um perfil LisbonPH embrionário para me envolver neste tipo de desafios. A verdade é que o Programa de Mentores é ainda mais vantajoso para pessoas como eu na altura! Há ainda mais para aprender – e que aprendizagem que tem sido. É arriscar e agarrar ao máximo todas as oportunidades fantásticas que a LisbonPH tem para nos dar, sendo que as minhas expectativas eram, maioritariamente, conversar, ouvir e aprender com o mentor que me ficasse alocado e trocar ideias, opiniões e experiências.

O que esperavas encontrar no teu mentor? 

Inspiração! E ver a forma profissional e tão bem conseguida como o Afonso trabalha é, sem dúvida, uma grande inspiração para mim. Uma pessoa acessível, com mais experiência e dedicada. O Afonso tem-se revelado tão mais do que isto, encontro agora um amigo que tem gostos e valores parecidos com os meus.

Quais são as skills que esperas levar desta experiência?

Já cresci tanto, aprendi tanto. O Afonso tem sido uma mais-valia ao longo da minha experiência na LisbonPH, desde uma formação sobre como atingir o sucesso (com dicas e ferramentas extraordinárias!), a ter uma melhor gestão organizacional e a como tornar o meu CV e a carta de motivação os tais. No geral, todo o nosso caminho percorrido até aqui, fizeram-me aprender ainda mais sobre mim mesma, acabando por desenvolver ainda mais skills já adquiridas.

   Como vês a LisbonPH neste momento? 

Vejo a LisbonPH como uma referência, pela sua promoção e apoio ao empreendedorismo na área da Saúde, para todos os Profissionais de Saúde, prevalecendo ainda na mesma a aprendizagem de soft-skills e hard-skills que não se obteriam de outro modo ao longo do percurso académico, preparando Júnior Empresários para o mundo profissional de forma distintiva.

Diz-nos um conselho que darias para quem vai entrar neste recrutamento!

Prepara-te bem para todas as fases de Seleção, dá o teu melhor e nunca tenhas medo de errar. Mais importante do que já saber fazer, é ter muita vontade de aprender e sermos ambiciosos e proativos. Acima de todas as lições, sê tu mesmo! Boa sorte. 

O Atendimento ao Idoso na Farmácia

           Para o doente idoso, os farmacêuticos são, por vezes, os profissionais de saúde mais acessíveis. Além da venda de fármacos, o farmacêutico presta informações aos pacientes e cuidadores, monitorizam o uso da medicação, de forma a potenciar a adesão à mesma, e fazem a ponte entre médicos e outros profissionais de saúde.

           No paciente idoso com múltiplas patologias, verifica-se uma maior tendência para o consumo de mais medicamentos – polimedicação. Falhas na adesão ao regime terapêutico e erros de administrações também aumentam com a idade, que derivam, em parte, da confusão causada por terapêuticas múltiplas, distúrbios cognitivos, dificuldade visual e destreza manual prejudicada, sendo que a semelhança na embalagem dos medicamentos também pode dificultar a adesão à terapêutica no paciente idoso.

           A implementação de estratégias facilitadoras nas farmácias comunitárias é de suma importância para suprir a carência de informação característica da população idosa. Estas estratégias, além de trazerem concomitantemente um farmacêutico diferenciado que necessitará de conhecimentos específicos relativamente ao paciente idoso, também traz necessidade de promulgar os seus conhecimentos para outros profissionais de saúde, sendo, assim, um desafio para todos.

           Este profissional de saúde diferenciado, nomeadamente o farmacêutico, terá a capacidade de obter melhores resultados aquando da terapêutica do doente idoso. Nestas circunstâncias, os idosos são ouvidos e as suas opiniões são relevantes e, consequentemente, o farmacêutico humaniza a sua abordagem ao mesmo tempo que se compromete a trabalhar na sua saúde. Assim, o farmacêutico tem a responsabilidade de promover o desenvolvimento do conhecimento e, com isso, melhorar a qualidade de vida e saúde das pessoas envolvidas neste processo. A implementação de atividades que envolvam ações educativas com o idoso, por exemplo, torna-se uma maneira de ampliar o debate acerca destas questões, bem como de favorecer a formação dos profissionais de saúde.

“O utente idoso, pelas características inerentes ao avançar da idade, tem tendência à presença de várias patologias crónicas, que levam a que seja muitas vezes seguido em primeiro lugar pelo médico de família, mas também por outras especialidades médicas. Assim, a vinda à farmácia nesta população acaba por ser mais frequente que em outras faixas etárias, no mínimo uma vez por mês – alguns casos, a solidão e necessidade de apoio levam a que esta frequência aumente. O atendimento nesta faixa etária varia substancialmente de indivíduo para indivíduo, podendo verificar-se vários casos: problemas auditivos, que levam a que o tom de voz tenha que ser ajustado, problemas de locomoção, que requerem um atendimento sentado, ou muitas vezes alguma confusão com o próprio receituário e com a medicação, que requer uma maior atenção por parte do Farmacêutico na explicação das posologias, de forma a evitar erros na toma dos medicamentos.”

Farmacêutica Maria Róis

Get to know the Alumni – João Roma

O meu nome é João Roma. Liderei a equipa de fundadores da LisbonPH em 2013 e fui o seu primeiro Presidente Executivo. A LisbonPH nasceu porque acreditávamos que era necessário promover o empreendedorismo na comunidade da FFUL, aproximar os estudantes do mercado de trabalho, e promover a faculdade.Fazer parte da equipa de fundadores da primeira empresa júnior na área da saúde mostrou-me o quão extraordinário é acreditar em algo e lutar para moldar a realidade aos nossos ideais. Quando o fazemos, a nossa actividade profissional funde-se com a vida pessoal, e o nosso dia-a-dia ganha mais cor, para o bem e para o mal. Desde a LisbonPH, o meu percurso foi sempre em busca de projetos que me permitissem aprender, consolidar processos e inovar, adicionar valor. Depois de alguns estágios em logística e vendas, o meu primeiro emprego foi numa agência de publicidade, a Float Health. Trabalhei em marketing em grandes empresas do setor da saúde e beleza como a GSK, a Mylan e a L’Oréal. Em janeiro de 2019 integrei um grupo de farmácias com o objetivo de contruir o seu negócio online. Sou hoje o Gestor do e-commerce www.bairrodasaude.pt, um projeto me desafia todos os dias a crescer. Adoro o meu trabalho e o primeiro agradecimento que faço por isso é à LisbonPH.

A minha experiência na LisbonPH

O meu nome é António Leitão e fiz parte da equipa da LisbonPH entre 2016 e 2018. A nossa Júnior Empresa tinha sido fundada há poucos anos mas já tinha adquirido um dimensão considerável no setor da saúde, nomeadamente na formação de profissionais.Desde sempre ligado à área comercial, a minha grande paixão era colocar o nome e qualidade dos serviços da LisbonPH a circular pelo maior número de pessoas. Para além desta vertente institucional, os meus anos nesta Júnior Empresa permitiram-me abraçar projetos incrivelmente desafiantes e diversificados: desde edificar conferências internacionais do zero a angariar centenas de participantes para cursos e-Learning totalmente inovadores no mercado.O que trago comigo para sempre desta experiência na LisbonPH foi como me moldou de um jovem estudante para um verdadeiro profissional ainda antes de ter entrado no mercado de trabalho. Hoje sou Trainee na UCB Pharma em Bruxelas e ponho em prática diariamente grande parte das competências que adquiri na LisbonPH. Levo comigo também as inúmeras amizades que a LisbonPH me proporcionou pois sempre operámos como um grande família.Por isto e por muito mais estou bastante grato a esta minha experiência enquanto Júnior Empresário e certo de que me será sempre muito útil no meu futuro!

O Impacto das Fake News na Sociedade durante a pandemia da COVID-19

Atrevo-me a começar esta breve reflexão por ponderar que o termo “Fake News” é profundamente ingrato. Não é possível, pois, conceber que uma notícia, na sua aceção mais restrita, possa ter como caraterística a sua falsidade. 

Vivemos, por isso, reféns de uma tal incerteza que nos leva a questionar um conceito tão inocente como o da verdade. Se é certo que essa “verdade” já não o era igualmente reconfortante para tantos de nós, não fosse a inquietude da dúvida uma constante nas nossas vidas, certo é que agora a distinção entre informação e ficção ficou ainda mais distorcida. 

A intencionalidade em enganar o público ao fornecer informação falsa é uma ameaça transversal a todos os setores de atividade, mas especialmente preocupante no setor da saúde, se considerarmos as consequências negativas, e potencialmente fatais, que podem decorrer da mensagem transmitida, em muitos casos, por fontes “ditas” de credíveis. Basta relembrar a recomendação do presidente dos E.U.A., Donald Trump, para a ingestão de lixívia como método preventivo da COVID-19.

A evolução tecnológica, consumada na liberdade de acesso à informação, mas também na facilidade de propagação de ideias ou mensagens, chamemos-lhes assim, foi um “adubo” incontestável para a desinformação. Estamos, assim, a recolher os frutos do terreno fértil que foi cultivado, anos a fio, sem qualquer medida preventiva. 

Emergem agora, face a um contexto pandémico, as medidas necessárias para evitar a propagação desta avalanche de informação enganosa. A Organização Mundial da Saúde (OMS), que está a liderar a resposta da ONU à COVID-19, tem apelado a todos os governos para acautelarem plataformas de comunicação, em função das suas próprias condições e da propagação do vírus nos seus países, para combater a propagação de informação pouco fiável. 

Contudo, não chega. Tal como nos casos das doenças infeciosas, nas quais podemos incluir a COVID–19, a desinformação será um dos principais perigos para a Saúde Pública. 

É essencial pensarmos numa “estratégia” muito mais do que em medidas a curto prazo, que mais não são do que “pensos” rápidos, eles próprios, uma espécie de informação falaciosa. Estamos perante um desafio que requer uma abordagem multidisciplinar, sem qualquer tipo de dúvida.

A comunicação estratégica para a mudança é, particularmente, pertinente numa altura em que muitas das ameaças estão enraizadas no comportamento humano. Rimal e Lapinski (2009) assumiam-se otimistas quando declararam num boletim da OMS, que os comunicadores para a saúde têm uma oportunidade única de dar um contributo significativo para melhorar e salvar vidas. Agora, mais do que nunca, chegou o momento!

Andreia Garcia, Diretora-Geral da Miligrama Comunicação em Saúde

Get to Know the Alumni – Ana Frazão

Final do 1º ano de faculdade, ainda reinava a incerteza de onde me tinha vindo meter e de qual seria o meu futuro depois de ter “o canudo”. Sem saber muito bem do que se tratava, inscrevi-me numa conferência sobre Empreendedorismo que terminou justamente com a apresentação da LisbonPH à comunidade estudantil. E o bicho foi “plantado”. O fascínio de algo novo e diferente, do mote “Learning by doing”, de poder apostar não só no meu desenvolvimento como ajudar ao crescimento de um projeto que se tornou tão grande como a LisbonPH.

Comecei então a viagem LisbonPH no início do 2º ano. Arrisquei uma candidatura e entrei no agora extinto Departamento Comercial e Logística onde estive por 2 anos (um deles a liderar o mesmo). Durante todo este tempo nunca pararam de surgir novos desafios e oportunidades nas quais eu embarquei. De entre passar horas num supermercado ou numa sala da faculdade a preparar um evento, das longas e infinitas reuniões, do contacto com profissionais de saúde e outras tantas áreas, gerir objetivos e darmos o melhor de nós em tudo, ensinaram a todos nós que resiliência era e não ia deixar de ser a palavra de ordem.

Algo que a LisbonPH nos permite ganhar é também a ambição. Ambição de poder levar um projeto mais longe. De podermos vestir esta camisola azul, de poder apresentar a candidatura a um prémio a nível europeu, em Bruxelas, em frente a 300 Júnior Empresários e cerca de 30 representantes de empresas e entidades europeias (um dos momentos mais assustadores da minha vida, devo confessar) enquanto 90% da Júnior Empresa assistia, em Portugal, e torcia por este momento. E a verdade é que levámos este projeto mais longe. Júnior Empresa Mais Promissora da Europa foi um peso que todos carregámos, mas que o fizemos com o maior orgulho possível sem nunca questionar o valor que tínhamos.

Agora no mercado de trabalho, sinto-me a utilizar todas as valências que ganhei na LisbonPH. Desde o trabalho em equipa, a gestão de tempo e pessoas, o planeamento estratégico e, claro, a ambição! Trabalho em marketing farmacêutico na Janssen Pharmaceuticals e lembro-me todos os dias que este modo de estar e de trabalhar ficou sempre em mim e se expressa não só a nível profissional, como a nível pessoal.

Ana Frazão

A importância do Movimento Júnior

Em 1967, um conjunto de estudantes em França sentiu a necessidade de complementar o seu processo de educação tradicional. O seu objetivo foi o seguinte: conciliar os estudos académicos com uma experiência que não só contribuísse para o seu desenvolvimento profissional, mas também criasse valor para a sociedade e para o mundo empresarial. Deste desejo resultou a criação da primeira Júnior Empresa, uma iniciativa que hoje é considerada como uma prática de sucesso, pelos milhares de estudantes universitários que carregam o estandarte de Júnior Empresário e pelos milhares de clientes que ano após ano recorrem às Júnior Empresas para obter serviços de qualidade. Em 2020, apesar de ter passado 50 anos após a criação da primeira Júnior Empresa, a missão permanece a mesma: através de organizações direcionadas para a prestação de serviços, desenvolver os estudantes universitários e torná-los líderes do futuro, mais capacitados e contextualizados com a realidade empresarial.

Pela sua vertente empreendedora e inovadora, Portugal encontra-se no rumo desejado para tornar o conceito de Júnior Empresa o complemento ideal do sistema de educação. Aproveitando o talento universitário existente, as Júnior Empresas têm consolidado a sua posição como um dos principais veículos dos estudantes universitários para a criação de impacto na sociedade. Contando neste momento com 17 Júnior Empresas e mais de 700 Júnior Empresários, Portugal ambiciona ter uma Júnior Empresa em cada instituição de ensino universitário, devidamente estruturada e com a garantia que os serviços prestados, apresentam a qualidade indicada. 

O reflexo da qualidade atual do Movimento Júnior português assenta na constante predisposição de cada Júnior Empresa em tornar-se a melhor organização possível para os seus membros e clientes. Seja na construção de um processo de recrutamento adequado às necessidades dos estudantes, seja na criação de uma estratégia comercial que vá de encontro ao mercado, ou seja nos projetos externos criados e ajustados diretamente às necessidades dos clientes, são inúmeras as prioridades de trabalho para estas organizações. Nesse sentido, a forte ligação à sociedade e ao mundo empresarial obriga as Júnior Empresas a terem estruturas adaptadas à mudança e inovação, de forma a responderem no timing exato às movimentações do mercado.

No panorama internacional, Portugal também se assume como um exemplo de boas práticas, pelo papel que tem no fortalecimento deste conceito e pelo impacto que as suas ações têm causado no crescimento desta rede empreendedora. Recentemente, quatro Júnior Empresas portuguesas foram vencedoras dos prémios europeus Júnior Empresa mais promissora, mais sustentável, mais empreendedora e com o projeto mais impactante. Este selo de acreditação comprova a crescente competitividade das Júnior Empresas portuguesas e a diversidade existente nas suas práticas de gestão.

Embora o conceito já apresente mais de 50 anos, continuará a ser uma atividade particularmente jovem, porque vai estar sempre direcionada às gerações de estudantes universitários. Para o Movimento Júnior português, podemos acreditar que o futuro permanecerá risonho. Milhares de estudantes portugueses vão continuar a ter a oportunidade de experienciar esta aventura e potenciar o seu desenvolvimento universitário. 

Alexandre Serra, Presidente da Junior Enterprises Portugal

A EVITA e o seu Papel na Prevenção do Cancro Hereditário

A EVITA é uma associação que apoia famílias afetadas por síndromes de cancro hereditário. A sua história reflete bem a realidade dos portadores de mutação genética e a importância de serem identificados atempadamente.

Em 2007, no hospital onde trabalhava a presidente da EVITA (Tamara Milagre), uma jovem grávida tinha sido submetida de urgência a uma mastectomia radical pois tinha um tumor muito agressivo na mama. Era a Tamara quem tomava conta da operada no recobro. Ao ouvir o batimento cardíaco do feto e olhando para esta jovem doente metastática, Tamara questionou-se, chocada, acerca do que tinha corrido mal, levando a uma demora no diagnóstico fatal. Seguindo as consultas da doente grávida, percebeu que duas das suas tias paternas tinham falecido com o mesmo cancro por volta dos 40 anos, e que a causa podia estar numa mutação genética, herdada do pai, num gene responsável por nos proteger do cancro da mama.

Só então, é que a própria Tamara relacionou os vários casos de cancro da mama e ovário na sua linhagem paterna com uma possível mutação genética na família, o que a levou a realizar um aconselhamento genético. A suspeita teve a sua confirmação: uma mutação no gene BRCA1 que colocou imediatamente uma “espada por cima da sua cabeça”: a qualquer momento podia começar a desenvolver um cancro em idade precoce. E agora?

Dois anos mais tarde, a sua doente, e entretanto amiga, faleceu, deixando as duas filhas menores órfãs e um marido viúvo destroçado. Tamara prometeu que esta situação não voltaria a acontecer, nem às filhas da sua amiga, nem às suas filhas, nem a ninguém. Juntou as suas forças e criou o primeiro “ombro amigo” para os portadores de mutação genética, apostando sempre na prevenção do cancro – a associação EVITA.

As síndromes de cancro hereditário envolvem múltiplos órgãos e estão ligadas aos cancros mais frequentes e mais letais. Geralmente, a doença ocorre em idade precoce, durante o pico de produtividade e na idade reprodutiva e, por vezes, mesmo durante a gravidez. Consequentemente, torna-se o cancro mais caro. Se o portador de mutação não tem conhecimento da sua predisposição genética, os primeiros sintomas podem ser desvalorizados pela própria pessoa ou mesmo pelos Profissionais de Saúde, levando ao diagnóstico tardio com mau prognóstico. A história familiar de cancro e a idade precoce dos diagnosticados são fatores cruciais na identificação de uma síndrome de cancro hereditário. No entanto, com medidas adequadas, é o cancro com maior potencial de prevenção e diagnóstico precoce. Os portadores de mutação identificados podem escolher uma vigilância precoce e frequente, para além da quimioprevenção e de cirurgias profiláticas.

A EVITA identifica as necessidades não correspondidas mais importantes no tratamento e na prevenção de cancro hereditário: a falta de dados, a sub-identificação de portadores de mutação (nem sempre há uma história familiar evidente), os tempos de espera excessivos para testes genéticos e cirurgias preventivas, a necessidade de testes em painel, a falta de informação sobre a oncofertilidade e o diagnóstico genético pré-implantação (DGPI) e a falta de recursos. A associação EVITA trabalha arduamente para melhorar essas lacunas, aumentando o valor da saúde em Portugal e na Europa. Salvamos vidas!

Em breve teremos mais novidades: a Plataforma EVITA, o primeiro “ombro amigo” virtual, multifuncional e, nos tempos que correm, indispensável no apoio permanente aos portadores de mutação. Fiquem atentos!

O Futuro Promissor da Cosmética

A indústria de cosméticos surgiu no início do século XX como resposta à necessidade das mulheres de comprarem produtos prontos a utilizar, pois muitas já trabalhavam fora de casa. Desde então, nunca mais parou de evoluir. Serão poucas as indústrias que se adaptam tão rápida e eficazmente aos hábitos de consumo dos seus clientes. 

A indústria de cosméticos é camaleónica: acompanha, mas também cria tendências a um ritmo avassalador e, muitas vezes até, contraditório.

Para as marcas, algumas com histórias centenárias, o desafio é enorme. A adaptação diária exige uma capacidade notável de reinterpretação da missão, da visão e dos valores, sem nunca perder a coerência da mensagem. 

Numa sociedade onde ninguém quer envelhecer, onde o culto da imagem anda de mãos dadas com o ideal de sucesso, esta indústria com um pé na saúde física e mental, e outro na moda, será eternamente «moderna». 

A dinâmica dos mercados modifica-se continuamente e as exigências dos consumidores alteram-se e ampliam-se na mesma velocidade. O mercado global continua a ser beneficiado por uma série de tendências macroeconómicas, que incluem um crescimento mundial do poder de consumo pelo consumidor. Também estão presentes fatores sociodemográficos, tais como o aumento da esperança média de vida, o maior interesse pela aparência, as mudanças climáticas e no estilo de vida que criam oportunidades para novos nichos de mercado.

Os consumidores têm atualmente expetativas crescentes e mais sofisticadas. Não há apenas o foco na eficácia e segurança do produto, mas também nos ingredientes, nos materiais de conceção das embalagens, na «política» ecológica da empresa, no estilo de comunicação que adota. Os consumidores exigem uma beleza inclusiva, a igualdade de género, a atitude responsável e coerente por parte desta indústria, vista muitas vezes como fútil, mas absolutamente essencial. 

Nesta ciência vivem muitas outras. A aplicabilidade da inteligência artificial aos cosméticos é já uma realidade. São tendência os cuidados minimalistas sem componentes supérfluos, a cosmética sustentável e a personalização do produto. Para o sucesso desta evolução, muito contribuem as autoridades que regulam cada vez mais e melhor, permitindo assim a perceção pelo consumidor de que é mais seguro usar os produtos. 

A ciência cosmética pretende trazer saúde aos seres humanos criando e mantendo a beleza. A Organização Mundial da Saúde define saúde como «um estado dinâmico de bem-estar físico, mental, espiritual e social e não meramente a ausência de doença ou enfermidade». Esta ciência ajuda as pessoas a viver a sua vida saudável na sociedade através dos cosméticos que permitem revitalizar as gerações mais velhas, e tem até o potencial de vincular os idosos com a sociedade. Não se dedica apenas aos cosméticos em si, mas envolve também uma relação e uma análise da pele em que são aplicados e dos humanos que os aplicam.  

A cosmética tem um futuro muito promissor! Essa é uma certeza, para o bem de todos.

15  / 05 / 2020

Joana Nobre

A Geriatria e a Enfermagem

Segundo a OMS (Organização Mundial da Saúde), uma pessoa é considerada idosa quando tem 60 anos ou mais. Essa definição foi revista para variar conforme o estado de desenvolvimento do país onde a pessoa reside: em países desenvolvidos uma pessoa é considerada idosa a partir dos 65 anos e em países em desenvolvimento uma pessoa é considerada idosa a partir dos 60 anos.

O envelhecimento é um processo natural inevitável. Não é um processo que consiste apenas na transformação do “adulto” no “idoso” – ocorrem um conjunto de alterações no nosso corpo que tornam o indivíduo mais vulnerável a diferentes patologias. Tendo em consideração que o processo de envelhecimento pode ser beneficiado por um estilo de vida saudável, relembramos que nunca é tarde para adotar estilos de vida saudáveis que promovam um envelhecimento saudável. 

As sociedades modernas enfrentam, desde há alguns anos, o envelhecimento progressivo da sua população, colocando novos desafios e novas exigências aos sistemas de saúde. 

Com o aumento da longevidade, os profissionais de saúde, nomeadamente os enfermeiros, vêm potenciar a complexidade na sua prática de cuidados de enfermagem. Emerge um novo paradigma do cuidar, contudo, a realidade mostra-nos que no que concerne aos cuidados, as práticas assistenciais, de uma maneira geral, ainda não refletem as mudanças que se verificam na estrutura e no contexto das problemáticas associadas ao processo de saúde da doença.

A enfermagem é uma disciplina profissional que norteia os cuidados de enfermagem pela promoção dos projetos de saúde que cada pessoa vive e persegue, considerando que o cuidado de enfermagem “deve estar atento às atuais necessidades de saúde, dos indivíduos, família e comunidades, em ambientes complexos em constante mudança e interação”. A Enfermagem preconiza uma prestação de cuidados de qualidade aos utentes, de modo integral numa perspetiva holística da sociedade e do ser humano, desempenhando atividades de promoção da saúde e prevenção da doença: tratamento e reabilitação.

Os cuidados de enfermagem no idoso devem considerar as dimensões biológicas, psicológicas, sociais, económicas, culturais e políticas do envelhecimento, proporcionando um leque de respostas adequadas às reais necessidades das pessoas idosas e de suas famílias, dando visibilidade aos cuidados, prestados em diferentes contextos. São cuidados multidisciplinares e multidimensionais.

  O enfermeiro identifica a necessidade de cuidados do idoso, estabelece prioridades no cuidado, formula diagnósticos de enfermagem, planeia e executa intervenções de enfermagem dirigidas e personalizadas às características individuais, sociais e culturais das pessoas idosas e seus cuidadores, entenda-se cuidadores informais, estes, também alvo de cuidados. É, também, no seio da equipa que o enfermeiro desenvolve as práticas colaborativas no diagnóstico, tratamento e avaliação das situações.

Quando surgiu a oportunidade de trabalhar numa estrutura residencial para idosos não sabia o que me esperava, pois durante a licenciatura não temos bem noção qual a sua dinâmica e iria ser o meu primeiro impacto como profissional de saúde. Foram 4 anos de muita aprendizagem, trabalhar numa estrutura residencial para idosos é conseguir acompanhar o processo de envelhecimento ativo e saudável, conseguindo como enfermeira uma prestação de cuidados contínuos na prevenção e no controlo nas diversas patologias que são propícias no decorrer da idade. Existe um envolvimento familiar de todos os utentes que ali residem, uma vez que, não estando nas “nossas casas” exige uma série de fatores que são transmitidas no bem-estar e na saúde do idoso.